Exercícios de Escrita (1): ensinando a interpretar um provérbio (duas abordagens)

por Vladimir Lachance (via blog Perelim – Literatura, Educação, Humanidades)

No livro A Arte de Escrever e de Falar: Volume 2 – A Composição Literária, o prof. Osmar Barbosa propõe duas maneiras para se interpretar um provérbio.

A primeira maneira é interpretá-lo através de um CONCEITO. Assim, sintetiza-se a ideia que o provérbio quer comunicar através de um texto que o explica conceitualmente.

A segunda maneira é interpretá-lo através de uma NARRAÇÃO. Assim, desenvolve-se a ideia que o provérbio quer comunicar através de um texto narrativo que o explica imageticamente.

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Vejamos um exemplo dado por Barbosa:

  1. Interpretar o provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau.”

a) Em forma de conceito: Nem sempre a aparência reflete o interior. Também, muita gente que vive pregando a paz, num contraste com seu espírito, tem ao seu redor pensamentos hostis. Quantas escolas exigindo de seus alunos aplicação e disciplina, com professores sem competência ou negligentes! Para casos assim, nada mais certo que a aplicação do provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.

b) Em forma de narração: Havia, em certa cidade, um famoso escritor. Suas obras eram admiradas por todos e ele vivia mergulhado em sua vasta biblioteca. Ninguém possuía ali uma outra igual. No entanto, seu filho, contrariando a aspiração paterna, mal folheava os livros escolares, frequentando apenas os botequins, onde se entregava aos jogos de aposta e desperdiçava o seu tempo em conversas vazias. Era um dos estudantes menos aplicados, não obstante existir em casa tantos livros que poderiam torná-lo um aluno aplaudido por todos os professores. De onde se conclui que tem sua vez o provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.

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Este tipo de exercício pode ser utilizado também com crianças, tendo-se o cuidado de propor-lhes provérbios adequados à sua compreensão – o que passa pelo conhecimento da linguagem utilizada e também do universo de coisas a que o provérbio se remete.

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Pré-venda – A Arte das Letras: Livro

A pré-venda está fechada. Aguardem o período de VENDAS em JULHO.

A Arte das Letras é um livro didático de Português indicado para crianças entre 8 e 13 anos.

Ao adquirir o livro impresso (114 páginas), você também receberá:

01 livro de exercícios em PDF (50 páginas)

01 acesso ao grupo fechado “A Arte das Letras”, onde poderá tirar dúvidas e interagir com outras pessoas que adquiriram o livro.

Clicando no link abaixo, você pode ter uma prévia do livro A Arte das Letras:

Prévia de A Arte das Letras

Meu esposo e eu escrevemos este material, que foi utilizado com excelência durante 1 ano no Colégio Catamarã Referência, onde meu esposo é atualmente professor de Língua Portuguesa e Diretor de Formação Pedagógica. O material também foi utilizado por famílias homeschoolers neste mesmo período, com ótima adaptação e aplicação.

Os melhores livros – crianças até 5 anos

Esta nova lista é um complemento à lista Os melhores livros – até 2 anos. A lista anterior contém livros criativos que podem ser lidos desde os primeiros dias de vida do bebê. Se você está começando uma biblioteca para os seus filhos, eu recomendo ver a lista anterior, mesmo que seus filhos tenham mais de 2 anos.  A maioria dos títulos da lista Os melhores livros até 2 anos é adequada para crianças mais velhas e seria interessante começar por alguns deles, e só então, passar para esta nova lista  – que de acordo com meus critérios muito pessoais (fique à vontade para discordar) pressupõe a leitura em voz alta de livros mais fáceis por um período.

Você verá por si mesmo que quase todos os títulos desta lista são adequados para crianças de todas as idades. A razão principal pela qual eu coloco faixa etária é o próprio caminho literário que eu tenho percorrido com os meus filhos (atualmente, a mais velha tem 5 anos).

Os livros desta lista que direcionam à AMAZON revertem para este blog. Não há custo algum para vocês, mas nos ajuda muito, por isso, eu peço a generosidade de, em caso de compra, fazê-lo através dos meus links. Não é necessário que sejam estes títulos em particular; basta clicar em um link e buscar no site qualquer produto Amazon, adicionando ao carrinho e finalizando a compra em 24 horas. Obrigada!


Livros que amamos

Eu gosto muito de livros infantis que falam do universo dos contos de fadas. Como estamos bem familiarizados, as crianças aproveitaram – e gostaram bastante – destes títulos.

