Tarefas de casa + Rotina de homeschool

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Salve Maria!

Como algumas pessoas me perguntaram como eu faço para conciliar a rotina de HS com as tarefas de casa, vou resumir rapidamente o meu “esquema”, até porque ele é básico mesmo!

  • Princípio dos 40 minutos (com intervalo de 5 minutos para descanso): a ordem na minha casa é colocada em 3 momentos do dia, com duração de 40 minutos no máximo (pode durar menos). Se a arrumação está longa, eu faço 20 minutos, descanso 5, e continuo.
  • Esses períodos são: manhã, tarde e depois do jantar

Lembrando que ESTE é o POST com a minha rotina atual de HS.

Meu dia começa com muitos abraços(uns 15 minutos na cama), oração (com uma imagem do Menino Jesus) e uma leitura de historinha rápida antes do café, já que eles ainda não estão despertos e não comem direito se formos para a mesa muito cedo. Bem, logo após o café da manhã, eu faço uma atividade com eles na mesa (geralmente às 8:30). Leitura espiritual de 5 minutos (Atualmente estamos usando Meu livro de arte e oração, da Irmã Wendy Beckett) + Atividades de coordenação, letras, matemática ou lógica. A leitura espiritual tem sido MUITO proveitosa, porque além dos temas (respeito, perdão, família…) há as belas gravuras que permitem a nossa apreciação e comentários – além de outras atividades. Hoje mesmo olhávamos a pintura do martírio de São Clemente Papa; as crianças resolveram recriar a gravura com lego, de modo que uma das peças é o Papa Clemente que têm sido carregado para lá e para cá ao longo do dia. Dito, isto, terminamos a atividade depois de uns 30 ou 40 minutos e eu sigo para a minha arrumação.

  • Lei aqui em casa: Após cada refeição eu limparei a mesa e o chão em 15 minutos no máximo.
  • 9:20 – Primeiros 40 minutos. Segundo o cronograma de arrumação: Segunda, Quarta e Sexta, aspirar toda  a casa + colocar roupas para lavar. Forrar camas e arrumar quartos. As crianças ajudam com comandos (arrumar brinquedos, levar o que for delas para a estante, trazer roupas e jogar na máquina, forrar camas do jeito bagunçado deles, rs). Terças e quintas: Forrar camas, limpar pias e vasos sanitários dos banheiros.
  • 10:00 – Atividade 1 do quadro, no que diz respeito a: brincar de massinha, ir caminhar um pouco na rua, molhar as plantas, dançar, fazer exercícios.
  • 10:45 – Fazer almoço. É o momento em que as crianças fazem a atividade “Antes do almoço”, descrita no quadro. 12:00 – Almoço. Depois: lavar todos os pratos sujos no período da manhã. 13:00 – Descanso
  • 13:30 – Mais 30-40 minutos de arrumação (logo após o descanso do almoço de 30 minutos): Segunda, Quarta e Sexta – recolher roupas, se já estiverem secas. Dobrar e guardar. Ajeitar a sala, como de costume. Quarto das crianças, se não deu para fazer de manhã.
  • Depois é hora de dar banho nos 2. Das 14:10 às 14:50, eles assistem desenho. Cada um pode escolher um episódio de 20 minutos.
  • 14:50 – 15: 15: Lanche
  • 15:10 – Livros. Leitura em voz alta. Brincar e conversar com eles.
  • 15:45 – Soneca.
  • 18:00 – Fazer jantar, quando houver jantar (ás vezes tomaremos café). Se a roupa não estava seca, eu recolho nesse horário e guardo. Após o jantar, é manter a sala arrumada e a cozinha. Meu marido sempre ajuda e há dias em que eu não faço nada nesse horário. Segundas e quintas: passar pano na cozinha. Às quartas: passar pano na sala.
  • Antes do Papai chegar, é comum fazermos mais uma atividade, como as sugeridas em Atividade 2, no quadro. Ás vezes eles ainda estão dormindo ou cansados, e não fazemos nada programado.
  • À noite, há oração em família e muitos livros. O papai e eu nos revezamos. Há também pelo menos meia hora de brincadeira de faz de conta: o papai ou eu, ou os 2 juntos. Lego, fantasias, bonecas ou jogamos. Antes de dormir, mais umas 2 histórias.
  • Aos sábados, minha irmã me ajuda com a faxina: ela lava os banheiros. É o dia em que meu marido e eu passamos pano nos quartos. Eu aproveito para arrumar estantes e ele corta a grama da frente e também lava a garagem. Como dividimos, não ocupamos tanto o nosso sábado e sempre fazemos alguma coisa legal em família.

