Essencial para o casamento: O vestido de Noiva

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Uma vez que discorremos bastante sobre a beleza do sacramento, chegou o momento de falar sobre a beleza do vestido de noiva – sem dúvida, a preocupação central da mulher quando o grande dia se aproxima. Quando estiver finalmente casada, virei aqui mostrar o meu próprio vestido – por ora, não devo entregar o que quer que seja! (a verdade é que meu noivo está sempre por aqui.) Apenas digo que, tendo em vista os preparativos da cerimônia (e não a profundidade e importância do casamento), ele foi a causa de meus esforços, alegrias, lágrimas e apertos no coração: sim, devo registrar isso para que não reste dúvidas. O vestido de noiva não é apenas um dos itens que devemos dar conta em meio a tantos outros – ele é o protagonista.

Todo o resto acaba por se tornar secundário – flores, música, daminha, recepção. Acaso a capa do seu álbum de casamento será a bela almofada em que foram levadas ao altar as alianças? Ou poderá passar para a posteridade a alegria de uma festa, os comes e bebes, a marcha nupcial? Tudo isso desaparece conforme os dias sucedem; uns comentam a pompa da cerimônia religiosa por uns meses, outros recordam o bom gosto musical dos noivos por mais algum tempo. Quanto ao vestido de noiva – neste até os bisnetos pousarão os olhos! Com isto não se atesta que os outros itens são irrelevantes, mas sim o destaque irrevogável deste traje, que – seja guardado numa caixa ou lembrado numa fotografia – tende a ser eterno. Com que alegria a filha não contempla a mãe no dia do seu casamento, vestida como uma princesa – pois, de fato, é o que todas nós somos neste dia!

Não lhe parece que cada casamento pode ser visitado só de olhar para a noiva? A expectativa se volta inteiramente para ela: todos aguardam ansiosos para ver com que modelo entrará na igreja; como será o véu, como estará arranjado o cabelo! Convém escolher o modelo de acordo com a cerimônia : horário, local, simplicidade ou luxo. E, claro, cada mulher terá sua personalidade. Podemos dizer que o vestido de noiva é como que um espelho onde ela procura refletir o que passa no seu coração e na sua alma! Nenhuma mulher escolhe ao acaso: por meses, busca onde está o modelo que melhor traduz quem ela é – e isto prova-se pelo fato de que não é o vestido mais belo que cada noiva escolhe (e muitas até admitem que alguns modelos preteridos eram esteticamente superiores).

O vestido de noiva, alguns dizem, é apenas um traje refinado de festa. Pois eu digo que este vestido representa o ápice de como a noiva deseja que os outros a vejam: como mulher que entra na casa de Deus (daí todo o pudor no dia do casamento); como filha que deixa o pai para obedecer ao marido (usando pela última vez o véu branco, ela está enfeitada de uma forma como nunca havia feito antes, quando vivia na casa paterna); como esposa que se apresenta ao esposo, tendo os convidados como testemunhas (procura estar bela e digna, de modo que todos possam reconhecer nela exemplo de virtudes – e reconheçam como o marido receberá em casa uma jóia preciosa). O mais significativo, porém, é o quanto este vestido é capaz de entregar algo profundo sobre nós mesmas. É a escolha de uma vida. Nele está nossa porção de vaidade, de modéstia, de bom gosto – o que nos sobra e o que nos falta.

Todos sabem – não é preciso provar – que a tendência atual são os vestidos tomara-que-caia. É uma verdadeira odisséia encontrar um modelo que seja diferente. Pesquisei muitas revistas, sites… não estou exagerando: algumas das revistas que consultei não traziam sequer um modelo que não fosse tomara-que-caia. Alguns vestidos possuíam a parte da “saia” linda; mas não consigo compreender – para além da completa falta de modéstia – como as mulheres não se incomodam de casarem todas iguais. Sim, pois alguém poderá dizer:”e, antigamente, quando todas casavam com vestidos de mangas longas, não casavam iguais também?” O que é bastante óbvio que não, pois o que se acrescenta – no caso, mangas, golas e tipo de decote – oferece uma infinidade de combinações e diversidade; enquanto o que falta ao vestido não pode senão deixá-lo igual ao que também traz a ausência.

Gostaria de lembrar  que as católicas  entrarão na igreja para receber o sacramento do matrimônio, e comungarão. Se vivessem a modéstia realmente – vestindo-se com pudor em todos os momentos da vida – muitas não precisariam de avisos, mas aqui reside o que falei anteriormente: como este vestido revela sobre nós! Pois conheço muitas mulheres católicas que se vestiam até de maneira “normal”- mas que simplesmente chocaram as pessoas no dia do casamento, com decotes e sensualismo. Outras, que até costumavam dar bons exemplos na missa, e principalmente na recepção dos outros sacramentos (como a crisma e confissão), decepcionaram a muitos, e subiram ao altar trajadas como as celebridades, tão famosas pela imodéstia. Como se explica isso? Este vestido realmente revela algo de nós: eis tudo!

Após esta pequena ode ao vestido de noiva, e breves conselhos quanto ao que vigora na moda atual, a católica procura conselhos para as outras partes – ou seja, o tipo de véu, modelos, acessórios, etc, etc. A primeira dúvida é: onde encontrar um vestido de noiva modesto? A minha resposta: quando encontrar uma loja especializada, me avise! Terei o maior prazer de divulgar aqui! Brincadeiras à parte, não encontrei mais do que alguns modelos aceitáveis em lojas pontuais, especialmente no exterior (acredite, o preço em dólar pode até compensar, dado o absurdo do que é cobrado por aqui). Mas é claro que não queremos a exceção – escolher nosso vestido de noiva não por gosto, mas porque contém mangas! (Vestidos de noiva com mangas é o novo “vintage”… que triste.)