A Floresta – belo livro da ilustradora Claire Nivola sobre o medo de um ratinho da floresta vizinha.

Na Floresta, de Anthony Browne, relembra alguns dos principais personagens dos contos de fadas numa floresta soturna.

O túnel, de Anthony Browne, é um pequeno conto de fadas sobre irmãos briguentos.

O Nabo Gigante  é uma divertida história em que um velhinho e uma velhinha plantam um nabo que cresce até ficar gigante. Para tirar o legume do solo será necessária a ajuda de todos os animais da fazenda .

Em os Fantásticos livros voadores de Modesto Máximo, uma comovente história de amor aos livros.

Carlinhos precisa de uma capa: Um livro de Tomie de Paola sempre vale a pena.

Narrativas um pouco mais longas.

O divertidíssimo O duende da Ponte

Alice no Jardim de Infância é uma versão de Alice escrita pelo próprio Lewis Carroll para crianças até 5 anos (daí o nome no Jardim de Infância; uma outra editora o lançou como Pequena Alice no país das Maravilhas, mas trata-se da mesma obra)

Petúnia é um clássico da década de 50 do famoso ilustrador Roger Duvoisin

 

Sr Bliss, ilustrado pelo próprio JRR Tolkien, é o livro ideal para apresentar aos pequenos este grande escritor (será reeditado no próximo ano)

Ola, Olê, Beto Por quê, do alemão Michael Ende, mostra a faceta nonsense que o autor exibe nas obras de Jim Knopf.

Os três ratos de Chantily, recontada e ilustrada pelo brasileiro Alexandre Camanho, é baseada no clássico francês Os três cegos de Compiegne e tem uma linguagem maravilhosa – meus filhos acompanharam bem apesar dos termos mais rebuscados.

O livro do foguete, de Peter Newell, é escrito em versos e tem um furo em todas as páginas do livro, para indicar a passagem do foguete num prédio alto.

Livros clássicos da Literatura infantil brasileira

A literatura infantil brasileira raramente é bem ilustrada: não digo que todas as ilustrações cheguem a ser ruins, às vezes são até bonitinhas, mas é muito difícil encontrar um ilustrador de peso, com viés mais artístico. Geralmente, são ilustrações com traços infantis mesmo; isto, e o fato de que a literatura infantil brasileira está repleta de histórias excêntricas sem muito valor literário acabam por me afastar um pouco dela. No entanto, existe um ponto em que ela é indispensável: a linguagem. Livros escritos em língua portuguesa têm uma grande vantagem de vocabulário vernáculo, e é por isso que eu recomendo que você sempre invista em títulos brasileiros. Nas bibliotecas municipais, o acervo infantil brasileiro costuma ser muito bom. Estes livros costumam trazer palavras e rimas próprias do nosso idioma, além de acrescentarem do ponto de vista cultural e ajudar no processo de alfabetização.

Lúcia-já-vou-indo, um clássico bem escrito de Maria Heloísa Penteado

A cesta de Maricota, de Tatiana Belink, escritora com vasta obra

O bichinho da maçã, de Ziraldo, continua divertido para crianças. Há muitos títulos interessantes para crianças do autor, como Flicts, Os dez amigos e a coleção ABZ (um livro para cada letra do alfabeto).

Ana Maria Machado foi uma das duas escritoras brasileiras de literatura infanto-juvenil a levar o prêmio Hans Christian Andersen, o maior prêmio internacional da categoria. Ela é responsável por registrar boa parte de nossos contos e lendas orais Brasil afora para crianças, além de escrever títulos próprios. Escreveu muito,  por isso, há que se filtrar bastante.

Por falar em linguagem, Sylvia Orthof tem muitos títulos que exploram termos e rimas da língua portuguesa, além de ser muito criativa.

Papai Bach, família e fraldas! e Cadê a peruca do Mozart são dois livros divertidos baseados na biografia dos dois músicos, com muita rima e ficção.

Veja também: A limpeza de Teresa, História Avacalhada.

Poemas e Rimas para crianças

Estes são, provavelmente, os principais clássicos (de língua inglesa) de poesias e rimas dedicadas às crianças pequenas disponíveis no nosso mercado editorial.

