Como vou contar essa história – segunda parte

Esta é a segunda parte do meu relato. Você pode ler a primeira parte AQUI.

Nota

Esta é uma história pessoal, mas como acontece em casos análogos, nunca é tão pessoal assim. É por isso que eu estou dividindo.

Um conto de duas cidades ¹

Eu cresci entre duas “cidades”. A cidade do meu pai: a infância alegre, as histórias ao pé da cama, amar os Beatles e os Rolling Stones, a avó que comprava os presentes dos meus sonhos. Essa era a cidade da alegria, a cidade da crença e da luz; era o melhor dos tempos, era o tempo da esperança.

A cidade de minha mãe era apagada, sem ribalta, sem pouso. Era como aquela cena em Hoje é dia de Maria, em que a protagonista tem a infância roubada e acorda com 25 anos. Provavelmente foi assim para a minha mãe: após toda a miséria, um dia ela se viu adulta e com o mínimo de dignidade. A sua infância foi pulada. Era o pior dos tempos.

A primeira cidade nunca poderá conhecer mesmo as motivações da segunda. Eu vi isso na prática. Você precisaria de um talento literário realmente superior que conseguisse captar isso – como já ocorreu. São mundos bem diferentes. O problema é quase nunca alguém da segunda cidade consegue eloquência o suficiente para contar a própria história. Foi algo que apenas recentemente começou a mudar. Começou a mudar quando os filhos e netos dessas pessoas passaram a ter outras escolhas e caminhos.

Eu nunca pude perguntar diretamente para a minha avó por parte de mãe alguma coisa a respeito da vida que levou porque, obviamente, eu nunca a conheci. Minha mãe cortou relações com ela logo após ter o primeiro filho (foram dois nascidos: minha irmã e eu), e nunca mais voltou a falar com ela até que ela estivesse morrendo, quase 35 anos mais tarde. Ainda criança eu perguntei para a minha mãe se vovó não ficaria muito desesperada por notícias.

“Por que ela ficaria? Ela me entregou para outra pessoa. Ela morava relativamente perto e nunca ia me ver. Eu ficava sabendo que ela tinha tido outros filhos e sempre me perguntava porque o bebê tinha o privilégio de estar com a mãe, enquanto eu não estava. Mas isso durava pouco: em breve o bebê começava a andar e também era dado.”

Agora, se vocês repararam bem no relato anterior, o meu pai foi filho de uma mãe solteira. Nos anos 50: que foi uma das épocas mais duras para tê-lo nessas condições. Minha avó paterna era uma católica bem formada que tocava órgão na igreja – o que não a impediu de engravidar aos 43 anos de um homem casado. Escondeu a gravidez até o último dia, pois era mulher, uma auditora fiscal na repartição pública, e não podia causar escândalo. Era a única menina entre os 5 filhos de minha bisavó: um número alto de filhos para os nossos dias, mas muito inferior aos 14 filhos que minha avó materna colocou no mundo. Havia sido educada em bons colégios, sabia latim, tocava o já mencionado órgão, piano e violão, e é claro que em anos de juventude falava francês fluentemente. Um conto de duas cidades…

Ser filho de uma mãe solteira e ter sido bem criado teve bastante relação com que tipo de pessoa a minha avó era, e todo o seu contexto anterior. Não era de uma família rica, como pode parecer pelo parágrafo anterior. A escola que minha avó havia frequentado era uma escola católica de caridade e, portanto, não havia custado nada. Ela vinha, portanto, de uma mudança de mentalidade que já havia se instalado há tempos em classes sociais mais favorecidas. Essa mudança de mentalidade foi assim definida pelo historiador Philippe Ariès:

A família tornou-se o lugar de uma afeição necessária entre os cônjuges e entre pais e filhos, algo que ela não era antes. A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância, que a criança saiu de seu antigo anonimato, que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor, que ela não pode mais ser reproduzida muitas vezes, e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. Portanto, não surpreende que essa revolução escolar e sentimental tenha sido seguida, com o passar do tempo, de um malthusianismo demográfico, de uma redução voluntária da natalidade, observável no século XVIII

Esta citação está no prefácio do livro História Social da Criança e da Família, e aparece no ponto em que o autor cita o impacto que o surgimento da escolarização casou na organização familiar e como, apesar das reticências que um novo caminho traz consigo, o surgimento da escola como substituto do meio da educação (que antes era a sociedade) foi extremamente benéfica em favor de uma visão digna que a criança passou a receber enquanto indivíduo. Essa separação das crianças para o meio escolar foi amplamente promovida por reformadores católicos e protestantes e fazia parte de um movimento deliberado em prol de uma maior consciência moral do homem.

Como as primeiras escolas foram instituições de caridade, estava aberto um caminho sem precedentes para a educação das crianças. Não que tenha sido um caminho perfeito: alguns irão se recordar de condições insalubres (um tema tão recorrente da literatura inglesa), da noção rígida e mesmo impiedosa dos educadores, para não mencionar abusos – como as centenas de crianças indígenas mortas em internatos católicos no Canadá.

No entanto, guardada todas as proporções, e sobretudo para famílias que jamais teriam outra alternativa, a escolarização foi um ponto crucial para a mudança da organização familiar. Essa mudança hoje está tão bem estabelecida que é um esforço enorme fazer um quadro mental de uma configuração familiar que não tenha como seu coração absoluto a criança. O filho.

É preciso entender exatamente onde está o ponto da questão aqui. Pois se não era o lugar de cumplicidade e afetividade entre os cônjuges e tão pouco era a união desses cônjuges em favor das crianças, o que era? Era um núcleo de base da sociedade, com uma função social de sobrevivência, amparo mútuo, cumprimento de uma moral e cuja afetividade quase nunca existia antes da relação ser estabelecida. Isso vale para os casais, que não precisavam de uma profunda noção de conhecimento um do outro (como nos é tão indispensável para o matrimônio atualmente) , e também com relação aos próprios filhos que tinham.

É por isso que antigamente as pessoas pareciam suportar com uma ascese sobrenatural a morte de filhos na infância. Por isso os pais com naturalidade se separavam deles no cotidiano, onde com muita frequência o fardo do sustento precisava ser repartido com outras pessoas (esse fardo era recompensado pelo serviço doméstico que desde cedo as crianças prestavam na casa dos outros), pois se assim não o fizessem, a criança morria de fome. Pois muitas crianças foram e são enviadas ao mundo sem o pão embaixo do braço, e é igualmente verdade que elas definham até os ossos.

Aquilo que minha mãe chamou, narrando a própria infância, de “mentalidade antiga” – e sem a menor pretensão de usar um termo acadêmico – era precisamente a explicação histórica do fenômeno no qual a família de minha avó materna ainda se encontrava e reproduzia. Pois qualquer pessoa que estude um pouco de antropologia e comportamento humano sabe que as sociedades e organizações mais arcaicas tendem a conservar por mais tempo os traços e fenômenos de épocas remotas, mesmo quando essas motivações não mais existem e não fazem mais qualquer sentido por causa das mudanças práticas que foram sendo operadas ao longo do tempo. É por isso que antropólogos são capazes de estudar tribos isoladas no nosso contexto atual e obter respostas satisfatórias para o estudo de civilizações antigas e já extintas.

Essa tal “mentalidade antiga” não pode ser simplesmente reduzida ao fato isolado do número elevado de filhos que minha avó materna teve sem as condições necessárias de sustentar e educar. Pois assim considerar seria como pensar que ela tinha consciência do que chamamos com tanta convicção de “condições necessárias.” Isto deve ser observado com mais profundidade: pois nas camadas mais internas essa mentalidade antiga conserva os traços característicos de quem não percebe como objetivo a educação da criança nascida (no sentido tão amplo e completo como passamos a ter depois de um período), de quem não tem na família um lugar primordial de afetividade entre os membros. Ela faz parte de uma lógica – e nisto Ariès se debruçou com dedicação – na qual a criança era facilmente substituída, em que pesa bastante também o fato de que morriam em grande proporção. Por isso a minha mãe e tantas crianças foram dadas. Não é só a miséria, no sentido de não ter o prato de comida para oferecer. É um modus operandi.

