Relato do meu parto

Parto de Lupita, 16/03/2012

Indescritível momento: quando vi o rostinho de minha filha pela primeira vez e a segurei nos braços!

“Poucos dias antes do meu parto, foi-me indicada a cesariana”

Ao chegar às 39 semanas de gestação, também eu me deixei esmorecer, dominada pela cultura do medo. Não havia nada de errado conosco: todos os exames indicavam que minha filha estava bem, mas por saber que eu não estava sendo assistida por um médico que esgotaria todas as possibilidades para a via do parto ser natural, eu comecei a me preocupar com o tempo. Em vão, eu esperava estar entre os 20% das mulheres em primeira gestação que entram em trabalho de parto antes das 40 semanas. Eu queria muito ser esta minoria.

Bem-entendido, eu não temia que houvessem complicações. Temia por saber que o médico não esperaria muito além das 40 semanas. Ao mesmo tempo – por mais que isto me contrariasse – eu sentia que a minha filha ainda demoraria a vir… talvez ela estivesse igualmente com medo, àquela altura. Lembro-me de ter feito uma ultrassom com 38 semanas e o peso estimado de Lupita estar em 3,5 kg – um peso ainda dentro do padrão, mas considerado alto por uma parte dos médicos, quando atualmente a maioria dos bebês nasce com este peso ou com um pouco menos. É claro que o fato dos bebês nascerem entre as 37 e 39 semanas, através da cesárea, contribui para ser este o peso padrão dos recém-nascidos. De qualquer forma, os bebês ganham peso todos os dias dentro da barriga. Quanto estaria pesando a minha filha, se eu passasse das 40 semanas? Uma amiga me tranquilizava, dizendo que estes exames quase sempre super-estimam o peso do bebê: havia acontecido com ela 2 vezes. De fato, a maioria das mulheres contava o mesmo; mas por outro lado, quase todos os médicos se recusam a fazer parto normal se o bebê está com 4 kg – o peso que Lupita estaria, de acordo com os cálculos. Ainda era um peso normal: mas era normal, claro, para quem não procura pretextos para a cirurgia. E foram alguns dias nesta angústia, até que eu vi que não era este o meu maior problema.

Nunca tive certeza da data do último ciclo, por onde se calculam as semanas de gestação.  Pelas minhas contas, (eu estava certa do dia da concepção, o que me situava com relação ao último ciclo), eu estava com 40 semanas e 5 dias quando fui a última vez no consultório.  Para o médico, que usava a ultrassom, eu completava 40 semanas naquele dia (o que me deu alguma vantagem, já que ele achava que eu estava com menos) –  e foi neste dia que o médico disse que ia me indicar a cesárea. Era uma segunda-feira. Depois de um exame de toque, ele constatou que o colo do meu útero estava “imaturo e fechado”, quando àquela altura já deveria estar fino para a dilatação. Esse afinamento costuma ocorrer dias antes do parto, mas também é possível que só comece pouco antes do mesmo, levando à um trabalho de parto bem mais longo. Até aquele dia (apesar do muito que eu li na gravidez) nunca tinha ouvido falar de colo imaturo, e fiquei muito perplexa. Assim que o exame de toque terminou, ele disse para mim e para o meu marido que o meu caso seria cesárea. Perguntei se meu parto não podia ser induzido, e o obstetra me explicou que havia um procedimento, mas que era quase 100% de certeza de que eu acabaria na cesárea de qualquer jeito. Poderíamos usar um medicamento para amolecer o colo, e depois aplicar ocitocina na veia – mas, segundo ele, seria apenas uma hipocrisia da parte dele, pois não resolveria.

Naquele momento difícil, sentada com meu marido no consultório, me ocorreu que talvez o médico estivesse simplesmente me dizendo que o procedimento era trabalhoso e longo demais (se um trabalho de parto demora, imagine quando é necessário amolecer o colo antes da dilatação!), e que ele não estava disposto a isso. Como eu me recusei a aceitar a cesariana, ele pediu que eu fizesse mais uma ultrassom com doppler, para ver se estava tudo bem com o bebê. Incrivelmente, ele não fez o que a maioria dos médicos faz nesta hora, que é jogar para a mãe a responsabilidade, dizendo: “você é quem sabe se espera” – o que, óbvio, leva todas elas a decidirem logo pela cesárea. Ele pediu que eu voltasse na sexta-feira… se eu não entrasse em TP (trabalho de parto) até lá (e dificilmente eu iria, segundo ele), meu destino já estava traçado. Ele provavelmente marcaria a cirurgia para aquele fim de semana.

