Ensinar Ciências: Uma defesa

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Estou no meu período de pré-planejamento do próximo ano e hoje venho falar sobre… Ciências. Este texto é para mostrar às famílias uma nova perspectiva em torno desta disciplina.

A maioria das famílias homeschoolers que eu conheço não tem Ciências como prioridade. Ela não aparece no currículo ou é dada como matéria extra –  mais ou menos como teatro e artes eram dadas na escola: em regime sazonal, quando aparece alguma feira interessante, com livros esporádicos. É perfeitamente compreensível levando em conta como sempre aprendemos Ciências nas escolas: uma matéria conteudista, raramente prática, que funciona como acúmulo de textos e conceitos – totalmente dispensável, portanto, de quem está interessado em formar habilidades de excelência. Por que alguém empurraria um livro chato de ciências para o filho (que a certa altura já lê os clássicos com regularidade) para que ele aprenda e decore o que é fotossíntese, ou quais as partes do corpo? Não faz sentido. Se é só para decorar e responder questões, pode-se deixar para depois.

Claro. Não faz sentido para nós, brasileiros, que não sabemos nem o que é, e nem como aprender Ciências. Eu já indiquei este texto uma vez, mas vou indicar novamente: ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL.  Nele, Richard Freynman mostra como descobriu que os brasileiros nas melhores faculdades do país não fazem ideia de como fazer ciências. Sim, porque Ciências não se sabe, mas se faz. E se, somente se você faz, você passa a saber. Vejamos:

Richard Freynman está fazendo um experimento de Física. Ele começa a fazer perguntas para os estudantes, que não são capazes de dar qualquer resposta. Somente quando o professor coloca em termos teóricos – que poderiam estar em qualquer livro de Física como aquelas descrições-base de conceitos de capítulos – ele obtém alguma resposta: exatamente a resposta do livro. Eis como ele coloca o problema:

Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.

É um retrato muito preocupante. Um quadro que precisa, urgentemente, de mudança.

Eu costumava pensar exatamente como descrevi no início deste texto: Ciências não é relevante. Não vou colocar meus filhos para preencherem um livro de Ciências. Aliás, não só não é relevante  como é chato. Eu nunca gostei de Ciências: matéria sem graça, ou óbvia demais ou abstrata demais; sem alegria, apenas conteúdo, uma experiência ou outra (geralmente com fins recreativos, nunca como centro daquilo que se explica na teoria).

No entanto… todos os bons currículos de homeschool lá fora não apenas trazem Ciências na grade, como dão uma importância muito grande à disciplina. Ciências não é simplesmente um assunto abordado: é tão importante quanto Matemática ou Línguas, embora com carga horária inferior. Todas as famílias homeschoolers, inclusive as que fazem educação clássica – um modelo que geralmente ligamos à humanas – trabalham muito e de todas as formas possíveis as ciências. Só que de verdade.

Se houve um tempo em que ciências não era relevante para uma criança (era algo tão específico que era geralmente visto apenas no ensino superior), há muito não é mais assim. Há muitas coisas que devem ser levadas em consideração:

  • Hoje qualquer um pode ser cientista. É verdade! Ser engenheiro, físico, químico, programador… eram coisas reservadas a uma parcela bem pequena da sociedade. Atualmente, é bem provável que algum dos seus filhos tenda às ciências.
  • A habilidade de fazer ciências não está – como nós, brasileiros, pensamos – atrelada à uma função/profissão. É uma habilidade intelectual. Qualquer pessoa que aprenda a fazer ciências se beneficiará destas habilidades cognitivas. Alguém que saiba como e por quê as coisas funcionam; que entenda o mundo ao seu redor será mais inteligente e capaz em qualquer aspecto da vida!
  • Quem aprende ciências aprende matemática melhor. Como é possível superestimar a matemática e não as ciências, se a matemática é, em  parte significativa, abstração de como as coisas realmente funcionam no mundo?
  • Se você deseja que seu filho seja um bom observador, ensine Ciências. Se você deseja que seu filho tenha iniciativa, ensine ciências. Pensamento lógico? Ciências. Solucionador de problemas? Ciências!

