Quando eu saí do apostolado virtual em 2013

Quando eu deixei o meu antigo apostolado de modéstia, sentia uma grande necessidade de falar: falar sobre a minha mudança, falar sobre o que eu havia aprendido, falar para todas as pessoas que haviam me escutado até então sobre o porquê de eu ter escolhido outro caminho. Isso foi em 2013. Mas eu não o fiz: soube calar e foi o melhor que eu poderia ter feito.

Em primeiro lugar, pode parecer que ao sair de uma posição fechada (que pode ser um movimento, grupo, seita, o que seja) você se sinta a minoria, talvez a única pessoa despertando daquilo. Mas, não: na verdade, longe de toda posição radical há um mundo gigantesco ao redor: amplo, heterogêneo, dinâmico, real, cheio de coisas a serem descobertas. A necessidade imediata de falar, de marcar posição, de tentar convencer aquele grupo pequeno – mas que era o seu microcosmo – acontece porque você ainda se mantém muito próxima da borda. Ainda lhe parece que aquelas pessoas detém algo que você não detém: a felicidade uniforme, o apoio mútuo, o pertencimento protegido por códigos nunca realmente discutidos, mas tomados como verdades absolutas.

Tudo o que um dia você defendeu, abraçou apressadamente, abafou na consciência: tudo o que agora parece supérfluo. Eu percebi imediatamente que perderia a real experiência da vida se me mantivesse circundando o que eu havia sido por quase quatro anos (durante o meu apostolado de modéstia), se cedesse a tentação de começar dali – do meu ponto de ruptura – qualquer diálogo sobre o que eu vivi. Pois é claro que desse ponto específico da curva eu terminaria por fingir que eu ainda era um pouco parecida com a bolha, divergindo apenas em partes muito pontuais: essa fantasia pela qual 9 em cada 10 pessoas passam nessas condições.

Ao invés disso, eu me afastei das questões até elas se tornarem tão diluídas que eu não consigo mais me recordar dos monólogos que fiz internamente naquela época. O que era mesmo que eu queria dizer me afastando da modéstia das saias? Quais eram mesmo as minhas justificativas? É claro que eu nunca fui a mais radical nesse tópico: na verdade, o blog Teus Vestidos nasceu, acreditem, de um rompimento com uma proposta de radicalidade de um apostolado de modéstia do qual eu fiz parte.

Em 2010 eu havia sido convidada para integrar um apostolado de modéstia :era o site Moda e Modéstia. Tenho boas lembranças das pessoas. Fizemos (meu então noivo Vladimir, hoje meu marido) uma viagem para uma formação com um padre da Obra dos Santos Anjos, que na época orientava a fundadora do apostolado de Modéstia. Um padre amoroso, esforçado. No segundo e último dia de formação, ele faria a proposta para os integrantes do apostolado: a proposta que partiria o meu coração. Eu voltei triste, com o coração pesado.

A proposta era a formação de uma elite: pessoas que iriam se vestir de maneira exemplar, para que as outras pessoas – as pessoas comuns, essa abstração – pudessem se inspirar. Colocaríamos a meta no alto e o padrão, a grande revelação do padre, era a sigla “PPP“: até o pé, até o pescoço e até o pulso. Isso mesmo. Homens e mulheres do apostolado deveriam se vestir cobrindo completamente o corpo até esses “pontos”. Tudo isso valeria a pena, fora a resposta de orações, era o caminho seguro para o início de algo que poderia operar uma grande mudança na sociedade. Você sabe: se o mundo está indo no extremo da imodéstia, vá pelo extremo oposto. Após o momento dos extremos, chega o equilíbrio. Mas não antes.

Teus Vestidos nasceu poquíssimo tempo depois dessa experiência ( dois ou três meses): na minha percepção a via do equilíbrio, a minha resposta para a minha rejeição pessoal à proposta do padre,. Eu não podia afirmar que era pecado mortal usar calça (não havia base alguma para isso), mas eu acreditava que havia uma forte sugestão para tanto, sugestão que eu deixava claro na página Sobre , colocando em dúvida a moralidade da calça, lembrava a posição de Padre Pio sobre ela, entre outros argumentos retóricos. O texto era: “Um caminho para a modéstia”: veja, era um caminho, não o único, mas era possível, era possível abraçá-lo, era possível escolher essa via por ser melhor, por ser um modelo mais perfeito que seria capaz de inspirar os outros. Como podem ver, o espírito de elite que havia sido proposto a mim ainda estava ali, um tanto camuflado, mas estava.

Seria ingênuo acreditar que meu alcance foi capaz de provocar mudanças na sociedade, mas eu também sei que a mudança foi perceptível num nicho específico, foi observável mesmo, afinal em seus dias mais movimentos o blog chegava a uma média de 8 mil visitantes/dia. Muitas mulheres católicas se inspiravam no blog, que fez uma boa curadoria (eu sou boa nisso, rs) trazendo à luz um padrão de modéstia alegre, belo, diversificado. Padrão copiado (no bom sentido da palavra) direta ou indiretamente por todas as lojas de modéstia católica que surgiram no Brasil nos anos posteriores. Teus Vestidos foi formativo para muitas pessoas.