Quando deixei o consultório, chorei muito. Estava desconsolada! Que final eu havia tido, apesar dos meus esforços! Então era isso? Simplesmente não parecia possível e natural que eu não entrasse em TP… era como se o meu corpo tivesse esquecido que eu estava grávida, o que era um disparate. Estava convencida de que teria uma cesárea unicamente porque o médico não queria esperar – eu estava dentro do prazo considerado normal, ainda poderíamos ir até a outra semana; e mesmo assim, deveríamos esgotar com afinco e honestidade todas as possibilidades, pois eu estava disposta a isso, uma vez que nada indicava uma situação de risco para nós duas. Sentia o gosto amargo de estar num labirinto, onde as coisas só dariam certo se eu houvesse, por acaso, pego o caminho mais curto. Tanto que eu havia lido sobre o quanto é possível fazer, quando se tem um médico humanizado, que não apenas entende mas luta até o fim para fazer o parto acontecer… pois deveria ser este o trabalho dos obstetras: fazer acontecer o parto.  E no caminho de volta para casa, eu lamentava a minha sorte, enquanto meu marido tentava me tranquilizar.

Sentia-me como se houvessem tirado uma grande coisa de mim. Tanto havia sonhado em acordar de madrugada com as dores do parto, e agora… iria para o hospital com a eterna dúvida de que, se esperasse mais um dia… tudo poderia ter sido diferente. Passei a tarde tentando fazer aquilo ter sentido. Tentei pesquisar sobre o tal colo imaturo, e achei alguns livros de medicina que falavam mais ou menos sobre a indução de parto que o doutor havia comentado comigo. Li que em alguns casos realmente não funcionava a indução, e em outros que era possível, embora trabalhoso. O pior de tudo era me convencer de que talvez ele tivesse razão, ou que – estando nas mãos dele – eu não teria a mínima chance.

Estava ainda chorando quando me dei conta, ao fazer a última reflexão do parágrafo anterior, de que eu não estava nas mãos do médico. Mudei de semblante imediatamente, e me enchi de coragem: eu estava nas mãos de Deus, como pude me deixar abater daquela forma? Iria ao sacrário, implorar ao autor da vida que me conseguisse o milagre de ter a minha filha de parto normal. Não o exigia mais do que isso, além, é claro, de boa saúde para nós duas. Que sensação a de precisar de um milagre, quando tudo está contra nós… normalmente, peço muitas coisas a Deus nas orações diárias, mas é tão diferente! Corri para o meu marido – que tanto sofria por me ver naquele estado – e lhe disse que nem tudo estava perdido. Eu iria pedir a Deus, que certamente me atenderia, e estava confiante de que tudo daria certo para nós. Meu marido me respondeu que já estava rezando muito.

No dia seguinte, fui ao Mosteiro de São Bento me confessar e pedir a Deus e a Nossa Senhora a tão esperada graça! Estava ainda abalada, mas me colocando diante de Nosso Senhor, percebia que as coisas dariam certo. Fiz promessas à Nossa Senhora, São José e Santa Gianna. Levo muito a sério, no entanto, a regra das regras de Santo Inácio, que dizia: “Em tudo que fizerdes, eis a regra das regras a seguir: confiai em Deus, agindo, entretanto, como se o êxito de cada ação dependesse unicamente de vós e nada de Deus; mas, empregando assim vossos esforços para esse bom resultado, não contei com eles, e procedei como se tudo fosse feito por Deus e nada por vós!” Não bastava, portanto, deixar o sacrário e aguardar que os dias simplesmente passassem. Eu precisava de uma grande obstinação para agir e fazer tudo aquilo que estivesse ao meu alcance.