A lista se estende. Mas é preciso aprender Ciências de verdade!

No nosso caso, se faz ainda mais importante trabalhar Ciências porque se nós não o fizermos, nossos filhos talvez estejam fadados a jamais aprenderem – tal como nós e como as demais crianças na escola. Quando pegarem o livro por contra própria, farão o que Freynman descreve: decorarão, responderão as questões…mas não saberão como funciona.

Eu também não sei como funciona! Terei que aprender a medida em que ensino os meus filhos. Desde o começo! A partir de agora, a perspectiva é percorrer o caminho, aprender a prática – a prática não como algo separado ou complementar à uma teoria, mas como aquilo que precisa ser observado e apreendido de fato, tendo a teoria e abstração como uma conclusão lógica. Algo que só saberemos… se fizermos!

Como eu faço com meus filhos? Bem, não preciso dizer que não é possível seguir livros didáticos do Brasil. Mas é possível montar um currículo usando algumas coisas que temos disponível no mercado, além de adicionar coisas de fora. Eu fico de olho em bons currículos americanos, como o Memoria Press ou o Sonlight. Ou nas diretrizes de Charlotte Mason (ela considerava “estudos naturais” como parte imprescindível do seu modelo de educação. Veja uma lista de realizações que eu postei AQUI).

Quais os temas de Ciências abordados para cada fase da criança nesses bons currículos? O que as famílias homeschoolers americanas costumam mostrar que usam nos blogs? Como se aprende ciências por lá? A partir dessa investigação, eu consigo chegar num modelo próprio, bastante adaptado, mas eficaz para os meus filhos.

Porque, realmente, não é difícil. É outra perspectiva, perfeitamente acessível. Acho que nós não aprendemos do jeito certo por má vontade, falta de recursos e sabe-se lá o que mais. De qualquer forma, o caminho é este: a família deve ficar atenta ao que acontece lá fora, onde o ensino de Ciências é eficaz. Não há outra maneira, porque não temos modelo aqui.

Num próximo post eu apresentarei o caminho que estou seguindo, para que sirva de inspiração para as famílias. Aguarde!

 

Minha peça sobre São Nicolau

Atendendo à pedidos, minha pequena peça sobre São Nicolau. Pode ser representada por atores, fantoches de todos os tipos. Eu uso as figuras encontradas NESTE LINK, recortadas e colocadas em palitos. Eu imprimo o boneco de São Nicolau algumas vezes para aproveitar o seu rosto e colo o mesmo nas outras roupas (já que os bonecos são como aquelas figuras para trocar roupinhas). Espero que gostem da peça! Clique abaixo:

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Fiquem com Deus!

Só peço uma gentileza: se você fizer a peça, pode me enviar uma foto? Para o meu e-mail (chamasdolar@hotmail.com) ou via facebook! Deus abençoe!

Como ficou a representação:

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As figuras:

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As crianças da peça eu não lembro de onde peguei as imagens, mas você pode usar qualquer figura de criança, como estas:

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Homeschool: comece o dia pelo filho mais novo

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Dimi aprendendo!

Esta dica não é minha, mas da diretora do Mother of Divine Grace, Laura Berquist: comece o homeschool, diariamente, pelo filho mais novo. (Para quem não conhece, o MODG é um currículo de homeschool católico baseado no programa “Crie seu próprio currículo clássico”, de autoria da própria Laura).

Bem, até eu saber desta dica, eu fazia exatamente o oposto: o filho mais velho era a prioridade. Apesar de meus filhos terem idade bem próxima e boa parte das coisas serem feitas em conjunto, Lupita acabava sendo a primeira a ser atendida no dia porque já vínhamos com um ritmo estabelecido, e eu sempre senti que justamente por ela já estar numa fase adiantada de aprendizado, era melhor começar por ela.

O problema disso é que cria-se a tendência a negligenciar o filho mais novo – algo que pode passar da fase da pré-escola (quando eles basicamente só brincam) e se estender indefinidamente. Ou seja: os pais continuam mantendo um bom ritmo de leitura, aulas e dedicação com o filho mais velho, enquanto o filho mais novo está quase sempre para trás, comparando a mesma fase e idade dos dois.  E de fato, conheço muitos casos em que isto aconteceu – não por uma diferença de aprendizado da própria criança, mas simplesmente porque os pais se dedicaram mais ao filho mais velho, e continuaram fazendo isso, talvez sem perceber.

