Catecismo de Primeira Comunhão – Dirigido aos Pais

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Sendo os pais a darem o catecismo de primeira comunhão, desejam saber no que, precisamente, consiste esse catecismo, que assuntos são indispensáveis, etc. O que uma criança precisa saber para estar bem preparada para a primeira comunhão? Eis a dúvida! Apresento meu programa de Catecismo para crianças entre 7 e 12 anos, de modo que irei comentando com algumas ressalvas.

Como espero ter deixado claro quando falei sobre o planejamento deste acontecimento singular, o catecismo é para ensinar as verdades da fé sistematicamente, da forma mais clara possível – não se trata, portanto, de ensinar de maneira desconexa certas informações sobre a Igreja. Sobretudo a mãe – é mais comum que esta bela tarefa seja sua responsabilidade – terá oportunidades de introduzir os filhos em outras questões da vida devota – como por exemplo, comemorar os dias santos! Então, a medida em que prepara um bolo especial, faz alguns santinhos, prepara a reunião do dia, etc., a mãe mostra à criança quão rica é a religião.

Uma excelente maneira de cumprir o programa básico de Eucaristia é assegurar os artigos do Credo. A criança deve dar conta dos artigos, sendo capaz de discorrer sobre cada um deles. Não se trata de explicá-los teologicamente, mas quando se questiona à criança: Explique “creio na Santa Igreja Católica”, que ela saiba argumentar que esta é a única Igreja verdadeira, fundada por Jesus Cristo, que as outras religiões são falsas, etc. Tendo domínio sobre o Credo, e sobre os temas de Primeira Comunhão, estão bem preparadas – teoricamente, é claro. Certifique-se de preparar os filhos para uma excelente confissão geral, pois poucos dão importância devida a isso.

A confissão geral serve também para estes casos, em que a criança já está na idade da razão (mais de 6 ou 7 anos), mas que infelizmente ficou sem se confessar por anos. Então seu filhinho tem 10 anos, por exemplo, e pode estar em estado de pecado mortal – pois quantos pais acham que seus “anjos” não precisam se confessar! Um santo, vendo o Inferno, viu uma criança de 6 anos condenada. Agora que os pais observem muito bem em que incorrem com tanta negligência… ajudar no exame de consciência, por exemplo, propicia conhecer o filho pequeno e que sorte de coisas se passa na sua alma. É verdade que os pais não podem inquirir o que se passou na confissão do pequeno, o que foi que disse ao padre, etc. – mas se está autorizado a saber as coisas erradas que os filhos fazem, para corrigí-los severamente. “Ah, mas minha filhinha não faz nada de mau!” – diz uma mãe ingênua, por acreditar que só os crescidos têm plena consciência do que fazem, e só eles podem cometer coisas tão graves que sejam chamadas de “pecados mortais”.

Pois tais mães não apenas se enganam, como estão a ajudar na condenação dos filhos! Ora, quando sabemos a selva em que se tornou a escola – lembram-se das pulseirinhas do sexo? – das brincadeiras maldosas e imorais (jogo da verdade e coisas do pior tipo), etc., então devemos enfrentar o problema seriamente, para não ocorrer de abafarmos a consciência. É muito duro, pois neste ano, durante a catequese, soube de coisas tão torpes que fizeram os meus alunos – não ouso repetir – por falta de discernimento, por certo amortecimento do que é bom ou mau… é assustador! Brincadeirinha imoral, que a criança se acostuma a ver, participar ou gostar – dependendo do caso (já pensou se sua menina beijou na boca de um moleque?) é pecado mortal, leva ao Inferno, é ponto definitivo. Um só pecado mortal leva à condenação eterna, por isso, vigia o próprio filho, veja um bom exame de consciência, ensina a confessar. Com a confissão Deus nos ensina a evitar o mal, pois se o filho vê lá a pergunta “Participou de brincadeiras imorais como jogo da verdade, etc?“, ele aprende a rejeitar isso, e vive a pureza que Jesus quer para as criancinhas.

Dito isto, vamos aos temas. Há muitas maneiras para a criança aprender a dominar o Credo e certas coisas básicas para a fé neste período. Comentarei os temas, colocando-os numa ordem conveniente.

1 – Catecismo Básico: Quem é Deus? Quem é Jesus Cristo? Quem é o Espírito Santo? O que é a Santíssima Trindade?

Que foi e como foi a encarnação de Jesus Cristo? Que foi e como se deu a redenção?

Tudo isto por perguntas e respostas. Isto facilita a assimilação da criança, que deve decorar muito bem esta parte.

2 – Criação do Mundo, dos Anjos e do Homem: Nesta parte, explica-se como Deus criou o mundo em 6 dias. Explica-se também a Batalha no Céu, para que tenham perfeita noção do que são os Anjos Maus/Demônios, e os Anjos Bons; Já introduz a questão do Inferno e do Céu eterno. Com a Criação do homem e da mulher logo em seguida, pretende-se ensinar que da mesma forma como os Anjos tiveram sua provação perante Deus, nós estamos tendo a nossa enquanto vivemos. Os Anjos, como não se arrependem por terem plena consciência dos seus atos, não tiveram a chance que temos. Explica-se o pecado original, a propensão ao mal, os efeitos dos castigos pela desobediência.