A primeira decisão que tomei, pedindo em tudo a permissão e opinião de meu marido, foi a de que não iria no consultório na sexta-feira. Se eu não entrasse em trabalho de parto até lá, eu me daria mais alguns dias. Quer dizer, o médico não iria me buscar em casa. Se eu fosse lá na sexta, sem TP, eu já sabia o que iria acontecer, e eu estava absolutamente confiante de que eu podia esperar pelo menos mais 3 ou 4 dias. Afinal, o médico havia dado um prazo, mas este prazo era reduzido dentro daquilo que era seguro. Por um lado, ele não queria esperar; por outro, percebi que dependia de mim fazer isto acontecer. Eu precisava ir até o consultório para que ele não esperasse mais; para ele esperar, a coisa também dependia de mim (ora, se eu aparecesse lá na segunda, ele esperaria até a segunda!) – quanto ainda estava nas minhas mãos, portanto. Não estou indicando ninguém a tomar as minhas decisões, pois foram minhas, e muito específicas ao meu caso, e à confiança que tinha naquele momento. Não quis me aconselhar com os medos, pois se o houvesse feito, certamente teria sucumbido. É como estar em casa com as luzes apagadas. Se começarmos a pensar em todas as possibilidades – tropeçar num móvel, algum ladrão entrar, colocar fogo ao acender uma vela – não sairemos do lugar. Ao invés disso, podemos simplesmente nos dar conta de que tudo está exatamente como deveria, e assim, tomamos coragem para dar alguns passos cautelosos.

Havia feito a ultrassom com doppler, que indicava que estava tudo bem conosco: placenta nova, liquido adequado, todos os movimentos da minha filha indicavam que não havia sofrimento algum. Isto me dava segurança. Estimava-se que ela estava com 4 kg; o médico da ultrassom disse para eu discutir com meu obstetra “a via de parto”, já que eu queria normal, e que dificilmente conseguiria. Eu pensei comigo que não haveria oportunidade dele ver aquele exame. Ele tinha sido feito para mim, e para me tranquilizar.

A outra decisão foi tentar uma segunda opinião médica sobre o meu caso. Obviamente, eu desejava saber se estava com o colo realmente imaturo, e quais as minhas reais chances de um parto normal. Conhecia uma médica humanizada (vamos chamá-la pelo nome fictício de Marta), que atendia consultas pelo meu convênio (mas o parto era particular, por isso eu não fiquei com ela), e tentei marcar um horário para antes da sexta-feira. Sabia que ela era muito, muito concorrida, e pedi a Nossa Senhora que, se fosse da vontade dEla, eu conseguisse me encontrar com aquela obstetra, pois tinha certeza de que ela seria honesta comigo, e que poderia até mesmo resolver o meu problema. Mas não consegui nenhum horário, pois Marta estava lotada até o mês seguinte.

Resolvi escrever para uma médica humanizada de São Paulo, na esperança de que ela me esclarecesse se o meu caso era realmente indicação de cesárea, já que eu não queria ser irresponsável a ponto de colocar uma ideia na cabeça, e estar muito equivocada. A médica me respondeu, mas não podia me dar uma resposta definitiva sem me examinar. No entanto, percebendo a minha vontade de ter o parto normal, me incentivou a procurar outras alternativas – casa de parto, SUS – para escapar da cirurgia. Numa dessas trocas de mensagens, ela me deu o contato de uma doula (acompanhante de parto) da minha cidade, que por sua vez, me indicou uma espécie de clínica que atendia pelo SUS e poderia me encaminhar para o parto normal. Eu tinha realmente muito pouco tempo para pensar. Já era quarta-feira. Desde a segunda, eu lia sobre o meu diagnóstico e caminhava umas 2 horas ao longo do dia, para acelerar o trabalho de parto.

Na manhã seguinte, meu marido e eu fomos à clínica. Para a minha surpresa, quem estava atendendo naquele dia (e que só atendia lá uma vez por semana) era a Dra. Marta! Mal pude acreditar: era mesmo da vontade de Nossa Senhora que eu me encontrasse com ela. Levei comigo todos os exames feitos durante a gravidez e depois de três horas (pois haviam muitas moças na minha frente, com hora marcada), ela me recebeu. Ficou muito surpresa de alguém chegar lá com a gestação tão avançada, olhou todos os meu exames… e, infelizmente, disse que eu não poderia ficar e ser encaminhada para o parto normal por ela, pelo fato de que eu já estava com 41 semanas; não que eu não pudesse ter o parto normal, mas era regra da clínica que a mulher chegasse lá com até 40 semanas, ainda que o parto só ocorresse com 42. Então eu lhe contei sobre o meu caso abertamente, e da indicação do meu obstetra. Tudo o que eu queria era que ela me examinasse, e analisasse o colo do meu útero. Quem sabe até aquele dia, não estava tudo diferente? E assim que ela o fizesse, eu lhe pediria uma coisa – que aliás, não precisei pedir.

