Tarefas de casa + Rotina de homeschool

Salve Maria!

Como algumas pessoas me perguntaram como eu faço para conciliar a rotina de HS com as tarefas de casa, vou resumir rapidamente o meu “esquema”, até porque ele é básico mesmo!

  • Princípio dos 40 minutos (com intervalo de 5 minutos para descanso): a ordem na minha casa é colocada em 3 momentos do dia, com duração de 40 minutos no máximo (pode durar menos). Se a arrumação está longa, eu faço 20 minutos, descanso 5, e continuo.
  • Esses períodos são: manhã, tarde e depois do jantar

Lembrando que ESTE é o POST com a minha rotina atual de HS.

Meu dia começa com muitos abraços(uns 15 minutos na cama), oração (com uma imagem do Menino Jesus) e uma leitura de historinha rápida antes do café, já que eles ainda não estão despertos e não comem direito se formos para a mesa muito cedo. Bem, logo após o café da manhã, eu faço uma atividade com eles na mesa (geralmente às 8:30). Leitura espiritual de 5 minutos (Atualmente estamos usando Meu livro de arte e oração, da Irmã Wendy Beckett) + Atividades de coordenação, letras, matemática ou lógica. A leitura espiritual tem sido MUITO proveitosa, porque além dos temas (respeito, perdão, família…) há as belas gravuras que permitem a nossa apreciação e comentários – além de outras atividades. Hoje mesmo olhávamos a pintura do martírio de São Clemente Papa; as crianças resolveram recriar a gravura com lego, de modo que uma das peças é o Papa Clemente que têm sido carregado para lá e para cá ao longo do dia. Dito, isto, terminamos a atividade depois de uns 30 ou 40 minutos e eu sigo para a minha arrumação.

  • Lei aqui em casa: Após cada refeição eu limparei a mesa e o chão em 15 minutos no máximo.
  • 9:20 – Primeiros 40 minutos. Segundo o cronograma de arrumação: Segunda, Quarta e Sexta, aspirar toda  a casa + colocar roupas para lavar. Forrar camas e arrumar quartos. As crianças ajudam com comandos (arrumar brinquedos, levar o que for delas para a estante, trazer roupas e jogar na máquina, forrar camas do jeito bagunçado deles, rs). Terças e quintas: Forrar camas, limpar pias e vasos sanitários dos banheiros.
  • 10:00 – Atividade 1 do quadro, no que diz respeito a: brincar de massinha, ir caminhar um pouco na rua, molhar as plantas, dançar, fazer exercícios.
  • 10:45 – Fazer almoço. É o momento em que as crianças fazem a atividade “Antes do almoço”, descrita no quadro. 12:00 – Almoço. Depois: lavar todos os pratos sujos no período da manhã. 13:00 – Descanso
  • 13:30 – Mais 30-40 minutos de arrumação (logo após o descanso do almoço de 30 minutos): Segunda, Quarta e Sexta – recolher roupas, se já estiverem secas. Dobrar e guardar. Ajeitar a sala, como de costume. Quarto das crianças, se não deu para fazer de manhã.
  • Depois é hora de dar banho nos 2. Das 14:10 às 14:50, eles assistem desenho. Cada um pode escolher um episódio de 20 minutos.
  • 14:50 – 15: 15: Lanche
  • 15:10 – Livros. Leitura em voz alta. Brincar e conversar com eles.
  • 15:45 – Soneca.
  • 18:00 – Fazer jantar, quando houver jantar (ás vezes tomaremos café). Se a roupa não estava seca, eu recolho nesse horário e guardo. Após o jantar, é manter a sala arrumada e a cozinha. Meu marido sempre ajuda e há dias em que eu não faço nada nesse horário. Segundas e quintas: passar pano na cozinha. Às quartas: passar pano na sala.
  • Antes do Papai chegar, é comum fazermos mais uma atividade, como as sugeridas em Atividade 2, no quadro. Ás vezes eles ainda estão dormindo ou cansados, e não fazemos nada programado.
  • À noite, há oração em família e muitos livros. O papai e eu nos revezamos. Há também pelo menos meia hora de brincadeira de faz de conta: o papai ou eu, ou os 2 juntos. Lego, fantasias, bonecas ou jogamos. Antes de dormir, mais umas 2 histórias.
  • Aos sábados, minha irmã me ajuda com a faxina: ela lava os banheiros. É o dia em que meu marido e eu passamos pano nos quartos. Eu aproveito para arrumar estantes e ele corta a grama da frente e também lava a garagem. Como dividimos, não ocupamos tanto o nosso sábado e sempre fazemos alguma coisa legal em família.