Acontece que a minha mãe esteve no limiar de uma época – a metade do século 20 – em que as últimas folhas dessa árvore morta caíam. Note que Ariés aponta essa mudança de mentalidade já bastante observável na Europa do século XVIII. Muito antes do movimento feminista ou da revolução sexual: e você provavelmente já escutou a narrativa de que todas pessoas tinham um número enorme de filhos até as nossas avós, mas que “graças ao feminismo e à pílula” acabaram por mudar este comportamento. Este é o tipo de afirmação obtusa que só faz sentido dentro de um local de pensamento em que você nunca precise realmente debater com quem tenha estudado o fenômeno: isto é, só faz sentido dentro de um nicho ideológico, no palanque de uma seita ou grupo, num carrossel de Instagram.

De fato, a revolução sexual e, em bem menor proporção, o feminismo (pois, inicialmente, a pílula não foi uma bandeira do feminismo, mas do liberalismo liderado por homens) operaram grandes impactos na vida das mulheres. Para citar alguns, o sexo livre e sem compromisso, as doenças sexualmente transmissíveis no âmbito feminimo, e, também, de limitar ainda mais o número de filhos das mulheres casadas. Mas não é verdade que estas duas coisas foram responsáveis pela mudança de mentalidade das famílias com relação aos próprios filhos, e nem de longe foram os catalisadores para a limitação do seu número.

Essa mudança começou a ser operada mais de 200 anos antes da pílula: uma mudança de mentalidade dessa proporção leva séculos, e seu sucesso se deve não ao fato seco de impedir um número de filhos, mas sim à mudança afetiva e de finalidade educativa. A única maneira de inverter o padrão novamente- e fazê-lo se tornar uma regra – é igualmente mover e manter a preocupação dos pais afastada de uma elevada expectativa com relação a educação, ao mesmo tempo que mexa também com a expectativa afetiva. Não é preciso apenas imaginar: as sociedades ainda existentes que mantém o padrão assim se comportam. É diferente, por exemplo, de uma escolha realmente individual nesse campo, dentro de uma organização já modificada, até porque ela raramente vai para um lado muito discrepante.

E as últimas folhas (leia-se aqui as últimas camadas da sociedade que não puderam se desapegar deste comportamento pelas vias da conscientização orgânica) só foram arrancadas com a implementação das políticas do que eles chamam de saúde reprodutiva (no nosso país, o aborto não está incluso). Era isso que a minha mãe, que crescia numa sociedade que se modificava e modernizava rapidamente, não conseguia perdoar na minha avó: por que ela não havia se planejado? Por que ela havia submetido a minha mãe a tantas desgraças, a começar por sequer ser responsável pelos filhos? Pessoas inconscientes como a minha avó ainda existem, mesmo nos grandes centros de cidades do século 21, mas elas são raríssimas exceções. Não há centenas tendo dúzias de filhos dessa maneira nem mesmo nas esquinas das periferias. Para além dos métodos artificiais de limitação dos filhos (não vou discutir a questão aqui, mas eu sou católica), o que finalmente parece ter se normalizado em toda a sociedade é a consciência da obrigatoriedade da educação como justificativa para se ter um filho.

A família de minha avó paterna já vinha de gerações de uma mudança bem estabelecida dessa mentalidade, e em conformidade com a moral sexual católica, vinha reduzindo o número de filhos. Parece óbvio colocar as coisas nestes termos, de tal modo estas exigências de educação e amor foram se tornando naturais, e o fato de que somos insubstituíveis dentro da nossa família. Não se trata de dizer que não existia amor, antes, nas famílias, mas… bem, era diferente. Talvez seja um novo amor mesmo.

Não se trata, também, de analisar o fenômeno como católico ou protestante – pois eu mencionei em texto anterior que a família de minha mãe era evangélica, e tal coisa pode ser tirada como consequência lógica comparando as duas histórias. Não. A diferença entre as duas cidades é, principalmente, um fenômeno social. Tanto é que minha madrinha (também mencionada na primeira parte deste relato) e muitas outras mulheres com as quais tive contato, católica e de família católica até onde as gerações anteriores lhe permitiam saber, teve uma história idêntica de número elevado de filhos e tipo de relação familiar, etc.

Humanização necessária

Todo esse preâmbulo para chegar ao ponto em que eu parei na primeira parte: “eu estava recebendo uma pressão enorme para desempenhar um papel que buscava um regresso ao momento histórico em que as coisas funcionavam melhor”: foi o que escrevi. Eu preciso deixar claro para a minha filha do que se trata, caso contrário, ela não será capaz de compreender.

Embora eu tivesse uma história de vida marcante, e tivesse diante de mim dados suficientes para não absorver aquela nova forma de pensar a minha vocação feminina da maneira limitante como estava sendo, eu nada fiz com o que eu já tinha. Era como se eu não tivesse passado, e eu fui a ingênua menina de classe média, como se eu conhecesse apenas uma das cidades, e pudesse me dar ao luxo de me rodear daquelas etiquetas todas. No fundo, eu fui como a minha avó tocando hinos nas missas aos Domingos e engravidando de um homem casado em algum motel barato: contradisse a mim mesma.

Eu acreditei no que hoje se tornou um fenômeno de pensamento de certo ideal feminino, eu acreditei em algo que qualquer observação mais cuidadosa da realidade irá contradizer. Eu fiz isso porque afetivamente eu queria pertencer a alguma coisa, e também porque tinha confiança nas pessoas que apareceram no meu caminho para me ensinar. Eu o fiz porque me converti e não permaneci na igreja,mas saí dela: eu estive rodeada de pessoas, e grupos, e comunidades no orkut, e outras redes sociais, e publicações que me levavam mais para as trincheiras da guerra cultural e menos aos pés do altar. E eu fui porque isso era incrivelmente mais excitante e bélico.

Este preâmbulo não é uma maneira de justificar a minha avó materna, mas de humanizá-la e compreendê-la. George Orwell escreveu: “Talvez alguém não deseje tanto ser amado como ser compreendido“. Somos capazes de amar até quem nos coloca numa situação limite ou tóxica. Mas a compreensão – e não somente o amor – é realmente a chave que pode nos libertar, já que num caso como o da minha mãe, o amor que ela sentia por minha avó era um componente a mais para lhe causar dor.

Então eu estive diante de uma pressão que me fazia enaltecer o estilo de vida da minha avó, a priori, e ver toda a geração da minha mãe (e, portanto, a minha mãe pessoalmente) como apenas um capítulo execrável na linha do tempo dos bons costumes. Pois é exatamente isso o que a ideologia e a mentalidade de seita fazem: elas substituem a realidade, criam motivações e justificativas não apenas falsas, mas repletas de gatilhos que te coloquem necessariamente em posição de ação e reação contra um inimigo imaginário.

Talvez “pressão” seja realmente um eufemismo. De todo modo, era o que era e ainda é: você começa a fazer algumas associações na sua vida e em menos tempo do que poderia julgar quando estava sã, está comprometida como uma jovem aprendiz que ainda não sabe metade do serviço que terá de desempenhar, mas internamente sabe que você vai fazer. Eles – quem quer que sejam – já haviam me cooptado para pôr à prova toda a minha vida e a minha personalidade e já tinham colocado milhares de dúvidas a respeito de tudo o que eu considerava normal. Mas foi porque tudo isso mexia com quem eu fui e era ainda, mesmo submersa, que eu pude ir, aos poucos, me libertando. E eu só pude fazer isso a partir do momento que comecei a buscar compreender o que estava acontecendo comigo.

