Alfabetização: o método fônico

Seguindo um conselho do meu marido, vou começar a postar mais! E aqui eu darei uma sugestão de método de alfabetização.

Eu tenho boas razões para incentivá-la (ou incentivá-lo) a alfabetizar seus próprios filhos: as escolas fazem isso muito mal e com pouca criatividade; o método em geral utilizado é por si só mais difícil da criança aprender e é mais propenso a erros – isto é, criar aquelas associações tão equivocadas, pelo fato da língua ter sons diferentes para uma mesma letra, por exemplo.

Sou formada em Letras. Nos Estados Unidos o método de alfabetização é quase que, exclusivamente, fônico. Como assim? Explico de maneira concisa:

Nós usamos o método silábico. [Quer dizer, quem usa cartilha… atualmente pode  que a escola do seu filho seja pior e seja construtivista!] O método silábico  significa aprender o “Nome” das letras ( Á, Bê, Cê, Dê …) e, depois, decorar como se pronuncia cada sílaba (Bê + Á = BÀ), para, então, conseguir decodificar a palavra “BOLA”. Na prática, a criança passa por um longo processo de “decoreba” das letras e sílabas, de forma bastante automática e fora de contexto. Como se trata de gravar um extenso número de “sons” de sílabas, frequentemente vemos nossos filhos “errarem” palavras que nos parecem tão simples. A Letra B (ou Bê, como dizemos) é apresentada a criança como sendo Bê de Bola. Quando a criança termina o longo processo de decorar a letra B, ela passa para o estágio de decorar que Bê + A é igual a BA. Mas faz sentido isso? Bê mais A não deveria ser BÊA? E é assim mesmo, somente decorar, decorar, sem contexto nenhum?

E como funciona o método fônico? Como o nome já diz [talvez você não saiba] a ênfase é na chamada relação grafema-fonema, isto é, na relação entre a letra e o som correspondente a ela.  O grafema é a letra escrita, ou simplesmente  a “figura” do A,B,C… o  fonema é o som dessa letra.

Se você não viu um pouco disso na escola ou na faculdade, precisa apenas de um empurrãozinho para entender. Não é nada difícil – só à primeira vista – e por isso as crianças conseguem compreender também. Nem todas as letras podem ser exemplificadas num post “escrito” [funcionaria melhor se você me ouvisse falando], mas darei um exemplo:

O que o método fônico faz é apresentar cada letra com o som independente que cada uma delas tem – o som da consoante, por exemplo, sem encontrar vogal nenhuma. Então, quando você ensina a letra X, aprende que ela se chama “Xis” e tem um som assim: Shhhhh… (como quando pedimos silêncio).  Dessa forma, a criança (que também terá aprendido o som das vogais, inclusive suas variações, Á ou Ã, etc), ao se deparar com a palavra “XÍCARA”,   não vai tentar se “lembrar” de como pronuncia cada sílaba, mas vai, naturalmente, começar a pronunciar o som “shhiiii” e assim por diante. 

Outro exemplo: a letra “Z”, cujo som é semelhante ao zumbir de uma abelha “zzzzz” ou o “P”, o som de uma “palmada”. Diante de uma palavra, a criança reproduz o som das letras; ela começa a pronunciar o som da consoante e termina, de maneira óbvia, juntando-o com a vogal. Para quê decorar o que qualquer um é capaz de fazer, se apresentado da maneira mais clara? 

De fato, a criança estará lendo, e não reproduzindo um “código” que ela apenas decorou á exaustão. Termina-se aquela sensação de que a criança está olhando para a palavra no papel, quase como se aquilo estivesse em japonês e não houvesse qualquer relação com o que ela fala diariamente. Com o método fônico, a criança realmente ganha uma “consciência fônica”, isto é, aprende que ler é ser capaz de associar uma figura (no caso, a letra) a um som específico na sua língua. Sua habilidade de ler qualquer palavra, mesmo que nunca a tenha visto antes, é imediata,

E o mais interessante é que os métodos fônicos são, em geral, contextualizados numa história lúdica! Nos Estados Unidos, há métodos que usam universos de animais, fadas, famílias… por aqui, infelizmente, não há tantas opções, mas um deles é lindo e muito completo, chama-se “A Casinha Feliz”: através dos moradores dessa casinha, a criança conhece o som das letras; há material complementar como CD e fantoches; você pode pedir o livro do professor e do aluno, e assim alfabetizar seus filhos!

casa

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12 comentários sobre “Alfabetização: o método fônico

  1. Oi, Lu!
    Achei muito interessante este método fônico! Eu fui alfabetizada pelo método silábico, e tudo o que você falou faz realmente sentido!
    E que bom que você vai postar com mais frequência!
    Beijos e fica com Deus! Salve Maria!