3 – Para salvar o homem e a mulher do pecado, Jesus Cristo veio ao mundo: Uma vez que se tenha dito como Deus nos criou para a sua amizade e como fomos desobedientes merecendo a morte,  se mostra o enorme amor que Deus têm por nós, vindo Ele mesmo se oferecer em sacrifício para nos salvar. Nos salvar de quê? Nos salvar do pecado e do Inferno (Os pais devem se certificar de que irão esclarecendo esses pontos, pois muito se repete que “Jesus veio nos salvar”, mas as crianças não compreendem se não se diz claramente).

Aqui cabe uma explicação suscinta de como Deus preparou o caminho da vinda do Seu Filho com profetas, escolhendo um povo (o judeu) para revelar as verdades da fé, e de como esse povo rejeitou o próprio Criador. A vontade é a de contar as mais belas histórias de tantos fatos importantes – mas a verdade é que estes não são fatos indispensáveis para formar a criança que está fazendo a primeira comunhão (quantos de nós sabem dizer como foi exatamente a história de Jonas e a Baleia?). Basta que ela tenha uma noção do que veio antes de Jesus – o mais importante é ela conhecer, amar e seguir Nosso Senhor, cumprindo os mandamentos; além de saber muito bem sobre o sacramento que está prestes a receber.  Durante toda a infância os pais poderão  oferecer a criança as histórias de Jó, Elias, Isaías, etc., e tudo o mais que julgarem necessário e benéfico. Aqui, no entanto, se pretende preparar a criança para o sacramento, para que ela tome conhecimento do básico.

A vida de Jesus Cristo deve ser narrada ao filho por meio de historinhas, durante todo o tempo em que se dá o catecismo. O que deve ser apresentado imediatamente – ao invés de se contar de forma linear a vida de Jesus – é o sacrifício do Deus feito homem na Cruz, descrevendo claramente – sem amenizar – as dores atrozes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os pais deverão antes chorar com os filhos, se a coisa lhes parecer pesada demais, mas não podem – sob nenhuma hipótese – pintar o quadro da paixão com cores leves. Há imagens muito significativas de Jesus Cristo flagelado, coroado de espinhos… que a criança veja e seja ensinada a meditar nestas dores – dores imensas que ela pode aumentar se escolher ser um mau filho para Deus. Pulso firme e descreve os cuspes, os socos no rosto, os xingamentos, as humilhações que sofreu o Nosso Deus por amor de todas as pessoas. Que as crianças aprendam, desde cedo, o que é o sofrimento e os sacrifícios (ver este texto ).

Apresentando a “Semana Santa” mostra-se como Jesus Cristo passou de aclamado pela multidão a ser crucificado também por ela. Aqui entram as explicações da Última Ceia e da Instituição da eucaristia – tema que os pais deverão voltar mais adiante – bem como da ressurreição.

4 - Mandamentos e Devoções: Uma vez que seu filho já sabe quem é o Criador do Céu e da Terra, e Seu Único Filho, Nosso Senhor – já sabe igualmente o enorme amor de Deus por nós, a ponto de morrer na Cruz – explica-se a criança que as pessoas não estão salvas, com o Céu garantido, porque Jesus sofreu e derramou todo o seu sangue. É preciso fazer a nossa parte. E de que forma? Cumprindo os mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, tendo devoção a Nossa Senhora, aos santos, ao Anjo da guarda.

Aqui, que se descreva minuciosamente cada um dos mandamentos: o que é obedecer e desobedecer cada um, com historinhas e fatos da vida dos santos. Por exmplo: que é pecar contra a castidade? É ver, ouvir, pensar e fazer coisas imorais. Ou seja: músicas, fotos, revistas, programas de tv. “brincadeiras”, namoro, etc. Dá exemplos práticos do dia-a-dia – de acordo com a idade da criança – e conta a história de Santa Maria Goretti e de Beata Albertina, de São Domingos Savio, de São Luis Gonzaga. Explica como uma menina católica e piedosa protegeu a sua pureza, explica como alguém “Prefere morrer que pecar!”

Os pais devem pontuar muito bem coisas como: um homem e uma mulher precisam ser casados na Igreja; casamento é entre um homem e uma mulher (pois Deus proibe e condena como abominação o contrário); e os temas de moral (obras de misericórdia, os 7 vícios e 7 virtudes,etc.), bem como já explicar o pecado enorme de se tirar um nenezinho da barriga da mãe.

Com as devoções, mostra o Imaculado Coração de Maria, o Sagrado Coração de Jesus, a medalha milagrosa, o escapulário, as novenas, as orações reveladas pelos santos, o rosário, enfim… aos poucos vai formando essa consciência na criança. Isto e apresentado aos poucos e constantemente, entre uma lição e outra, e na prática. Mostra os martírios e os santos.

5 - Devoção a Nossa Senhora: Certamente os pais lembraram ao filho da grandeza de Nossa Senhora na anunciação do Anjo; das dores desta Mãe durante a Via-Sacra de seu Filho amado; de como Ela apareceu diversas vezes para revelar coisas sobre a Igreja e o Mundo. Pois bem, cabe falar bastante da Mensagem de Fátima, pois é de suma importância que se tenha logo contato com este acontecimento. As crianças de Fátima são excelentes exemplos para as crianças e os beatos Jacinta e Francisco dizem muito aos pequenos. Mostra como os três viram o Inferno, como os dois entregaram a vida pelos pecadores! Convém ensinar o filho a ter a verdadeira devoção a Nossa Senhora, conhecendo e amando esta Mãe sem nenhuma reserva, arrancando todo o escrúpulo que atrapalhe a santa devoção a Mãe de Deus, que tanto corrompe as almas! A todo momento, fala de Nossa Senhora, pois como disse São Bernardo: De Maria, nada basta!