É isso! Lembrando que não é perfeito. A casa nunca está arrumada como eu gostaria, é mais um plano de sobrevivência. Eu sei que não posso passar muito tempo arrumando porque eles estão comigo o tempo todo e demandam atenção. Há semanas em que as roupas acumulam na cadeira do quarto. Em dias de muito cansaço, “dobro a meta” do desenho e eles assistem de tarde e também à noite. Mas esses dias são raros, às vezes ocorre 2 ou 3 vezes no mês. Minha casa está sempre precisando daqueles socorros, como: lavar a cozinha (e não apenas passar pano); desengordurar tudo da cozinha, como paredes; arrumar a lavanderia com esmero…

Olhando para o papel, não parece ter tantas coisas assim para serem feitas… mas há. Primeiro porque há coisas que não estão descritas. Por exemplo: em dias de aspirar a casa é claro que os cômodos tem que estar em ordem, sem nada no chão, e esses são os dias em que eu fico bem enérgica para tirar tudo do caminho. As crianças são um grande trabalho à parte. Bagunçam muito, apesar de meus esforços. Passe o dia todo com eles e você vai passar o dia arrumando duas ou três vezes o mesmo cômodo, pelo menos as coisas espalhadas depois de estudar, pintar, brincar…  A cozinha fica incrivelmente suja depois de cada refeição, principalmente no almoço – me refiro ao chão, com restos de comida. Preciso pegar um pano e limpar as áreas mais afetadas todos os dias, às vezes mais de uma vez. Essa rotina é para os dias em que não saímos. Duas vezes por semana, em dias que nunca são fixos, passeamos. Às vezes não altera muito a nossa rotina, porque saio depois do café e volto para almoçar. Já as roupas são a minha grande dor de cabeça: parece que o serviço com elas é eterno. Juntar roupa e pôr na máquina. Estender no varal. Recolher, dobrar, guardar. Eu só passo roupa na hora de sair. As roupas de casa eu não passo, tiro com cuidado do varal e vamos nos virando (não tem como, na minha realidade, separar tempo para isso).

Há muito o que melhorar, é mais um post para mostrar como eu sobrevivo do que indicar um sistema que está sendo “um sucesso”, rs. Ontem mesmo fiz uma lista de coisas em geral, na casa, no HS e de ordem espiritual, que eu preciso melhorar, e também metas para a família. Que Deus me ajude!

Segundo semestre: Ajustes

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Salve Maria!

Segundo semestre: momento de organizar o planejamento do ano, de maneira a ajustar o que não funcionou até agora. Vocês devem se lembrar do meu planejamento semanal para este ano:

planejamento semanal

O que muda:

Atividade 1: A estratégia que deu certo (dica de uma mãe homeschooler bem experiente) foi: sair da mesa do café da manhã direto para mesa de trabalho por 30 minutos; depois eu geralmente sigo o meu planejamento para esta primeira atividade, especialmente as que envolvem brincar, se movimentar ou dar uma volta. A mesa de trabalho envolve as atividades de coordenação motora, pré-alfabetização, escrita e coisas do gênero. Percebi que quando deixava esse tipo de atividade mais formal para outro momento do dia ele tinha dificuldade de acontecer. Portanto, a melhor hora para ensinar as letrinhas com paciência é depois do café da manhã.

Antes do almoço: OK

Atividade 2: Quase não aconteceu mesmo. Um pouco demais, né? Atividade de manhã, passeios, leituras e… mais atividade? Não, não funcionou. Pelo menos não na idade em que os meus filhos estão agora. À tarde é a hora em que todos nós relaxamos, eu deixo brincar de massinha, ver um desenho. Depois, a rotina banho + lanche os ocupa até às 15:45, hora da soneca. Portanto, a Atividade 2 migrou para depois da soneca, antes do jantar, com duração máxima de 25 minutos.

Leitura de livros: OK. Mas, definitivamente, eu não segui os temas semanais.

Atividade 3: Eu tentei. Mas a rotina quando o papai está em casa à noite tem que ser mais orgânica e divertida. Portanto, esta terceira atividade foi substituída por uma mesa preparada com sugestões de coisas que podemos fazer juntos naquele dia. Um jogo, os livros que o papai vai ler, o que iremos precisar para o momento de oração em família.

