Essencial para o casamento: os deveres dos esposos

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*Lembremos que o matrimônio é uma instituição divina: Jesus Cristo o santificou já por ocasião de sua presença nas bodas de Cana, quando começou a pregar sua doutrina.Aqueles que se casam devem cumprir com suas obrigações, e os que se esquivam ou desempenham mal seus deveres serão duramente cobrados. Com as graças do sacramento vêm os deveres – e é deles que haveremos de falar nesta segunda parte.

A mulher deve respeitar e obedecer seu marido, porque este é, na família, o representante de Deus. O Apóstolo, na primeira carta aos Coríntios, descreve com precisão a superioridade do marido: o homem foi criado primeiro e a mulher foi-lhe dada como companheira. Se dizemos que o homem é a cabeça da família, dizemos igualmente que a mulher é como que o “corpo”.

É o corpo que obedece a cabeça, e não o contrário; mas seria absurdo pensar no homem que ousaria fazer mal a seus membros: destruiria a si mesmo. Ademais, a mulher foi criada da costela do homem: não foi nem da cabeça (para que não mandasse nele) e nem dos pés (para que não fosse sua escrava). A costela fica perto do coração, e isto prova que homem e mulher têm igual dignidade perante Deus: é o coração o símbolo da vida, e homem e mulher formam uma só carne porque ela lhe completa o que lhe foi retirado.

Obedecer ao marido é dever da esposa. Santa Rita de Cássia foi a testemunha escolhida por Deus para que não restasse dúvidas a que grau de perfeição isto pode ser elevado. Como a Igreja é Mãe, deixa-nos a perfeição para indicar que a eternidade acolheu a mulher por isto – de maneira que o Céu não pode acolher ontem o que será revogado amanhã: para Deus não há passado ou futuro, mas um único presente. Mas a Mãe também olha para o fato de que nem todas podem ter a virtude de Santa Rita – e por isto permite que a mulher que sofre maus tratos possa separar-se do marido: tal separação é apenas física. O laço continua indissolúvel, e nenhum dos cônjuges pode ter qualquer relacionamento enquanto o outro estiver vivo; ademais a separação física, na medida do possível, deve tender sempre ao perdão e à reconciliação. A mulher, devido a natureza fraca, tem o direito de ser tratada respeitosamente (I Pedro, III, 7)

A compreensão da santa submissão da mulher ao marido é, antes de tudo, a compreensão da vontade divina e do pecado original. Foi apenas depois da queda que Deus mandou que a mulher obedecesse ao marido (Gen III, 16). Para que a submissão seja santa, homem e mulher precisam cumprir com suas obrigações. Por um lado, a mulher que se revolta com este estado torna-se uma insurrecta, que mais se preocupa com o que a modernidade toma por “submissão” do que com as indicações da Igreja. Por outro, o homem que usa seu direito de mando para maltratar a esposa, faz mal a si mesmo e não a ela.

Ora, se a família é devota, temente a Deus, cumpre os mandamentos – então amará a ordem estabelecida por Deus. O homem, por seu lado, deve dirigir sua família e ser o protetor dos membros fracos (isto é, a esposa e os filhos). Lembremos das virtudes de São José, exaltadas na ladainha em sua honra: é ele o protetor da Virgem – e embora, por certo, toda a corte celeste pudesse vir em defesa de Maria, foi a este casto homem que Deus entregou a responsabilidade de proteger a Mãe de Deus. E Deus o fez porque sua ordem é perfeitíssima: o que serve para o mais ordinários dos homens, serviu para a mais extraordinária das mulheres, Maria Santíssima!

Estando claro que é o homem que dirige a família – e não a mulher – dizemos, no entanto, que o matrimônio é uma instituição que tem na mulher o coração de sua existência (comparemos, etimologicamente, as palavras matrimônio e patrimônio: a primeira denota que a mulher prevalece, a segunda, o homem). A mulher é o Sol da família: sem ela, os membros ficam entregues à própria sorte, e são como cegos que guiam a si mesmos. É bem verdade que é possível aprender a orientar-se quando falta a visão, mas a luz continua faltando aos olhos. Da mesma forma acontece com o lar do qual a mãe está ausente; e atualmente há muitas mães que, infelizmente, escolhem se ausentar.

A mulher deve cuidar do lar, assegurando que tudo esteja na mais perfeita ordem; deve ela ser a responsável por oferecer aos membros da família um ambiente digno. É o marido que traz o sustento financeiro – mas isto de nada adiantaria se a mulher não aplicar seus esforços para transformar o orçamento num lar. Quantas e quantas casas estão entregues à desordem porque a esposa não é sua sentinela? Vê-se casas com computadores, grandes televisores, etc. – mas emergidos em sujeira, faltando itens de necessidade básica! Ser dona-de-casa é muito mais do que limpar os móveis, lavar os pratos… estas pequenas coisas, na maioria das vezes divididas com os filhos a medida em que estes crescem, podem ser também co-realizadas por uma empregada doméstica, por exemplo – mas isto em nada subtrai a função de dona-de-casa da esposa que deve ser a rainha do seu lar. A sua presença é insubstituível, e o ambiente em que crescem os filhos ajuda a moldar o caráter.

