De volta!

Abro o blog novamente, e agradeço muito as orações e pedidos para que ele voltasse ao ar. De fato, em muitos momentos pensei em fechá-lo; gostaria de fazer outras coisas, escrever sobre outras coisas, especialmente porque expor a minha vida é sempre um dilema. Devo ou não fazê-lo? Tento ser moderada – sei que existem pessoas que, com grande alegria, dividem sua vida de família com muita facilidade, mas eu não sou assim. Quando se é noiva ainda, não se sente tanto estes questionamentos, pois ainda somos apenas “uma”.

Hoje tenho Deus, minha fé, minha família. Agora, é preciso viver. Viver custa muito. Cada dia é um dia muito duro – não exatamente porque cumprimos com todas as nossas obrigações (uma perfeição que devemos almejar), mas porque, ao menos, nos colocamos em posição. Estar em posição é estar em ordem de batalha –  mesmo que se perca a batalha, mesmo que nem estejamos sequer lutando ainda. Quero dizer com isso que viver a vocação é não fugir daquilo que lhe é próprio, e é o que estou tentando fazer. Sou mãe, esposa e dona-de-casa, embora deixe muito a desejar; ao menos, suporto eu mesma o meu fardo quando me proponho a ser as três coisas.

Escrevi apenas dois parágrafos e já parei inúmeras vezes, pois milha filha tosse e está inquieta enquanto dorme. Esse tipo de coisa me faz refletir sobre quem eu era, há alguns anos atrás… uma pessoa com tempo suficiente para si mesma para raramente ser interrompida. Uma vez eu escrevi aqui no blog que, tal como dissera um padre num livro, o matrimônio era uma Via-Sacra, e esta imagem me pareceu muito bela, porém não pude imaginá-la corretamente, até o dia em que me casei, há pouco mais de 2 anos. Antes, me imaginava percorrendo um caminho onde inevitavelmente haveria sofrimento e dificuldades a serem superadas, mas não é isso que o caminho da Cruz evoca. A Cruz pesa por si mesma, portanto, o casamento pesa por si mesmo, independente do que aconteça na sua vida. Não é preciso esperar por nada, nenhum grande momento, porque no exato instante em que casamos, começamos a suportar aquilo que deverá nos salvar.

Não pense que a noivinha de anos atrás agora é triste, não! Ela seria se não houvesse casado, se não pudesse ter tudo o que tem hoje ao seu lado! Mas era tão “irresponsável” antes – não digo que fizesse tudo errado, mas que não tinha nada realmente ao meu encargo. A mulher pode dirigir uma multinacional e colocá-la a falência, e nunca sofrerá tanto quanto no momento em que percebe que não poderá jamais ficar longe do filhinho! Ainda ontem dormia quanto queria, e agora (embora não seja literal, já que Lupita dorme a noite toda, sem mamar, há 3 meses…) meu sono nunca mais será o mesmo… e é sobre estas coisas que pretendo continuar escrevendo aqui, secretamente desejando que não seja para muitas pessoas, por vergonha e receio; ainda sinto como se aqui fosse uma fresta aberta para um canto de minha casa… peço, sinceramente, que lembrem-se de mim em suas orações! Salve Maria!

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15 comentários sobre “De volta!

  1. Lindo! É isso mesmo! Matrimônio e filhos muda tudo na vida de uma mulher cristã, mas não a faz triste, ao contrário, são estas santas labutas que nos fazem felizes…infelizes ficamos se formos impossibilitadas de dar o melhor por nossa família! Lindas palavras! Deus abençoe sua família e que a Virgem Maria abençoe sua maternidade!

  2. Que boas palavras você colocou,jovem senhora Luciana.Sinceridade corajosa em discorrer sobre experiências familiares de forma simples e objetiva com o intuito de lançar luz sobre a vida exigente de família.Que bom que a sua consciência já está desperta para abraçar as responsabilidades próprias do estado de esposa,mãe e dona-de-casa.A cruz vai estar sempre presente na realidade de seu lar,entremeada de consolos e gozos advindos de seu esposo e da sua condição de mãe e dona-de-casa,e o seu amor pela sua família transforma os seus esforços e sacrifícios aceitos como uma necessidade para o seu aperfeiçoamento e santificação,como também de seu esposo e filha.A graça e bênção de Deus associadas com o seu amor familiar agirá a seu favor,preservando-lhe do sentimento de sufoco e asfixia pessoal.Desde já.rogo a Deus,por intermédio de Nossa Senhora,que a sua família seja de direito e de fato uma Igreja Doméstica e que viva segundo a imagem e semelhança da Sagrada Família de Nazaré,Jesus,Maria e José,sendo luz para muitas outras famílias que precisarem de esclarecimentos e orientação.