6 – Os Novíssimos : Morte, Juízo, Céu ou Inferno. Ora, conhecendo Deus, Seu plano de Salvação, Sua Mãe Santíssima, como praticar os mandamentos, e tudo o mais, chega o momento de falar sobre a recompensa eterna de cada um. Sim, Jesus Cristo veio nos salvar – e desejaria que todos se submetessem a Ele, mas não é assim que acontece. Alguns escolhem o pecado, a mentira, os prazeres deste mundo. Esquecem de Deus e crucificam-nO novamente com uma vida de pecados. O primeiro novíssimo – a morte – se entende muito bem, todas as pessoas morrem. Explica para o filho o que é a morte, onde todas as esperanças terminam e só resta a misericórdia de Deus. Então, fala do julgamento particular de cada um: assim que morre, aparece diante da pessoa Nosso Senhor Jesus Cristo para julgar tudo o que pensou, fez, falou. Descreve claramente que Jesus lembrará de cada palavra dita; como o Demônio aparecerá para nos acusar; como Jesus será justo conosco e decidirá: ou Céu ou Inferno. Procura deixar claro este juízo logo após a morte, para que a criança não se perca jamais em falsas idéias de reencarnação, de luzes e espíritos, etc.

Medita com os filhos o Inferno e o Céu, com detalhes. É melhor pensar no Inferno aqui, do que ser mandado para lá eternamente. O que há no Inferno? Fogo. Ódio. Quem está no Inferno? Os Anjos Maus, os mesmos que ficaram contra Deus na Batalha no Céu, juntamente com todos aqueles que escolheram odiar Jesus Cristo. Que sofre a pessoa condenada? Todas as dores e torturas possíveis; todas as doenças juntas; fome e sede; sente um cheiro insuportável; vive na pior escuridão; é atormentada pelo Inimigo de Deus e pela própria consciência; nunca e jamais vê Deus. Fala como é terrível para o condenado não estar nunca perto do Criador, dos Anjos e dos Santos. Mostra quadros do Inferno, como o de Fra Angelico, serve-se de tudo para que os filhos saibam deste lugar terrível, e temam ir para lá.

Conta sobre o Céu e descreve que maravilhas aguardam aqueles que amam a Deus e seguem os mandamentos. Que há no Céu? Deus, Nossa Senhora, os Anjos, os Santos. A pessoa no Céu é eternamente feliz, não há mais sofrimento, nem morte, nem fome. São João Bosco viu na entrada do Céu árvores de diamantes! Tira essa concepção errônea de um Céu sem graça, só com nuvens brancas, bosques planos… no Céu tudo é grandioso, é a verdadeira Cidade de Deus, com as mais belas coisas, inimagináveis! Se aqui temos grandes e belas catedrais, que dizer do que encontraremos no Céu! Não, é impossível dizer: só de olhar sentiremos o gosto delicioso de um fruto; os mais suaves aromas exalam neste lugar divino; os Anjos cantam músicas maravilhosas; Deus, Todo-Poderoso olha nos olhos de cada um dos que foram salvos e diz: “Meu Filho!” Nossa Senhora, Rainha do Céu, está lá o tempo todo para nos amar, e Sua voz é doce, Ela nos ama, e nos amará para todo o sempre.

Explica aqui o purgatório, as penas, como aliviar o sofrimento dos mortos, o valor e efeito da Santa Missa, como ganhar indulgências. Com estas coisas ditas, pode-se explicar o que é a comunhão ou comunicação dos santos – entre nós, da terra, com as santas almas do purgatório, e todas as pessoas salvas no Céu. Faz a diferença do juizo particular e o juízo universal, e como Jesus Cristo há de vir a segunda vez para julgar os vivos e os mortos. Explica a ressurreição, e como haveremos de recuperar nossos corpos no fim do mundo.

7 – Temas de Primeira Comunhão: Uma vez que o filho já conhece os artigos do Credo, as devoções, a vida de Jesus Cristo, convém – na reta final – esclarecer sobre os temas da Primeira Comunhão, que viriam a ser a confissão e a eucaristia. O que se deve dizer ao padre na confissão? Por que não podemos mentir nem esconder nada? Quando devemos nos confessar? Por que é terrível comungar estando em pecado grave? – Todas estas questões elucidadas com os exemplos dos santos. Os pais irão mostrar a primeira comunhão de crianças piedosas, para que sirvam de exemplo na virtude.

Sobre a comunhão, darão os exemplos dos milagres eucarísticos; como fazer ação de graças antes e depois de receber a hóstia; o que é uma Santa Missa, e todos os benefícios maravilhosos que ela faz aos homens do mundo inteiro; como é indispensável comungar para chegar a perfeição cristã, como Jesus se une a nossa alma! Que a criança reconheça que Jesus Cristo se dá na hóstia, e todas as consequências de mais esse ato de amor incondicional!