O ganho de não negligenciar o filho mais novo, ainda que só na fase da pré-escola, é fundamental. Não que uma criança menor de 3 anos deva ter lições complexas e longas, mas as pequenas lições preparam o solo para o que virá.

Outra vantagem apontada por Laura em começar o dia pelo filho mais novo é que você consegue mantê-lo ocupado por mais meia hora ou mais (a depender da idade), e este é um tempo de qualidade para começar a atividade com os filhos mais velhos. Por exemplo, começar brincando de lego propondo algumas atividades dirigidas (empilhar, relacionar cores, etc): crianças pequenas adoram aprender coisas novas e depois que aprender com você como fazer certas coisas, ela poderá treinar as novas habilidades enquanto você está na mesa ao lado passando uma lição mais complexa para os outros filhos. Ou a criança mais nova estará simplesmente brincando livremente, mas já ocupada com alguma coisa. E, acredite: é isso mesmo que acontece! Quase todos os dias, esta tem sido a minha experiência! Outra maneira de começar o dia pelo filho mais novo é dar alguma lição com livrinhos (livros de cores, opostos, animais) e depois propor atividades de colorir, cobrir, colagens fáceis: isso irá ocupá-los. Pois não há nada que tire mais a concentração do que tentar começar a ensinar o filho mais velho a ler, enquanto o mais novo está implorando por ter uma ocupação!

Outras recomendações de Laura para começar o dia pelo filho mais novo: fazer atividades que durem, em média, 15 minutos, se possível investindo em lições de memorização. Ter “school toys” ou brinquedos escolares, que são separados apenas para a ocasião do HS: mosaicos, escala cuisenaire, blocos educativos (você pode ter um tipo especial de bloco que só será usado enquanto os filhos mais velhos estiverem numa lição; isto torna o brinquedo especial e interessante para ser aproveitado naquela ocasião), quebra-cabeças de E.V.A. feitos por você mesma, números e letras de madeira, e muitas outras coisas!

Achei esta dica tão valiosa e funcionou tão bem para mim, que quis dividir com vocês! Quem sabe é o que funciona para a sua família, e é justamente o que está faltando para o dia render!

Rezem por nós!

Sobre as listas de livros para o Natal!

VEJA AS MINHAS LISTAS DE LIVROS PARA O NATAL:

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

LISTA COMPLEMENTAR (A mais legal, na minha opinião)

SEGUNDA LISTA COMPLEMENTAR


Talvez muitos estejam desanimados porque quase todos os livros das listas estão esgotados na Amazon. Então eu escrevi esse passo a passo:

Nem sempre estar esgotado na Amazon significa que o livro está realmente esgotado. A Amazon tem um estoque pequeno de livros em geral, salvo aqueles de grande saída. Eu sempre ligo à Amazon por dois motivos: os preços são, em geral, bem mais baratos e eu sou afiliada.
Eu recomendo fazer o seguinte caminho:
Siga da Amazon para a Submarino. A Submarino também tem preços bons, raramente abaixo da Amazon, mas não oscila muito. Além do próprio estoque, a Submarino tem parceria com algumas livrarias, e vende como afiliada, o que torna seu estoque maior.

Da Submarino siga para as Americanas.com.br. O estoque deles não costuma ser grande coisa, mas os preços oscilam entre barato e normal (nunca os vi bater a Amazon)

Somente depois, vá para as livrarias, como Travessa, Cultura e Saraiva.

Para a Saraiva online: ligue antes para confirmar a disponibilidade do livro. A política da Saraiva (palavra de quem já trabalhou lá) é vender mesmo sem o livro no estoque, confiando no enorme acervo que eles tem, espalhado nas milhares de lojas no Brasil. A política é: Nós provavelmente temos o livro, e se não tivermos, reembolsamos, mas vamos mirar nas vendas.
**Vantagem: encomendar pela Saraiva, uma vez que o livro pode estar mesmo esgotado, mas continuar na estante de uma de suas lojas. Eles localizam o livro e mandam buscar para você. Para isso, vá numa LOJA FÍSICA.