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Alguns princípios para o bom funcionamento da nossa rotina:

  • A hora da soneca das crianças é um hábito. Dimitri tem que tirar soneca ou fica exausto. Lupita pode escapar às vezes, mas a verdade é que ela também cansa, por isso, vale a pena insistir (mesmo que ela tenha a convicção de que não vai dormir)
  • Se eles dormem, eu leio, estudo ou descanso. Mas jamais arrumo a casa, salvo se for muito imprescindível.  Eu não posso fazer muito barulho mesmo; além do mais, trabalhar enquanto eles descansam só faz com que eu não consiga descansar nunca, já que esta é a melhor hora para curtir o silêncio e dormir também – embora eu só faça isso quando estou além das minhas forças. Mas eu posso. Só lembrando a mim mesma. Vai chegar o dia (e mais filhos, e os filhos crescidos) em que isso estará mais difícil.
  • Eles podem ver um desenho à tarde e eu não vou me culpar. Eu não tenho ajuda durante todo o dia e por isso, é a hora em que eu posso adiantar aquela coisa impossível de fazer quando eles estão ao  meu redor, ou eu vou simplesmente descansar a minha mente que está os atendendo desde as 07 da manhã.
  • “Espere” é provavelmente o comando que eu mais dou ao longo do dia.  Eu preciso fazê-los esperar porque eles me pedem coisas a todo momento. Sou eu para pegar tudo, ajudar no banheiro, dar comida, atenção. Esperar é bom e eu não posso esquecer disso.
  • Esse planejamento semanal é para nos manter longe do tédio, mas o que mais conta nessa fase é a harmonia familiar. Nós somos tudo o que temos a oferecer a eles enquanto educação. Quando eles crescerem, nossa família será o melhor currículo que pudemos, concretamente, oferecer. Se não houver dedicação da nossa parte em rezar, amar e vencer os nosso defeitos, de nada vai adiantar apresentar autores e artistas maravilhosos: meus filhos terão sido criados por pais que não se empenharam em se vencer – e por isso mesmo, passaram, sem atenuantes, os maiores de seus defeitos. Identidade familiar: acho que é este o nome do nosso currículo para a vida toda.

Como ser família – Padre Paulo Ricardo

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Salve Maria!

Não sei se vocês já estão sabendo deste maravilhoso projeto do Padre Paulo Ricardo: Como ser família! As informações ainda são poucas, mas já se percebe que será um conteúdo valioso sobre educação dos filhos, família católica, deveres dos esposos, como amar e cuidar cada vez melhor de toda a nossa família! E tudo isso vindo de um sacerdote tão bom e dedicado como o Pe Paulo! Por favor, não deixe de conferir!

2015 – 2016: Retrospectiva

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Salve Maria!

Hoje mostrarei para vocês a retrospectiva do nosso último ano. Cada semestre envolve um novo planejamento, ainda que complementar ao anterior. Acho que no futuro eu irei começar o ano letivo sempre a partir de agosto – uma das razões é que a primavera começa em setembro e eu consigo fazer muitas coisas com as crianças em termos de atividades fora de casa, o que me dá um ânimo extra incrível! Em julho eu também consigo ter mais tempo para planejar, já que meu esposo está de férias e não há as festas de fim de ano para nos ocupar (com tantos planejamentos também).

Neste post eu espero dar um bom panorama geral de como nosso homeschooling funcionou, na prática, no período de 1 ano. Nada melhor do que a prática para servir de inspiração para vocês – e para mim mesma, como termômetro do que estou conseguindo realmente fazer. De nada adianta fazer listas e diretrizes se não conseguimos ver como todo o arcabouço de nossa teoria está refletindo na prática… então, vamos à retrospectiva 2015.2 – 2016.1!


1 – Famílias e Amigos

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Quanto vale, no homeschooling, encontrar famílias com muitos filhos para passar o tempo? Como diz o ditado, é meio caminho andado. Nada é capaz de substituir o contato direto com famílias que dividem o mesmo ideal que você! Quando eu cheguei na cidade parecia impossível ter pessoas ao nosso redor, mas pouco tempo depois elas foram aparecendo e hoje tentamos nos encontrar todo mês (porque não moramos todos na mesma cidade, mas perto).  Nossa esperança é sempre poder encontrar mais famílias, e com mais frequência! Esta é a nossa prioridade no HS: antes de qualquer meta, antes de qualquer currículo, o número 1 da lista é: fazer, conservar e rezar pelos nossos amigos.

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Pais, filhos e amigos brincando! Abaixo, um dos nossos encontros mais divertidos: as meninas de bailarina e um teatro improvisado!

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2 – Jesus, Maria e os Santos

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Acima, nossa peça de Natal: há 2 anos conseguimos fazê-la! Abaixo, uma amiga querida rezando com as nossas meninas num encontro especialmente para elas tomarem chá!