8 – A Igreja Católica: Claro está que os pais insistiram, todo esse tempo, que a única Igreja verdadeira é a católica, que Jesus Cristo a fundou quando esteve aqui na terra. Conhecendo o catecismo básico, tendo boa vida de oração e devoção, a criança agora aprenderá coisas relevantes sobre a Igreja de Cristo, como por exemplo: como Jesus a fundou nomeando o apóstolo São Pedro como o Chefe; como as outras igrejas são falsas; que fazem as freiras e os padres; e todos os fatos que acharem relevante.  O importante é que a criança esteja convencida de que sua fé é verdadeira, que ela ame essa Igreja de todo o coração! Cabe aos pais mostrar que lindas catedrais nós temos, os corpos incorruptos dos santos, as relíquias, etc.  Com isto, fecha-se também a explicação dos outros sacramentos.

Aí está! Um programa de catecismo para a primeira comunhão que abarca a parte dogmática, a parte moral e a da graça! A criança está verdadeiramente catequizada, sabe defender sua fé, conhece o Salvador, ama Sua Mãe, reza diariamente muitas orações, é amiga do anjo da guarda, se confessa, mantém o estado de graça, enfim… está pronta para receber a comunhão.

Mesmo uma criança de 4 ou 5 anos pode receber um catecismo como esse, basta que tudo seja simplificado de acordo com a idade – e que tanto para ela, quanto para os mais velhos, se repita constantemente as mesmas informações, se mostre muitas imagens para ilustrar os temas! E, crendo com toda força de alma em tudo o que aprendeu, a criança encontrará Jesus Cristo pela primeira vez!

Espero, de todo coração, ter ajudado com esta explicação do programa de catecismo que organizei a partir de muitos livros bons que li, da formação que recebi eu mesma, e com a ajuda de meu noivo Vladimir, também catequista. Se alguém sentiu falta de algo importante, e quiser dar sugestões ou críticas para crescermos juntos, sinta-se à vontade. Faço votos para que cada pai e cada mãe cumpra com responsabilidade a obrigação de ensinar os filhos a amar a Deus sobre todas as coisas – e como só amamos verdadeiramente aquilo que conhecemos, eis que devemos ensinar tudo o que sabemos, procurando sempre a ortodoxia da Igreja Católica, que é a doutrina de Cristo.

A primeira comunhão dos filhos e o retorno à prática da fé

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Muitos pais e familiares esperam ansiosamente pelo dia da primeira comunhão dos filhos: planejam a festa, os convites, as lembrancinhas, a roupa! Sobretudo a mãe não pode deixar de se emocionar com este momento, e vemos muitas se esmerarem para planejar a ocasião solenemente.  Muitas das mães dos meus alunos idealizam este dia, e devido à certa dificuldade que as paróquias vêm impondo nos últimos anos (comunhão tardia, catequese longa, de dois anos ou mais) ficam bastante ansiosas para saber se os filhos farão a primeira comunhão no fim do ano.

Tudo isso causaria autêntica alegria, não fosse a contradição que se verifica em boa parte destas mães e pais: estes não comungam, não vão a missa, não participam da Igreja, ignoram os mandamentos, rezam quase nada e freqüentemente vivem em estado de pecado público.  São pais que não se casaram na Igreja ou casaram-se anteriormente com uma pessoa e vivem atualmente com outra; que geralmente têm apenas o sacramento do batismo ou não comungam há anos; pais que vão à duas ou três missas anuais e ignoram como se reza um terço; pais que deixaram de ser católicos de fato. No entanto, eles matriculam os filhos na catequese, e é para eles grande honra ter um filho que fez a primeira comunhão – muito embora ignorem precisamente o que seja “isto”. Eles têm uma idéia vaga (e quando tem). Como se explica tudo isso?

Minha filha fará a primeira comunhão!” – diz uma mãe muito entusiasmada – “Ah, quando eu fiz a minha primeira comunhão! Que coisa mais linda! Todas de branco, segurando um tercinho… minha mãe era muito severa neste ponto, me fazia estudar mesmo o catecismo. Hoje não tem mais catecismo, não é? Uma pena, mas foi lindo… não vejo a hora de (nome da criança) fazer

Eis um diálogo real, repetido de modo parecido por muitas mães dos meus alunos. Para elas – estou generalizando – é a ocasião que importa, é esta beleza que elas não conseguem mais explicar de modo doutrinário, mas que as contagia. Quantas destas mães, que até ignoram a grandeza da eucaristia (a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na hóstia, esse encontro inenarrável) choram copiosamente quando seus pequenos se aproximam da fila da comunhão pela primeira vez! Primeira vez, mas não raro a última: passado este momento, nem elas e nem os pais fazem esforços para que seus filhos comunguem ao menos aos Domingos, e tão pouco aproveitam este valioso momento que Nosso Senhor Jesus Cristo oferece a cada família contemporânea: este valioso momento de conversão.

Enquanto pesquisa como fará os convites e que modelo de vestido a filhinha irá vestir, a mãe (ou o pai, avós, padrinhos) que se encontra na situação que descrevemos poderia se questionar onde está a sua fé neste mesmo Jesus Cristo que o filho ou a filha estão para encontrar. Em que momento da vida se abandonou a prática da religião – se é que houve alguma -, quando se deixou de frequentar a igreja e os sacramentos para levar uma vida em que os dias passam, o trabalho é duro, e os prazeres e o lazer cotidiano parecem nunca satisfazer? Quantos são os pais que só deixam para questionarem a si mesmos nestes aspectos quando a dor, as tragédias e a morte assaltam suas famílias – quando voltar-se para Deus é a única esperança de consolo?