Confira também na Estante virtual: há muitos sebos e lojas vendendo livros NOVOS e pode ser que este livro esgotado esteja lá, novinho. Ou quase novo, um semi-usado bem legal.

Se nenhuma destas estratégias funcionar e você quiser muito o livro, há ainda a possibilidade de você encontrar na Editora: ligando para eles, ou indo nas feiras.
Eu já encontrei muitos livros “esgotados” nas próprias editoras, especialmente em feiras.
Porque é preciso mencionar: a editora por vezes lhe responde que o livro está esgotado por e-mail, e num stand DELA MESMA em feiras, o livro é encontrado em dezenas de unidades. Numa pilha.

Agora você já sabe porque eu geralmente consigo o livro que eu quero. Mire no seu livro, guarde-o na memória, e siga os passos, quase sempre nessa ordem.

Fiquem com Deus!

Sobre educar em casa

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As flores do jardim

Encontro algumas mães que me perguntam: “Como é fazer homeschool? Até quando você pretende fazer? Nossa, não é para mim!”

E eu as entendo perfeitamente. Eu acho (mera opinião pessoal) que homeschooling é vocação, embora não no sentido espiritual do termo. Não é algo que você está destinado a fazer, mas uma inclinação afetiva. Acho que qualquer pessoa que realmente goste de fazer isso, vai conseguir. Não há um perfil de pessoa: conheço pais que dariam ótimos pais homeschoolers, do ponto de vista teórico, mas na prática: eles não se interessam, não gostam. É mais ou menos disso que estou falando: gostar é a vocação. Tem que gostar – de preferência, muito. Claro que cada pessoa têm diversas vocações, pensando nesse aspecto. Há pessoas que só concretizam uma vocação muito depois… ou descobrem várias ao longo da vida (ainda bem!).

Acho que no momento em que você começa a fazer isso, você sabe se vai dar para a coisa. Fazer homeschooling apenas por medo das escolas, porque quer dar uma educação “superior”, etc.: isso deve ser muito ruim. Porque, veja, no dia-a-dia é extremamente desgastante fazer isso sem o real desejo.  Como eu sempre digo: a primeira pergunta é: Quanto trabalho extra você aguenta? Sério. Pense nisso. A bagunça na sua casa vai se multiplicar (minha cozinha que o diga!), porque os espaços estarão ocupados pelos filhos 100% do tempo, e quem quer que tenha filhos sabe que isso é muito. Quando você gosta mesmo de fazer algo, você leva o pacote e aprende a lidar com ele, com os problemas e com as alegrias.

Não acho que se possa forçar alguém a gostar de educar em casa. Pode-se descobrir, pode-se aprender, mas é difícil impor uma coisa como esta, sendo o que é. Educar em casa hoje é algo sem precedentes na história. Ninguém que tenha sido educado em casa no século retrasado serve de exemplo: a ausência da escola era um fator comum, mas todo o resto não é. Objetivos distintos, organização social e familiar distinta. Hoje, os pais que educam em casa praticamente contam só com eles mesmos. Muitas vezes nem com a paróquia dá para contar. Tudo isso torna o fardo muito maior. Os filhos na nossa época já ficam muito tempo em casa: mais de duas décadas morando com os pais, na maioria das vezes. Impensável em quase todas as épocas anteriores.

Quando eu penso em “gostar de educar em casa”, não acho que se deva gostar de tudo. Há muitas coisas que eu não gosto no homeschooling. Eu quero falar isso porque nada nesta vida é completamente do nosso agrado, então, não quero que pensem que estou fazendo isso porque tudo se encaixou perfeitamente no meu caso. Por exemplo: Eu não gosto de não ter momentos só para mim. Há pessoas que passam bem sem isso, mas eu vibro cada vez que encontro uma brecha de um tempo só meu, quando eles dormem, ou quando o pai assume – às vezes até saindo com as crianças ou ficando em casa para que eu saia. Há momentos em que eu tenho que esperar semanas para resolver coisas básicas. De vez em quando eu penso: “Nossa, seria bem tranquilo ter as tardes todas livres!” Pena que “ter as tardes todas livres” seja justamente a antítese do homeschooling.