Quanto a mim, no entanto, não havia esse benefício. Eu não podia ignorar o caminho que havia me feito chegar até ali, as posições definitivas que eu havia tomado sobre a modéstia, o fato dessa questão ter se tornado tão central na minha vida: o fato de que, concretamente, a minha espiritualidade havia sido formada durante pelo menos três anos (justo os anos posteriores à minha conversão ao catolicismo) de forma superficial: centrada na aparência. O fato de eu estar partilhando isso não significa que essa tenha sido a experiência de todas as pessoas que seguiam e se beneficiavam do blog. De maneira alguma. Mas isso também quer dizer que essa foi a experiência de muitas pessoas que como eu passaram por isso: é esse o tipo de conexão que se pretende com um texto como esse. Dificilmente alguém está sozinho numa experiência de vida.

A modéstia era apenas uma das pontas do iceberg do meu pequeno oceano de vida. Eu me pretendia uma pessoa profunda, extremamente reflexiva, mas a minha conversão era recente, minhas mudanças eletivas, havia esforço, mas também havia esperteza da minha parte e camuflagem. Essa camuflagem foi, pouco a pouco, sugando a minha busca pela verdade, a ponto de eu não reconhecer mais as minhas reais motivações para nada. Lembro particularmente de um retiro que eu fui. O confessor puxou um assunto: perguntou se eu estava precisando de ajuda num aspecto da minha vida. Foi como se Deus enviasse aquela pessoa para me ajudar. Mas eu respondi tranquilamente que não precisava de ajuda, que estava bem informada e feliz.

Na verdade eu não estava nem bem informada e menos ainda feliz. Eu não havia lido mais do pouquíssima coisa a respeito (enviesada, diga-se) e concretamente me sentia confusa e enferma. Eu não conseguia perceber a mais óbvia mensagem do evangelho – a de que Jesus veio para os doentes – e me considerava sã porque era exemplo para os outros. Como na modéstia, eu fui exemplo para noivado, casamento, vida conjugal, vida íntima, filhos, educação dos filhos. Posições definitivas, que sempre me faziam recordar as palavras de Jesus aos fariseus: Faça o que eles dizem, mas não o que eles fazem. E também: “Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. ” Mateus 23:4

Sei que é muito difícil ver a si mesmo dessa forma, até porque, concretamente, eu estava fazendo o que pregava. Era óbvio que eu me vestia com modéstia, anos sem calça; era óbvio que eu não pecava no meu casamento, era óbvio… era óbvio que eu estava também sendo mais dura com os outros do que comigo, pois eles não podiam ver que o espírito elitista ainda vivia em mim, que eu havia desistido de viver uma vida real para viver uma vida ideal e que boa parte do que eu dizia ser imprescindível sequer tinha importância, e outra parte só teria importância se vivida na verdade, na graça: nenhum espírito elitista e suposta intenção de inspirar as pessoas pode usurpar isso de Deus. Os apóstolos eram apenas doze no meio da multidão imensa: será que não poderiam pelo menos estes terem permanecido ao lado de Jesus na cruz para nos dar um bom exemplo? Doze apóstolos foram escolhidos, todos eles fugiram, apenas um retornou: a Verdade é a única inspiração legítima das obras que vem de Deus.

Ao deixar meu apostolado virtual como um todo – do qual a modéstia era a parte em destaque – eu tive que aprender ao longo desses 8 anos que não se trata desta ou daquela posição definitiva; não se trata de passar a usar calças ou coisa que o valha: trata-se de viver na realidade, esse espaço amplo que nos permite conhecer a nós mesmos e ter nosso relacionamento verdadeiro com Cristo na privacidade. A exibição da própria vida privada, como forma de apostolado, muito rapidamente torna-se como a oração do fariseu: “Eu te agradeço porque não sou como os outros, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse publicano” (Lucas, 18:11). O publicano, por sua vez, que rezava em privado, voltou para casa justificado.

Os fariseus, chamados de hipócritas, são o exemplo ideal para Nosso Senhor expor a dicotomia entre o que se faz e o que se prega. Pois veja: é verdade também que os fariseus faziam mecanicamente o que pregavam, porque eles só pregavam as mais superficiais e irrelevantes exigências que estavam na letra da Lei. E por fazerem e darem importância a tantas coisas aparentes e supérfluas eles jamais conseguiam sequer chegar aos “preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade” (Mateus 23:23). Nunca poderiam chegar ao Amor, porque toda a vida estava comprometida com a mentira.

Pela própria vida de Jesus e testemunho dos Santos, sabe-se que não se chega ao máximo do amor por força e vontade própria, senão pela gratuidade e correspondência da graça. No âmbito das redes sociais é fácil, demasiadamente fácil ser hipócrita porque num espaço de narrativas construídas, fatos concretos são manipulados. “Fatos” são transformados em mentiras: as fotos e os números não provam nada. Posso, numericamente, estar de acordo com os fatos; posso, numericamente, exibir meus feitos e conquistas. Mas as estatísticas mentem: posso ter um bem em concreto, mas se dou os motivos falsos de como os consegui, meu testemunho não vale nada. Porque é o testemunho verdadeiro que guarda o evangelho, a Boa Nova, a caridade.