E porque eu tinha pessoas tão concretas para me auxiliar neste caminho (as mulheres da minha história pessoal), eu não estive sozinha. E por que estou escrevendo esta história? Para que ela não se perca para a minha filha. Este espaço foi usado por alguns anos como forma da minha expressão pessoal: uma expressão que foi partilhada e usada por muitas pessoas de formas diversas. Mas o que eram estas questões dez anos atrás não é o mesmo que é agora; e eu tenho receio do que será no futuro. Pois a cada dia que passa, o comprometimento a esta causa se torna maior, está pulverizado por toda parte e está vindo o momento em que os perdigotos de cada uma dessas falas respingarão na face de toda moça bem-intencionada, que deseje saber a fundo a sua vocação, e não sabendo encontrar o caminho da verdade, de Cristo e da Igreja, irá encalhar neste entulhos.

Eu falo em humanização, pois ao partilhar a primeira parte deste relato (descrevendo principalmente de que realidade veio minha mãe), uma reação comum foi a surpresa em saber que uma pessoa como eu, aparentemente tão bem criada, possa ter tido contato com este universo tão sofrido. Nós temos uma ideia muito vaga de como é a vida dessas pessoas na linha da pobreza, mas mesmo sendo vaga, nós sabemos que é terrível. Nós não vamos afirmar que nada de podre nunca acontece na classe média e alta: sabemos que acontece. Sabemos que eles podem descer fundo e, em certo sentido e condizente com a própria realidade, eles podem ser sofisticadamente mais grotescos quando o fazem. Mas a constância, a repetição, o karma de destino: estas coisas pertencem aos miseráveis.

O mais tocante da história de minha mãe é que, estando no mencionado limiar, ela era agudamente consciente. Ela soube exatamente, enquanto passava por tudo aquilo, do que era digna e do que era merecedora: noções que tendemos a usurpar mentalmente de pessoas nessas condições. Nós achamos que uma cesta básica lhes basta, nós atribuímos a eles uma aceitação do destino que, de verdade, não possuem; nós (especialmente se somos muito ricos) gostamos de pensar neles como gratos pela vida, pelo pouco que têm, como se este pouco fosse apenas material. É por isso que tantas pessoas se referem às numerosas famílias antigas como as de minha avó como generosas: virtude que minha avó materna nunca teve.

Apenas tangenciando este assunto (porque é claro que eu falarei dele para a minha filha de maneira ampla e aberta em alguma outra parte deste relato, cuja extensão eu não tenho e não planejo), esse tipo de abordagem – uma abordagem qualitativa de um fenômeno – tem como principal característica não a de enaltecer as pessoas e gerações específicas as quais se referem, mas sim a de pactuar as pessoas do presente.É sobre o que você vai fazer a respeito, como irá se posicionar a partir da apreensão de algo posto nestes termos, quando o que está em questão não é uma menção literária ou saudosista, mas sim uma definição com objetivos claros de mexer com a sua capacidade de raciocínio. E assim, guiar seus passos.

Minha mãe foi movida por um senso de justiça e de compensação heróicos. Ela nos teve muito jovem: aos 21 e aos 24 anos, e já neste estágio, com um recente passado de degradação, ela nos criou com muito zelo. Em primeiro lugar, nos anos anteriores, minha mãe teve espírito o suficiente para buscar por si mesma alguma compensação cultural e lia muito. Ao nos ter, ela já sabia que tipo de educação nos daria, qual escola escolher, qual a educação sexual (ela só soube o que era menstruação no dia da menarca, então ela havia decidido nos dar informação a respeito desse tema desde muito cedo). Preocupada com alimentação saudável, esportes, nos colocou para jogar tênis por quase 10 anos. De verdade, eu não sei de onde ela conseguiu tirar tudo isso. Meu pai ficava muito impressionado com ela.

Mais impressionada fico eu com a capacidade pessoal dela, mas como eu disse no começo deste texto: não é tão pessoal assim. Inúmeras pessoas passaram por isso (como se eu já não soubesse disso, meu relato anterior jogou no meu colo dezenas de depoimentos) e há inúmeras mães assim, neste momento histórico, dando essa guinada. Que o tenham feito com pílula ou sem pílula: é apenas um detalhe numa espetacular biografia.

Continua...

1. Um conto de duas cidades é um romance de Charles Dickens que fala sobre a Revolução francesa. Assim narra o primeiro parágrafo:

Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da luz, foi a estação das trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto ao paraíso, íamos todos no sentido contrário – em suma, o período era em tal medida semelhante ao presente que algumas de suas mais ruidosas autoridades insistiram em seu recebimento, para o bem ou para o mal, apenas no grau superlativo de comparação.”

Como vou contar essa história – primeira parte

Esta é uma série de textos inspirados na minha necessidade de contar a minha própria história para a minha filha – quando o momento chegar. Você pode se beneficiar da leitura: de fato, é o que eu espero.

Nota

Eu lembro de quando comecei a mudar (de volta). Foi por causa da minha filha.

Embora por fora parecesse que eu ainda estava vivendo o ideal, por dentro eu oscilava em dias de renovada motivação (geralmente quando eu estava com bom espírito e resolvia que ao invés de enfrentar os meus problemas eu ia simplesmente abraçá-los com sacrifício e alegria) e dias em que percebia que não havia necessidade de tudo aquilo, mas não conseguia dar um passo concreto.

Um exercício de imaginação

Bem, eu comecei a olhar para a minha filha Lupita e imaginar que eu iria educá-la de uma forma que eu não acreditava, que eu duvidava em pontos cruciais. Imaginei toda a minha liberdade quando eu era criança, como eu fui encorajada a tantas coisas: como alternativa eu daria para a minha filha, entre crenças limitantes mais graves, a opção de não usar calça, o equivalente a colocá-la numa espécie de quarentena em situações banais da vida (agora que todos nós experimentamos essa exclusão que é uma vida em quarentena: limitada, atividades reduzidas, tudo cortado para menos da metade: então, acho que você me entende).

Mas antes, é preciso voltar algumas casas. Entender o que significava para mim, naquele momento, pensar nesse modelo de educação que eu sequer compreendia de onde partia, mas que já havia tido de mim tanta adesão. Eu havia escrito aqui algumas vezes sobre o que se devia esperar de uma mulher. Todos os lugares comuns dessa mentalidade específica. A começar pelo mantra: “Não fomos educadas para a maternidade ou para a vida doméstica“, que mais do que uma constatação básica, significa então que você deve começar muito antes a operar essas mudanças: o que na prática deve significar educar desde cedo a menina a ter como objetivo a vida de dona-de-casa. Não é isso? Não é exatamente isso? Pois se não é, o que significa realmente esse mantra, é a pergunta; o que significa essa enorme decepção que tantas mulheres casadas vêm repetindo exaustivamente?

As casas que eu gostaria de voltar estão muito mais atrás. Como eu vou contar essa história? Por muito tempo eu dei a impressão de quase ter me esquecido dela. É a minha própria história, porque é a história de como eu passei a me perceber no mundo justamente por causa da minha mãe. É na verdade a história da minha própria mãe e das mulheres da minha família, e de como isso teve um impacto na minha alma por um longo tempo. Quando eu me tornei adulta e sozinha (porque não morava com meu pai ou minha mãe desde os 16,17 anos) e depois dos 20, tudo isso ficou nas minhas antigas casas, numa vida que eu queria muito deixar para trás. Começar do zero. Foi por isso que eu quase me esqueci. Mas era impossível esquecer.