Por isso, aconselho vivamente – caso você não seja rica, e portanto, perfeitamente capaz de pagar 20 ou 50 mil reais num vestido – a procurar uma costureira e providenciar o seu vestido de noiva se baseando no modelo de alguma foto ou imagem. Mesmo os aluguéis são inacreditáveis – convenhamos: pagar em média 3 mil reais pelo modelo, e nem sequer levá-lo para casa é de partir o coração. Isto para permanecer na faixa “simples”, pois cheguei a ver modelos custando 15 mil o primeiro aluguel. É possível alugar por uns 700 reais (pelo menos por aqui), mas a qualidade é péssima. Não acho que o aluguel, em geral, compense – ademais, eu nutro o desejo de que todas nós possamos fazer como nossas avós, e guardar nossos vestidos em caixas enormes, para retirar de vez em quando e mostrar para a família. Com o tempo, vê-lo ficar amarelado…

Nisto reside outra consideração a ser feita: até as nossas avós, as mulheres casavam de acordo com as possibilidades reais que tinham. Não digo que não faziam grande esforço para terem por vezes cerimônias grandiosas, ou que toda a parentela não se juntasse para contribuir com os gastos, proporcionando assim algo melhor do que o casal poderia arcar. Isto é perfeitamente natural (e é também algo que se perdeu, pois dividida como está a família, mais do que nunca os noivos se vêem sozinhos para pagar tudo).  Mas o que vemos hoje foge completamente das reais condições do casal. Se a noiva não pode sequer ter seu vestido para guardar para sempre – bem, isto é um sintoma de que talvez estejamos pagando para ter uma cerimônia mais parecida com as das celebridades, e menos de acordo com a nossa vida.

Não é nem uma questão meramente financeira – pois pode-se realmente ter como pagar certos gastos – mas também harmônica. O que se vê hoje são casais morando em apartamentos apertados e casando em casas tradicionais de eventos luxuosas; moças que compram roupas na Renner usando modelos de 3 mil reais – alugado. Em geral, o casal sai devendo até o segundo ano de casamento muitas prestações dos gastos excessivos; ou junta-se o equivalente ao valor de um carro, dá-se na festa, e fica-se a andar de ônibus por mais algum tempo. Estas são as trocas que muitos casais fazem para “não decepcionar”; e fica a enorme discrepância entre a pompa com que celebraram o casamento, e a vida cotidiana. Não há dúvida de que o casamento de Grace Kelly foi fabuloso; mas ela estava entrando para a alta nobreza, enquanto a maioria de nós será rainha de um singelo lar.

Se a modéstia – como diz Santo Tomás de Aquino – prevê que cada mulher tenha o vestido de acordo com suas reais condições financeiras e posição que ocupa, então o mesmo vale para o vestido de noiva. A modéstia no dia do seu casamento não levará em conta tão somente o fato de que o modelo é recatado, mas também se ele está de acordo com o vestido de uma moça que possui tais condições financeiras. Isto é independente de quem pagará o vestido – claro, se ele for um presente, você pode ter uma despesa a menos e um vestido melhor, mas isto não significa que poderá aceitar um Givenchy ou um Valentino. De que adianta ostentar um modelo como esse e morar de aluguel?

Portanto, ao escolher seu modelo, deve ter também estas importantes questões em mente. Dadas as atuais condições do mercado para vestidos de noiva, quase todas as pessoas de classe média a classe baixa terão mais vantagem em procurar encomendar o vestido. Isto não significa que seu modelo deverá ser excessivamente simples, sem volume, sem brilho. É possível, pesquisando bem – tanto os tecidos, quanto os serviços – providenciar um vestido de noiva bastante parecido com os que são vendidos nas revistas. Nisto não há mal, pois a nobreza sempre influenciou as classes baixas nos trajes, de modo que a cópia neste sentido não é de ostentar algo que você não pode ter, mas retirar a inspiração de quem possui tanto o gosto, quanto o refinamento para tais questões – o que você dificilmente terá pelas ocupações a que se dedica. Não há motivos para repreender a jovem que busca uma renda semelhante à francesa (que me disseram ser caríssima), na verdade há méritos: ela busca, nas prateleiras das rendas de custo baixo, a que tenha algo de nobre, e que ela possa pagar.

Procurar uma costureira – sobretudo para estas questões – é difícil, nós bem o sabemos, mas não é impossível. Esta busca é necessária; se é o caminho para ter a roupa de noiva é este, não há outro remédio. Aconselho que se encomende outra roupa com ela, se ainda não testou os seus serviços. Isto poderá evitar frustrações futuras, pois há profissionais bons e ruins, como em cada área. Há também aquelas que estão bastante acostumadas com a modalidade – às vezes a gente desconhece isso, porque nunca precisou! Mas ainda há mulheres e homens que se dedicam ao ofício de fazer trajes a rigor por encomenda. O preço do serviço varia de acordo com o modelo, como é óbvio, e não podemos ignorar o fato de que mesmo sendo costureiras, o preço delas é também afetado pelo mercado. Se há uma grande indústria do casamento como há hoje, não podemos esperar que a profissional cobre R$ 100 pelo trabalho prestado, mesmo que você julgue que o modelo é fácil de fazer, e compre todo o material por fora. Se é um vestido de casamento, a costureira terá a liberdade de cobrar mais caro, o que pode girar em torno de 400 reais apenas pela mão de obra.