Deus não deseja o máximo de talentos, senão que cada um corresponda a Graça. Mas numa mentalidade elitista de apostolado, isso é usurpado. Se você não anuncia a Verdade toda, a verdade completa, isto é, que cada um tem seu talento e que inclusive Deus deu inúmeras provas de que paga o mesmo a quem dá menos (parábola dos trabalhadores da vinha) ou que em certos casos Ele paga até mais a quem dá menos (“publicanos e prostitutas estão ingressando antes de vós no reino de Deus“), você não está sendo apóstolo de Jesus Cristo, mas de si mesmo.

Não é justo, sob nenhuma justificativa, fazer com que os filhos de Deus – pessoas comuns não são uma abstração, elas são feitas de carne e de espírito – acreditem que Seu Senhor lhes dará um determinado tipo de pagamento que não corresponde à verdade do Evangelho e ao catecismo da Igreja. Nesse sentido,chamar de fracos e egoístas quem aparentemente não está “jejuando” em público é fazer uníssono com o fariseu que orava: “desonestos e adúlteros”. Acontece que essa verdadeira mensagem do evangelho não engrandece ninguém, não põe ninguém em destaque senão Cristo: e algumas pessoas não querem desistir de orar em pé ou nas esquinas, a fim de que sejam bem vistas e tirem benefício próprio.

Mas o que eu estava querendo mesmo dizer com a saída do meu apostolado virtual de modéstia? Se eu tivesse feito esse texto imediatamente após a minha saída dessa posição (o que, obviamente, não começou da noite pro dia), eu provavelmente estaria incluindo aqui como decidi “continuar me vestindo com modéstia”, acrescentando, porém, que “não queria mais ser responsável por este apostolado público”. Talvez eu incluísse as calças como uma “roupa modesta”? Não, eu jamais faria isso. Porque ao ir para a realidade, ao caminhar cada vez mais pelo mundo exterior,eu tive experiências que diminuíram para mim a importância desse tema como um todo.

Qualquer experiência real, bela, complicada e dramática da vida torna o que eu aqui fazia irrelevante. Não a virtude da modéstia – que realmente é e continua importante – mas os padrões, a constância e recorrência do tema, as discussões e problematizações, a vitrine, o meu exemplo de vida. Quando eu vejo o drama de uma mulher recebendo uma cesta básica na páscoa, por exemplo, vestida com uma camiseta de alças e shorts, de enxada na mão, 5 filhos em casa famintos, e chorando copiosamente, qual a relevância da roupa dela? Nenhuma. E não, não existe mentalidade colonizadora que me faça imaginá-la num mundo ideal, talvez mais para frente, convertida e usando saia midi. É que não tem importância mesmo.

E se não tem importância para ela, que está dez mil vezes mais no centro da necessidade do evangelho do que eu, por que teria para mim? Para me afastar ainda mais dela, talvez. Para que cercada das minhas ocupações insípidas e antissépticas, eu preencha meu tempo com um apostolado que não poderia ajudá-la nem por acidente.

Hoje eu posso olhar com distância (e põe distância nisso, lá se vão 8 anos!) e perceber que este apostolado teve bons frutos, mas que teve também um alto custo para a minha vida. Dele veio a minha tendência a corresponder a graça primeiro superficialmente e aparentemente, para depois tentar adequar a minha vida interior ao exterior. Em outras palavras, uma tendência à desonestidade. Eu já sabia que só se muda de dentro para fora, mas outra coisa é agir.

Outra coisa é admitir ficar para trás tantas e tantas vezes, enquanto as outras pessoas ao seu redor parecem avançar a passos largos nas virtudes e no heroísmo. Outra coisa é admitir que seu tempo é outro – e aqui eu definitivamente não estou falando mais de modéstia, mas da minha vida católica como um todo – que você é outra pessoa, e que você não quer reescrever a sua história em posts na internet, reinterpretando as escolhas que fez para melhor adequá-las e fazer parecer que você tomou o caminho que tomou porque foi heróico como outra pessoa. Um testemunho mentiroso sobre um resultado concreto não vale de nada.

O agravante das redes sociais é que existe uma fórmula pronta para que você se destaque nelas usando algum de seus talentos. Uma fórmula que monetiza a privacidade da vida e transforma em hipérbole aquilo que estava em potencial: alguém com uma boa visão sobre a vida conjugal passa a ser especialista no assunto, e por aí vai.

É também possível observar agora como também foram superficiais (não todos) uma boa parte dos depoimentos e congratulações que eu recebi ao longo dos anos por este apostolado. Pois embora eu praticamente não tenha mais feito grandes coisas na internet desde a época do blog (voltei recentemente com um trabalho profissional literário), não poste muita coisa e não me manifeste sobre muitos assuntos, são tantas pessoas indispostas comigo, deixando de me seguir nas redes sociais, colocando meu nome em grupos de whatsapp, agora que estão elas mesmas infuentes como há 10 anos somente eu e uma dúzia éramos nessa bolha: que eu só posso enxergar completamente o quadro realmente neste momento da minha vida.