Também não gosto de ter as tarefas de casa sempre abaixo da minha expectativa e ainda estou lutando pela constância das nossas atividades diárias. Quanto às outras pequenas contrariedades: não merecem estar na lista, não incomodam tanto. Estas são as três principais nas quais eu preciso trabalhar. A primeira do topo – falta de tempo pessoal – me custa muito. Já me aconselharam até a repensar o homeschooling por causa disso. Já foi motivo de preocupação para o meu marido, por exemplo. Eu tenho interesses pessoais fortes, coisas que eu gostaria de concretizar. Qualquer exemplo que eu desse nesse aspecto tornaria a motivação mesquinha: seja lá o que for, é claro que educar meus filhos é mais importante. Eu só quero evitar entrar nesse jogo de “fazer sempre o que é mais importante”, porque, como dizem por aí: sempre há coisas mais importantes do que as que você está fazendo em vários aspectos da vida.

A gente faz o que dá, o que é possível conciliar com a família, definindo prioridades. Como diz Ortega y Gasset: Eu sou eu e minhas circunstâncias. Se eu ficasse em casa e abdicasse de tudo somente porque “educar meus filhos é mais importante”, eu entraria num falso dilema, porque, afinal: colocar filhos na escola não é, de maneira alguma, deixar de educá-los. E pode-se educar muito bem na escola, o mundo tem precedentes e exemplos concretos. E não é uma concorrência, pelo amor de Deus. Quem está concorrendo com a escola ainda – Chupa, Mec!, etc. –  não passou da primeira fase. Isso não é sobre dar latim e música clássica no currículo, sobre listas de livros ou o que você faz no tempo livre. Não é sobre superar a escola, não é sobre transformar os filhos em gênios. É sobre percorrer outro tipo de educação. Um caminho longo: então, é melhor aproveitar a vista!

Educar em casa, para mim, é sobre tê-los comigo sempre. Perceba que minha maior provação é também minha maior motivação. É sobre eu não querer a escola agora. Digo “agora” porque invariavelmente me perguntam: Por quanto tempo você vai fazer? A minha resposta: até quando estivermos felizes. Porque educar em casa para mim é uma alegria. Até quando as minhas circunstâncias permitirem – não as circunstâncias ideais, não as circunstâncias dos outros, mas as minhas. Tem gente que só faz homeschooling com ajuda em casa, do marido ou da empregada: tem gente que não faria nem com toda a ajuda do mundo. Cada um com as suas circunstâncias. Para mim a vocação nesse sentido permite me dedicar por um bom tempo por escolha própria, porque isso traz alegria para a nossa família, mas ao mesmo tempo pode chegar o momento em que eu não farei mais isso, sem que isso seja um abandono de vocação, porque não espiritual. É uma decisão.

Uma decisão é sempre pessoal. Eu lembro da Jéssica, do Shower of Roses (simplesmente a  melhor mãe homeschooler que eu já vi), e do quanto ela já pensou em desistir de educar em casa. E quem a vê, educando sete filhos, com toda aquela dedicação, talvez não pudesse supor. Ela foi educada em casa e não gostou da própria experiência: ela saiu da escola aos 10 anos e sempre implorou para voltar e cresceu decidida a não fazer o mesmo com seus filhos. Mas então ela teve os próprios filhos e percebeu que a educação domiciliar a deixava feliz, permitia uma melhor harmonia com a sua família.  Mas pode não ser a escolha de cada um dos filhos dela. Sim, isso pode acontecer, talvez pais que estejam fazendo isso apenas pelo sacrifício não percebam:  não necessariamente filhos educados em casa vão traçar o mesmo caminho, a despeito de todos os motivos para fazer do homeschooling a melhor opção do mundo. Pode não estar nas circunstâncias ou na vontade futura da criança que está sendo educada hoje. Não podemos nos esquecer: a escolha é pessoal.