Diário Espiritual – I

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Há quase dois meses comecei a escrever um diário espiritual. É um dos poucos projetos que tenho conseguido manter com certa regularidade! Resolvi fazê-lo depois de tentar inúmeras vezes retomar o fôlego das minhas orações diárias, sem sucesso. Costumava rezar todo o rosário, as penitências do escapulário, penitências por meus filhos espirituais e todas as orações obrigatórias de todo cristão (isto é, orações da manhã, da noite, ao Anjo da Guarda, antes e depois de todas as refeições, pelo menos 1 Angelus), além de revezar, durante a semana, ofícios, orações menores e vigília 1 vez por semana. Fazia-o não pela quantidade, mas porque, naturalmente e de acordo com meu estilo de vida, foi-me possível agregar tais orações; após o casamento, no entanto, foi ficando particularmente difícil manter este ritmo, coisa que eu ainda não aceitei totalmente. Como é muito frustrante passar meses seguidos tentando recuperar o costume de nossas orações e devoções antigas, resolvi tentar uma coisa nova, algo que eu pudesse fazer mais facilmente. Escrever – sobretudo com papel e caneta na mão, abolindo o computador – me é menos penoso, e embora não seja um substituto para as minhas orações, ajuda-me bastante. Consegui alguns progressos, especialmente alguma paz de alma.

Fazê-lo é muito simples. Inspirei-me em algumas instruções de um diário espiritual americano, que vende-se em livrarias e sites como Amazon. Comprei um caderno (custou apenas 12 reais) e anotei as recomendações, que inclui o oferecimento matinal e um exame de consciência noturno. Não é muito diferente de qualquer diário pessoal; no meu caso, faço reflexões sobre minha dificuldade em superar as exigências do meu estado (esposa, mãe e dona-de-casa), a atual “aridez espiritual” em que me encontro, e muitas palavras dedicadas a re-afirmar minha fé e meu amor a Jesus Cristo. Anoto frases de santos, trechos da Bíblia, etc.

Coisas que escrevo:

“Por mais que me seja enfadonho permanecer tantas horas brincando no chão com minha filha, quase como se eu própria levasse uma vida de bebê, limitada a segurar os mesmos brinquedos incontáveis vezes, penso comigo que foi como ganhar na loteria. Eu sempre empreguei muito mal o meu tempo; fui o tipo de adolescente que estava a começar novas atividades constantemente, sem jamais terminar alguma; perdia o interesse pelo que eu mesma elegia como prioridade; nunca tive uma vida verdadeiramente adulta… e agora, eu sei, estas são as horas que jamais poderão ser chamadas de inúteis. Admito que eu posso tirar mais proveito delas, especialmente exercitando minha conformidade e paciência, buscando a alegria cristã de agradecer a Deus por todo esse privilégio! Poucas pessoas merecem tanto quanto eu estas horas que não são mais minhas: cumprir a obrigação é isso. Não importa que eu não queira, esteja sem paciência ou tenha enorme desejo de estar fazendo qualquer outra coisa naquele momento – pois o que realmente dá para fazer quando Lupita e  eu estamos vagando pela casa vazia é entretê-la da melhor forma possível!”

No próximo post, transcrevo a vocês as instruções do Diário, adaptadas por mim… e estou a terminar as reflexões sobre a vida no lar!

Rezem pelo meu parto!

Salve Maria Santíssima!

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7 comentários sobre “Diário Espiritual – I

    • Oi Almir!
      Estou relendo A História de uma Alma, eu costumo fazer estes oferecimentos, se bem que perca grandes oportunidades! Obrigada pela lembrança!

  1. Luciana

    É impressionante o quanto me identifico consigo nas dificuldades embora eu tenha tido uma adolescência e juventude (e agora na adultez vejo o quanto sofro com isso) muito “poupada” à disciplina e deveres, qd li que a Luciana orava o rosário diariamente já me senti esmagada, quanto mais todas as outras que falou.
    Embora mãe de uma menina de 3 anos e grávida de 7 semanas sinto-me muitas vezes uma fraude, em relação a tantas mães que vejo e conheço e fazem uma enormidade de sacrifícios em prole da família.

    “Por mais que me seja enfadonho permanecer tantas horas brincando no chão com minha filha, quase como se eu própria levasse uma vida de bebê, limitada a segurar os mesmos brinquedos incontáveis vezes…” quantas vezes me senti roubada e injustiçada e acabava por negociar de algum modo, um caminho de me libertar de tal, por isso e agora ao ler com olhos espirituais, louvo a Deus por tamanha docilidade da Luciana e por eu ter tido a oportunidade de ler o seu post.