Aquele pequeno conforto que eu sentia, aquele sentimento de amortecimento que eu tinha quando recebia uma mensagem que dizia que eu havia “mudado a vida” de uma pessoa por causa do meu apostolado desapareceu porque essa mesma pessoa (e eu digo que foram dezenas e dezenas) deixou de me acompanhar e passou a desmerecer o meu trabalho e a minha voz porque farejou no ar (ou teve certeza) que eu não penso como ela em um ou mais assuntos. Se quem deu testemunho de que eu acrescentei tanto na vida é capaz de facilmente ter esta atitude, isso não pode ser justificado tanto pela falta de caráter dela, quanto pelo fato de que eu não mudei tanto assim a vida das pessoas em geral.

Esse conforto foi, portanto, substituído por um total desapego. Não me apego e louvo a Deus por ter retirado de mim e ter ficado só para Ele os méritos do que possa ter sido feito por meu intermédio.

O que realmente Deus está querendo me mostrar com tudo isso? Faz algum sentido esperar sinceridade de pessoas que estão semiatuando nas redes? De pessoas que se comportam mal, tratam os outros mal; de pessoas que ficam dissecando por semanas e até mesmo meses o que seus desafetos dizem em grupos de WhatsApp, enquanto enaltecem e citam pessoas que falam coisas abomináveis, só porque estas últimas são influentes e atraem seguidores? Pode alguém dizer que está atacando publicamente alguém porque está defendendo a posição da Igreja e ao mesmo tempo divulgar como exemplo de católico outra pessoa que xinga até o Santo Padre?

Há uma alegria imensa em ter uma vida oculta. A família de Nazaré, a mais perfeita, se manteve oculta por 30 anos. Deus quis que esse testemunho fosse mais crucial que qualquer coisa de fato extraordinária que eles possam ter feito diariamente. A oração privada, as duas moedinhas da viúva, a generosidade do Senhor que paga o mesmo a quem trabalha apenas uma hora na vinha: estas são as verdades evangélicas que continuam sufocadas. Mas como sempre começa a acontecer nessas horas, as pedras começam a falar e os pequeninos saem das sombras dos gigantes.

Eu fico feliz quando vejo que pude sair sem me preocupar em ser sufocada por despertar as pessoas que simplesmente pensavam como eu, em alguns aspectos, e naquele momento lá atrás. Elas estão bem. Estão ótimas. O mundo é mais amplo, tem necessidades mais urgentes. Se é você quem está saindo, não teve tomar para si a responsabilidade de olhar para trás. Foi o que eu fiz. Até porque para mim, desde então, sempre houve um longo caminho pela frente. Ser sincera, não fantasiar, procurar identificar meus reais defeitos, vencê-los lentamente e constantemente: coisas que, definitivamente, não se consegue em público virtualmente.

Foram quatros anos de apostolado virtual que se parecem com duas décadas. Quem eu sempre fui antes disso – e já com Cristo – e quem eu tive de recuperar depois são coisas desconhecidas para todas as pessoas. Quem conviveu comigo a vida toda sabe que eu estou sendo basicamente como sempre fui, diria C.S.Lewis, mas fazendo as coisas com novo espírito: o espírito cristão. Mas eu ainda dou justificativas para as pessoas que me conhecem dessa época do blog. Porque elas acham que eu mudei: não, eu mudei superficialmente neste momento bem específico da minha vida; e aconteceu desse momento específico me dar bastante visibilidade.

Outra imensa alegria: ter visto até onde eu poderia ter ido se a voz da minha consciência não tivesse clamado mais alto! A minha real vontade de encontrar Jesus Cristo pessoalmente me humilhou e me colocou no caminho que eu devo trilhar para encontrá-Lo. Eu poderia estar cada vez mais heróica aos olhos dos outros, e mais distante de oferecer uma única moeda que eu tivesse no meu bolso, desde que fosse verdade.

São Tomás More foi a minha estrela nesse processo: guiando a minha vontade para Ele, separando-Me cada vez quando eu lia suas palavras. A sós com Deus: Essa correspondência é pessoal, íntima, não pode ser substituída por nenhuma fórmula. A porta é estreita não pelo fato de que poucas pessoas caibam do outro lado – o Céu é enorme – mas porque passa apenas uma pessoa por vez.

O coração é um caçador solitário.

O curioso caso da criação sem telas

Sou de uma geração em que a televisão estava bem estabelecida. As crianças dos anos 90 ditavam a programação matinal de quase todos os canais e – com exceção de poucas famílias evangélicas que demonizavam o próprio eletrodoméstico, banindo-o do lar como um mal em si mesmo – todas as famílias liberavam em média duas horas diárias dos Xous das Xuxas. A televisão foi basicamente a única tela que eu tive acesso por muitos anos, até a chegada da adolescência e dos bate-papos virtuais, restritos por uma coisa chamada conexão discada. De modo geral, no entanto, a vida foi bastante analógica naquela época.