    • Salve Maria!
      Belos votos de coragem e incentivo… realmente, não fazia dimensão da partilha que este blog faz. Para mim é maravilhoso ler estes comentários, ainda que eu não seja capaz de respondê-los todos, por limitação de tempo, e muitas vezes, de palavras. Sinceramente, muito obrigada por tudo e pelas orações! Incluo todos vocês nas minhas!
      Em Jesus e Maria

  3. Olá Luciana, sempre tive muita vontade de deixar comentários aqui, mas talvez pelo mesmo tipo de receio que vc nunca o fiz…fico infinitamente feliz de saber que vc está de volta, esse tempo todo eu tentei acessar muitas vezes na esperança de haver uma publicação… seu exemplo me inspirou muito desde que eu e meu, na época noivo, marcamos a data da celebração de nosso casamento. Agora, depois de esposa, mesmo que apenas com 5 meses de casada já compreendo perfeitamente o que fala quando fala em caminho da cruz. É curiosamente bom para mim vc estar de volta, pois quis buscar informações, quis acalentar minha alma com seus depoimentos quando, há um mês e meio mais ou menos descobri que estava grávida… é que este presente nos veio em momento não tão fácil pois acabamos de vir para nossa própria casa, enfim, estamos apenas no começo, e um começo sem muito dinheiro, diga-se… espero que vc não se culpe ou fique com receio de publicar um a pouco sobre a vida de sua família ao saber que com certeza, como para mim, é um apoio, é um toque suave para jovens mulheres, mães, donas de casa, assim como vc, que apenas não tem o teu dom da palavra… desde meu noivado vc foi muitíssimo importante, foi depois que encontrei seu blog que eu e meu esposo pudemos traçar as metas de toda a nossa vida cristã em família… e agora eu estou grávida e já sofri um pouco com todas as mudanças, os enjoos, a falta de disposição para o cuidado com a casa, muitas vezes… engrandecerá muito os meus dias, a leitura do blog. Se posso me atrever a dizer mais: Não te preocupes, Nossa Senhora está vendo toda a luta e ela está enviando a cristãos necessitados tuas belas palavras! Que a sagrada família esteja sempre em teu lar!! Abraços

    • Salve Maria
      Querida, agradeço muito suas palavras de incentivo e coragem. Realmente, estou emocionada com os comentários deste simples texto de volta. Não tinha dimensão que algumas palavras poderiam fazer tanto além do que elas dizem. Na verdade, é Nossa Senhora que faz tudo, pois Ela tem esse poder de pegar miudezas e oferecer a Nosso Senhor como grandes coisas.
      O meu começo – na verdade ainda estou nele – foi difícil. O primeiro ano foi duro, de verdade, meu marido ainda nem estava formado, tinha de ir à faculdade todos os dias, eu fiquei grávida, tínhamos pouquíssimo dinheiro… entendo o que você passa. Esse começo é importante, ele ensina muito. Nos dá a esperança de que as coisas podem melhorar com nosso esforço. Aproveite essa primeira gravidez, é única, a gente dá uma super atenção ao fato de que está grávida; nesta segunda, às vezes nem me dava conta do meu estado! rsrsrs
      Fique com Deus! Volte sempre!