Quando eu era criança, meu pai gostava de contar coisas da própria infância. Como eram as coisas no seu tempo, o fato de que ainda brincava na rua de bola (como já não era tão possível nos anos 90), o que ele lia (amava ficção científica, é daí que veio o meu gosto também), como era o fato de ser filho único de uma mãe solteira que trabalhava o dia todo como auditora fiscal. Eu conhecia os nomes de alguns de seus amigos de infância, os programas de Tv da época, e seria até mesmo capaz de narrar – com mais precisão do que meu próprio pai – alguns episódios marcantes envolvendo tias e outros personagens.

Quanto à minha mãe: ela nunca falava da própria infância. Aliás, ela dizia uma frase bem impactante: Dizia que a infância dela tinha sido tão infeliz que tinha preferido apagar da memória. Eu tinha 8 anos quando ela já respondia assim.

Aos poucos e em episódios típicos de família (geralmente quando meus pais discutiam), eu fui sabendo os retalhos dessa história. Conforme a minha mãe passou a me contar mais abertamente quando os anos foram passando, ela fazia parte do que ela definia como uma “metalidade antiga”. Tentando me recordar, e colocando nas palavras da minha mãe, era assim que ela contava a própria vida:

Minha mãe teve 14 filhos. Ficou viúva e casou de novo. Ela tinha filhos quase todos os anos, pois na época era assim. Minha mãe não cuidou nem da metade dos filhos. A maioria de nós foi dada. Eu fui dada para que uma irmã mais velha cuidasse de mim. Eu apanhava muito. Não tinha brinquedos. Eu não usei calça até os 13 anos e não podia cortar o cabelo. Éramos da Assembléia de Deus“.

Eu ouvi esse resumo, praticamente nesses termos, inúmeras vezes. Outra coisa que minha mãe afirmava bastante:

Eu nunca vou perdoar a minha mãe por não ter tido um planejamento“.

Eu lembro de ouvir tudo isso com um assombro tão terrível que eu sorria sem graça. Acho que no fundo eu não entendia e por isso mesmo em parte aquilo não parecia verdade. Foi ganhando mais veracidade na medida em que esse resumo foi ganhando mais consequências. O fato de que minha mãe foi abusada e estuprada dentro da própria casa. O fato de que, sendo tão mal cuidada, aos 35 anos já não tinha nenhum dente na parte superior e usava dentadura. O fato que a irmã mais velha dela se prostituiu. Que todas as meninas da família sofreram abuso. O fato…

O fato é que todas as mulheres deste lado da família tinham histórias gêmeas. E não era uma família “sorteada”. As famílias ao redor tinha histórias semelhantes. Agumas piores, outras melhores. Era assim que minha mãe narrava suas memórias: todo mundo…

Tenho recordações de como essa gritante diferença entre meu pai e minha mãe acabou por ser responsável pela minha primitiva diferenciação entre os gêneros: e é claro que isso também incluía uma diferença social. Meu pai, mesmo filho de mãe solteira (minha avó engravidou de um homem casado nos anos 50), havia sido muito bem cuidado. Ele podia se refugiar nas suas memórias.

Muitos anos teriam que se passar para que minha mãe, tendo a própria mãe no leito de morte, fosse capaz de perdoá-la. Nunca foi capaz de compreender minha avó: havia colocado como absoluto o fato de que tinha sido irresponsável (o que é razoável de se afirmar na posição da minha mãe), mas ao mesmo tempo lhe dava um nível de consciência que minha avó jamais tinha possuído. Ela não havia escolhido aquilo, ela não havia pensado ou não pensado a respeito: era o modo como as coisas aconteciam-lhe, tudo o que ocorria lhe era dado como os dias que sucedem após o outro. Foi a única forma de perdoar minha avó. Se fora individual, o fora com inúmeras limitações.

Enquanto criança, eu ouvia e via esse imenso abismo separando minha mãe de mim. E minhas tias. E muitas mulheres que foram sendo agregadas à minha família: minha madrinha define a própria infância como a de uma bola que é passada de mão em mão. Ora sendo criada por uma tia, ora por uma semi-desconhecida. Vinte e quatro anos separavam minha mãe de mim, mas a mudança de mentalidade entre ela e minha avó caberiam em dois séculos. Afinal, o que realmente havia acontecido para que eu não fosse filha de minha avó? Em outras palavras: o que havia mudado para que eu não estivesse nesse ciclo que se repetia na minha família há bastante tempo? A minha bisavó, minha tataravó (e quantas mais atrás?) por parte de mãe: histórias gêmeas. Foi no ponto da linha em que a minha mãe estava: a mudança.

O filho pobre da mulher mais pobre

Se houvesse uma moeda para cada vez que se fala em nome dos pobres… então, não haveria mais pobres.

As pessoas, hoje em dia, estão sempre falando em nome dos pobres. Mas nem sempre foi assim. Antes do contexto que Victor Hugo descreveu em Os Miseráveis – que narra os acontecimentos que culminaram na Revolução Francesa – eles não ocupavam muito os discursos porque de fato a política não se movia por eles. Eles continuam sendo massa de manobra ideológica (independente dos lados), é claro, mas qualquer um dos lados atualmente deve mostrar que está interessado neles.

Os emocionantes acontecimentos que envolvem a vida de Jean Valjean, Fantine, Cosette (personagens de Os Miseráveis) personalizam a vida dessas pessoas anônimas. Para mim, a mãe pobre que foi a minha avó não é uma abstração. Ela tem nome. Amara. Está tão perto de mim que me faz tremer. Especialmente entre os 7 e 10 anos, enquanto escutava os fragmentos daquela vida miserável, sob a ótica do ressentimento de minha mãe, eu tinha bastante medo de que tudo aquilo que havia ocorrido a ela tivesse ocorrido comigo. Imagine ser criança e não ter medo de fantasmas ou lobos, mas ter medo de ser a sua mãe, sem fotos e sem recordações da própria infância.

É um sentimento angustiante, porque minha mãe também era a pessoa que eu mais amava. Muitas vezes me imaginei entrando numa máquina do tempo e salvando-a de situações específicas. Para mim, a infância era uma espécie de santuário (tanto que eu não queria crescer, não queria menstruar nunca) e eu imaginava que um adulto podia aguentar bastante coisa: mas que tipo de pessoa maltrata uma criança? Como uma mãe pode dar um filho (eu era preciosa e insubstituível para a minha mãe, certo? Ela jamais me daria!)?

A minha infância foi feliz, muito feliz, exceto pelo fato de que passei muitas noites em claro pensando em como minha mãe havia aguentado aquilo. Não quero fazer parecer que isso foi algo com o qual lidei esporadicamente. Estava mais para diariamente. Diariamente pensei nisso.

Como menina buscando a própria identidade, eu me sentia num corredor com inúmeras portas fechadas, cujas placas decorativas traziam os nomes e sobrenomes das mulheres da minha família. Os compartimentos, abertos, se assemelhavam a quartos de despejo (aqui, uma óbvia referência ao livro de Carolina de Jesus). Eu fui a primeira mulher de um lado da famíia a ter nível superior; do outro lado da família (a de meu pai), tive a companhia de quase todas as primas, que também fizeram faculdade (muitos dos homens da família do meu pai são médicos). Até esse momento, no entanto, eu tive a sensação de que ser mulher era algo de extrema vulnerabilidade. As portas abertas tinham ecos: Ela não vai estudar, ela vai apanhar do marido (tantas e tantas tias!), ela vai ter mais filhos do que pode criar, ela vai engravidar antes dos dezesseis anos, ela vai ser estuprada por pessoas da família, ela vai terminar louca e andando nua pela rua.