    Deus a abencoe eternamente

  2. Querida Luciana,
    Me reconheci no seu texto. Também já iniciei um “diário espiritual”, uma espécie de oração escrita que vou fazendo, até no trabalho, de modo a organizar os pensamentos e a focar-me no essencial. É de fato um privilégio e uma bênção poder passar esse tempo com os filhos. É tempo ganho. É tempo em que outra alma se forma e educa. É tempo do “outro mundo”, não deste. Também me custa por vezes passar o tempo (que ainda por cima é pouco uma vez que ainda trabalho fora) a brincar com os filhos. Tento encontrar um meio termo, dar-lhes atenção e ouvir as suas pequenas histórias importantes, as suas perguntinhas tantas vezes repetidas e, ao mesmo tempo, manter a distância que eles precisam. Eu sou a mãe, não uma coleguinha. Penso que seria egoísmo da minha parte demitir-me desse papel, os filhos também têm que perceber que os pais são adultos e precisam ter outros afazeres (a maior parte dos quais acaba por ser por conta dos filhos).
    Obrigada por partilhar as suas preocupações, faz-me sentir que não estou só. Também não rezo tanto, nem com a qualidade que gostaria. Tento pensar que o estar casada e ser mãe já é por si só uma oração cheia de abnegação e paciência. Li há já muito tempo e não me lembro onde, algo que nunca esqueci, que Deus prefere uma mãe que se ocupa da família em primeiro lugar, mesmo que isso implique o não poder ir à Missa, por exemplo. No momento, tenho ido semana sim, semana não, vou trocando com o meu marido o cuidado com o filho mais pequenino que fica em casa, enquanto o outro vai com o mais velho. Tenho pena, mas será uma fase apenas. Nada é imutável. Há várias formas de oração e o estado de esposa e mãe pode não ser compatível com a mesma formalidade de oração que têm os religiosos, por exemplo. Daí o casamento ser um calvário. Mesmo o casamento feliz “rouba” tempo ao nosso Amor Maior, ao nosso Deus. Mas Deus o instituiu sacramento e isso é de muito consolo.
    A aridez de que fala é sinal da sua grande fé, no livro Imitação de Cristo que estou a ler, diz que se omitirmos algum dos nossos exercícios para ajudar um irmão, ele poderá ser feito mais tarde, desde que não seja por preguiça ou descuido. Por mais que nos esforcemos acabamos sempre por falhar em muitas coisas. Isso mantém-nos humildes. Quando as coisas correm mal e surgem as aflições é essa a altura de ganhar merecimento. Temos que ter paciência, não ansiedade. Ter a certeza de que iremos sempre perseverar e agir com essa certeza, transcendendo os defeitos e buscando cumprir a vontade divina. O conforto espiritual é uma dádiva de Deus, fico grata quando a recebo, embora não a mereça. Quando a consolação é retirada, não se pode desesperar logo, há que aceitar humilde e pacientemente a vontade divina e esperar que Deus a conceda novamente. O Espírito Santo vai e vem conforme Lhe apraz. Claro que é fácil de falar, mas custoso de fazer, quando o cansaço é tanto que só me apetece ir dormir… Rezo por si, pelo seu parto, pela sua família. Até breve.

  3. Olá Luciana, como é bom ler seus posts, tão verdadeiros e tão próximos da vida de muitas mães/esposas/donas de casa! Sei que é complicado para você, mas se possível escreva mais frequentemente, pois tudo o que escreve é muito interessante. Que tal um projeto de um livro para mães católicas? Quero aproveitar o ensejo para dar uma dica de um livro que estou lendo, pode ser que já conheça, se chama “Crianças francesas não fazem manha”, estou no comecinho, mas uma grande lição já tirei sobre o sono de bebês. A autora explica o método dos franceses para que seus filhos durmam a noite toda, antes mesmo dos 4 meses de vida. Em suma, nos ensina a não pegar o bebê do berço a cada barulho, resmungo ou choro que ele der, deixando esperá-lo a pegar no sono novamente sozinho por 5 a 10 minutos e só então se ele chorar pra valer é que devemos pegá-lo no colo. Isso faz parte da cultura francesa e é tão natural e enrraigado, que eles nem tratam tal atitude como método, simplesmente é assim que todos fazem, e funciona! Isso pode ser aplicado assim que o bebê nasce.
    Espero que possa ter um excelente parto, que o bebê venha com muita saúde! Rezarei por vocês.
    Abraços, Moema.

  4. Olá Luciana, há mais ou menos uns 2 meses conheci seus blogs e desde então tenho acompanhado suas postagens sempre que possível. Confesso que seu exemplo têm sido muito importante pra mim! Tenho vivido um processo de muita reflexão sobre a minha vida enquanto mulher católica. Também tenho lutado pra viver a modéstia cristã, mas com os obstáculos e alguns momentos de desânimo ainda não obtive tantos progressos quanto gostaria. Tenho 21 anos e moro em Aracaju-SE. Sempre lembro de vc nas minhas orações e peço a Nossa Mãe Santíssima que cuide do seu segundo parto.
    Sei que está entrando em uma época difícil com a chegada do seu 2º bebê, mas quando esta fase mais difícil passar (não tem pressa) gostaria de poder compartilhar com vc mais pouquinho da minha vida e de como tem sido as minhas lutas por aqui.
    Um grande abraço. Que Deus te abençoe!
    Salve Nossa Mãe Maria Santíssima!

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