Costuma compensar, no entanto, pois como eu disse anteriormente, os preços dos aluguéis são realmente altos. Você pode ter um modelo do jeito que escolheu e ainda levá-lo para casa pela metade do preço que pagaria se fosse alugar. Este valor pode cair, tanto pela sua pesquisa, quanto pela adequação que terá de fazer conforme as condições que disponha. Só o fato de ficar com o vestido, é vantagem enorme. Algumas mulheres não dão valor para o próprio vestido com que casam – e dizem: “para que eu vou querer um vestido que só vou usar uma vez?“. Falta-lhes o senso de família! E aí está também o motivo dos preços serem tão elevados: as lojas de aluguel precisam investir em vários tamanhos do mesmo modelo, e compensam isso cobrando o valor de compra para quem não se interessa por tê-lo.

Há muitos modelos reunidos nestes dois álbuns, que você pode se inspirar para o seu próprio vestido: O pudor no dia do casamento e Noivas (este eu mesma fiz no Picasa). Nem todos os modelos estão 100% modestos, mas são resultado de um grande esforço para reunir opções viáveis num só lugar. Se procuramos por vestidos de noiva, ou mesmo “vestidos de noiva modestos” na internet, a busca não é muito fácil, nem satisfatória. Eu mesma, estou sempre à procura de novas imagens para acrescentar, e muitas vezes – depois de longa procura – só consigo tirar umas duas imagens aproveitáveis. Adianto algumas opções de vestidos, fazendo breves comentários:

Tradicionais

Este é a frente do vestido que iniciou o post, e é inspirado no famoso modelo de Grace Kelly – que, afinal, era belíssimo, porém não tão modesto assim, por causa da transparência que revelava um tomara-que-caia por baixo. Este corrige o fato, porque é forrado (mas reconhecemos que o modelo de Grace ainda é mais bonito e nobre). Penso que noivas altas ficariam muito bem com ele; a cintura marcada por uma faixa ajuda a afinar a silhueta, e favorece as gordinhas. Clássico e tradicional, mas em todos os modelos é preciso levar em consideração o seu próprio corpo e personalidade, bem como a cerimônia que vai oferecer. Desta forma, o vestido estará em perfeita harmonia com o restante!

O vestido da princesa Maxima é irreprensível! É relativamente simples, mas sofisticado; ela optou por um vestido todo liso, e um véu rendado. Talvez – pelo tecido – deva ser usado mais em cerimônias a noite. Eu prefiro casamentos diurnos – inclusive casarei pela manhã!

A princesa Letizia se casou com um belo vestido, só achei que o decote ficou muito baixo. A enorme cauda condiz com sua posição, e com a grandeza da ocasião!

Noivas no Campo

Bem entendido (como pontuou Emanuelle em comentário a este texto), o sacramento deve ser celebrado dentro de uma igreja – o costume da celebração ao ar livre parece herança de protestante. Dizemos “Noivas no campo”, mas bem poderíamos dizer “noivas no interior ou na roça” – isto é, noivas que casarão em ambientes mais rústicos, capelas e igrejas mais simples – e no interior é muito comum que a noiva vá se reunir com os parentes na área externa da casa.

Este vestido é todo feito em crochê. Para quem vai casar no campo, geralmente de manhã, o modelo deve ser leve e sem brilhos. Gostei muito da simplicidade dele, e é bastante original. O véu também não deve ser muito longo, para não ficar arrastando na grama; dispense também a cauda.

Acredito que casar no campo seja a opção mais viável para se usar um vestido de noiva que seja na altura das canelas. Combina com as mais jovens, e no caso, deveria ser complementando por uma meia-fina branca. As rendas sem brilho também são ótimas opções para este tipo de cerimônia!

Inspiração Vintage

Há noivas que gostam de  “vintage” e decidem casar com vestidos inspirados em décadas passadas. Para quem planeja um casamento simples, é uma excelente escolha, pois permite graça, beleza e tem um toque especial. Um modelo como esse combina igualmente para quem vai casar numa capela, ou numa igreja de pequeno porte.

Este vestido é dos anos 40 – é original, por isto está com esta cor “marfim”. O modelo dele é muito bonito; estes apliques são delicados, o que pode ser uma excelente ideia para o teu. Não tem muito volume, mas a cauda lhe deu um aspecto mais imponente.

Cobrindo a cabeça

Há muitas opções quando se trata do véu. Grace Kelly escolheu cobrir também o rosto – e fez com muito bom gosto. Algumas mulheres acabam por criar um efeito estranho quando fazem esta opção – e o resultado, longe de ser modesto, cria uma aparência por vezes assustadora. Por isso não é bom que o véu que cobre o rosto seja opaco – do tipo que não dá para ver o rosto da noiva. Se optar por este tipo de véu, seja discreta, e que o modelo do vestido não seja muito volumoso (basta lembrar o resultado da combinação com o vestido da princesa Diana).