Você faz uma romantização da pobreza quando não conhece, nem por acidente, qualquer tragicidade real da vida pobre da mulher pobre e o mais pobre de seus filhos. Você começa a falar deles em termos incompreensíveis: define suas aspirações e necessidades, que existem apenas na fantasmagórica névoa ideológica na qual foram submersos. É por isso que, no fim das contas, eu nunca consegui superar o fato de que a mulher pobre não era quem as pessoas do círculo tradicional, conservador – o que seja – diziam que ela era.

Eu estava começando a minha vida de família, começando de fato a viver a minha vez de entrar no jogo da vida, e recebendo uma enorme pressão para desempenhar um papel que buscava um regresso ao momento histórico em que, você sabe, as coisas funcionavam melhor (risos desesperados aqui), em que os papéis eram marcados e definidos. O tempo em que as mulheres eram pobres, mas tinham a generosidade de ter os muitos filhos enviados. O tempo em que elas ficavam em casa porque sabiam da sua missão.

Eu conhecia uma filha pobre da mulher mais pobre. E eu tinha medo dela.

Continua…

Não ter escrito antes

Em primeiro lugar: fiquei muito feliz com o retorno das pessoas ao meu último texto. Obrigada a todos que entraram em contato comigo, de uma forma ou de outra.

Eu queria voltar a escrever textos aqui no blog: coisas minhas, reflexões, ou simplesmente blogar – que é algo diferente de postar em redes sociais. Nas redes, ainda que o espaço seja seu, parece que você está necessariamente dialogando com o que acontece lá dentro – de onde parece se estender o convite para as pessoas considerarem seu conteúdo quase como propriedade delas também.

Mas eu dizia que o motivo principal de não ter escrito antes havia sido a ferida na minha alma por conta do que minha vida se transformou naqueles anos específicos (e as consequências). É disso que eu vou falar um pouco mais neste post.

Uma perspectiva de quem influenciou

Com isso não quero dizer que qualquer uma das coisas isoladas, em termos de decisões, tenha sido realmente responsável por tantos problemas na minha vida. Por exemplo: não usar calça por alguns anos. Quer dizer: consigo pensar em muitos momentos realmente desconfotáveis ao longo daquele tempo; consigo lembrar que era constante o fato de adaptar ou mesmo não viver experiências por causa disso (lembro particularmente de um emprego que não assumi), mas isolada a experiência foi mais estúpida do que maléfica. Aqueles dias passaram, eu estive bem.

Todo o fato de que a partir de um determinado momento a minha vida se tornou uma narrativa: uma busca por um ideal, uma teoria de si mesma; um compromisso constante em corresponder (essa era uma palavra que eu usava muito, especialmente na minha mente, com relação a qualquer migalha que acontecia comigo), em ponderar, refletir, construir uma justificativa; o fato de que eu fui me tornando uma referência, que eu me comprometi com uma multidão anônima; a visibilidade por causa disso, ter ficado de certo modo condicionada à experimentar a vida através desse filtro: isso demorou bastante tempo para passar.

A perspectiva que eu gostaria de dar, e que talvez seja bastante útil para quem deseja entender como funciona uma situação análoga, é a de que eu – para citar o evangelho – não sabia o que estava fazendo. Hoje você pode acompanhar o meu trabalho no Youtube com literatura ou o fato de que, após alguns anos dividindo sobre homeschooling no blog, eu tenho alguns poucos produtos sobre o tema: mas são coisas para as quais eu estudei e/ou acumulei experiência. Não quer dizer que eu esteja certa em tudo, não significa que aquilo é o melhor. São coisas que ocuparam e ocupam a minha vida, mas não são a minha vida.

Parte do sucesso de As Chamas do Lar Católico era (como muitas pessoas me disseram ao longo dos anos) o fato de que era inédito: não havia dezenas de canais mostrando aquela perspectiva. Eu era muito esforçada e lia, então é claro que talvez do ponto de vista teórico eu tenha feito um bom trabalho em muitos momentos. Havia muita coisa misturada em uma velocidade incrível: o lado político conservador que estava crescendo a cada ano (antes de escrever aqui eu participei do blog Acarajé Conservador, que, para variar, foi um dos primeiros do gênero), os relatos de parto que depois se tornaram uma febre em grupos cristãos do Facebook (uma febre boa, não é um deboche), a perspectiva idealista do matrimônio católico, completamente centrado no papel bem delimitado que a mulher deveria cumprir, e por aí vai.

Aquilo que eu achava ser uma curadoria tão minha era na verdade uma espécie de lógica bem consolidada na qual as pessoas entrariam por alguma das vias. E foi por isso que entraram. Não estou criticando quem, por conta da própria história, se identifique ou mesmo viva uma dessas realidades porque acredite estar coerente consigo mesmo. O que estou dizendo é que não tem como, dezenas de milhares de pessoas, ao mesmo tempo e sem qualquer experiência real de vida, de repente chegarem à mesma conclusão sobre como elas irão ser/viver daquele minuto em diante.

Gostaria de colocar uma ênfase especial em “como elas irão ser daquele minuto em diante“: porque isso poderia, alegremente, ter significado estar inflamado do Espírito Santo,poderia ser algo voltado para o Alto e, obviamente, para o que a palavra de Deus insiste tanto como o próximo.

Só que Cristo, a santidade, as obras, a caridade, os pobres, os órfãos, o perdão que eu devia aos meus parentes; a missa, o prédio semi-destruído da igreja que eu frequentava, as pessoas bem específicas que Deus colocou ao meu lado; a minha tendência à arrogância e desonestidade, as pessoas que eu jamais procurei, mas poderia: tudo isso continuava ao meu redor e eu não estava em nenhuma delas. Tudo isso era a realidade, mas essa realidade teria que esperar – anos a fio – porque a ocupação central de toda a tendência contida naquele movimento era voltar cada pessoa ainda mais para si mesma; para uma espécie de escaneamento completo da própria conduta, a fim de reeducá-las.

É por isso que depois de toda a ascenção desse cristianismo o que você vai observar como consequência em alto relevo é uma crescente demanda por um conteúdo que possa atender as pessoas que não estão satisfeitas com a própria conduta; que não estão conseguindo ser as esposas ou mães que gostariam; os profissionais que sonhavam, etc. Porque alguma dessas variantes é a preocupação central de todo mundo, é de fato a ação de ser cristão nesse contexto.

Quanto aos pobres, os órfãos, a reforma do prédio da Igreja, o tempo doado para a comunidade; as missões inacreditáveis que algumas pessoas fazem até hoje: estas coisas continuam sendo feitas por quem – para citar George Eliot – leva uma vida oculta e descansa em túmulos não visitados.

E nem mesmo o perdão aos parentes. Porque se a lógica é a reeducação da própria vida e a consequente adesão de novas, rígidas e implacáveis verdades, os parentes são apenas um obstáculo na corrida. É um consenso nesse meio que você não pode permitir que seus entes queridos deem a mínima opinião sobre o fato de que você agora se tornou uma pessoa irreconhecível que parece ter sido criado por outra pessoa, em outra região do Globo: é falta de maturidade da sua parte receber a influência direta de – digamos – seus pais. É claro que essa é apenas uma imagem daquele conto popular de Grimm onde o neto observa os pais que tratam o avô de maneira humilhante porque o velho não podia tomar a sopa sem a derramar pela boca, e por isso não podia sentar-se à mesa:

– Estou fazendo uma gamela, – respondeu o menino, – para dar de comer a mamãe e papai quando eu for grande.