Não há dúvida de que Deus envia os sofrimentos para aqueles que tanto ama, e todos nós temos cruzes – mas que dizer desta visita de Jesus Cristo às nossas vidas, que dizer desta oportunidade maravilhosa em que o próprio Deus, na eucaristia, visita nosso lar e nossos corações? Somos mais privilegiados do que os convidados das bodas de Canaã – onde Jesus esteve presente e operou o milagre de transformar a água em vinho – pois embora lá estivesse Nosso Senhor, o Verbo Encarnado a caminhar entre os homens, estar com Ele através da comunhão é estar muito mais próximo. Esta visita, este anúncio de que está batendo em nossa porta, Jesus Cristo faz à muitas famílias na ocasião em que estão preparando a primeira comunhão do dos filhos: Eis-me aqui! Estou presente em todos os sacrários da terra, e agora irei encontrar teu filho. Não queres também vir, mãe?

Por onde os pais começam? Que devem fazer quando reconhecem a necessidade deste retorno à prática da fé, quando foram tocados pela graça e sentem que desejam corresponder à este chamado? Se a primeira comunhão dos filhos é o caminho que o Senhor escolheu para converter essa família, nada mais natural do que voltar-se para essa mesma comunhão, que é o próprio Jesus Cristo, e decidir-se: eu também vou! Que devo e preciso fazer para também comungar?

A comunhão oferece aos pais todos os caminhos de que precisam para retornar verdadeiramente à fé: Em primeiro lugar, os pais reconhecem (ou tomam conhecimento, se for este o caso) que Jesus Cristo está na hóstia, e se desejam comungar, desejam encontrar Jesus Cristo verdadeiramente, com toda plenitude. Já não podem se satisfazer com o Pai-Nosso diário – coisa valiosíssima – mas reconhecem as graças inestimáveis do real encontro com o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Cristo na eucaristia. “Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos“, disse Jesus.

Em segundo, os pais têm a oportunidade de voltar ou iniciar os outros sacramentos da vida cristã.  É sobretudo uma oportunidade de abandonar o pecado mortal – que aniquilou a alma, separando-a de Deus – e voltar à vida da graça. Muitas pessoas reivindicam: Eu tenho fé!, isto é, acredito em Deus! Esta fé, é claro, um tanto mal-entendida – mas quantas podem dizer: eu tenho a graça? Quantas podem dizer que estão em amizade íntima com Deus porque estão seguindo os mandamentos, frequentando os sacramentos, confessando-se regularmente, mantendo assim as portas do Céu abertas pela misericórdia e justiça de Deus?

Abre-se então, para estes pais, um conhecimento profundo dos planos de salvação:  se para comungar é preciso estar em estado de graça, eles descobrem o que fazer e o que, mais especificamente, deve ser abandonado. Os pais que não são casados na Igreja não podem comungar – e não podem porque vivem numa situação grave de pecado, estão arriscando a vida eterna por algo inaceitável. Neste caso, os pais devem urgentemente regularizar a situação – e aí surge outra benção maravilhosa: o sacramento do matrimônio!

Se, ao contrário, os pais estão impossibilitados de casar na Igreja porque um deles (ou os dois) está casado perante Deus com outra pessoa [1] , é também um momento de conversão inestimável: é o momento que este pai ou esta mãe renuncia tudo por amor a Jesus Cristo e finalmente interrompe este relacionamento ilícito, buscando na comunhão  as graças de que precisa para suportar os sofrimentos. Aqui cabe também muita ajuda espiritual [ver nota] - e  devoção a Nossa Senhora.

Os pais que retornam à religião também voltam ao sacramento da confissão: para comungar é preciso se confessar. A confissão é necessária a salvação, ela nos garante a amizade com Deus: arrepender-se apenas, não basta. É preciso confessar todos os nossos pecados para voltar ao estado de graça, foi essa a vontade e ordem de Jesus Cristo. Vê-se, até então, quantas graças vão se juntando para aqueles que desejam encontrar Nosso Senhor na hóstia: que seria de nós se Deus não nos tivesse amado tanto para, além do sacrifício na cruz, nos deixar Sua Carne e Seu precioso Sangue! É inegável esta verdade: comungar é manter o estado de graça na alma, é ter aberta as portas do paraíso!

Tudo o mais é inevitavelmente acrescentado: confessado e comungando não há como não fazer o exame constante de consciência, e portanto, a observância dos mandamentos torna-se real. Já não serão estes pais como os “católicos” que riscam da vida certos mandamentos – eles serão agora obrigados a rever a própria conduta, averiguar se estão cumprindo os preceitos e os mandamentos de Deus e da Igreja. E se comungam, retornam a Missa, e a vida de oração! São tantas as graças que Nosso Senhor derrama para aqueles que desejam ardentemente ir à Seu encontro, que enumerá-las todas seria impossível.  Bastaria repetir incansavelmente as palavras de Jesus: “Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em mim e Eu nele“.

Maior responsabilidade têm esses pais, depois de considerarem todas essas coisas, quando pensam que estão nas suas mãos conceder todas essas graças aos filhos que fazem a primeira comunhão: como dissemos, muitos desejam a festa da ocasião, mas nem sequer garantem aos filhos o convívio com Nosso Senhor e o direito à religião como batizados, e tão logo a cerimônia termina, fecha-se a porta! Privam os filhos das graças espirituais necessárias à salvação dos mesmos, limam a religião e dão grande escândalo: testemunham que aquilo teve pouca importância, e que mais se ganha numa vida onde Jesus Cristo não pode nunca estar presente.