Cobrir a testa foi uma tendência nos anos 30. Fica bonito, especialmente se a noiva usará os cabelos soltos. Há quem faça como na foto – usando uma renda grossa – ou quem acrescente apenas uma “linha fina”. Nos dois casos fica interessante e dá um toque todo especial na composição do vestido.

 

A tendência absoluta dos nosso dias é este clássico véu que não cobre tanto a cabeça, quanto o coque no qual ele está preso. Geralmente longo, ele é acompanhado por algum adereço – tiara ou coroa. As noivas mais sofisticadas tem optado por este tipo de véu.

 

O véu “ninho de passarinho” está voltando a ser bastante usado. Combina com cerimônias diurnas, e escolhendo diferentes modelos, pode ser composto com quase todos os tipos de vestidos de noiva. Eu acho muito bonito; pode ser usado também pelas madrinhas ou pelas mulheres da família.


A mantilha é clássica e lembra o véu usado por Nossa Senhora. Pode ser usada com penteados, mas eu acho que combina mais com os cabelos soltos. Não há muito segredo, é só escolher uma renda bonita e delicada para contorná-lo. Pode ser longo, mas não é bom que arraste no chão.

Mais sugestões de véus e mantilhas, acesse o álbum do picasa Noivas – Véus, Mantilhas e adereços.

Nos álbuns indicados neste post, você pode ver outros modelos de vestidos para todos os tipos de cerimônias, bem como véus, grinaldas e apliques. Há quem prefira por um enorme arranjo na cabeça; outras gostam de laços com o véu caindo. Eu pesquisei muito para ser uma noiva – embora não tanto quanto eu gostaria – e aconselho a fazerem o mesmo. É uma fase prazerosa, em que vamos observando tantas noivas, que eu sinto quase como se tivesse ido para vários casamentos!

Espero que tenham gostado desta série de posts “Essencial para o casamento”, e faço votos para que tenham servido para acrescentar da devoção que quem por aqui passa.

Fiquem com Deus!

 

Essencial para o casamento: As cerimônias

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As cerimônias do casamento! Depois de uma longa espera, eis que é chegado o momento de receber o belíssimo sacramento! O meu – como alguns devem saber – está muito próximo, por isso peço que rezem nas minhas intenções. Nesta parte, vamos tratar um pouco do que prescreve a Santa Igreja com relação às cerimônias.

Em primeiro lugar, há de se perguntar que tem o casamento civil a ver com o casamento religioso. Nada. É, aliás, bastante lamentável que algumas paróquias só se disponham a celebrar o matrimônio uma vez que os noivos tenham dado entrada na parte civil. O verdadeiro autor do casamento civil foi Lutero, que concedeu ao Estado o direito de legislar; a Revolução Francesa terminou por declarar que “o casamento é um contrato civil“. Se este é obrigatório ou não, parece não ser consenso neste país. Há uma lei que afirma que o casamento religioso (antigamente era só o católico, mas agora estenderam para as seitas!) tem fins civis – ou diríamos, os mesmos direitos perante a lei, etc. Considerando que hoje as pessoas moram por 5 anos juntas e já ganham os “direitos”, vemos as perniciosas conseqüências que trouxe esse “contrato”. Disse o Papa Leão XIII: “o casamento civil é uma instituição nefasta”.

O Estado que introduz o casamento civil obrigatório despreza a lei de Deus e considera nulo e mero concubinato o casamento religioso prescrito pelo próprio Deus. (Catecismo do padre Francisco Spirago, volume 3) Os católicos podem se submeter a esta exigência, embora nos perguntemos os motivos. Não é verdade que um fulano se junta com outra e – se tem um filho e moram juntos por 2 anos – a lei considera isso “casamento”? Que temos nós a ver com este contrato amoral? Pois muito bem, eu pedi dispensa do casamento civil ao bispo, e casarei apenas no religioso neste início de ano – pois as circunstâncias não me permitiram o perder tempo com idas a fóruns, etc. Uma vez casados, o processo é mais tranquilo: basta ir no cartório.

 

* Com isso não se quer incentivar as pessoas a não fazer o casamento civil, mesmo porque a maioria das paróquias o exige, mas apenas enfatizar que esta instituição desmerece o sacramento, além de fazer parecer que o matrimônio ordenado por Deus depende do Estado. Não aconselho a pedir dispensa quem já teve “relação estável”, união civil anterior, ou tem filhos com outra pessoa. Neste caso, o contrato civil evita as complicações que só ele é capaz de trazer! No meu caso, a dispensa foi realmente necessária, pois do contrário não poderíamos viajar, o que é urgente.

Deve-se dar a entrada nos papéis civis 90 dias antes da cerimônia na Igreja – me parece que esse é o mínimo. Quem quiser, pode resolver logo essa parte e fazer o contrato bem antes.

Antes que se realizem as cerimônias propriamente ditas, temos: esponsais, publicação dos banhos, confissão geral e eucaristia.

Esponsais: promessa mútua de casamento. É geralmente feita por ocasião do noivado, embora esteja menos em voga atualmente; não é obrigatório. Antigamente o contrato esponsalício meramente verbal surtia todos os efeitos e era tido em grande honra na Igreja. Os esponsais devem ser feitos após madura reflexão – pois se os dois estão dispostos a assinar um termo se comprometendo com o casamento, não seria bom que depois se abandonasse a promessa, simplesmente porque o fizeram sem propósito sério. A forma preceituada pela Igreja consiste em que a promessa seja feita por escrito, assinada por ambas as partes e pelo pároco ou ordinário. Não assinando o padre, duas testemunhas assinam e surte o mesmo efeito; e caso apenas um dos noivos esteja presente para assinar a promessa, menciona-se o fato no texto. (Digamos, os noivos moram em cidades distintas, um está a trabalho e deve demorar no regresso, etc.)