É isso! Lembrando que não é perfeito. A casa nunca está arrumada como eu gostaria, é mais um plano de sobrevivência. Eu sei que não posso passar muito tempo arrumando porque eles estão comigo o tempo todo e demandam atenção. Há semanas em que as roupas acumulam na cadeira do quarto. Em dias de muito cansaço, “dobro a meta” do desenho e eles assistem de tarde e também à noite. Mas esses dias são raros, às vezes ocorre 2 ou 3 vezes no mês. Minha casa está sempre precisando daqueles socorros, como: lavar a cozinha (e não apenas passar pano); desengordurar tudo da cozinha, como paredes; arrumar a lavanderia com esmero…

Olhando para o papel, não parece ter tantas coisas assim para serem feitas… mas há. Primeiro porque há coisas que não estão descritas. Por exemplo: em dias de aspirar a casa é claro que os cômodos tem que estar em ordem, sem nada no chão, e esses são os dias em que eu fico bem enérgica para tirar tudo do caminho. As crianças são um grande trabalho à parte. Bagunçam muito, apesar de meus esforços. Passe o dia todo com eles e você vai passar o dia arrumando duas ou três vezes o mesmo cômodo, pelo menos as coisas espalhadas depois de estudar, pintar, brincar…  A cozinha fica incrivelmente suja depois de cada refeição, principalmente no almoço – me refiro ao chão, com restos de comida. Preciso pegar um pano e limpar as áreas mais afetadas todos os dias, às vezes mais de uma vez. Essa rotina é para os dias em que não saímos. Duas vezes por semana, em dias que nunca são fixos, passeamos. Às vezes não altera muito a nossa rotina, porque saio depois do café e volto para almoçar. Já as roupas são a minha grande dor de cabeça: parece que o serviço com elas é eterno. Juntar roupa e pôr na máquina. Estender no varal. Recolher, dobrar, guardar. Eu só passo roupa na hora de sair. As roupas de casa eu não passo, tiro com cuidado do varal e vamos nos virando (não tem como, na minha realidade, separar tempo para isso).

Há muito o que melhorar, é mais um post para mostrar como eu sobrevivo do que indicar um sistema que está sendo “um sucesso”, rs. Ontem mesmo fiz uma lista de coisas em geral, na casa, no HS e de ordem espiritual, que eu preciso melhorar, e também metas para a família. Que Deus me ajude!

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Quaresma 2016: Desafio

Salve Maria!

Parece que eu encontrei um desafio perfeito para a Quaresma deste ano, levando em conta as minhas próprias dificuldades e necessidades: é o desafio dos “40 sacos ou sacolas” (40 bags, em inglês). Trata-se de um compromisso de, a cada dia, preencher uma sacola com coisas a serem jogadas fora e doadas, retirando de casa tudo aquilo que não está sendo mais utilizado (na verdade, você pode compensar: pode encher 3 sacos num dia e nenhum no outro, desde que “bata a meta” ao fim da quaresma). A minha grande dificuldade ainda é a organização em casa, e como eu admito que não estou fazendo progressos significativos, esta me parece uma boa opção para dar uma grande arrumada na casa, oferecendo a Deus principalmente o sacrifício do trabalho na faxina, adicionando as coisas que poderão ser doadas e melhor utilizadas por outras pessoas.