Vamos pular para os dias atuais, onde duas décadas inteiras de redes sociais, tablets, jogos vituais (ser gamer, quem diria, é uma profissão não só rentável, mas com grande status entre os jovens) fizeram seu trabalho. Agora é o momento de quem deseja fugir dessa avalanche se posicionar: mas, vejam só, como convém tanto ao espírito deste mundo, isso não é feito sem uma boa dose de ironia. Me refiro ao movimento de pais que desejam criar seus filhos sem telas – algo próximo de zero telas – e que talvez sejam, pela primeira vez, o curioso caso dos pais que são bastante antenados e têm uma espécie de second life no mundo vitrual: influencers, instagrammers, ou pelo menos pessoas que passam em média 2 horas diárias navegando à esmo nas redes sociais (quem duvida, confira seu próprio gráfico no Instagram) – e cujos filhos se parecem mais com a geração sem telas dos meus pais: meu pai nasceu em 1958 e quando ele era criança na década de 60, a programação televisiva começava às 17 horas.

Esse movimento se preocupa com fatos bem louváveis, um resumo do que a autora Catherine Lecuyer expôs no livro Educar na Realidade: o mal das telas, as crianças expostas às redes sociais, os problemas de depressão, a dificuldade de enxergar a própria realidade por conta do mundo virtual; a multitarefa por uso dos vários dispositivos que os jovens têm acesso tão livremente hoje e que causam dependência; há a dopamina, esse neurotransmissor que é liberado em momentos de recompensa prazerosa, atualmente também associado aos likes e respostas dos conteúdos virtuais que se gera.

E por que chamo o movimento de Curioso caso da criação sem telas? Porque enquanto seus filhos caminham para trás nesta relação com as telas, seus pais caminham para frente – uma alusão óbvia ao conto de Scott Fitzgerald e que deu origem ao filme O curioso caso de Benjamin Button. É como se meu pai, que esperava pelo único momento diante das telas aos 8 anos, fosse criado por sua filha Luciana do futuro, completamente conectada como só seria possível décadas depois: alguém que, veja só, não apenas usa as redes sociais e celulares, mas está sendo diretamente afetado por elas.

Seria perfeitamente compreensível se a posição radical contra o uso de telas viesse de pais e mães que, obviamente, estão neste século e usam celular, trabalham no computador, etc., mas que, fora isso, não dão muita bola para as telas. Algo como uma pessoa normal num mundo normal: alguém que usa o celular, mas nunca em excesso; alguém que tem uma rede social, mas tem ressalvas com a exposição; alguém cujo gráfico ocioso das redes nunca ultrapassa o extremo necessário para se transitar ali. Seria perfeitamente compreensível, mas não é: em geral os defensores do zero telas são pais e mães que há muito sofrem com uso das telas e a multitarefa: essa mania de começar qualquer coisa com o olho no celular, enquanto checa uma informação. São pessoas cujo uso de telas está cada vez mais associado ao consumo de conteúdo dentro da rede social: lives, stories, WhatsApp; e menos aos chamados programas de entretenimento: filmes, documentários, programas musicais.

Na minha infância, um tipo de acesso às telas – leia-se aqui basicamente um aparelho de DVD e um sistema de assinatura de canais da TV a cabo – já foi considerado uma espécie de distinção cultural. Ser cinéfilo, conhecer certos filmes, mesmo para crianças ou jovens: uma amostra de que seu horizonte estava sendo devidamente ampliado. O fato de eu ter à minha disposição canais sobre a natureza, música, séries e documentários históricos fez uma grande diferença na minha vida intelectual.

Atualmente, as pessoas se tornaram bem sucedidas em eliminar quase por completo o acesso à televisão – de si mesmas e dos filhos – mas quanto ao uso das redes sociais: pais costumam passar mais tempo entre elas do que uma criança dos anos 90 passava revezando entre um desenho de uma emissora e outra. Após duas ou três horas nas redes sociais, esses pais conseguem acumular alguma visão bem distorcida da realidade, alguns memes, lives que prometem tirá-los da zona de conforto, dezenas (senão centenas) de stories. Um documentário do Smithsonian teria lhes acrescentado mais.

Na infância, especialmente nos primeios anos, a criança tem um acesso às telas majoritariamente passivo: pode receber horas de exposição de conteúdos que lhe retiram do mundo real e das possibilidades de interação afetiva e sensorial com quem ou o que as rodeia. Há pais que entregam seus filhos e basicamente os educam tendo como prerrogativa o uso desenfreado de telas: principalmente porque as telas têm o poder de ocupar as crianças, mantê-las estáticas e silenciosas. Nessas horas no lar ( horas que os pais sempre consideram ociosas) as telas diminuem drasticamente as demandas que qualquer criança – eu diria qualquer ser humano vivo – gera.

É bastante confortável para esses pais, então, que a criança migre da televisão da casa para o próprio dispositivo eletrônico (tablet, celular) e ali possa acessar seus jogos eletrônicos, aplicativos, demais conteúdos. Neste momento, já não há mais qualquer controle não apenas do tempo que a criança está exposta às telas (algo que parece bem mais relevante para os pais nos primeiros anos de vida) mas, principalmente, ao tipo de conteúdo. Pois hoje, mais do que antes, o acesso ao conteúdo de um programa de TV (desenho animado, por exemplo) pode ser verificado previamente. Os pais podem ver o programa, aprová-lo, e só então permitir que a criança o consuma. Quantos aos conteúdos dos dipositivos com acesso à internet, e portanto com infinitas possibilidades, não se tem domínio.