É bom que se fique noivo quando já se tem – ainda que não seja imediato – certas condições para que o compromisso não se arraste por demasiado tempo. Muitas vezes o casal deseja logo ficar noivo, por ver nisso grande beleza e também por certa euforia; é fato que ser “noiva” é muito mais digno que ser apenas “namorada” – coisa dos nossos tempos. O namoro católico deve, em breve, se transformar num noivado. O que preocupa, porém, são estes noivados feitos sem qualquer reflexão, por casais muito jovens, que não tem sérias perspectivas de encararem um matrimônio. O padre David Fransciquini disse que não é bom que o noivado dure mais do que 1 ano e meio – 2 anos. Claro está que não é medida absoluta, nem que é digno de condenação o casal cujo noivado tenha passado muito desta conta. É, de fato, uma medida razoável, por se reconhecer que muitos prejuízos vêm com a ameaça da longa espera. Este assunto rende, por isso deixemos para outra ocasião.

Publicação dos banhos ou proclames: Devem ser feitos na igreja paroquial – caso os noivos sejam de paróquias diferentes, publica-se nas duas. Durante três domingos ou dias santos, portanto, deve ser anunciado a intenção de casamento, e no mural da igreja deve estar afixado o documento, especificando nome, idade, profissão e domicílio dos noivos. Isso precisa existir para que se verifique se há impedimentos no matrimônio; e também para que as pessoas não fiquem escandalizadas com o fato de que um casal passa a viver junto. Portanto, se o casamento está anunciado na igreja, logo a notícia corre. E que é preciso para casar? O batistério do noivo e da noiva: certificado de batismo, que deve ser pego na Igreja em que a pessoa foi batizada. Não é a “lembrancinha” de batismo – que geralmente se recebe contendo nome da criança, pais e padrinhos -, mas um documento que deve ser pego próximo a data do casamento  – se não me engano, 6 meses é o máximo – isto é, você não pode pegar o batistério com 1 ano de antecedência. Como alguns não entregam na hora, convém solicitar pelo menos 1 mês antes.

A igreja pede também o certificado de “curso de noivos” (corra!). Só passa por isso, é claro, quem não é católico praticante, pois basta que o padre tenha te visto com certa regularidade nas missas dominicais para que se obtenha a dispensa. Se você não tem vida paroquial, basta que conheça um padre que lhe entregue uma carta de dispensa: “certifico que [noivo] e [noiva] estão preparados para contrair matrimônio, sem que para isso precisem fazer o curso de noivos, etc…”. Então, você conversa com o padre da paróquia na qual deseja casar e – com muito trato – expõe o desejo de contrair matrimônio naquela igreja, sendo que a carta será o divisor entre você – católico praticante – e os outros fulanos que só procuram a igreja porque desejam casar num local bonito. Isso costuma ser suficiente para que não haja necessidade de padecer no tal curso.

Claro que você pode participar de uma paróquia tradicional, onde não há quaisquer problemas deste tipo, mas a maioria de nós precisa saber que caminho tomar nestas circunstâncias. Se possível – como eu fiz – fuja das secretárias da paróquia e fale diretamente com o padre. Elas são extremamente burocráticas, dizem que a Igreja está cheia pelos próximos 10 meses – no mínimo – e querem que você pague todas as taxas! O preço para casar na igreja varia muito – em Salvador me disseram que casar na Conceição da Praia custa… 30 mil reais! – mas costuma ser entre 200 e 600 reais, ao menos por aqui. Claro, as igrejas históricas são mais caras, mas são lindas, por mais simples que sejam! São caras, mas é possível não pagar qualquer taxa quando se é católico praticante – novamente, peça uma carta de recomendação do padre que te acompanha e fale diretamente com o padre da paróquia que deseja casar. Você pode, com toda certeza, desejar ajudar a igreja por ocasião do casamento, mas às vezes o casal se vê com muitas despesas e não pode pagar.

Estas taxas são geralmente cobradas porque de fato muitas pessoas resolvem casar na Igreja somente pelo “local”, e não pela religião – daí é justo que ajudem, pelo menos, a manter a Igreja, já que desejam usá-la. Terminada esta parte, creio que está tudo certo na ala mais “burocrática”. Lembrando que, independente da igreja que decidam casar, os noivos precisam dar entrada na própria paróquia. (A sua paróquia, no caso, é a do local onde mora, e não a que escolheu para frequentar)

A confissão geral e a eucaristia: a Igreja deseja que estes dois sacramentos sejam recebidos por ocasião do matrimônio; a confissão em si é que é recomendada, mas se tira muito proveito fazendo confissões gerais em ocasiões como essas (como a crisma, por exemplo). Ao menos 3 dias antes das cerimônias, os noivos devem confessar e comungar (Conc. de Trento). A confissão geral – para os que desconhecem – funciona da seguinte maneira: faz-se um profundo exame de consciência de todos os pecados cometidos durante a vida – os pecados mortais, em primeiro lugar – mesmo os já confessados. A confissão geral é útil, dá-nos um conhecimento mais exato de nós mesmos, aumenta a humildade e a paz de alma, e obtém-nos de Deus numerosas graças (Catecismo do pe  Francisco Spirago, volume 3). Pode ser a confissão geral de toda a vida ou pode ser uma desde a última confissão geral.