40bags

Tradução: Pegue 40 sacos plásticos. Com 15 minutos diários, os preencha, em cada  dia da quaresma, com itens desnecessários para a sua vida. Então, livre-se deles: Doe pra instituições de caridade. Leve para o lixo. Venda. Tire-os da sua vida!

 No fim de cada ano eu costumo tirar muitas caixas de casa para doar ou jogar fora, mas desta vez – além de elevar o meu senso de desapego – eu vou à fundo na limpeza para eliminar aqueles focos intocáveis dentro de armários e guarda-roupas e finalmente me livrar de todas aquelas coisas que guardamos para usar depois e nunca usamos!

O meu esquema é mais ou menos este:

  • Começar pela cozinha. Limpeza completa na geladeira e nos armários, jogando fora restos de comidas. Aproveitar para refletir sobre o que é realmente utilizado e re-organizar a lista de mercado para adequar o consumo.
  • Separar todos os utensílios de cozinha que não são utilizados ou estão muito precários para continuar em uso
  • Quintal: eliminar absolutamente TUDO o que não deveria estar lá! (isto resume bem o espírito)
  • Sala: estante de livros. Eu amo livros, mas está óbvio que alguns foram parar lá por acaso, então, hora do desapego! (Doar)
  • Papéis, papéis, papéis. Por que os guardo tanto? Há um monte deles na sala…
  • Papéis: vocês também estão em cima do meu guarda-roupa!
  • Cacarecos no guarda-roupa: nunca mais quero vê-los novamente!
  • Guarda-roupa: recentemente tive a alegria de receber doações de roupas para Dimi, o que significa que finalmente poderei me livrar de certas peças que uso desde que ele ainda não tinha 1 ano!
  • As roupas de inverno que eu não uso mais darão bons pares de sacolas!
  • Sapatos velhos: eu nem acredito que tenho pares que eu não uso há mais de 1 ano!
  • Brinquedos das crianças: apesar de comprar e ganhar poucos brinquedos, sei que conseguirei reunir um saco dos grandes de peças quebradas e brinquedos que eles não se interessam mais.
  • Banheiros: embalagens com restos de cremes que já devem estar vencidos e pequenos trecos que não servem para nada!
  • Roupas e sapatos velhos do marido: tenho certeza de que vou conseguir pelo menos dois sacos aqui!
  • Materiais escolares das crianças: papéis, cartolinas usadas, lápis quebrados, borrachas estragadas, revistinhas recortadas… um monte de lixo acumulado aqui e ali em caixas.

Na hora, sei que vou encontrar outros focos…

Acho que será a minha primeira quaresma realmente “séria”. Antes de casar, funcionava parar de acessar redes sociais e coisas do tipo. Agora, eu acho que preciso de um pouco mais de sacrifício com uma boa dose de seriedade. Dessa forma eu estarei forçando a minha natureza e edificando a minha família, oferecendo algo que também é útil para eles.

Por favor, rezem por nós! :)

Notas {setembro, 2014}

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Começar o  caminho do alfabeto foi ótimo! Em breve vou fazer um post resumindo as atividades das semanas da letra A… Eu fiz um planejamento que vai deste mês até agosto do ano que vem, sendo que em dezembro nós não faremos porque durante o advento e Natal nós nos dedicamos ao aniversário de Nosso Senhor, e isso já nos ocupa bastante! Com férias em dezembro, retomamos em janeiro! Estas são algumas fotos da nossa visita à uma exposição de animais da selva africana:

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Estou fazendo…

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Alguns brinquedos para Lupita. O pai montou a estrutura de papelão e eu decorei. Quando ela estiver um pouquinho mais crescida, planejo a casinha de madeira para durar toda a infância, mas por enquanto, prefiro brinquedos e brincadeiras com materiais baratos, especialmente porque as crianças nessa idade são muito curiosas e querem sempre novas coisas. Imagine comprar sempre brinquedos em lojas? Não dá…