Então, ela fez o exame de toque. Quando terminou, disse que havia feito odescolamento de membranas, pois eu já estava com 1cm de dilatação. O descolamento é um procedimento de indução do parto, sem remédios, muito simples, que “força” um pouco a abertura do colo do útero. Eu já conhecia esse método, mas sabia que o meu obstetra não faria; era precisamente o que eu tinha em mente quando pensei em me consultar com Marta. Ele, muitas vezes, resolve o caso de mulheres que  não entram em TP, e é indicado que seja feito depois das 40 semanas (e quando já se tem pelo menos 1cm de dilatação, como foi o meu caso), para não “adiantar” um bebê que não esteja pronto. Estava perto da hora do almoço. Entrei em trabalho de parto neste mesmo dia, mais ou menos 11 da noite. Eu havia conseguido!

“As minhas 16 horas de trabalho de parto”

Dr. Marta me aconselhou – algo que eu já sabia e pretendia fazer – a não ir logo para a maternidade, pois o internamento precoce contribui muito para a alta taxa de cesáreas. E é verdade. Muitas vezes a mulher começa a sentir as primeiras indicações do TP, e corre para o hospital, com medo. Como ainda falta, e muito, para o bebê nascer – e ninguém, nem o médico, enfermeiras, e o hospital particular como um todo – quer esperar ou arriscar absolutamente o que seja, há muitas chances de haver uma indicação de cesárea, já que são horas em que “nada acontece”, a não ser as dores que vem e aumentam a medida em que o tempo passa. Em outras palavras, este “acontecer nada” – que é perfeitamente natural – acaba virando um “trabalho de parto que não evolue”, quando é precisamente o contrário. Somado a isto, está o fato de que, quando vamos para o hospital com dor, desejamos que “alguma coisa seja feita” para aliviar ou resolver o nosso problema. Só que no caso do TP, em nada adianta tomar qualquer analgésico para diminuir a dor nas primeiras horas: na verdade, pode acontecer o oposto, e o analgésico interromper o TP; aplicar o soro de ocitocina precocemente também tem grandes chances de resultar em fracasso. Falando claramente, não há outro remédio – para quem deseja o parto normal – a não ser suportar, o máximo de tempo que puder, as dores do parto em casa. No SUS, por exemplo, se a mulher chega muito cedo à maternidade, geralmente é mandada de volta para casa, pois sabe-se que a espera será longa.

Meu TP durou 16 horas – o que, para muitas, parecerá muito, mas na verdade, não foi. Meu parto foi induzido duas vezes: primeiro, o descolamento faz com que o colo se abra mais facilmente e a dilatação acelere; segundo, foi-me aplicado soro com ocitocina. Se nenhuma dessas coisas tivesse acontecido (o soro, pelo menos), eu poderia ter levado mais algumas longas horas. Infelizmente, não pude escolher não usar ocitocina. De qualquer forma, mesmo as 13 horas que passei em casa, antes de ir à maternidade, passaram muito rápido.

Eu desejava tanto saber como era a dor do trabalho de parto! Era umas das coisas mais intrigantes de todos os vídeos que eu assisti. As mulheres reagiam de forma muito diferente; a dor de uma não é a dor da outra. E a maioria não sabia explicar como era. No meu caso, posso dar uma ideia muito próxima desta dor: é bastante semelhante à uma câimbra de “nó” (que puxa o músculo da perna, por exemplo), só que na barriga. Comecei a sentir perto das 11 da noite, e na primeira meia hora fiquei observando uma dor leve que parecia uma dor de barriga. Comecei a rezar para que fosse o trabalho de parto, pois sentia uma pressão nas costas (e o bebê encaixa, descendo por aí). Uma hora depois, já estava sentindo 4 contrações a cada 10 minutos, o que foi realmente muito rápido, com toda certeza fruto do descolamento de membranas. Geralmente, indicam que a esta altura podemos ir à maternidade, mas achei a dor completamente suportável, e afinal, eu só estava há duas horas sentindo aquilo. Sabia que minha dilatação não podia ter evoluído tanto.