Toda confissão – sempre que possível – deve indicar o número de vezes em que se cometeu determinado pecado. Se você fará uma confissão geral, deve dizer o número assim mesmo – ainda que seja apenas uma vaga idéia. Por exemplo: “eu roubei tantas vezes e com tais agravantes.” Daí, como de costume, se considera no que consiste o mandamento “não roubarás” (fraude, furto, cobrar taxas absurdas ou preço elevado por mercadoria, deixar de pagar dívidas propositalmente, etc), e os agravantes (roubei de pessoas incapazes? da família? da santa igreja? que quantia? etc…). Anota-se tudo num papel, para não esquecer nada.

A Santa Eucaristia recebemos, se possível, todos os dias, como recomendou São Pio X. Como não receber Nosso Senhor no dia em que recebemos o sacramento do matrimônio? Entretanto, há alguns noivos apreensivos, porque se convertem faltando tão pouco tempo para a data, e se entristecem por não poder comungar neste dia! A maioria de nós – pelo menos – foi batizado, mas a primeira comunhão… não têm. Então, eu recomendo vivamente que se fale com o pároco a respeito, ou com um padre que se tenha proximidade, pois é possível fazer a primeira comunhão antes da cerimônia – ainda que faltem apenas 1 ou 2 meses, sem que se precise passar pela catequese convencional.

Festa de casamento?

Motivo de alegria ou preocupação? Lembrança para ficar eternamente na memória, ou ocasião para ser esquecida? Eis as dúvidas. Algumas pessoas me perguntaram a respeito da festa de casamento – qual a conveniência disso, e tudo o mais.

Ora, Nosso Senhor esteve nas Bodas de Caná, e lá acontecia uma alegre festa, onde veio a faltar o vinho. Eis quando Jesus Cristo começou a vida pública por Sua Santa Mãe! Bem, então a festa de casamento é perfeitamente agradável, é bíblica – certo?

Vamos com calma. De fato, a festa de casamento em si pode ser uma alegre comemoração, igualmente abençoada. A princípio é algo bom. Na prática – especialmente hoje em dia – quanta diferença! Por isso, há de se ver o que os noivos entendem por “festa de casamento”, para que não acabem por participar de uma festa completamente inadequada logo após a recepção do sacramento – e muitos são os esposos que se esquecem disso: recebem um sacramento e depois vão se esbaldar numa comemoração irreverente.

Há quem não se importe em ter uma festa onde muitos passam da conta na bebida, as mulheres vão muito imodestas, os homens a certa altura tiram as gravatas, as danças são sensuais, alguém dá escândalo, boa parte sai falando mal – bem, e aí está o quadro da maior parte das festas de casamento. Infelizmente, é quase inevitável. Devido a falta de trato e de bons costumes da maioria das pessoas, é bem difícil que sua festa não termine por ter o mesmo fim. E o que se faz numa ocasião em que todo mundo começa a dançar, a fazer piadas, a pendurar as gravatas na cabeça? Fica-se emburrado, num canto? Ou a gente acaba rindo, sem graça, das piadas de um fulano?

Bem, creio que uma festa assim não é agradável a Deus. É preciso reconhecer que as pessoas hoje não tem religião – muitas vezes nem a nossa família! – e o que elas esperam numa ocasião dessas é beber, dançar e deixar “tudo bem animado” – leia-se perturbar a ordem. Nossa própria conversão é, muitas vezes, motivo de incógnita para as pessoas, que esperam que a gente simplesmente passe a ir à missa aos domingos, tendo a “nossa fé”. Quando se trata de mudar hábitos, conceitos, costumes, escolhas, comportamento… então já não conseguem compreender a “onda de moralismo” que se abateu sobre nós.

Uma bela festa de casamento seria aquela em que as pessoas reconheceriam as grandes bençãos que Deus derramou sobre o casal. Pede-se, em verdade, o mínimo: boa educação, saber portar-se em público, distinção, comedimento, modéstia, respeito. Compare-se isso com sua lista de convidados: que me diz? Acho que a maioria sente que vai investir dinheiro (e muito!) numa festa em que se acabará torcendo para chegar logo o fim. Aconteceu com muitas pessoas que conheço; e a medida que vamos crescendo espiritualmente, vamos compreendendo o quão distante do meramente aceitável está este comportamento mundano que costumam ter as pessoas em geral nas festas.

Ah, mas alguns hão de exclamar: que politicamente correto! – e aumentam a lista dizendo, com um orgulho quase doentio, que não se abstém das coisas do mundo. Quantas coisas são cometidas em nome desse politicamente incorreto, não? Alguns, realmente, trocam os pés pelas mãos. De repente, todo o liberalismo se apresenta como uma forma de “combater” um inimigo invisível – o tal “exagero protestante”. Estas pessoas têm mais medo de meia dúzia de exageros do que da enxurrada de pecados; e, por fim, têm a mesma festa que o casal que procurou a igreja somente para casar, com diferenças imperceptíveis.