Demonstram amor aos filhos aqueles que os entregam a Deus, e não ao mundo que nada tem a oferecer. Diz uma mãe: como eu quero que minha filha faça a primeira comunhão! – é quase um sonho para ela, não fala em outra coisa, torna-se especialista em pesquisar por isso na internet. Mas que esse sonho não seja apenas o de vestir a bonequinha com um vestido gracioso, como se  fosse uma espécie formatura pagã, como se significasse um rito de passagem (há mães que, da mesma maneira que desejam festejar a mocidade da filha aos quinze anos, consideram atestado de maturidade a primeira eucaristia). É uma verdadeira lástima!

Possa Nossa Senhora, medianeira de todas as graças e como Mãe perfeita, tocar o coração dessas famílias que encontram mais esta graça extraordinária para conversão e santificação! Realmente, são privilegiadas estas famílias que Nosso Senhor visita também desta forma, manifestando todo o Seu amor e vontade de salvar o mundo! Faço votos para que a primeira comunhão do seu filho ou da sua filha seja ocasião para a conversão de todos os membros da família – conversão real à vontade de Deus, um total comprometimento com a fé católica e todos os caminhos para a salvação. Não se chega ao Céu sem sacrifícios.

Nota

Ver artigo excelente que responde muito esta questão:

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/4D11022E-3048-313C-2EC1FECA2F512378/mes/Agosto2010

Parte 3: Planejando a Primeira Comunhão dos Filhos – Preparar a ocasião

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Primeira Comunhão

Então está chegando o dia da primeira comunhão do seu filho ou da sua filha! Com certeza você pensa em organizar um dia especial, chamar a família, oferecer um jantar ou um almoço.  Depois de todo um ano (certamente muito mais, se formos levar em conta a primeira vez que você falou com seu filhinho sobre Deus) preparando a criança com as lições do catecismo, os sacrifícios, as orações, os muitos rosários que rezaram juntos, eis que chega o grande momento da primeira comunhão!  Mas o que você tem em mente para este dia? Aqui darei algumas sugestões que poderão ser úteis.

Festa?

Muitos pais planejam dar uma festa do dia da Primeira Comunhão dos filhos. Se isto é conveniente ou não depende do que os pais têm em mente por “festa”; e levando em conta o que se tornou hoje em dia todas as espécies de festas (aniversários, casamentos, etc.) é bom que os pais repensem muitíssimo bem que situação estão prestes a criar neste dia tão especial para a família. Se pensam em literalmente encher a casa com balões, alugar painéis, fazer comes e bebes e chamar uma lista de convidados para confraternizarem, a idéia deve receber um categórico “não” e ser imediatamente deixada de lado. Este tipo de festa, além de inadequada para a ocasião, costuma ser recheada de inconvenientes, tais como música de péssima qualidade, pessoas que bebem demais, bagunça e etc. Não convém, portanto, submeter seu filho, que acabou de receber Nosso Senhor, a um clima de irreverência que retira toda a sacralidade do momento.

Há uma grande diferença entre dar uma festa de Primeira Comunhão e festejar este momento solene. Festejando, você pode preparar um dia inesquecível para todos da família, sem que isso se transforme numa baderna. Primeiramente, embora seja um dia importante, há de se observar que os convidados não precisam ser numerosos. Imagino que muitos pais sintam a necessidade de chamar conhecidos da paróquia, parentes distantes e colegas de trabalho (muitos que nem são católicos) para ver a primeira comunhão dos filhos e depois “comemorarem” com um almoço. Aí está a mesma situação inconveniente da “festa” que descrevemos acima. Precisamos ser razoáveis e nos perguntar a quem realmente dedicaremos este dia: se a nós mesmos, ou a Jesus Cristo que agora também se oferece aos nossos filhos. Por isso, penso que o festejo da primeira comunhão deve ser familiar e íntimo, para que a criança sinta quão especial é este dia.

A ocasião em si – a primeira comunhão na Igreja, durante a missa – já reúne muitos dos conhecidos que a família tenderia a chamar por consideração. Como infelizmente as missas andam barulhentas demais – bandas de rock, grupos que entram dançando com a bíblia – um excelente esforço dos pais seria o de procurar uma paróquia um pouco mais calma e tradicional para que o filho fizesse a primeira eucaristia. Como na Parte 1, indiquei que também seria possível conversar com o sacerdote para que os próprios pais se responsabilizassem por dar o catecismo dos filhos (há mais facilidade de um diálogo desses com um padre de uma paróquia mais séria).

Fora a família, poderiam estar presentes os padrinhos e os amigos (católicos) íntimos da família, para um almoço ou um jantar. No meu post sobre receber amigos para um jantar bem preparado, há excelentes dicas a serem adaptadas para a ocasião. Penso que os detalhes numa mesa bem posta podem fazer a diferença neste dia. Por exemplo, colocar as lembrancinhas ao lado das taças e enfeitar a mesa com pétalas brancas espalhadas. Na foto abaixo, você pode notar como a cadeira em que deve sentar a criança que fez a primeira comunhão foi enfeitada, coberta de branco e com rosas.

Selecionando bem os convidados, para que realmente todo o dia seja uma ação de graças para Nosso Senhor, a família pode planejar uma refeição  leve, com entrada e sobremesa (que pode ser o bolo que geralmente muitos gostam de fazer decorado).  Um cardápio com saladas e peixes seria muito adequado, como salmão, vermelho ou bacalhau. Como bebida, vinho – mas como muitas são as queixas das famílias com relação àquelas visitas que bebem demais e causam desconforto, que os pais estejam muito atentos aos convidados e à moderação.