O marido, por sua vez, tem a obrigação de chefiar a sua família e trazer o sustento para os seus membros. São José, humilde carpinteiro, sustentou uma Rainha e um Rei. Eis a prova de que Deus não deixará de amparar o homem na nobre tarefa de cuidar dos seus: esteve Ele próprio dependendo do pão de cada dia que o casto esposo da Virgem trazia diariamente de suas fadigas. Tendo o casal muitos ou poucos filhos, deverão adequar o estilo de vida à realidade financeira. É certo que o casal que só tem 1 ou 2 filhos pode oferecer certos luxos para as crianças: coisas desnecessárias, que mais deseducam que contribuem para a boa formação do indivíduo. Mais do que garantir um grande número de coisas supérfluas, vale ensinar a criança a dividir o pouco que tem com os irmãos! O homem tem a obrigação de trabalhar honestamente para garantir o sustento da família; de que maneira este sustento poderá ser organizado, depende dos esforços dos pais e do número de filhos que vierem.

Com isto esperamos esclarecer aos esposos que não tomem para si qualquer realidade pré-moldada de uma classe média consumista e atéia. Não devem os noivos casar já sonhando em ter tais e tais bens; tomando para os seus um alto padrão de vida; pensando nos mais tradicionais e caros colégios que a cidade oferece; nas viagens ao exterior que farão nas bodas vindouras. Se Deus mandar muitos filhos, há de se adequar a nova realidade, tendo aquilo que a condição permitir.

O marido – dissemos na parte anterior – ama a esposa com um amor santo. Não pode, portanto, amá-la de tal modo que caia na idolatria – isto é, como muitas vezes apregoa o mundo nestes relacionamentos desvairados. Há muitos esposos que gostam de exibir a mulher como troféu de caça, tendo fixação por sua aparência física, criando nela soberba e construindo o amor em cima de terreno arenoso. Isto, mais cedo ou mais tarde, há de se voltar contra ambos: nenhuma mulher pode ser submetida à pressão de ter um marido que tem prazer por exibi-la aos outros sem criar no íntimo uma vaidade doentia, que acaba por revelar suas mais terríveis facetas quando a idade avança. Não é desta forma que os esposos devem se relacionar, embora para nós o esposo ou a esposa de fato pareçam doces criaturas! Admira-se a beleza, mas sobretudo as virtudes espirituais, que é o verdadeiro ornamento dos cristãos.

O amor do marido para a sua esposa – diz São Paulo – deve ser como Cristo amou a Igreja. Que fez Nosso Senhor? Morreu por nós, foi espancado, cuspido, humilhado e crucificado. Que suportou? Todos os sofrimentos – a despeito de nossos pecados – para nos salvar. Da mesma forma, o marido ama a esposa: luta, sofre, se arrisca e está disposto a morrer por ela. Saber que teu marido – ó esposa! – a ama de tal forma não faz com que o ame igualmente? Afinal, a Igreja ama Jesus Cristo, é seu Corpo Místico. Então, maridos: escolher uma esposa para o matrimônio é ser-lhe amável; é eterno.

A obrigação de ser o chefe de família, atualmente, é coisa muito árdua. Os moços são geralmente educados na moleza, na dependência, na irreverência. Pode ser mais difícil para o homem de nossos dias chefiar do que a mulher obedecer. É preciso sabedoria e dedicação para ser o guarda fiel da família: o homem deve ter grande amor à religião para compreender o seu papel e mandar com benevolência e firmeza; da sua fidelidade à esposa e aos filhos pode depender não apenas a sua salvação, mas a de todos. Esta fidelidade não é apenas conjugal, mas de princípios: o homem deve ter um caráter sólido, o que não é possível tê-lo sem a vida da graça; que lástima é para a família cujo chefe tem certeza de pouca coisa e não se preocupa em ser coerente com suas decisões. Tais são os casos dos pais de família que mandam umas coisas para os filhos e depois desmandam; respondem às dúvidas das crianças sem qualquer interesse na matéria; relegam à mulher as decisões que lhe cabem em primeiro lugar. A esposa pode e de fato é a responsável por muitas das escolhas da família, mas estas escolhas precisarão ter o aval e o sim categórico do esposo – caso contrário, não podem se realizar.

A obrigação de educar cristãmente

Se os filhos são criaturas de Deus destinadas a mais alta felicidade no Céu, os pais – rigorosamente falando – não são mais do que servos; deverão regular-se pela vontade divina na educação dos filhos. (Catecismo do padre Francisco Spirago, volume 3) Os pais devem ter bem clara a obrigação de ensinar o catecismo, as orações, o temor e o amor de Deus, etc.