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 Estamos lendo…

imageGostamos muito de ler. É algo natural aqui em casa. Comecei a ler livros em voz alta para Lupita quando ela tinha apenas 1 mês. Gostava de ler os livros de Dr.Seuss, pois são cheios de rimas e o autor é muito criativo. O pai e eu estamos sempre com um livro nas mãos, e ela nos imita, pois também é da índole dela. Podia acontecer de, apesar do exemplo, ela não ser tão apreciadora… Mas aconteceu. Não sei se Dimi irá pelo mesmo caminho (por enquanto ele apenas come os livros, rs); faremos como sempre fizemos, mas se ele não seguir com tal facilidade, encontraremos outras formas de ajudá-lo.

Lupita ama a bíblia dela. Ela realmente lê com entusiasmo, conta ou inventa suas próprias versões; freqüentemente pega o livro na estante e passa quase uma hora lendo, praticamente sem incomodar. O mais extraordinário é vê-la conversando com os personagens dos livros. Conversa com todos eles. No caso da bíblia, ela vive dando severas broncas nos soldados romanos por terem machucado Jesus. Vou editar um dos vídeos que gravei e postar aqui… Tenho de me segurar para não rir, e é, ao mesmo tempo, emocionante. O justo seria chorar, porque é de fato comovente vê-la pedir aos soldados romanos que, ao invés de maltratarem Nosso Senhor, eles cuidem Dele. Está é a versão que usamos:

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Lendo, em vários momentos (bom, claro que ela ainda não lê, tem apenas 2 anos e meio):

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Estou precisando…

Voltar a escrever no meu diário espiritual. É uma boa forma de continuar refletindo com Deus algumas coisas da minha vida, especialmente agora, depois de casada, onde nossas vidas parecem tão centradas “neste mundo”.  O tempo de noivado me parece um tempo onde eu estava tão centrada espiritualmente, que às vezes eu sinto como se tivesse sido, em parte, uma aspirante à vida religiosa. Fico feliz de ter aproveitado tão bem esta época, o que só foi possível graças ao namoro santo. Com ele, ganhei um tempo precioso, cheio de paz, em que eu pude me dedicar à boas leituras, retiros, idas frequentes à comunhão.

Estamos planejando…

Comemorar ainda mais o Natal desta vez. Será nosso quarto Natal em família, e ainda temos muito o que nos dedicar. Com as crianças maiores será mais divertido incrementar a data com novas tradições (é impressionante quantos detalhes maravilhosos cercam o aniversário e a tradição de comemorar o aniversário do Senhor!).

Estamos criando…

Um novo apostolado. Há seis anos atrás, começamos no apostolado de modéstia; eu criei meu antigo blog, Teus Vestidos, há quatro anos, e sinto que dei a minha contribuição nesse campo. Senti solidão, em muitas vezes, por causa da falta de união entre as pessoas que também promoviam este apostolado na Igreja, incluindo eu mesma. Até hoje eu sinto que as pessoas que falam deste assunto simplesmente não conseguem se comunicar muito bem, e essa atmosfera tão desgastante foi tirando a minha vontade de continuar. Claro, eu também não imaginei falar sobre o tema por um longo tempo, porque de certa forma, eu sempre fui muito alheia à moda… sou grata a Deus pela inspiração de colocar-me no momento certo dentro deste apostolado, mas agora, me vejo completamente disposta a fazer outra coisa, que envolva aquilo que me ocupa mais hoje em dia: a educação dos filhos. O curso, Pedagogia Católica para Aplicação das Famílias está sendo maravilhoso neste e em muitos sentidos… peço orações para este e outros projetos! Abaixo, gravando o curso:

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Presentes católicos para crianças!