O flautista de manto malhado em Hamelim, famoso poema da literatura, na versão de Robert Browning, grande poeta inglês

Os gatos, do excelente T.S.Eliot (e que deu origem ao famoso musical Cats, da Broadway)

Jardim de Versos, de Stevenson, têm sido o maior clássico de rimas para crianças na língua inglesa

Viagem numa peneira, de Edward Lear, o poeta nonsense inglês, sempre lembrado com Lewis Carroll. Ele é famoso pelos limeriques, poemas curtos e não necessariamente com sentido.

Manuel Bandeira conta com alguns livros disponíveis de seus versos para crianças, como este Para Brincar e Berimbau

Zum-zum-zum, escrito por Lalau e ilustrado por Laura Beatriz –  uma parceria que rendeu outros títulos muito interessantes, de poesia e de fauna e flora brasileiras.

ABC até Z, de Bartolomeu de Campos de Queiróz, autor que tem muitos títulos infanto-juvenis pouco conhecidos no Brasil. Eu gostei desse livro porque os poemas de cada letra trazem exemplos menos óbvios de palavras.

Coleções

A coleção Os Mais belos contos, da Cosac Naify, trazia títulos como O Alfaiate Valente, As Penas do Dragão, e O Nariz, de Gógol. Infelizmente, a editora acabou e esses títulos esgotaram e são raros em sebos. Mas as ilustrações são incríveis e o texto muito bem trabalhado. Vale a pena procurar.

Fábulas de Ouro é uma coleção bem ilustrada da Editora Paulinas e conta com diversos títulos, como O Gato de Botas e outras histórias. É nesta fase que eu começo a apresentar contos que falam de outras culturas do mundo, a exemplo de As mais belas fábulas russas.

Na lista anterior, eu indiquei que você deveria ter pelo menos uma edição ricamente ilustrada das fábulas de Esopo. Esta edição das Fábulas de La Fontaine traz fábulas ampliadas (ou seja, aquelas fábulas curtas que conhecemos são recontadas numa narrativa mais extensa). As crianças acompanham melhor as fábulas quando têm à disposição um volume com belas ilustrações.

Versões individuais dos contos de fadas e coleções ricamente ilustradas

Embora eu ame contos de fadas e tenha algumas edições de contos completos de Andersen e Grimm, eu invisto nessa fase sobretudo em versões individuais dos contos mais adequados ou em coleções bem selecionadas, com muitas ilustrações em todas as páginas. Edições completas (à exemplo de Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos) trazem contos inadequados para a primeira infância, com excessiva violência. Por outro lado, edições com poucas ilustrações não atraem a atenção dos meus filhos entre 3 e 5 anos, por isso, eu prefiro deixar estas edições para quando eles forem fluentes e puderem ler por si mesmos.

A Editora Ática tem vários títulos ilustrados por A. Archipowa para os contos de Grimm.

Paul O. Zelinsky é um dos maiores ilustradores que eu já conheci. Esta versão de Rapunzel é uma obra-prima. Apenas em inglês, mas vale a pena importar pela Amazon Brasil.

Biografias

Comecei a incluir diversas biografias na biblioteca dos meus filhos.

A História de Jesus, da editora Rosari, numa das mais belas edições disponíveis.

Veja também: Biografias de Santos como São Francisco de Assis, Santa Catarina de Siena e Santa Bernadete (estes dois últimos da Paulinas)

Histórias em Quadrinhos

Embora por aqui nós já tenhamos feito leituras de quadrinhos como TinTin, eu sei que não é o mais adequado à faixa etária. Incluo alguns exemplares de banca da Turma da Mônica, mas é preciso olhar com cuidado o conteúdo das edições. No entanto, os personagens de Maurício são realmente muito criativos. Versões de histórias fechadas como este Turma da Mônica e o Mágico de Oz encantam os meus filhos.

Qualquer edição da Turma do Snoopy é bem-vinda

Invisto em adaptações de filmes clássicos, como este, nas bancas este mês, de A Bela e a Fera, o preferido da Lupita.


É isso. Não tem tudo (bem, temos quase 400 livros em casa para eles), não inclui livros educativos nem temáticos, mas espero que tenham gostado!

 

I Feira de Ciências – Cientistas do Futuro em Ação

Eu faço parte de um grupo de famílias homeschoolers e tivemos a grande alegria de realizarmos uma Feira de Ciências! Com simplicidade e muita dedicação, a I Feira dos Cientistas do Futuro em Ação contou com nada menos que 25 expositores, com idades entre 2 e 11 anos!