Mas, é claro, se estamos falando de zero telas, estamos igualmente falando de uma infância que não terá qualquer dispositivo eletrônico à disposição, livre. Mencionei-os porque quase todos os problemas citados por Catherine Lecuyer em Educar na realidade não estão apenas restritos à infância ou adolescência. Não são meros problemas de uma faixa etária ou, ainda, não são problemas que acontecem só porque são crianças que estão acessando. E mais: alguns dos tipos de problemas que ela aborda não são problemas que ocorrem pelo simples fato de se acumular horas diante de um aparelho eletrônico: se fosse assim, os profissionais de TI, ou as pessoas que apenas têm de usar um computador diariamente, estariam fadadas para sempre.

É muito interessante notar como o ponto mais importante da obra – o conceito de estar inserido na realidade e não no virtual – é crucial hoje para qualquer um que use as redes sociais. É preciso educar na realidade? Com certeza. Mas não se trata apenas do movimento de educar uma criança: trata-se de uma coisa chamada vida. É preciso, sobretudo e de maneira urgente, viver na realidade. Construir nossas relações com base numa vida real e pessoas reais, temer a realidade e não os espectros e as sombras de perfis com posições divergentes da nossa, apreender nossa própria crença e nossos valores ao longo do tempo que nos foi concedido no cotidiano: esse cotidiano que por tantas vezes contradiz nossas experiências virtuais.

Não é preciso discorrer muito sobre a hostilidade dentro das redes, o modo de falar sempre agressivo, os ataques desnecessários, a mania de procurar culpados de crises globais em perfis pessoais. Some-se a isso o fato de que quase todo mundo admite que não lê mesmo um livro e já não possui mais a paciência necessária para duas horas de filme. O gráfico no Instagram, contudo, continua subindo.

Voltando ao Curioso caso da criação sem telas, tal como na obra fictícia, há um momento em que fatalmente os caminhos opostos se encontram: e este momento é o fato de que uma vez estabelecido o tipo de uso de telas numa família, os filhos seguem o mesmo padrão. Não é com surpresa que eu tenho observado crescer o número de adolescentes criados há dois pares de anos sem telas invadir as redes sociais. São jovens de 13, 14, 15 anos com perfis no Instagram, dando lições de política e até mesmo falando sobre coisas como: viver a sexualidade, aborto, namoro.

Agora, ao que parece, eles têm seu acesso diário às telas, onde a Second Life trilhada antes pelos pais, lhes aguarda, com as mesmas roupas, os mesmos gráficos do Canva. Mas, diferente dos pais, que ao menos tiveram outra realidade prévia, a realidade para o jovem passa a ser aquela. Crescer e forjar o cárater num momento da vida em que a questão da exposição é tão decisiva é algo delicadíssimo. Não importa se você está expondo uma posição ideológica e cultural que seria “correta” (Maísa e Larissa Manoela provavelmente pensam o mesmo de si mesmas), é o fato de que a exposição, a afetação, – as posições definitivas sobre o que ainda não se é capaz de opinar – tudo isso é fantasia e aprisiona.

Eu já mencionei como um documentário do Smithsonian seria melhor?

Os melhores livros – crianças até 5 anos

Esta nova lista é um complemento à lista Os melhores livros – até 2 anos. A lista anterior contém livros criativos que podem ser lidos desde os primeiros dias de vida do bebê. Se você está começando uma biblioteca para os seus filhos, eu recomendo ver a lista anterior, mesmo que seus filhos tenham mais de 2 anos.  A maioria dos títulos da lista Os melhores livros até 2 anos é adequada para crianças mais velhas e seria interessante começar por alguns deles (principalmente pelos livros de poesia e história rimada), e só então, passar para esta nova lista  – que de acordo com meus critérios muito pessoais (fique à vontade para discordar) pressupõe a leitura em voz alta de livros mais fáceis por um período.

Eu tenho um canal literário no Youtube, onde eu falo de literatura infantil e infanto-juvenil, indico livros e mostro detalhes. Inscreva-se e ajude a divulgar!

Você verá por si mesmo que quase todos os títulos desta lista são adequados para crianças de todas as idades. A razão principal pela qual eu coloco faixa etária é o próprio caminho literário que eu tenho percorrido com os meus filhos (atualmente, a mais velha tem 5 anos).

Você notará que minhas escolhas tem valor literário. Há muitos livros bons, legais, divertidos… mas os que eu escolho, além disso, tem esse algo a mais.

Os livros desta lista que direcionam à AMAZON revertem para este blog. Não há custo algum para vocês, mas nos ajuda muito, por isso, eu peço a generosidade de, em caso de compra, fazê-lo através dos meus links. Não é necessário que sejam estes títulos em particular; basta clicar em um link e buscar no site qualquer produto Amazon, adicionando ao carrinho e finalizando a compra em alguns dias . Obrigada!


Livros que amamos

Eu gosto muito de livros infantis que falam do universo dos contos de fadas. Como estamos bem familiarizados, as crianças aproveitaram – e gostaram bastante – destes títulos.