Neste post gostaria de dar algumas sugestões de presentes católicos para crianças – especialmente para os nossos próprios filhos. Muitas vezes podemos nos esquecer de entregar algo especial para o filho, que remeta à fé católica, por falta de ideias, local onde encontrar, entre outros motivos. Ou simplesmente alguns não julgam importante… o que é uma pena. É muito importante, pois estamos sempre presentando os nossos filhos com jogos, brinquedos, roupas e objetos que eles cobiçam, mas com relação à religião, oferecemos pouco. Podemos mudar isso! Uma boa ocasião são os aniversários (onde eles vão receber presentes de amigos e parentes, e certamente, nada semelhante), especialmente os de batismo, dias de santos de devoção, natal, páscoa, novenas familiares, etc. Vamos às sugestões!

1 – Almofada

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Neste link você pode encomendar almofadas personalizadas, de qualquer santo: muito fofo, não acha? Para enfeitar o quarto, pensando em fazer um conjunto também fica excelente! Na imagem, Nossa Senhora e o Menino Jesus.

2 – Terços Especiais

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Terços de fita ou de fuxico, pedras com rosinhas: é possível encantar quando se trata dessa poderosa arma de oração!

3 – Quadros com orações

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Lindo quadro com a oração ao anjo da guarda: é possível encontrar vários modelos e personalizar.

4 – Bonecos

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Acima, respectivamente: Sagrada Família , Nossa Senhora Aparecida e Papa Francisco. Mas é possível fazer encomendas de quaisquer santos. Você pode pesquisar em sites de artesanato como Airu e Elo7, para outros vendedores.

5 – Esculturas em Biscuit

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Santa Joana D’arc e muitos outros, com características infantis, para auxiliar os pequenos, apresentar a vida dos santos, entre tantas ideias!

6 – Chaveiros

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De Santo Antônio: por encomenda. Procure por outros estilos e modelos!

7 – Painel

painel-nossa-senhora-de-guadalupe De feltro, feitos em esteira, com muitos temas! Lindo para colocar na porta do quarto!

8 – Oratórios

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Modelos lindos (perfeitos para pôr na cabeceira): Estilo oriental, Monge Barroco e Rústico. Mas há tantos modelos que é difícil escolher! Basta procurar por “oratório” nas buscas do site.

 9 – Marcador de Bíblia

15Marcadores de vários santos para livros ou Bíblias!

10 – Caixas decoradas

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Divino Espírito Santo, Multiuso  e De Orações! Estou querendo uma é para mim! :)

 

A vida no lar – e o trabalho fora dele – Parte 4

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Simone de Bouvair costumava dizer que a opção de ficar em casa e cuidar dos filhos jamais poderia ser dada à mulher, pois se assim fosse, “demasiadas mulheres farão esta opção”, o que não interessa à causa feminista. Quase ninguém conhece a afirmação, mas o eco dela está na sociedade como um todo, o que nos faz compreender porque esta vocação sofre ataques pejorativos por todos os lados.

Muitas pessoas, até hoje, continuam acreditando que toda melhoria para a vida das mulheres é fruto de alguma causa, de algum panfleto, de alguma queima de sutiã. Como se apenas a partir da “classe feminista” organizada é que a vida tivesse melhorado para nós. E corremos o risco de fazer uníssono com isto: é comum ver algumas devotadas feministas (especialmente em debates de internet, nas faculdades e meios mais ordinários) repetirem sandices como “agradeçam as feministas por terem um nível superior, por usar a internet.” É lamentável que esse discurso não consiga ser demovido; estamos tão mergulhados na desinformação histórica, que mentiras são ditas a todo instante, e com que direito de bom-senso!

Claro: a estória de não poder utilizar a internet é só uma estratégia das feministas de reduzirem a religião cristã à mesma categoria das religiões tradicionais orientais – estas sim, oprimem, muitas vezes, a mulher, mas não  vejo feministas ocidentais interessadas em defender os interesses daquelas mulheres. No Marrocos, por exemplo, há uma “Lei” que garante ao estuprador de uma menor a opção de se casar com ela, e assim escapar da pena. E tal é a mentalidade por lá, que geralmente a família da moça (a quem cabe a decisão), aceita. Recentemente, uma jovem de 16 anos, obrigada a aceitar estas condições, cometeu suicídio. Quanto a “nós”, a causa está tão ridícula e saturada, que agora elas reclamam o direito de urinar em pé – coisa que elas podiam, lamentavelmente, fazer em privado.