Isto foi possível graças ao fato de que durante um bom período nós mantivemos encontros periódicos entre as famílias. Há muitas famílias que desejam montar um grupo de famílias homeschoolers, mas acabam não indo a mais do que um ou dois encontros, e o grupo não se forma. É preciso insistir, colocar como prioridade, dirigir para longe, não perder oportunidades. Então, ao propor uma Feira como esta, vocês já têm força e entrosamento suficiente para fazer funcionar, abrigar famílias em sua casa e fazer sacrifícios pelos outros.

Eu fiz a proposta há alguns meses, mas a ideia não foi adiante. Compromissos, faltava disponibilidade. E, então, o momento apareceu! Nesta primeira feira, não houve um tema, mas deixamos em aberto para que as crianças pudessem escolher aquilo que fosse de maior interesse para expor.

Foram muitos os temas: Experiências com o ar, trem magnético, animais, armas de Guerra, Corpo Humano, Vulcões, Cristais, insetos, aranhas, gravidez e parto…

Os meus filhos queriam fazer mapas. Por serem muito pequenos, a ideia de mapas deles está sempre relacionada aos mapas fictícios. Aqui brincamos de reproduzir os mapas para eles – especialmente do Hobbit. Escolhemos apresentar o Mapa de Nárnia, mas como eu não queria me envolver a ponto de fazer o trabalho por eles, decidimos fazer de Lego! O papai orientou sobretudo para que a maquete estivesse disposta geograficamente como no mapa original, mas é preciso dizer que eles fizeram quase tudo por si mesmos.

O processo foi muito bom. Eles se divertiram e aprenderam algumas coisas sobre mapas e orientação espacial. Nada tímidos, eles apresentaram muito bem para toda a platéia!

Foi uma experiência única para todas as crianças, que saíram motivadas e orgulhosas de seus projetos. O mais importante, no entanto, são os laços desenvolvidos entre as famílias que buscam o mesmo ideal. Já saímos com planejamento de feiras futuras, não apenas de Ciências, mas de Santos (amo!), das Nações e a tão aguardada Feira Literária!

Rezem por nós!

Dixit: um jogo para a imaginação das crianças

Há muito tempo eu quero falar com vocês sobre um jogo que trabalha bastante a imaginação das crianças: é o Dixit. E, para além da maneira clássica de jogar, eu tenho conseguido aproveitar para criar novos jogos no homeschooling com os meus filhos.

O jogo contém cartas, um tabuleiro, coelhos e fichas pequenas com números. A maneira clássica de jogar é meio difícil de explicar, mas basta saber que o jogo é um tanto subjetivo: trata-se de fazer uma relação entre a imagem do narrador e a do jogador. Mais ou menos assim:

Em Dixit, os jogadores assumem o papel do contador de histórias – o narrador. O narrador da vez deve olhar as 6 cartas em sua mão e, sem as revelar aos outros jogadores, falar uma frase sobre ela.

Os outros jogadores devem então selecionar uma carta (também secretamente), de suas mãos, que mais combina com a frase dita pela narrador.

O narrador embaralha todas as cartas recebidas e as revela sobre a mesa. Agora com todas as figuras à mostra, todos os jogadores devem apostar para acertar a imagem do narrador!

As imagens surrealistas das cartas são incríveis (algumas me lembraram o pintor Edgar Ende), e eu pude perceber várias referências visuais em filmes badalados, como O Show de Truman. Os meus filhos jogam à maneira clássica, mas o que mais gostamos de fazer é distribuir meia dúzia de cartas para cada um e inventar uma micro-história. O resultado é que eles estão cada dia mais criativos.

Que livro esta carta te lembra?

Relacionamos as cartas com as histórias que conhecemos; às vezes há apenas a semelhança de um animal ou castelo, porém o mais importante é ver como eles conseguem fazer relações inteligentes.

Jogo de rimas

Para a trabalhar a consciência fonológica, uma variante do jogo que criamos aqui é rimar uma carta com a outra, principalmente rimas de ação. Meia dúzia de cartas para cada um, mais meia dúzia na mesa: o desafio é rimar uma ação com cada carta exposta. Se na mesa há uma carta com um personagem chorando, devemos rimar com -ando: cantando, dançando, etc.; se o personagem está caindo, devemos encontrar algo nas nossas cartas que esteja sorrindo, saindo.., e por aí vai.

Além do jogo com tabuleiro clássico, há expansões: kits com mais cartas, no mesmo estilo!

As cartas servem para inspirar pinturas e desenhos. Ainda vamos criar por aqui outras maneiras de jogar, e você, com certeza, poderá criar a sua!