  4. Caríssima, que bom que voltou a escrever… Compreendo todas as suas questões e compartilho de cada uma delas. Eu e meu esposo somos agentes de pastoral familiar, nosso ministério é de pregação, e muitas vezes nos vemos diante deste dilema de dividir testemunhos de nossa intimidade familiar com outras pessoas… Passamos por muitas angústias e medos, mas uma vez o Senhor falou ao nosso coração : Se não forem os testemunhos edificantes de casais imperfeitos, mas que buscam a santidade em suas vidas cotidianas, por Cristo e com Cristo, o que será das famílias que tem na mídia tantos exemplos ruins a prestar um desserviço à sociedade?
    É difícil, buscar viver o evangelho e ter de lidar com as interferências do mundo em nossas vidas tanto na educação de nossos filhos, quanto em nossas relações cotidianas… É muito difícil, educá-los para viver em uma sociedade com valores opostos aos nossos. Mas guiados pela sabedoria de Deus e pela exemplo maternal de Maria é uma realidade possível…
    Nossa filha mais velha (de 6 anos), já começa a render frutos… Certo dia, os amigos da escola disseram que não conheciam Jesus, ela chegou em casa desesperada, pedindo para que eu mandasse fotos de Jesus e Maria, de um padre consagrando a hóstia, e ainda levou um terço, para ensinar sobre Jesus aos amigos…
    A caçula, de 3 anos, sempre pergunta: Hoje vou ver Jesus?
    Ambas rezam pelos irmãos que já se encontram com Jesus, e falam,que quando forem morar no céu vão brincar com eles….
    Ambas quando vão em uma festinha dos colegas já sabem que não convém dançar e nem cantar determinadas músicas e o porquê de não dança-las e cantá-las…
    Seus relatos são como a “boa lenha” que ajudam a manter a “chama do lar” acesa!
    Testemunhos e dicas edificantes são muito importantes no mundo virtual tb!
    Fica com Deus minha irmã e Cristo!
    Fabiana Von Abel (Fb: RobFab Von Abel)

    • Salve Maria, Fabiana!
      Obrigada pelo comentário.Cheguei mais ou menos à esta conclusão que escreveu: os testemunhos de casais imperfeitos como nós também é muito edificante. Sim, eu mesma me inspiro em tantos! Fiquei com receio, mas superei e não vou mais me aconselhar com estes medo enquanto Deus permitir que eu escreva algumas coisas. Se tivesse mais tempo, escreveria mais…
      Lindo exemplo de suas filhas, certamente uma inspiração para mim! Minha Lupita já junta as mãos para rezar, quando vê que papai e mamãe fazem o mesmo!
      Mais uma vez, obrigada pelas palavras e orações! Sempre rezo por todos que escrevem aqui!
      Em Jesus e Maria!

  5. Querida Luciana,

    Obrigada por abrir novamente o blog. Senti muito a sua falta. Também sou mãe, esposa e dona de casa (não exclusivamente infelizmente). Também sinto que desde que sou mãe, há já 8 anos, nunca mais fui a mesma. O sono é de fato diferente, as preocupações também. Se um deles espirra, eu acordo, enquanto meu marido dorme profundamente. Ele é muito bom pai, mas acho que a “programação” das mães é diferente. Habituei-me a fazer mil e umas coisas ao mesmo tempo. A ter a roupa sempre pronta para os pequeninos vestirem, Os medicamentos em ordem, a mochila da escola sem nada a faltar, se levam chapéu por causa do sol, casaco por causa do frio. Preocupa-me o fato de verem desenhos animados na televisão que eu preferia que não vissem. Como controlar tanta coisa senão pensando em Deus e na vocação que Ele nos deu. É grande o combate, mas é grande também a recompensa! Não tenha medo de expor as fragilidades, porque isso ajuda outras mães. O mais difícil para mim no dia a dia são as birras, as asneiras, o cansaço. Acredito que sempre foi difícil educar, mas hoje, para quem quer transmitir a fé aos filhos, tem de lutar com quase o mundo inteiro. O meu filho mais velho anda na catequese, como agora estão de férias, na última Missa era o único menino a participar! Como explicar isto a um menino de 8 anos? Como explicar que os primos não são batizados? Como explicar que os colegas de escola dizem asneiras que não devem dizer? É complicado, mas com a ajuda de Deus espero conseguir cumprir o meu papel. Há períodos de quase desespero. Acho que quando somos pais crescemos muito, deixamos de lado o egoísmo, os desejos pessoais, em primeiro estão sempre os filhos. Se virmos bem é um ótimo caminho para Deus, para a nossa santificação. Via Sacra diária. Enquanto escrevia este texto já me levantei, ralhei com o meu filho mais velho que estava a magoar o irmão mais novo, enervei-me com o barulho que estavam a fazer, um a cantarolar alto, o outro a fazer birra. Agora estão a arrumar os brinquedos. Vamos ver o que se segue. Conte comigo que eu conto consigo para conseguirmos concretizar o que Deus quer de nós.
    S.M.