Que faria a jovem moça ou o rapaz católico se recebesse a primeira eucaristia hoje? Ou a Crisma? Quem convidariam e quantos fariam questão de presenciar este momento? Nem os mais chegados… e com que constrangimento concluímos que nossa lista de convidados despreza a religião que temos! Este mundo pagão – com pérfidas intenções – macaqueou o sacramento do matrimônio;  transformou-0 numa grande indústria que pretende obrigar as pessoas a desembolsar entre 15 e 20 mil reais para receber as bençãos de Deus! Para mim permanece um mistério porque tantas pessoas fazem questão de ir à casamentos… vamos receber um sacramento da igreja católica- o que, para parte considerável das pessoas, não tem qualquer importância.

Nosso Senhor esteve nas bodas de Caná – e ele estará nas suas bodas igualmente, depois de abençoar o casamento, e também pelo sacramento da eucaristia. Colocou-se tal questão? Não está Nosso Senhor vivo, de corpo, alma, sangue e divindade na sagrada hóstia? Estará a sua festa adequada para tal hóspede? E quanto aos santos? E se lhe fosse possível convidar algumas pessoas virtuosas, como uma Santa Maria Goretti, ou os pais de Santa Teresinha? Como faria o planejamento da ocasião?

Não nos enganemos e – como diz a Sagrada Escritura – não nos conformemos com o espírito deste mundo. Sei que a maioria – muitas vezes por convenção ou por receio de não corresponder às expectativas – gostaria de oferecer uma festa para os convidados, mas eu aconselho a repensar seriamente na possibilidade. Pergunte-se, sinceramente, o que espera deste dia – o dia do seu casamento – e com que espírito pretende receber o sacramento, e como passará o período de ação de graças.

Uma alternativa é – ao invés da festa onde se aluga espaço, etc – realizar uma reunião íntima com a família dos noivos em casa. Pode-se fazer isso no dia seguinte, por exemplo, com um almoço em família.

Espero que estas palavras possam servir de ajuda para o seu casamento! Na próxima parte falaremos do vestido de noiva.

Salve Maria

Em Breve

Essencial para o casamento: o vestido de noiva

 

 

 

Essencial para o casamento: A educação cristã dos filhos

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Muitos pais parecem dispostos a ensinar sobre um Deus que nos ama verdadeiramente – mas poucos têm a mesma disposição que Tobias teve ao ensinar seu filho o quanto deveria evitar o pecado (Tob. I, 10). Ninguém pode pretender educar cristãmente se não está empenhado em fazer com que os filhos cumpram os mandamentos; não se pode ensinar a travar esta batalha decisiva se não se está igualmente na guerra! Eis, portanto, o assunto de nossa terceira parte: fazer dos filhos dignos soldados para Cristo.

A mãe católica ensina sua filha a juntar as mãos em oração para que fale com o querido “Papai do Céu” e lhe agradeça todos os favores daquele dia. Que glória seria se igualmente esta mãe se mantivesse vigilante quando a filha se tornasse uma moça, ensinando-lhe com o mesmo esmero a preservar sua castidade. No entanto, quando a guerra realmente começa, os pais católicos de nossos dias se recusam a entregar as armas aos filhos, e os mandam para a arena onde serão facilmente arrastados para o lado inimigo. “Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos”, disse Jesus, mas Ele enviou igualmente Seu Espírito. “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, pois Tu estás comigo” (Salmo 23) É, pois, inevitável que se mande os filhos para a selva: fazei deles leões confiantes, pois ainda que morram, viverão (ou seja, aquele que tem a vida da graça, morre e vive eternamente, no Céu).

Que devem os pais ensinar aos filhos? Devem ensinar o Evangelho, que contém a boa nova anunciada pelo próprio Deus. Ensina-se o Evangelho e no mesmo lance ensinam-se todos os mandamentos: é um fato dado. Mas, como convém a pais que desejam ver os filhos atravessarem a porta estreita, ensinem as verdades suaves do Evangelho e também as verdades austeras.

Que significa isso? O professor Plínio Correa de Oliveira, quando escrevia a introdução da obra “Em defesa da Ação Católica”, escreveu: “Na doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, apraz a muitos espíritos ver apenas as verdades doces, suaves e consoladoras. Pelo contrário, as advertências austeras, as atitudes enérgicas, os gestos por vezes terríveis que Nosso Senhor teve em sua vida costumam ser passados sob silêncio. Muitas almas se escandalizariam – é este o termo – se contemplassem Nosso Senhor a empunhar o azorrague para expulsar do Templo os vendilhões, a amaldiçoar Jerusalém deicida, a encher de recriminações Corozalim e Bethsaida, a estigmatizar em frases candentes de indignação a conduta e a vida dos fariseus.”

Que lhe parece? Ora, os pais ensinam e discorrem sobre o amor de Deus e o amor ao próximo – mas como negligenciam a justiça de Deus, correm o risco de tampouco ensinar o verdadeiro amor de Cristo: “Quem Me ama, cumpre os mandamentos”. Não se pode, pois, pretender viver como cristão com base num perigoso unilateralismo, isto é, ensinar apenas que Deus nos ama, como se Ele igualmente não se importasse com nossa conduta. “A fé sem obras é morta”, diz São Tiago, e ademais Deus estabeleceu Dez Mandamentos e não Dez Recomendações. Obedecemos não apenas para vivermos melhor – pois de fato, se o cristão tem alguma felicidade nesta vida é a de cumprir a vontade de Deus – mas principalmente para amar a Deus como se deve.