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3 – Rotina fora de casa

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Educação em casa, mas com pelo menos duas saídas semanais. Parques ao ar livre, atividades dirigidas em Sescs da cidade, bibliotecas e o que mais nós conseguirmos. Tenho conseguido cumprir bem essa meta, às vezes saindo apenas uma vez no meio da semana, às vezes saindo três vezes, depende de como está o tempo lá fora também…

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Lupita, num teatro, fazendo uma apresentação de ballet! (Ela faz 1 vez por semana)

Turminha reunida!

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4 – Em casa

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Sempre rola um teatro! Acima, eles se revezam no papel do Menino Jesus.

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Claro que eles se envolvem na cozinha de vez em quando…

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Sempre tem que ter uma boa bagunça para deixá-los bem livres e felizes!

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Se chove, coloco eles para fazer ginástica em casa mesmo. Eu me exercito quase todos os dias em casa, e eles gostam de me acompanhar do jeitinho deles!

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Dentro de casa, vocês já sabem: livros, livros e mais livros! Todo mês investimos em livros: novos, em sebos, garimpando feiras onde eles custam tão menos…

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Estão quase todos aí… e tem dias que estamos enjoados de tudo o que temos! Posso dizer que lemos mesmo cada um dos livros da nossa biblioteca! E aí nem estão os muitos que pegamos emprestado em bibliotecas ao longo do ano!

Com relação a cada tema – história, artes, matemática… – você pode acompanhar meus posts temáticos para mais detalhes. Aqui foi apenas para mostrar como caminhamos, em linhas gerais, ao longo de 1 ano… ainda temos muito o que melhorar, aprimorar e rezar!

 

Por que ler contos de fadas – Parte 2

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Esta é a continuação de Por que ler contos de fadas- Parte 1. O texto continua exatamente de onde o anterior parou, por isso recomendo ler a primeira parte.

Agora, a segunda hipótese: contos de fadas iniciam a criança na cultura pagã porque falam de seres fantásticos como duendes, bruxas e elfos, além de ter a magia como desencadeadora de problemas ou como solução para os mesmos. Com isso pretende-se dizer que a criança, ao ter contato com estes elementos, flertará com o paganismo, e se interessará por práticas ocultas. Bem, se isto fosse mesmo verdade, deveríamos ver algum reflexo de tal corolário na realidade. Há muitos séculos que os contos de fadas são contados e re-contados e tudo o que eles reúnem ao redor de si mesmos são um público familiar (geralmente dos mais respeitáveis), sem que se possa propor, como evidência, alguma ligação entre a difusão das histórias e o aumento ou legitimidade das seitas pagãs durante qualquer época.

Como eu sou uma pessoa de bom senso eu gosto de estatísticas. Porque se a preocupação de alguns parece epidêmica (é um argumento invariável) a estatística de crianças que leram contos de fadas e foram para o paganismo wicca ou coisa parecida deve estar em algum lugar. Alguém, com igual bom-senso, deve ter os números desses destinos trágicos. Uma criança verdadeiramente cristã que foi para o paganismo mais tarde porque leu muitos contos de fadas na infância deveria ser tão fácil de encontrar quanto as crianças verdadeiramente cristãs que abandonaram a religião quando entraram na faculdade.

Os contos de fadas foram uma maneira eficaz de falar sobre um mundo antigo onde as práticas ocultas eram realmente condenáveis. Você, que está lendo isto no século XXI, sabe que não está neste mundo. Não estamos num mundo onde o paganismo está bem escondido no meio de uma floresta escura, mas em um onde o consenso o colocou à luz do dia, enquanto os cristãos começaram a ser empurrados para a sombra. Ainda há luz em ambos os lados, mas você (sem más intenções), por alguma razão continua acreditando que são aquelas histórias contadas por pessoas que temiam e odiavam as bruxas que o levarão para elas. Se as bruxas são grotescamente feias nos contos de fadas, se têm poderes tais como transformar uma pessoa num ser asqueroso, é  porque as pessoas que estavam contando isso sabiam de que lado elas estavam, e para as pessoas que contam histórias pouco importa que o demônio não tenha forma alguma por ser um espírito: ele é mau, então sua aparência será sombria.

Talvez agora que as bruxas podem ser vistas facilmente em cada esquina esteja mais simples do que nunca resolver a questão. Como você deve saber muito bem, bruxas não são feias – pelo menos não são mais feias do que a vida social permite. E como se pode comprovar, as bruxas não estalam os dedos e transformam pessoas em coisas, e é razoável afirmar que elas também não voam à noite. Mas bruxas matam crianças e às vezes as comem, e sim, é verdade que as usam em sacrifícios, e adoram especialmente as mais novas e não batizadas, razão pela qual elas impõem o aborto. É surpreendente olhar para elas hoje, cara a cara, e não saber distinguí-las em nada, nem sequer que estão fazendo sacrifícios humanos bem debaixo do nosso nariz, exceto para aqueles que têm a mais firme convicção do que seja a maldade. Alguém que ainda acredite em maldade.