    • Salve Maria, Tânia!
      Agradeço muito por partilhar seu testemunho. Vi-me nas suas palavras, sem dúvida…. há momentos muito difíceis, desanimadores, em que a gente só queria estar em outro lugar. Mais do que nunca, sabemos porque Nossa Senhora tinha de ser perfeitíssima, realmente! Só Ela podia ser em tudo perfeita; seu coração não era assaltado, como o nosso, por esses sentimentos conflitantes com a maternidade e vocação. Há momentos em que eu me envergonho de mim mesma, tão irritada com pouca coisa, tão preguiçosa para o que está à mão, curtindo tão pouco a minha filha em certas horas, porque o fardo me pesa demais nos ombros… mas eu sei, que quando estes momentos passam, eu consigo superá-los, e esta é a grande vitória espiritual que nós temos. Vou falar um pouco disto na segunda parte… realmente, tenho pouco tempo, mas leio tudo o que me escrevem com muita atenção; estes textos são, em boa parte, uma tentativa de sintetizar as minhas reflexões, tendo em vista tantas pessoas que me escrevem, pois não seria capaz de responder uma a uma, em tudo.
      Em orações,
      em Jesus e Maria

  6. Olá Luciana, que bom que voltou a escrever, sempre acompanhei seu blog e gosto muito do que escreve. Continue sim a compartilhar conosco seus pensamentos sobre maternidade, casamento e tudo que diz respeito, pelo menos é o meu assunto preferido na blogosfera!Blogs sobre maternidade temos aos montes por aí, mas não sob o enfoque de um lar cristão católico, só conheço mesmo o seu e o da Aline e do Rafael (domestica ecclesia). E não se preocupe, todas nós mães passamos por isso, o encargo é pesado sim, Todavia criar filhos é a escola da perfeição, não é mesmo? A nossa vontade própria é violentada, doamos nossa vida e isso nos custa, a luta é diária, sentimos falta de nossa vida antes dos filhos. Às vezes escutamos de outras mães frases do tipo ” Ah, não imagino a minha vida sem ele!” (o filho), e outras frases prontas que, talvez nos dê a falsa impressão que só nós temos esse sentimento de que “ser mãe” também tem seu lado cruel. Acho que não temos que ter falsa hipocrisia e posar de mãe perfeita e hiper feliz. Ser mãe é mesmo padecer no paraíso! É o amor maior do mundo, sou apaixonada pelos meus filhos, tenho 2 e quero mais 1, e sei de tudo que me espera, mas o amor sempre supera a dor… Não sei se você se refere a exatamente isso, pois não nos conhecemos, mas falo porque, no meu caso, filhos é o meu assunto preferido! Deus esteja contigo, vou rezar por você esta noite.

  7. Luciana!
    Que bom que voltou, seus anseios são tbm os meus! Não está sozinha neste dilema de mãe, casamento, dona de casa…. é díficil, mas somos felizes! Mãos de Marta, coração de Maria, nunca esqueço este teu texto.
    Quero continuar “espiando” por essa fresta aberta (que é o blog) e olhar para dentro de sua casa, com todo respeito e simplicidade, e continuar a ser lembrada que de nós (mães) emite uma luz do Espirito Santo de Deus que ilumina nossas familias!
    Na paz de Jesus!

  8. Que alegria em saber que está de volta!
    Por muito tempo te acompanhei e quando vi que não mais conseguia entrar no seu blog, tenho que admitir que fiquei aflita e triste. Antes não tinha uma relação boa com uma pessoa era muito ruim, tudo fora do que sempre esperei, mas por afetividade aceitei muitas coisas que não eram boas aos olhos de Deus. Mas decidi depois de muito sofrimento não viver assim, disse a mim mesma como São Domingo Sávio: Antes morrer que viver assim a ofender o meu Senhor! E como o Senhor tem sido misericordioso e fiel, me emociono só de lembrar da bondade do Senhor para comigo hoje, estou namorando uma pessoa linda, ainda tá muito cedo pra falar qualquer coisa, dois meses apenas, mas ja nos coheciamos e eu até já o observava a um tempo, mas por conta da minha situação nunca tivemos uma aproximação maior. Eu sempre me identifiquei com suas palavras e a vontade de permanecer na vontade de Deus, e como transferi isso pra sua vida. Vc tem sido sim um grande exemplo de familia cristã pra mim, por isso fiquei muito feliz com sua volta, e saiba que não está só nessa caminhada e luta. Conte com minhas orações e reze tb por mim se possível!
    Um Grande abraço !
    Maria Eliane.

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