(O avô e o netinho, Irmãos Grimm)

Claro que não será nada tão dramático. Essas crianças bem educadas em lares cujas almas estão fechadas para fora serão exatamente como seus pais quando crescerem e levarem a vida que decidirem: elas estarão fechadas para fora. A principal lição é essa, já que quase todo mundo foi “criado” de uma maneira e terminou por viver de outra. Born and raised…

Quando eu escrevia sobre temas de comportamento cristão (majoritaramente feminimo), há 10 anos, eu estava nesta espiral, embora em pouco mais de um ano depois me converter, dentro da Igreja e fora de grupos ideológicos, eu tenha experimentado um bom caminho. Eu havia visitado comunidades paupérrimas em excursões com a minha paróquia; eu limpava os banheiros da minha igreja, eu participava das festas. Eu ia à faculdade e estava feliz saindo do período em que eu era de esquerda e ocupava reitorias; eu estava namorando Vladimir há mais de um ano e fazíamos planos de ficarmos juntos (até hoje eu agradeço a Deus não o ter conhecido no meio tradicionalista, onde eu poderia confundir a nossa história com crenças particulares). Foi quando tudo aconteceu: o grupo de estudos do pensamento conservador, a TFP, os filósofos, tudo ao mesmo tempo.

Naquele momento específico, quando nada ainda havia ganhado grande proporção, eu posso dizer que nenhuma dessas coisas parecia estar interligada. Pelo contrário: quando, por causa da proximidade com o grupo tradicionalista , eu passei a me vestir com modéstia e meus temas de estudo passaram de Shakespeare para As três chamas do lar , meus colegas estranharam muito. Estudar Eric Voegelin realmente não tinha nada a ver com os deveres da dona de casa. E talvez, no fundo, não tenha mesmo. Mas agora que aqueles primeiros conservadores se transformaram em um grupo gigantesco e heterogêneo, com mídias diversas e muitas vezes antagônicas entre si; agora que tudo isso se misturou, tantos se destacaram, um presidente foi eleito: agora me ocorreu também que não há centenas de Margareth Thatchers, não há Flannery O’Connor. No final, prevaleceu os deveres da dona de casa.

Mas, meu Deus, como eu divago. O que eu estava dizendo mesmo é sobre o período em que eu tive de me recuperar de tudo isso. Quando eu publiquei meu post anterior, muitas mulheres me escreveram, aqui ou em privado, para relatar uma experiência quase idêntica de angústia e questionamento. Estes foram sentimentos que me acompanharam desde o primeiro dia em que eu comecei este caminho. E durante os anos de apostolado, que tipos de pessoas encontrei ao meu redor? Por exemplo: como eram as pessoas que me liam e entravam em contato, sobretudo por e-mail, onde recebia alguns toda semana?

Como eram as pessoas que me reconheciam nas igrejas (onde eu passei rapidamente a ser reconhecida, em qualquer lugar do Brasil onde eu fosse) e trocavam palavras comigo? Ora, eram semelhantes: estavam, em alguma medida, em angústia e questionamento. Adoravam o que eu escrevia, achavam lindo, me perguntavam como eu conseguia viver aquilo; quase sempre se colocavam numa escala abaixo de mim (“ainda não consigo corresponder tanto!”). Mas não estavam felizes. Sentiam-se representadas, acalentadas, afagadas pelas minhas belas reflexões que procuravam encontrar um sentido escondido em tudo, mas não eram pessoas dizendo que estava tudo dando certo, que aquela caminhada estava fluindo, que estavam bem psciologicamente. Os relatos eram extensos, pesados, na direção oposta.

Eu estava vendo os frutos desde o princípio mas não conseguia enxergar.

Quando eu finalmente saí desse ciclo, tive que começar a ajudar, ano a ano, a me reconstruir. Eu poderia ter vindo aqui e escrito durante todo o processo – porque escrever sempre foi terapêutico para mim – mas eu havia perdido muitas experiências simples da vida e queria aproveitar cada momento; além disso, eu não tinha nem a segurança e nem a clareza que eu tenho hoje sobre a minha história. Não se tratava de alertar ou mesmo acusar as pessoas que estavam nesse caminho ou que de alguma forma tiveram influência na minha vida.

Claro: esse é o ponto em que eu preciso assumir a responsabilidade pelos meus atos e minhas escolhas, certo? Eu acho que cheguei em mais do que isso: ao olhar para trás, eu vejo mais do que uma pessoa que fez escolhas ruins e sem amadurecimento, eu vejo uma pessoa extremamente vulnerável. Você pode demonstrar ser uma pessoa inteligente, corajosa, esforçada, destemida e não dar a mínima amostra de que é uma pessoa sem raízes fincadas em nada: não tem segurança emocional, e não revela nem para si mesma as reais motivações de se filiar a um grupo ou ideia. Pode ser simplesmente para suprir a família que você perdeu aos 13 anos porque seu lar se desfez. Por fora, não dá para saber qual é a árvore que criou um alicerce profundo.

Além disso, no momento em que as tendências mudam, há o elemento surpresa de que muitas pessoas as seguem, a despeito de terem tudo para não fazê-lo. Enquanto os ventos sopram de um lado, multidões podem ser arrastadas. Passei um tempo, quando já estava bem mais tranquila com relação a tudo isso, dizendo a mim mesma: como pude ir por este lado, se sou tão legal? Eu me julgava forte, como foi que me derrubaram tão facilmente?

Depois, quando o vento vai perdendo velocidade, é normal também que você note que há uma despressurização. Nesse sentido,considero que eu fui forte, pois pude sair justamente no momento em que muitas coisas já não estavam mais em grupos pequenos e restritos, mas eram dominantes. Fui forte, depois de ser tão vulnerável. E sou grata a Deus por isso.

Página “Sobre” atualizada

Você provavelmente conheceu este blog quando ele ainda era “As chamas do lar católico”. Isso já faz uns 11 ou 12 anos: então, você deve compreender que muita coisa mudou de lá para cá. Naquela época eu era muito jovem, tinha acabado de me converter e gostava de passar meu tempo blogando desde a adolescência. Assim, eu criava um novo blog para inaugurar a minha nova “fase”.

Meus textos eram reflexões bonitas sobre o meu caminho de descoberta espiritual. Eu lembro de escolher lindas pinturas para ilustrar os meus textos e de escrevê-los com bases em leituras – que, na época, me pareciam muitas e profundas. Hoje, naturalmente, eu não penso desta forma. Eu reconheço que eram leituras superficiais e completamente desorientadas e – a despeito da minha intenção honesta – o resultado era quase sempre uma semi-verdade.

Não era o que eu gostaria de escrever sobre essa fase, é claro, mas eu o faço para sedimentar o caminho que ficou atrás de mim. Não é que eu tenha simplesmente mudado de opinião sobre algumas coisas fundamentais: é que aquela pessoa que eu demonstrei ser, naqueles anos (e durante os quais eu fui sendo conhecida por muito mais pessoas do que eu seria capaz de mensurar por causa da internet), não era uma pessoa natural, não era quem eu era. Foi um intervalo de 4 anos que sugou a minha personalidade real, me deixou confusa e enferma, ao mesmo tempo que incapaz de conhecer os propósitos de Deus para a minha vida.

Por muitos anos eu tentei entender o que aconteceu comigo. Em um intervalo curto de tempo, eu havia mudado a minha forma de vestir, de pensar e basicamente todas as preocupações centrais da minha vida haviam se transformado. Eu não consigo lembrar os detalhes de como todo aquele modus operantis foi sendo fixado na minha mente, exceto que ao aderir uma coisa, me parecia lógico ter aderido a todas as outras. De modo que ao estar num grupo tradicional da Igreja e ser, de certa forma, pressionada a adotar um padrão de modéstia que excluía o uso da calça, eu também já não poderia me comportar da mesma forma. Meu lugar no mundo estava radicalmente modificado. Afinal, se uma mulher não poderia – ou não deveria,se você preferir uma abordagem mais branda – usar calça, que é uma roupa completamente comum e amplamente vista assim, o que mais uma mulher católica não poderia/ deveria fazer?