A roupa da criança

Poucas coisas agradam tanto â mãe numa ocasião como esta do que escolher a roupa de seu filho – especialmente se for uma menina. Algumas paróquias adquiriram a estranha mania de fazer a primeira comunhão com camisetas (!), chegando até mesmo a dizer que são obrigatórias. Isso é mesmo um absurdo, e os pais devem insistir para que os filhos não sejam obrigados a usar essas camisetas horrorosas e transparentes. Além do fato da camiseta ser uma peça masculina que deixará sua princesinha muito sem graça nesse dia, para um menino fazer a primeira comunhão com esta peça é deselegante. Os moços devem vestir terno e gravata – que, por favor, não precisam ser brancos – e as moças vestem lindos vestidos brancos.  Para as meninas, há ainda a escolha do véu, da meia-calça branca, dos sapatos (fechados), além da opção pelas luvas.

Eu criei um álbum com mais de 90 modelos de vestidos e ternos  para a primeira comunhão: Clique aqui.

Abaixo, você vê estes meninos na sua primeira comunhão (detalhe para a fita branca colocada no ombro) muito bem vestidos.

Para a sua filha, há sempre mais idéias, e é mesmo provável que se encontre lindos vestidos brancos em lojas de festas (para alugar, por exemplo), desde que sejam recatados, ou seja, sem nenhum decote (sim, algumas mães têm coragem de colocar suas filhas para comungarem com vestidos que mostram costas, colo, etc.),e que também sejam abaixo do joelho em pelo menos 4 dedos, e com mangas (nada de alcinhas!). Mais fácil, porém, é que se escolha o modelo e o encomende com uma costureira, para que saia exatamente como se deseja. O véu poderia ser de grinalda para esta ocasião, mas também pode ser de renda. Eis alguns exemplos para a sua filha:

Outros detalhes

Há também outros detalhes para este dia especial, como os convites, o livrinho de orações (é muito comum a criança ganhar um livro de orações neste dia, com ações de graça para antes e depois da comunhão, por exemplo), o tercinho branco para se entrar na igreja, os cartões que a família deve escrever para felicitar a criança.

Algo muito importante são os pedidos que a criança fará neste dia, que segundo a tradição, feitos no dia da primeira comunhão, são atendidos por Nosso Senhor. Quando fiz minha primeira comunhão, meus pedidos deram 4 páginas (!), mas com certeza seu filho não precisa ser tão prolixo! Sugira que ele peça claramente a graça de ir para o Céu, bem como a intercessão de Nossa Senhora em seu favor, especialmente na hora da morte.

Há muitas sugestões na internet – principalmente em sites estrangeiros – de lembrancinhas para este dia, como velinhas, terços, medalhas, etc., por isso pesquisar é bom para escolher algo bem criativo.

Espero que essas sugestões tenham servido para que você torne este dia memorável para toda a sua família!

Parte 2: Planejando a primeira comunhão dos Filhos – Os sacrifícios

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Uma das mais importantes lições quando se está preparando a criança para a primeira eucaristia é a do sacrifício que Nosso Senhor fez por nós, uma vez que o filho está prestes a participar da comunhão. Quantas e quantas crianças, todos os anos, recebem a hóstia sagrada a primeira vez sem ao menos saber que é Jesus Cristo que se oferece nela! Todas as minhas crianças, no início do ano, matriculadas na catequese para fazer a eucaristia, não tinham a menor idéia do que era a Primeira Comunhão. Perguntei diversas vezes o motivo de estarem ali, se elas tinham alguma noção do que lhes aconteceria no fim do ano, se os pais ou mesmo os catequistas dos anos anteriores lhes tinham dito algo a esse respeito, mas elas realmente não souberam responder.  Pode parecer óbvio ao catequista  que dois ou três temas sobre “participar do banquete eucarístico” durante o ano serão suficientes para que a criança saiba o que é a comunhão, mas para além do fato de que esta linguagem muito utilizada hoje é quase imcompreensível para a criança, está a péssima memória dos pequenos. 

Por isso, uma prática muito antiga da Igreja – como consta nos diversos catecismos de primeira comunhão – é a dos sacrifícios.  Ao mesmo tempo em que esta é a melhor fase para ir esclarecendo à criança sobre os sofrimentos de Nosso Senhor (aqui os pais tenham em mente que deverão explicar cuidadosamente a flagelação, a via-sacra, etc) é também o melhor momento para exigir dela renúncias, trabalhos e disciplina. É sem dúvida uma grande oportunidade para os pais que, tomados pela desordem e liberalidades do mundo atual, vêem que a educação dos filhos corre sérios perigos.