  2. Informando Entre muitos eventos e h muitos anos a rede municipal de ensino de Campina Grande-PB, trabalha com uma mdia de mais de 2000 alunos sendo alfabetizados e acompanhados pelo mtodo fnico, trabalho este acompanhado voluntariamente pela professora aposentada da UFPB Mestra Olvia Azevedo que acompanha os alunos e os pais ou acompanhantes dos alunos. O resultado excelente e no mximo em 3 meses as crianas esto lendo compreensivamente.O mtodo no oficialializado pelo sistema por motivos polticos e econmicos segundo a ordem de benefcios monetrios que o sistema de ciclo impe atravs da LDB.

    http://www.clickpb.com.br/noticias/educacao/alfabetizadores-professores-e-gestores-participaram-de-formacao-em-semana-pedagogica/ https://www.google.com.br/search?q=mtodo+fnico+na+rede+municipal+de+campina+grande%3DPB&oq=mtodo+fnico+na+rede+municipal+de+campina+gr Secretaria de Educao divulga programaoo da … – Campina FM ps://www.google.com.br/search?q=mtodo+fnico+na+rede+municipal+de+campina+grande%3DPB&oq=mtodo+fnico+na+rede+municipal+de+campina+g Date: Sat, 5 Oct 2013 18:45:20 +0000 To: mariadefatimagurjaosol@hotmail.com

  3. Só faria um adendo ao texto: É muito importante trabalhar com literatura infantil.

    Alfabetização no Brasil está uma bagunça. Sei porque participei de um projeto de extensão sobre isso na faculdade, e já li vários textos teóricos, quanto vi a prática em sala e a realidade dos alunos.

    De fato grande parte da culpa disso está no construtivismo. Mas uma coisa ele ensinou de muito correta: É preciso trabalhar com boa literatura infantil, aquela não criada para ensinar a criança a ler, mas sim para ser boa literatura.

    A regra é: se você como adulto achou boba demais, não é boa literatura. A boa literatura pode ser reconhecida em qualquer idade.

    Acho que a melhor forma é trabalhar com um método mais mecânico e sistemático – como o fônico – com textos mais artificiais como os que esse método usa, desde que paralelamente se leia vários livros de qualidade para a criança – e isso não tem idade, pode começar bem antes da alfabetização.

    Pena que hoje é difícil demais encontrar escolas que unam essas duas coisas – quase impossível – na maioria eles só focam na literatura: Acham que com o simples contato com os livros a criança vai ler, quando não é verdade, é muito importante a sistematização dos conhecimentos.

    Ps: conheço vários livros legais infantis, se quiser dicas depois ;)

  4. Pingback: Planejamento 2016 (Lupita e Dimi) | As chamas do lar católico

  5. Olá! Trabalho em uma escola municipal em Curitiba-PR e aqui, trabalhamos com o método fônico do Prof. Fernando Capovilla.

  6. Muitíssimo esclarecendo seu texto sobre o método fônico, fui alfabetizada através das histórias da casinha feliz me lembro até hoje. Apaixonado pelas histórias da casinha feliz.. Parabéns !! Gostaria de aprender mais sobre esse método..

  7. Como eu consigo adquirir esse material?
    Eu fiquei muito interessada, eu sou professora e tenho certeza, com esse material em mãos vou fazer um belo trabalho?

  8. Olá Luciana, gostei muito da sua postagem sobre método fônico assim como todo blog, minha filha tem 4 anos e meio e inicia sua alfabetizacao pelo metodo silábico atraves da escola, com o metodo fonico percebo como posso ajuda-la melhor nas suas duvidas pois sempre esta me perguntando como se escreve isso ou aquilo e fica repetindo varias vezes as sílabas, mas ainda desconhece todas as letras e sons relacionados a elas, embora a escola que ela frequenta seja muito abençoada penso com carinho na pratica do homeschooling, acredito que traz maiores ganhos para a família. Paz e bem.

Este blog tem proteção contra comentários com conteúdo impróprio e palavras de baixo calão. Críticas só construtivas. Obrigada!

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