Não subestime o poder das pequenas coisas.

E é realmente tristemente curioso como estas coisas combinadas me colocaram numa espécie de confinamento. Você não precisa fazer grandes jogadas para mudar completamente o jogo. A depender de como você posicione algumas peças, o resultado será bem diferente. Foi o que aconteceu comigo.

Gastei alguns anos do que chamei de apostolado em dicussões sobre o tema e, embora houvesse muitas pessoas que pretendiam responder na direção oposta da questão específica da calça, elas ainda alimentavam uma guerra que não deveria ter sentido. Superficialidade, eu acho. É bonito falar de roupas – esteja você de qual lado estiver nesse assunto -, é bonito, fácil e fútil. É confortável chamar isso de “apostolado” quando todas as pessoas envolvidas serão educadas, limpas e comprometidas. Você pode, facilmente, passar a vida inteira mudando a vida de pessoas assim: tornando-as seres humanos melhores, deixando mulheres ainda mais bonitas (é sempre possível tornar qualquer mulher mais bonita, não é a verdade da indústria?), recebendo bem seus maridos em casa: em suma, tornando ainda mais tranquila a vida de pessoas que já nasceram abençoadas em tudo; você poderia passar décadas fazendo este apostolado e sequer sentir que estava em “missão”, não é mesmo?

Hoje eu entendo o que está no centro da questão quando vejo algumas mulheres que seguem religiões orientais e são obrigadas a cobrir a cabeça em público, tentando explicar ao mundo que aquela peça não modifica em nada a sua vida “normal”. Elas estão lá (a depender do país e da linha de ortodoxia, claro), trabalhando, nos telejornais, nos laboratórios de ciências, até nas Olímpiadas (se você descontar que geralmente chegam na última posição), mostrando ao mundo que aquele pedaço de pano na cabeça realmente não as impede de fazer aquelas coisas.

Mas você sabe: não é em praticar canoagem que você pensa quando vê aquele símbolo. Na verdade, você pensa em tudo, menos nessas coisas superficiais. É muito mais profundo. É um lugar específico numa visão de mundo. Imediatamente você sabe. De repente poder praticar ou não canoagem torna-se minúsculo.

Não é tanto sobre uma adaptação de um código de vestimenta às atividades que você possa desenvolver, nem mesmo é o código rígido por si mesmo. O mundo do passado para a mulher católica que só usava saias, por exemplo, estava aberto para ela de uma maneira coerente com o que ele era naquele momento, mesmo descontando que aquele era um mundo de leis duríssimas para as mulheres. Ao menos nesse ponto, elas estavam na plenitude: era o que havia. E é um ponto a favor – e nunca contra – que a Igreja tenha recebido com tanta naturalidade a mudança nesse aspecto.

Eu coloco tudo isso para que fique claro qual foi o fio condutor do que era aqui publicado por mim, dez anos atrás. Eu queria que tivesse sido uma história de conversão impactante, uma espécie de despertar que tivesse acontecido e me levado por aquelas águas: mais ou menos como toda jovem católica gosta de parecer que foi. O que quase sempre existe é uma pessoa facilmente influenciável, possivelmente com marcas de abandono familiar e problemas de autoestima e autoafirmação.

Mas é claro que é muito mais do que isso. Até porque embora eu estivesse numa posição um tanto intransigente nesse ponto – não admitindo para mim mesma o uso da calça – há quem mergulhe em águas mais profundas no mesmo mar, por outras vias. Este é apenas um dos tentáculos. No cerne, está o lugar de controle do comportamento feminino. Este lugar – e você pode observar até mesmo no exemplo que citei de religiões orientais – não está tanto na religião em si quanto em visões políticas e ideológicas que são fermentadas dentro do cosmo espiritual dessas diversas religiões.

Uma década mais tarde, eu não poderia supor que haveria tantas pessoas alinhadas com esse pensamento. Alinhadas de maneira mais geral e, justamente por isso, de maneira mais significativa. A atual conjuntura dos meios virtuais (que já não pode ser chamado de nicho insignificante, embora seja uma bolha, mas uma bolha influente) colocou todo mundo mais ou menos no mesmo barco.E todo mundo entrou nele, mesmo que com as pernas balançando para fora.

Nesse barco, o melhor é o padrão de modéstia que eu espelhava no meu blog há 10 anos; a mulher trabalha fora em caso de necessidade e com uma boa dose de culpa e dor na consciência; não ter um número grande de filhos equivale a fugir do martírio; o casamento católico voltou a aspirar aquele ideal do pós-guerra da década de 40 e que definiu a década de 50: disponibilidade total por parte da mulher, no âmbito doméstico e sexual: algo que criou uma tensão tão grande na época que, basicamente, as duas décadas seguintes produziram os jovens mais surtados do século 20.

Como nada acontece do mesmo modo duas vezes, estamos falando de uma fatia específica que vai sentir mais na carne esse efeito, ao contrário de quando toda a geração foi influenciada, antes. Mas vai passar. Porque a nossa luta não é contra isto. É contra algo muito maior e que nunca sai de moda. É sempre o mesmo.

Há muitas razões para eu ter parado de escrever aqui nos últimos anos, embora eu tenha partilhado sobre homeschooling de forma espaçada, mas constante. A principal delas é a que ficou uma ferida na minha alma e personalidade nos anos seguintes da minha adesão e subsequente saída desse modo de viver, e que eu sinto apenas satisfatoriamente sarada nos últimos dois anos. Eu queria me encontrar novamente, sabia quem eu era e onde estava, mas não conseguia me alcançar de uma vez. Eu precisei de anos para ir me aproximando, para me apresentar novamente à pessoa que eu tão rapidamente abandonei aos 20 e bem poucos anos, e foi basicamente como devolver a minha alma ao meu corpo.

Agora eu sinto que consigo, novamente, escrever textos sobre a vida. Era basicamente o que eu fazia aqui, e embora estivesse muito equivocada nas minhas visões, pesa a favor que não era ainda um movimento ideológico organizado e difundido, como é hoje. Eu estava até mesmo bem isolada no meu caminho. A falta de espelho, naquela época, foi o que me manteve em longuíssimos (para mim) quatro anos naquela espiral; o espelhamento revela que tipo de coisa você está sendo para o outro, que tipo de coisa você pode ser se caminhar mais dez passos. Hoje, facilmente, você consegue perceber, por causa do meio, como estará dois mil passos à frente.

Seja bem-vinda e bem-vindo novamente ao meu blog. Permanece o mesmo espírito humano de tentativa de acerto e partilha; permanece o fato de que eu sou mesmo uma pessoa solitária e que a lógica de compartilhamento aqui não é a de frenesi das redes sociais: não há troca de likes. Aqui é praticamente como o era há 10 anos: monótono, e onde eu não tenho a mínima noção do alcance das minhas palavras. Estas coisas permanecem.

Quanto a mim: é quase certo que terão que me conhecer novamente, e quem eu sempre fui, desde a minha primeira lembrança. Com Cristo.

Salve Maria!

A lista de livros para crianças 6 – 8 anos

Segue mais uma lista de livros! Comprando através desses links (esses ou qualquer outro produto na Amazon) você ajuda MUITO o canal! E eu te agradeço muito!!

Episódio no Youtube!

Aprenda comigo no episódio completo no Youtube! Mas aqui segue um complemento rápido:

Primeiras leituras

Aos 6 anos, as crianças já são capazes de fazer as primeiras leituras por si mesmas. Eu recomendo muito que você invista em algums títulos da literatura infantil escrita em Língua Portuguesa!

Coleção Gato e Rato, Coleção Lagarta Pintada.. Eu adoro a coleção Miolo Mole de Eva Furnari! Faça como eu: separe esses livros para que a própria criança decofique (ao invés de você ler várias vezes em voz alta para ela decorar).