Os sacrifícios

Mas em que consistem exatamente estes sacrifícos? Trata-se de introduzir a criança na Pequena Via de Santa Terezinha, em que ela fará atos de renúncia com verdadeiro amor à Deus e à Virgem Santíssima, aproveitando as pequenas ações da vida para ir se mortificando.  Certamente seu filho tem direito à certos confortos e regalias próprios aos da infância e de acordo com as possibilidades financeiras da família.  Ele tem divertimentos e preferências – e como a maioria das crianças de hoje, não gosta de tarefas. Pois muito bem: aí está uma espécie de sacrificio bastante útil para se começar. Com meus alunos, iniciei perguntando-lhes seus gostos, mas os pais conhecem os filhos o suficiente para saber exatamente onde atingir. No meu caso, quando explicava a lição da Paixão de Cristo, introduzi os sacrifícios para os meus alunos lhe entregando envelopinhos com os seguintes comandos (A instrução do cartão era: Ofereço meu sacrificio por Nosso Senhor crucificado nessa semana santa…)

* Ficarei – tantos dias – sem ver televisão (claro, no caso dos seus filhos, eu aconselharia a cortar totalmente este hábito, e não só pelo período dos sacrifícios)

*Ficarei responsável pela faxina da casa por tantos dias

* Não usarei o computador por tantos dias (um dos meus alunos é viciado em computador)

*Lavarei os pratos, organizarei meu quarto e a mesa de jantar, etc

* Vou dormir sem travesseiro por tantos dias

Há realmente uma infinidade de tarefas a serem exigidas quando se têm em mente coisas do gênero. O importante é conversar com a criança para que ela tenha a consciência de que não está fazendo isso pelos pais, mas sim oferecendo a Deus um pouco do seu esforço. Pode parecer singelo, mas estes sacrifícios são muito úteis para começar; ademais, os pais lucram se não ensinaram os filhos a tomarem para si algumas tarefas domésticas.  Pode-se pedir a renúncia de um passatempo preferido (como jogos, abandonar a coleção por um período ou  frequentar o cinema). Os pais não devem perder a oportunidade de erradicar para sempre aquele mal costume que o filho acabou adquirindo, como por exemplo, fazer a criança desistir de certas companhias ou de ser “fã” do que quer que seja (é muito comum que as crianças hoje em dia cultuem desenhos animados, personagens de jogos eletrônicos, bandas, etc).  Então os pais poderão conversar com os filhos e passar valores, ensinando-lhes o valor real das coisas, e os benefícios de todas as renúncias.

Li um livro em que a professora de catecismo criara uma espécie de livrinho para ir anotando todos os sacrifícios de seus alunos, até o dia da primeira comunhão. Os pais poderão fazer algo semelhante, como por exemplo um cartaz em que serão registrados os atos de renúncia com estrelinhas. A medida em que a criança for superando estas primeiras tafefas, introduz-se novas e mais exigentes. No terceiro mês de sacrifícios, pedi a meus alunos que escolhessem a renúcia que fariam, e incentivei que eles fossem exigentes consigo mesmos; juntamente com isto lhes dei a responsabilidade de rezar pela conversão de um pecador para a Igreja Católica, bem como fazerem uma oração pedindo, com fervor, para irem para o Céu. Duas semanas depois, quando eles deveriam ter cumprido tudo, lhes recompensei com este santinho, feito especialmente para eles:

 Os pais podem também pedir que às crianças façam jejum de determinada distração (já que existem regras para o jejum propriamente dito, para crianças até 14 anos e jovens até os 21). Meus alunos também fizeram jejum deste tipo, e esta semana, quando voltamos do recesso, saberei o resultado!

Sacrificios para ensinar as Obras de Misericórida

Eis uma excelente maneira de ensinar os filhos sobre as principais obras de misericórida. Quando chegar o momento de falar sobre elas, durante as lições do catecismo, a mãe poderá conversar com o filho e propôr, para as obras que forem possíveis, as práticas correspondentes. Relembrando as principais obras de misericórdia:

1) As obras corporais: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; visitar os enfermos e encarcerados; remir os cativos; enterrar os mortos.

2) As obras espirituais: dar bom conselho; ensinar os ignorantes; advertir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do próximo; rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos.

Dependendo da idade da criança, os pais escolherão quais obras os filhos podem compreender e praticar, mas convém manter sempre o espírito de renúncia e sacrifício. Se farão qualquer doação de roupas, que a própria criança participe da seleção das roupas, selecionando dentre as próprias (estando os pais de acordo, é claro) as que serão oferecidas. Para a doação de alimentos, os pais podem negociar uma parte da quantia dada a criança para as próprias merendas, especialmente em ocasiões como saídas ao shopping center (fazendo a criança poupar o dinheiro da batata frita, por exemplo). Se os pais costumam levar os filhos todos os sábados para algum divertimento, este é o dia ideal para fazerem visitas à orfanatos; e assim os pais podem organizar igualmente as orações pelas almas do purgatório justamente no horário em que a criança dispunha para se entreter.

Quanto bem às almas das criancinhas quando desde cedo começam tais renúncias! De todos os sacríficios que fizer com os filhos, ensinar sempre com a vida dos santos, e principalmente com o grande sacríficio que Nosso Senhor fez pela humanidade, lembrando igualmente dos sacrifícios da Mãe do Salvador. Os pais notarão como a criança lutará interiormente para suportar os desconfortos; como o egoísmo tentará suplantar a virtude; como a preguiça atrapalhará em alguns momentos, mas eles não podem se dar por vencidos. É bastante óbvio que os pais devem intensificar os próprios sacrifícios e as orações, se desejam obter graças para os filhos. Mas com certeza, Nossa Senhora cumulará de bens espirituais os esforços da família que assim procura chegar à santidade!  Como vê, todas estas são excelentes práticas trazidas à vida familiar através da primeira comunhão que se aproxima!

Em breve:

Parte 3: Planejando a primeira comunhão dos filhos – Preparar a ocasião