A Floresta – belo livro da ilustradora Claire Nivola sobre o medo de um ratinho da floresta vizinha.

Na Floresta, de Anthony Browne, relembra alguns dos principais personagens dos contos de fadas numa floresta soturna.

O túnel, de Anthony Browne, é um pequeno conto de fadas sobre irmãos briguentos.

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Milhões de Gatos, de Wanda Gág, é um dos livros ilustrados mais antigos (1928) e divertidos de todos os tempos!

O Nabo Gigante  é uma divertida história em que um velhinho e uma velhinha plantam um nabo que cresce até ficar gigante. Para tirar o legume do solo será necessária a ajuda de todos os animais da fazenda .

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Em As boas Ações do Seu Simões, as crianças irão ajudar a praticar boas ações procurando nas ilustrações de página dupla por coisas perdidas! As imagens são incríveis e lembram muito a arte do Yellow Submarine (Beatles).

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A Estrada que não levava a lugar algum, do italiano Gianni Rodari, tem uma narrativa com mensagem incrível. Veja no meu episódio 3 no YOUTUBE. 

Em os Fantásticos livros voadores de Modesto Máximo, uma comovente história de amor aos livros.

Carlinhos precisa de uma capa: Um livro de Tomie de Paola sempre vale a pena.

Narrativas um pouco mais longas.

O divertidíssimo O duende da Ponte

Alice no Jardim de Infância é uma versão de Alice escrita pelo próprio Lewis Carroll para crianças até 5 anos (daí o nome no Jardim de Infância; uma outra editora o lançou como Pequena Alice no país das Maravilhas, mas trata-se da mesma obra)

Petúnia é um clássico da década de 50 do famoso ilustrador Roger Duvoisin

 

Sr Bliss, ilustrado pelo próprio JRR Tolkien, é o livro ideal para apresentar aos pequenos este grande escritor (será reeditado no próximo ano)

Ola, Olê, Beto Por quê, do alemão Michael Ende, mostra a faceta nonsense que o autor exibe nas obras de Jim Knopf.

Os três ratos de Chantily, recontada e ilustrada pelo brasileiro Alexandre Camanho, é baseada no clássico francês Os três cegos de Compiegne e tem uma linguagem maravilhosa – meus filhos acompanharam bem apesar dos termos mais rebuscados.

O livro do foguete, de Peter Newell, é escrito em versos e tem um furo em todas as páginas do livro, para indicar a passagem do foguete num prédio alto.

Livros clássicos da Literatura infantil brasileira

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 Livros escritos em língua portuguesa têm uma grande vantagem de vocabulário vernáculo, e é por isso que eu recomendo que você sempre invista em títulos brasileiros. Nas bibliotecas municipais, o acervo infantil brasileiro costuma ser muito bom. Estes livros costumam trazer palavras e rimas próprias do nosso idioma, além de acrescentarem do ponto de vista cultural e ajudar no processo de alfabetização.

Lúcia-já-vou-indo, um clássico bem escrito de Maria Heloísa Penteado

As centopeias e seus sapatinhos.

Quero casa com janela.

A cesta de Maricota, de Tatiana Belink, escritora com vasta obra.

Ana Maria Machado foi uma das duas escritoras brasileiras de literatura infanto-juvenil a levar o prêmio Hans Christian Andersen, o maior prêmio internacional da categoria. Ela é responsável por registrar boa parte de nossos contos e lendas orais Brasil afora para crianças, além de escrever títulos próprios. Escreveu muito,  por isso, há que se filtrar bastante.

Veja também: A limpeza de Teresa.

Poemas e Rimas para crianças

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Para conhecer o que há de mais criativo em versos e rimas na Língua Portuguesa – que fazem parte da oralidade e das brincadeiras culturais do nosso país – nada melhor que os livros de Sílvio Romero. Bão Ba La Lão, com Parlendas e Quadrinhas Brasileiras, com poemas de quatro versos.

Estes são, provavelmente, os principais clássicos (de língua inglesa) de poesias e rimas dedicadas às crianças pequenas disponíveis no nosso mercado editorial.

O flautista de manto malhado em Hamelim, famoso poema da literatura, na versão de Robert Browning, grande poeta inglês

Os gatos, do excelente T.S.Eliot (e que deu origem ao famoso musical Cats, da Broadway)

Jardim de Versos, de Stevenson, têm sido o maior clássico de rimas para crianças na língua inglesa

Viagem numa peneira, de Edward Lear, o poeta nonsense inglês, sempre lembrado com Lewis Carroll. Ele é famoso pelos limeriques, poemas curtos e não necessariamente com sentido.

Manuel Bandeira conta com alguns livros disponíveis de seus versos para crianças, como este Para Brincar e Berimbau

Zum-zum-zum, escrito por Lalau e ilustrado por Laura Beatriz –  uma parceria que rendeu outros títulos muito interessantes, de poesia e de fauna e flora brasileiras.

ABC até Z, de Bartolomeu de Campos de Queiróz, autor que tem muitos títulos infanto-juvenis conhecidos no Brasil. Eu gostei desse livro porque os poemas de cada letra trazem exemplos menos óbvios de palavras.