É verdade que os elementos da cultura pagã celta e alemã estão misturados nos contos de fadas sem que estejam todos ao lado do mal. Há magos, duendes, elfos e muitos outros que transitam às vezes pela terra das fadas como ajudantes e pessoas boas. Desde que esses elementos entraram lá eles se tornaram folclóricos porque tudo o que se pode fazer com figuras esquecidas do paganismo e com deuses mortos é inventar histórias. As pessoas dizem que magos como Gandalf são nada menos do que os druídas, antigos líderes filosóficos e rituais da religião celta – líderes que faziam sacrifícios humanos e praticavam antropofagia. Eu concordo da mesma forma que concordo que o Papai Noel é o bispo (aliás, papa) católico Nicolau: você pode dizer à uma criança que a origem é esta, mas não tente convencê-la de o Papai Noel celebra missas. No ponto em que um símbolo vira uma história fantástica seria injusto trazê-lo para ser julgado no mundo real pelo irrefutável motivo que o escritor Michael Ende imortalizou na sua obra-prima A história sem Fim: o personagem de fantasia se torna uma mentira do lado de cá. Fadas no nosso mundo não existem. Magos não são druídas do mundo real. Os gigantes já foram extintos, como diz a Bíblia. A única coisa que permanece é o que é universal: o mal e o bem, em eterna disputa e os sentimentos humanos. A criança não pode amar a magia de Cinderela e amar a magia de uma cartomante porque são coisas completamente diferentes. A magia de Cinderela pode ter saído de uma varinha mágica, mas uma varinha mágica se parece mais com um milagre do que com as vísceras de um animal.

Se o problema é tão somente o paganismo,  nós lemos uma grande quantidade de literatura pagã e não nos preocupamos muito. Chesterton diz em O Homem eterno que há dois tipos de paganismo: o bom e o ruim. O bom é o greco-romano, o ruim são aqueles mencionados na Bíblia que adoravam Baal e muitos outros. A explicação, é claro, é filosófica. Os romanos não estavam com os deuses certos, mas derrotaram Catargo (coisa que os hebreus, que estavam com o Deus verdadeiro, jamais poderiam ter feito). Eles estavam com os deuses errados mas tinham herdado as perguntas certas da filosofia grega. Seus sacrifícios rituais não eram humanos. Com as perguntas certas, poderiam chegar às respostas certas, e de fato chegaram e aqui estamos nós. Nossos filhos podem ler toda a mitologia greco-romana, saber a lista de deuses de cor (algo que talvez nem as pessoas da época soubessem) que nós nos encheremos de orgulho. Podem andar fantasiados como gladiadores. Os deuses gregos estão mortos. 

Mas os contos de fadas não são literatura pagã e nós sabemos disso. Nós simplesmente não temos algo como uma cultura ocidental de literatura pagã ruim, no sentido chestertoniano do termo. É muito difícil encontrar o que tenha sobrado de filosofia ou autêntica obra pagã celta ou o que seja –  para quê serviram as fogueiras, afinal? Quem estava fazendo o trabalho de selecionar o que ficaria para a posteridade fez um bom trabalho. Ficaram as obras dos bons pagãos, foram-se as ruins. Alguma coisa sempre sobrevive, mas não porque foram conservadas. Quando as bruxas iam para a fogueira o ódio era tanto que queimavam até as provas dos crimes. O ocultismo sobreviveu não por excesso de literatura, mas por nunca lhe terem faltado adeptos. Os gregos careceram de adeptos, apesar da excelente literatura. Esta lógica é bíblica: São Paulo diz que o sustentáculo da verdade cristã não são as escrituras, mas sim uma Igreja viva (I Tim, 3:15). Em outras palavras: tivesse a bíblia sobrevivido, mas não tivesse uma igreja pregando o evangelho ao longo dos séculos, seria apenas um livro a ser lido academicamente e ninguém se atreveria hoje a pregá-la como verdade irrefutável.

Com isso compreendemos que as duas objeções principais à leitura dos contos de fadas parte de motivos frágeis, que podem ser refutados por muitos argumentos que não apenas os que foram apresentados aqui. A literatura permanece como um aspecto indispensável para a nossa vida, muito embora não possamos apontar sua utilidade prática. Podemos apenas reconhecer o quanto ela nos fala da condição humana, e é este o tema fundamental dos contos de fadas.