Sinto dizer as feministas (aliás, minto: fico bastante satisfeita) que nossas maiores conquistas foram materiais: se hoje não precisamos mais passar tanto tempo no tanque de lavar roupas, acendendo o fogão à lenha, salgando as carnes para todo um período, entre milhares de coisas do gênero, não foi porque elas nos libertaram do fardo, mas porque o fardo por si só ficou menor com o avanço das tecnologias (e a abrangência do cartão de crédito). Quando a mulher não podia pagar por estas coisas (o acesso a uma máquina de lavar, por exemplo, está bastante democrático atualmente), ela tinha de, invariavelmente, recorrer à outra mulher para que o fizesse em sua residência. Até mesmo as próprias feministas devem às facilidades da vida cotidiana o surto de suas existências: foi o tempo livre, sem dúvida, que pôde produzir estes discursos, já que, séculos atrás, quando a vida era bastante dura, todos estavam ocupados demais, dependentes demais uns dos outros, para pensar em igualdade de funções.

Explico: algumas pessoas se esquecem de como a vida funcionava até bem pouco tempo atrás… olham para o passado e não sabem do que estão falando, porque parece que estão sempre criticando a família dos anos 50, com poucas variantes. Esquecem que tanto a vida no lar, como o próprio trabalho tinham organizações  distintas: da cooperação mútua entre homem e mulher, unidos pela família, dependia a sobrevivência de todos, num mundo onde tudo isso que recebemos tão naturalmente – hospitais, educação, vacinas, saneamento básico, etc., etc. – não existia.  Esquecem que se (quase) nenhuma mulher tinha nível superior, bem poucos (pouquíssimos, aliás) homens o tinham. As mulheres “lutam” para ter uma jornada de trabalho, como o homem “sempre teve”, mas não desconfiam que na verdade, até a revolução industrial, o homem não tinha “jornada de trabalho”,  porque as pessoas – incluindo as mulheres – trabalhavam em períodos, frequentemente em estações, cada qual de acordo com a função que desempenhavam. Esta coisa de “sair de manhã e voltar à noite”, que nossas contemporâneas tanto desejam, é algo absurdamente novo, de todos os pontos de vista, e também indesejável de todos os pontos de vista – pelo menos, para as mães.

Nesta quarta parte de minhas reflexões, venho tocar em alguns pontos que permaneceram em aberto, após alguns questionamentos que recebi via mensagens, e mesmo perguntas feitas diretamente. Uma delas, bastante pertinente, porque pode ser a dúvida de muitas, será formulada da seguinte maneira: “Se o ideal é que a mulher fique em casa e cuide dos filhos, então por que pensar em formação acadêmica ou profissional para as moças?

A pergunta não é apenas simplista, ela é também carregada de radicalismo. Temos que ter muito cuidado com tais corolários: eles podem , aparentemente, resolver nossos dilemas, mas fatalmente não sobrevivem no mundo real. Por que estou dizendo isto? Porque não raro tenho visto mulheres defenderem um comportamento ultra-anacrônico, de não sair de casa para fazer qualquer atividade semelhante, sob pena de não estar sendo a “mulher ideal”- ou seja, aquela que fica apenas em casa, lavando, bordando e servindo a mesa para 13 filhos. Bem, se tal mulher realmente existiu, ela contava com a enorme vantagem de não ter toda esta consciência de classe que nossas atuais senhoras anacrônicas têm – e isto lhes dava a tranquilidade de serem ordinárias num mundo ordinário. Elas eram mulheres comuns. E precisamos, antes de tudo, compreender de fato o que isto significa.