Às três da manhã, as dores já estavam bem fortes, e eu passei todo esse tempo andando pela casa, para acelerar o trabalho de parto. Praticamente não sentei, até as 7 da manhã; meu marido foi à missa e eu fiquei caminhando, à esta altura já gemendo. Ele estava muito tranquilo, pois durante a gestação, lemos juntos todas as coisas relacionadas ao parto normal. Isto é de suma importância, pois geralmente o marido não gosta de ver a mulher sofrer, e fica desesperado, querendo que tudo aquilo termine (e termine em cesárea). Vladimir foi a missa, enquanto eu andava e fazia as caras mais dignas de compaixão! Estava surpresa por a dor ser ao mesmo tempo intensa e relativamente fácil de aguentar. Quando vinha, doía muito, mas de tal forma somos feitas para isto, que ao mínimo alívio, nos enchemos de coragem. Saber que a dor é natural, apesar de forte, nos dá a consciência de que não há nada de  ruim prestes a acontecer: era o que mais me tranquilizava. Tomei uns 4 banhos bem quentes: quando a água batia na barriga durante as contrações, a dor sumia em 60%. Indico para todas!

Quando meu marido chegou da missa, foi arrumar algumas coisas para a maternidade. Perguntou quanto tempo eu aguentava; eu respondi que talvez eu só tivesse o bebê à noite, por isso faria o máximo para suportar (e já estava muito, muito forte). Até então, nem havia monitorado as contrações, por isso Vladimir começou a contar de quanto em quanto tempo vinham. Para a nossa surpresa, estavam vindo a cada 30 ou 40 segundos, o que significava que estava perto. Respondi que só iríamos sair de casa meio-dia, mas às 10:00, a dor dobrou e eu achei que talvez já fosse o momento. Doze horas haviam se passado, mas eu temia que fosse pouco, e fiquei neste dilema por mais meia hora, até que decidimos ir à maternidade.

Ainda confiante e tendo em mente a regra das regras de Santo Inácio, eu não liguei para o meu obstetra ao sair para a maternidade, para ganhar o máximo de tempo possível. Planejei chegar lá, ser examinada pelo plantonista, e ter certeza da evolução do meu TP. Se eu estivesse em nível adiantado, então ligaria para o obstetra; caso contrário, ficaria lá (pois é muito longe da minha casa, e eu não teria como voltar) e só o avisaria quando fosse uma hora melhor. Foi exatamente o que eu fiz. Cheguei lá com 4 cm de dilatação. Não iria avisá-lo ainda, mas o fiz porque o hospital disse que “não podia me receber” por suposta falta de vagas. Quando eu disse quem era meu obstetra, foi pedido que ele resolvesse o problema com a direção do hospital. Pouco mais de meia hora depois, ele chegou. Desde que cheguei no hospital, até que meu obstetra chegasse, haviam se passado 1 hora e meia, e passei todo esse tempo caminhando pela recepção, sem a menor cerimônia de sentir dor na frente de todo mundo. Havia muitas mulheres lá para ganhar o neném: todas com a cesárea marcada, aguardando tranquilamente na recepção. Uma delas disse a meu marido que jamais teria um parto normal.

Quando meu obstetra me examinou, eu já estava com 6 cm. Ao me encontrar ele disse: “Vamos ver se será parto normal mesmo” e também “Apostei todas as minhas fichas que seria cesárea, mas você me surpreendeu”. Isto porque ele não tinha como saber o que eu passei para chegar ali!

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4 comentários sobre “Relato do meu parto

  1. Luciana,
    Li seu relato. Emocionante! Meus parabéns por ter se mantido firme em sua decisão e por ter um marido que a apoia tanto e tão tranquilo. Ainda não sou casada, mas espero também “enfrentar” o parto de forma serena como você passou em seu relato.

  2. Tenho 2 filhos, meu segundo bebe estava sentado e foi indicada a cesaria, mas entrei em trabalho de parto e em menos de duas horas ele nasceu por parto normal, primeiro veio o bum bum e cabeça por ultimo.

  3. Lembrei do parto do meu segundo filho. O primeiro acabou em cesárea de emergência, porque fui muito cedo para o hospital. No segundo fiquei o máximo de tempo que pude em casa (isso foram 4 horas). Fui derrotada para o hospital achando que eu era uma fraca por aguentar tão pouco, mas quando cheguei la, surpresa! Ja estava com 9cm no período expulsivo. Em meia hora meu bebê nasceu, sem dar tempo de chamar.minha obstetra que ficou ‘muito surpresa’ por eu ter tido parto normal. DEO GRATIAS

    • Eu sabia que meu corpo era lento… tanto que, no segundo filho, tive outro longo TP, quando dizem que seria bem menor. Terá relação com metabolismo? Não sei, só sei que é lento também…
      Graças a Deus você conseguiu! Fico muito feliz!

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