Os cuidados dispensados aos filhos são: evitar que a saúde dos mesmos seja prejudicada; alimentá-los e assegurar-lhes o futuro. O futuro dos filhos é principalmente a pátria celeste, onde deverão passar a eternidade com Deus. Em segundo plano está a garantia de um patrimônio – ao menos um lar onde repousar a cabeça, o trabalho e o estudo. “Não são os filhos que devem entesourar os pais, mas os pais para os filhos” (II Cor. XII, 14). Os pais precisam observar se os filhos caem em qualquer espécie de excesso, isto é, se tem inclinação para vícios, manias, egoísmos, etc. Quanto à alimentação, deve estar dentro da dignidade, o que parecerá óbvio (mas quantas mães deixam os filhos comerem porcarias, e desnutridos, embora até gordos!).

Os pais também têm a obrigação de rezar pelos filhos. “Os pais devem falar muitas vezes de Deus para os filhos, e a Deus dos filhos.” (São Francisco de Sales). Quanto a certas regras básicas da educação católica, eis algumas importantes:

- Devem batizar logo após o nascimento: o mais cedo possível, até mesmo no dia em que a criança vem ao mundo. Evita-se assim que, vindo uma desgraça, a criança morra sem poder entrar na pátria celeste. A criança que é logo batizada recebe o Espírito Santo, e não há razões para os pais adiarem este encontro por tantos dias!

- Devem instruí-los na doutrina católica: desde o primeiro “papai e mamãe do Céu” até o catecismo básico (quem é Deus, para que nos criou, para onde vamos depois da morte, como seremos julgados, o que devemos fazer para cumprir os mandamentos, etc.). Devem ensiná-los a rezar o terço, confessar, prepará-los de modo conveniente para a comunhão – e dedicar especial atenção para fazê-los entender a vontade de Deus, sobretudo em época terrível como a nossa, que nega a existência do Criador e procura destruir a Santa Igreja.

Leia mais sobre a educação cristã dos filhos na terceira parte: Essencial para o casamento: educação cristã dos filhos

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5 thoughts on “Essencial para o casamento: os deveres dos esposos

  1. A obrigação de ser o chefe de família, atualmente, é coisa muito árdua. Os moços são geralmente educados na moleza, na dependência, na irreverência. Pode ser mais difícil para o homem de nossos dias chefiar do que a mulher obedecer.

    Penso nisso e procuro fazer o máximo para que o Hudson seja um homem verdadeiramente Católico.

    • No sacramento a esposa também recebe graças extraordinárias para converter o marido cada vez mais. Rezo por vocês, sempre!
      Paz

  2. Ótimo texto! Espero encontrar um bom homem a quem eu possa ajudar a colocar tudo isso em prática numa família cristã!

  3. “Os pais também têm a obrigação de rezar pelos filhos. “Os pais devem falar muitas vezes de Deus para os filhos, e a Deus dos filhos.” (São Francisco de Sales).”

    Infelizmente, hoje em dia os filhos buscam tudo sozinhosm tem pais ateus =/ vejo isso muito ao meu redor

  4. Lu, que texto maravilhoso! Estou aguardando pelo terceiro! Não achei um noivo já católico, nem o era, mas agradeço muito por Deus ter nos feito descobrir o catolicismo juntos!

    Porque é lendo textos como esse, que tenho cada vez mais firme em mim, que NENHUM relacionamento chega perto do casamento REALMENTE cristão.

    Um casal qualquer pode ser “alegre”, ter uma vida confortavel e sem brigas. Até mais do que um casal católico. No entanto, a felicidade conjugal e pessoal, que está acima de momentos de dificuldade ou facilidade, só existe com amor verdadeiro. E Amor ao outro, só existe em quem ama acima de tudo à Deus, e faz a agrada-lo, e não tenho dúvidas que Deus recompense essas pessoas, com um amor edificante, eterno e único!

    E essa é a diferença entre quem realmente ama e quem acha que ama. Quem ama, de forma cristã e verdadeira, nunca deixará de amar. Não é algo que depende do momento, do dinheiro, das dificuldades que podem vir, ao contrário de quem gosta. Que acaba casamento até porque “ele jogava toalha molhada na cama”, ou aqueles que afirmam que “o amor acabou”, logicamente, nunca houve amor, o que havia era EGOÍSMO, de duas pessoas, tentando as duas, obter algo de bom para si através da convivência com a outra, procurando obter momentos de diversão, assim, quando surge uma dificuldade e a diversão acaba, acha que o “amor” acabou.

    Parabéns pelos textos, ter a real visão do matrimônio me faz querer chegar ainda mais rápido lá!!

    Não tenho dúvidas que você e Vladimir terão um lar maravilhoso, que ele será um verdadeiro chefe de família, digno e justo, e você uma verdadeira e excelente rainha do lar e dos filhos, uma ótima mulher! E que vão alegrar por demais a Deus, que vai recompensá-los sem dúvidas com muito amor e quantos filhos convém.

    =)

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