Respondo de modo direto (como, aliás, já respondi várias moças e senhoras): demonstra-se, por muitos motivos – e isto levando em consideração não uma regra quinhentista, mas a própria configuração do mundo atual – que continua sendo ideal, melhor e mais saudável para todas as partes envolvidas [esposa, esposo e crianças], que a mãe se dedique aos filhos, especialmente enquanto pequenos e totalmente dependentes dela, o que se faz mais adequadamente quando ela dispõe de tempo, coisa que o trabalho – mas, preste atenção, o trabalho do modo padrão na sociedade industrial – não contempla. Refiro-me ao emprego diário, a jornada média ou longa, que ocupa e afasta a mãe deste lar.  Se por um lado, contamos com toda a facilidade material do mundo moderno, por outro, o aspecto emocional da família continua necessitado da presença e disponibilidade desta mãe. Eu diria mais: nunca, como hoje, se torna tão plausível. E é por isto – e não por mero saudosismo de “como as coisas costumavam ser”, é que se torna compreensível que se fale do papel desta mãe católica dentro da família, nos termos em que se discute aqui.

Devemos ser sensatos o suficiente para conferir à outra questão o mesmo rigor: a plausibilidade da formação da mulher na nossa sociedade contemporânea. É bom, útil, necessário e até indispensável que a mulher estude e saiba alguma profissão?  Sabemos que sim, e o por várias razões,então, sinceramente, de onde vem a dúvida? De onde vem essa vontade de ser “perfeito” até nos detalhes da louça, quando neste mundo não somente acabaram as ocasiões para os chás, mas as próprias ervas são desconhecidas? Não é somente anacrônico, é insustentável que aprovemos o raciocínio daquelas e daqueles que aparentemente “não vêem motivos” para uma moça ingressar na faculdade ou aprender um ofício, se pretende casar. O que acontece, então, se não se casa? Antes, a mulher que caía na má sorte de não se casar, era mais vista como desgraçada pelo fato de não poder sustentar a si mesma e acabar sendo responsabilidade da família ou ao menos condenada à uma vida extremamente penosa, que por não encontrar meios de seguir  a vocação que sonhava. Não há justificativas, atualmente,para não proporcionar à sua filha estudo e profissão, e não apenas pela incerteza do casamento: vale a pena fazê-lo porque tudo isso é acessível, bom e útil, de muitas maneiras, que não apenas uma ocupação na carteira de trabalho.

Estudar e fazer faculdade é algo que acrescenta em diversos âmbitos, inclusive na vida do lar. Eu tive a oportunidade de fazer faculdade, o que sem dúvida me ajudou em muitos aspectos (conhecer o marido,por exemplo), e o principal deles é ensinar muitas coisas para os meus filhos e para as pessoas ao meu redor, em especial as mães que educam em casa.  Eu entendo perfeitamente uma mulher que se case antes disto acontecer na sua vida, ou decida fazê-lo quando acha que tem oportunidade na vida de família, ou então que simplesmente não tenha interesse nisso, assim como é natural que os planos sejam abandonados no meio do caminho, quando acontece o matrimônio e os filhos vêm. Todas estas possibilidades são boas, de acordo com a vida pessoal que cada uma de nós pode e irá levar. Não nos esqueçamos, também, que nas sociedades antigas, longe de ser uma ociosa, a mulher encontrava espaço para se “formar” em muitas coisas: algo que atualmente só poderíamos suprir com estudos e cursos – alguém comentou, com razão: em certos meios sociais, a mulher antes era tão bem formada em artes e literatura, que nossos atuais diplomas de faculdade não chegam nem perto. Ademais, é notório que se em tempos de crise, a mulher “de antigamente” seria capaz de ajudar seu marido no sustento do lar, com sua própria iniciativa ou sua força de trabalho, atualmente, se não fornecemos estudo e profissão, a mulher moderna não poderá fazer nada senão lamentar.