Coleção Gato e Rato: são muitos títulos. Essa coleção é para crianças que estão começando a ler as primeiras palavras. Veja: A bota do bode. O pote de melado. A banana. O trem. Gato com Frio

Coleção Lagarta Pintada: Com certeza algum fez parte da sua infância!

Veja: Limpeza de Teresa. Lúcia Já vou indo Quero casa com janela Fada Cisco quase nada Fofinho

Coleção Miolo Mole: Rimas e brincadeiras malucas com a língua portuguesa!

Veja: Assim Assado Você troca? Não confunda!

Veja também:

Maneco Caneco. História Enroscada

Não esqueça a Língua Portuguesa!

É comum que, conforme as crianças cresçam, a gente compre muitos livros infantis e infanto-juvenis consagrados que são quase sempre… traduções. Isso é ótimo, porque histórias clássicas merecem ser lidas, e é claro que lançamentos legais do momento correm o mundo! Mas faça o esforço de apresentar a nossa cultura e a nossa literatura!

Veja:

Contos de Bichos do Mato: Contos populares do brasil com os bichos da nossa fauna!

A pedra do meio-dia: história em cordel por Bráulio Tavares. Veja também: O Flautista misterioso e os ratos de Hamelim

Clássico de Henriqueta Lisboa, O Menino Poeta.

Carmela vai à escola é um conto de Adélia Prado. Veja também: Quando eu era pequena

Veja também:

As histórias de Alaíde Lisboa de Oliveira têm cheiro de infância lúdica! Veja: Cirandinha. O bonequinho doce. A bonequinha preta.

Poesia todo dia!

Nem que seja um poema, vai! A melhor maneira de colocar poesia na sua vida, é colocá-la todos os dias! Sem pressa, deixe que a linguagem poética faça morada no seu coração, pois é na memória e na repetição que a poesia faz sua casa!

O prato Azul-Pombinho, de Cora Coralina

Hamelt em cordel. Há muitos clássicos da literatura em cordel.

Trem de Ferro, de Manuel Bandeira.

Textos bons, porém não tão longos

Quem não quer que o filho comece logo a ler romances infanto-juvenis, certo? Mas, na minha opinião, algumas pessoas pensam que a Literatura se resume a isso: romances, romances, romances! Se você apostar em livros ou contos ilustrados, pode confiar que o nível do texto será excelente. Ao mesmo tempo, você vai preparando o caminho para romances maiores (sem nunca deixar de lado as leituras mais breves)

A Guerra do pão com manteiga, de Dr. Seuss: história em rimas com muito significado!

O homem do violino: baseado numa história real. Um famoso violinista toca nas ruas do metrô e ninguém o reconhece.

William Steig tem livros bem legais e profundos, como este Silvester e a pedrinha mágica. Veja também: Doutor de Soto. É dele também o famoso Shrek! A história é bem mais interessante e não tem as paródias dos contos de fadas que há nos filmes.

Chris Van Allsburg é um meus ilustradores preferidos. Aqui no Brasil você encontra Jumanji e Zathura.

O Urso quer contar uma história: mas ninguém tem muito tempo para ouvir.

Ninguém vai ficar bravo? é um livro de contos sobre as minhas diversas situações sobre essa emoção de sair um pouco do controle, com ilustrações belíssimas

Na Floresta é um dos nosso livros ilustrados favoritos de Anthony Browne e faz um diálogo muito legal com os contos de fadas através das ilustrações.

Mais livros para essa fase: aumentando o volume de texto

Célio Coelho e João Cão é o livro perfeito para ser lido por uma criança que ainda precisa de muitas ilustrações nas páginas!

A Mansão dos Ratinhos é aquele livro que agrada as crianças de todas as idades! Livro de capítulos curtos e muitas ilustrações! Veja no meu episódio 8 no Youtube!

Uff, o Ursinho: outra opção para o primeiro livro infanto-juvenil com capítulos para crianças que ainda não leem livros muito longos.

A História da Sopeira e da concha, de Michael Ende, tem um dos textos mais divertidos que já lemos! Eu mostrei no meu episódio 7 no Youtube.

Livros ilustrados mais maduros

Se você acompanha as minhas listas sabe que eu me preocupo com ilustrações, linguagem, nível do texto… sem deixar a diversão de lado! Isso permite que você possa dar chance a muitas coisas! Conforme as crianças crescem, a importância do texto ganha mais espaço. E você também deve pensar que a cada ano que passa, pode desafiar a leitura delas, colocando temas maduros, como morte, racismo, saudade, situações do cotidiano… isso vai equilibrar os temas mais recorrentes da literatura infanto-juvenil: aventura e fantasia (que, aliás, eu AMO e continuam meus preferidos).

No meu episódio sobre Protagonistas Negros, você encontra muitos títulos incríveis!

Veja:

Sulwe, de Lupita Nyong’o. Uma menina com a pele mais escura que a meia-noite tem problemas de autoestima, mas descobre sua própria luz e sua beleza.

Última parada, rua do mercado: um menino passeando de ônibus pela cidade.

Quando eu fui Maria: história de Natal tocante sobre o racismo.

Veja também:

Clássico de Oscar Wilde, O Príncipe Feliz.

O trem da Amizade: desde pequenos descobrimos que os amigos são um bem precioso.

A velhinha que dava nome às coisas: sobre a solidão e a velhice.

Pochê, a Tartaruga que viveu a vida: Uma tartaruga perde seu melhor amigo e precisa de um novo sentido para a sua vida.

Sugestão de coleções e romances infanto-juvenis

A coleção Cachorrinho Samba, de Maria José Dupré é uma coleção brasileira bem divertida!

Os livros de Dragões de M.P. Robertson são livros ilustrados em que a história continua! Meu filhote Dragão. O incrível resgate do Dragão. O ladrão de Dragões. O dragão e a dupla insuportável.

Pefeitos para essa fase! Eis alguns dos preferidos por aqui!

Uma gracinha de livro para ser lido em voz alta nessa fase: O Ursinho Pooh e Ursinho Pooh constrói uma casa.

Veja meu episódio completo sobre os Moomins!

Os Moomins e o dilúvio. Um cometa na terra dos Moomins. Os Moomins e o chapéu do Mago.

Livros de Frances Hodgson são incríveis!

Heidi é uma desses clássicos apaixonantes!

A teia de Charlotte é o livro preferido da minha filha até agora! Stuart Little também é dela!

Astrid Lindgren é uma dessas escritoras criativas que não dá para esquecer! Nossos preferidos: Pippi Meialonga e Mio, meu Filho.

Eu acho que as histórias de Roald Dahl são perfeitas para essa fase. As Bruxas é o meu preferido. Veja também A Fantástica fábrica de chocolate e Matilda.

Veja também:

Para iniciantes em séries de livros: A Casa da árvore mágica.

A famosa série COMO TREINAR SEU DRAGÃO pode ser lida a partir dos 7 anos e é a preferida do meu filho do meio!

Lendo os clássicos

Fábulas e contos maravilhosos são coisas que estão sempre presentes na minha casa e eu leio em voz alta (selecionando os temas) desde que eles são pequenos. Nessa fase eu gosto de entregar alguns volumes especiais para os meus filhos! As Fábulas de La Fontaine desta versão têm uma boa linguagem – mais rebuscada que as fábulas de Esopo – e também possuem temas mais maduros, melhores para a fase a partir dos 7 anos.

Fábulas de La Fontaine.

Procure pelos títulos de Grimm recontados por Maria Heloísa Penteado: texto e ilustrações lindas!

Os pequenos verdes e outras histórias é o volume ilustrado perfeito para uma boa seleção de Andersen para essa fase.

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