Coleções

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A coleção Os Mais belos contos, da Cosac Naify, trazia títulos como O Alfaiate Valente, As Penas do Dragão, e O Nariz, de Gógol. Infelizmente, a editora acabou e esses títulos esgotaram e são raros em sebos. Mas as ilustrações são incríveis e o texto muito bem trabalhado. Vale a pena procurar.

Na lista anterior, eu indiquei que você deveria ter pelo menos uma edição ricamente ilustrada das fábulas de Esopo.

Versões individuais dos contos de fadas e coleções ricamente ilustradas

Embora eu ame contos de fadas e tenha algumas edições de contos de Andersen e Grimm, eu invisto nessa fase sobretudo em versões individuais dos contos mais adequados ou em coleções bem selecionadas, com muitas ilustrações em todas as páginas. Edições completas (à exemplo de Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos) trazem contos inadequados para a primeira infância, com excessiva violência. Por outro lado, edições com poucas ilustrações não atraem a atenção dos meus filhos entre 3 e 5 anos, por isso, eu prefiro deixar estas edições para quando eles forem fluentes e puderem ler por si mesmos.

A Editora Ática tem vários títulos ilustrados por A. Archipowa para os contos de Grimm.

Branca de Neve

Cinderela

Chapeuzinho Vermelho

Mãe Nevada

Os músicos de Bremen

Paul O. Zelinsky é um dos maiores ilustradores que eu já conheci. Esta versão de Rapunzel é uma obra-prima. Apenas em inglês, mas vale a pena importar pela Amazon Brasil.

Biografias

Comecei a incluir diversas biografias na biblioteca dos meus filhos.

A História de Jesus, da editora Rosari, numa das mais belas edições disponíveis.

Veja também: Biografias de Santos como São Francisco de Assis., em quadrinhos.

Histórias em Quadrinhos

Embora por aqui nós já tenhamos feito leituras de quadrinhos como TinTin, eu sei que não é o mais adequado à faixa etária. Incluo alguns exemplares de banca da Turma da Mônica, mas é preciso olhar com cuidado o conteúdo das edições. No entanto, os personagens de Maurício são realmente muito criativos. Versões de histórias fechadas como este Turma da Mônica e o Mágico de Oz encantam os meus filhos.

Qualquer edição da Turma do Snoopy é bem-vinda

Invisto em adaptações de filmes clássicos, como este, nas bancas este mês, de A Bela e a Fera, o preferido da Lupita.


É isso. Não tem tudo (bem, temos quase 400 livros em casa para eles), não inclui livros educativos nem temáticos, mas espero que tenham gostado!

Dixit: um jogo para a imaginação das crianças

Há muito tempo eu quero falar com vocês sobre um jogo que trabalha bastante a imaginação das crianças: é o Dixit. E, para além da maneira clássica de jogar, eu tenho conseguido aproveitar para criar novos jogos no homeschooling com os meus filhos.

O jogo contém cartas, um tabuleiro, coelhos e fichas pequenas com números. A maneira clássica de jogar é meio difícil de explicar, mas basta saber que o jogo é um tanto subjetivo: trata-se de fazer uma relação entre a imagem do narrador e a do jogador. Mais ou menos assim:

Em Dixit, os jogadores assumem o papel do contador de histórias – o narrador. O narrador da vez deve olhar as 6 cartas em sua mão e, sem as revelar aos outros jogadores, falar uma frase sobre ela.

Os outros jogadores devem então selecionar uma carta (também secretamente), de suas mãos, que mais combina com a frase dita pela narrador.

O narrador embaralha todas as cartas recebidas e as revela sobre a mesa. Agora com todas as figuras à mostra, todos os jogadores devem apostar para acertar a imagem do narrador!

As imagens surrealistas das cartas são incríveis (algumas me lembraram o pintor Edgar Ende), e eu pude perceber várias referências visuais em filmes badalados, como O Show de Truman. Os meus filhos jogam à maneira clássica, mas o que mais gostamos de fazer é distribuir meia dúzia de cartas para cada um e inventar uma micro-história. O resultado é que eles estão cada dia mais criativos.

Que livro esta carta te lembra?

Relacionamos as cartas com as histórias que conhecemos; às vezes há apenas a semelhança de um animal ou castelo, porém o mais importante é ver como eles conseguem fazer relações inteligentes.

Jogo de rimas

Para a trabalhar a consciência fonológica, uma variante do jogo que criamos aqui é rimar uma carta com a outra, principalmente rimas de ação. Meia dúzia de cartas para cada um, mais meia dúzia na mesa: o desafio é rimar uma ação com cada carta exposta. Se na mesa há uma carta com um personagem chorando, devemos rimar com -ando: cantando, dançando, etc.; se o personagem está caindo, devemos encontrar algo nas nossas cartas que esteja sorrindo, saindo.., e por aí vai.

Além do jogo com tabuleiro clássico, há expansões: kits com mais cartas, no mesmo estilo!

As cartas servem para inspirar pinturas e desenhos. Ainda vamos criar por aqui outras maneiras de jogar, e você, com certeza, poderá criar a sua!