Tenho certeza de que muitos de nós admiram o modo como nos parece que as sociedades antigas se organizavam, com cada um cumprindo seu papel de forma diversa, mas a matemática não é tão simples quanto supõe nossa deficiente compreensão: certamente há maneiras muito mais razoáveis de demonstrar reverência a um passado simbólico, que não repetindo um padrão de comportamento, na melhor das hipóteses, insincero.

Como eu afirmei nas partes anteriores, há muitas razões para que a mãe de família permaneça no lar, quando se têm essa possibilidade, e tão nobres são estas razões, que devemos lutar por esta oportunidade quando as coisas não são tão favoráveis. A permanência da mulher no lar já foi uma questão crucial de sobrevivência; se hoje, dadas as facilidades do mundo industrial, isto já não é assim, criou-se uma outra demanda, e é precisamente sobre esta demanda que minhas reflexões se direcionam. Uma das razões pelas quais não se consegue convencer muitas mulheres da importância de sua presença no lar e na vida integral de seus filhos pequenos é que ela não entende no que consiste sua indispensabilidade, uma vez que quase tudo pode funcionar sem ela; nesse sentido, o discurso anacrônico, que simplesmente deseja obrigar a mulher a repetir um modelo de sociedade antiga, quaisquer que sejam as condições, só as afasta dos reais motivos que temos hoje.

Eu acredito que neste século iniciou-se um importante debate sobre toda essa questão, porque mulheres em situações emblemáticas – chefes de multinacionais, popstars, líderes de governo –  estão retornando ao lar, abandonando carreiras, diminuindo o ritmo e mandando uma mensagem para o mundo. Esta mensagem não pode ser reduzida a “Nunca deveríamos ter escutado as feministas e abandonado nossos lares!“, porque não foram as feministas nem as únicas e nem mesmo as principais responsáveis por toda esta grande transformação que nossa sociedade passou nestes dois séculos; não pode ser reduzida a este slogan porque correríamos o risco da decepção ao ver que esta atitude não significa refazer tudo como um dia foi feito – mas, antes de tudo, é um alerta de que existe uma enorme demanda da presença da mãe no lar, uma demanda que é completamente deste século, é nossa e é eterna, é a demanda de Deus, que , com toda certeza, nos fez co-ajudadoras do homem, em todas as circunstâncias. Quando a mulher olha para a sociedade contemporânea, ela pode chegar à conclusão de que não é mais tão indispensável assim – mas é somente quando ela olha para Deus é que consegue tomar dimensão do que ela pode realizar dentro dos planos Dele, com as condições que temos agora.

Estas “facilidades” do mundo moderno nos permitem muitas coisas. Acho que estamos,enquanto mulheres e mães, aproveitando mal o fato de que indiscutivelmente ganhamos tempo para realizar muitos projetos,especialmente com nossos filhos. E até mesmo a nível profissional, há muito a ser feito: coisas e vias completamente novas – a médio e longo prazo. Querem exemplos? É difícil imaginar como uma mãe de família poderia conciliar o emprego diário na indústria com suas obrigações domésticas, mas não há obstáculo que a impeça de ser uma boa decoradora, o tipo de profissional liberal que faz seus próprios horários, trabalha por períodos e está com a família na imensa maioria do tempo. Sim, porque também não se trata de privar a mãe de qualquer individualidade ou tempo apenas dedicado à si mesma… isso é importante, é algo que foi imprescindível em todas as épocas. Há coisas essencialmente femininas, que sempre foram de nossa alçada e organização, e está muito equivocado o pensamento daqueles que acham que apenas os homens trabalharam, quase como se a nós só restasse consumir os produtos! Algumas coisas permanecem essencialmente masculinas, no que tocam as profissões, por exemplo, mas mesmo esta parte, ainda que de predominância dos homens, encontra um espaço para nós imprimirmos nossa rica contribuição. Apenas temos de estar atentas à nossa vocação e ao que nos é próprio, e então pararmos de perseguir a “carreira”, nos mesmos parâmetros que os homens…

São coisas que costumam ocupar meus pensamentos, e espero dividir com vocês muitos outros pontos em textos futuros.