Como se há de ensinar os mandamentos de forma eficaz? Os pais devem ser o exemplo, pois “as palavras comovem enquanto os exemplos arrastam”. As ações têm uma linguagem própria, mais eloqüente do que a dos lábios (São Cipriano) e as obras dos pais são os livros em que os filhos se instruem (São Crisóstomo). Ora, vejamos como isso pode ser feito de forma prática:

Vamos supor que a mãe esteja ensinando sua filha a se vestir com modéstia. Ela conversa com a filha, lhe diz que a autêntica cristã deve se vestir com pudor, resguardar sua pureza, que não pode chamar atenção demasiada para si mesma, que tem a obrigação de ser uma moça decente, etc. etc. A filha se vestirá de que forma? Da forma como a mãe se vestir, é óbvio. Pois não terá outra maneira da menina interpretar aquelas palavras, a não ser julgando que a mãe cumpre o que ensina – esteja a mãe bem vestida ou pouco vestida. Portanto, o grande problema de nossos dias não é tanto o que se diz acreditar, quanto o que se costuma fazer. O brasileiro é, em geral, temente a Deus, devoto de Nossa Senhora, um católico! Que costumam fazer esses mesmos tais? Vivem amasiados, trapaceiam, têm vários companheiros durante a vida, vestem-se conforme as piores modas,dançam imoralidades, enfim… no final, não cumprem sequer um dos dez mandamentos!

Disse Santo Ambrósio a uma mãe: “Vigiai cuidadosamente para que o teu filho não veja em ti nem em seu pai o que seria pecado se ele o cometesse.” Assim agem as crianças: consideram como permitido tudo o que vêem fazer em sua casa; daí depreende-se a importância que a família deve ter no trato e nas regras do lar. O caráter das crianças é como um espelho que reflete tudo o que as rodeia (Padre Francisco Spirago); podemos até dizer o mesmo das pessoas em geral. Enquanto crianças, são os filhos como um campo que os pais preparam com tais e tais cuidados; crescem e é a hora de dar os frutos: bons ou maus.

São Gregório Magno, Papa, diz que os pais devem aliar severidade e amor na hora de educar os filhos: severidade demasiada é erro. Aquele que poupa a vara, odeia o filho (Provérbios, 13), mas o martelo não serve para bater continuamente nas jóias, mas apenas para lhes dar uma bela forma, apertando levemente o metal ou fazendo-lhe uma ligeira dobra (Santo Anselmo). Portanto, os pais hão de aprender a maneira correta de bater nos filhos, isto é, não apenas quando bater, mas como bater. Uma família amiga minha consultou um médico para saber que áreas atingir e ele lhe respondeu que a melhor maneira de castigar fisicamente os filhos é da seguinte forma: em primeiro lugar, deve-se dar um sermão sucinto de porque aquela criança irá apanhar daquela vez. Os pais não podem jamais perder a calma neste momento, como se a surra fosse o resultado de uma catarse , pois a verdade é que muitos fazem isto e acabam por ferir a criança, ou mesmo causar sérios acidentes. Depois, pede-se para que a criança ajoelhe e bate-se sobretudo nas coxas, que é área de pouco risco (dos joelhos para baixo não é bom; além do mais, o fato da criança estar ajoelhada protege ela mesma: muitas correm, fogem e colocam outros membros para se proteger, o que pode fazer com que os pais – sem querer – errem o alvo). A intensidade das cintadas ou chineladas deve ser rigorosamente a mesma, para mostrar que os pais estão no controle da situação: nem o primeiro golpe será o mais forte como se os pais estivessem aliviando a raiva que tiveram da situação – nem o último golpe será relaxado, como se o choro da criança pudesse interferir na correção. Este tipo de castigo, obviamente, se destina às faltas graves, sobretudo as morais e as grandes desobediências (revolta, ofensa contra os pais). Os pais devem escolher uma intensidade conveniente para tais ocasiões, pois se escolhem bater leve, retiram o cunho pedagógico do castigo, de modo que a criança pode considerar pouca coisa apanhar.

Dito isto, convém explicar, com Santo Anselmo: “os pais que incessantemente repreendem os filhos, obram com tanta inexperiência como um jardineiro que fecha por todos os lados uma árvore, impedindo-a de desenvolver os ramos “. Não é correto, portanto, aplicar os castigos físicos por qualquer coisa à toa; nem perseguir os passos da criança para, à mínima falta, dar-lhe sermões. Os valores não podem ser ensinados somente por ocasião das faltas – os sermões não precisam ser tanto remédios como prevenções. Daí a importância de uma boa literatura (como os contos de Grimm, que trazem lição de moral, ou o Livro das Virtudes) além do catecismo: por historinhas se explica aos filhos o porque de não se ter determinadas condutas.

São Crisóstomo disse que os pais que desprezam a educação dos filhos são piores do que assassinos: estes matam o corpo, os pais a alma. Atualmente – quando há preocupação em legar alguma coisa aos filhos – os bens materiais são o único objetivo dos pais. Agindo assim, parecem loucos que erguem uma mansão para um defunto… é bastante lamentável o ponto em que chegamos, mas os pais só podem oferecer aquilo que possuem, e a maioria não sabe para que lado se caminha quando se quer atingir a verdadeira paz, que é Nosso Senhor.   Muitas vezes Deus castiga severamente na terra os pais que têm educado mal os filhos, e em geral os próprios filhos são instrumentos deste castigo (Catecismo do Pe. Francisco Spirago). O rei David não punia as faltas de seu filho Absalão, por conta do amor demasiado: pois este filho se revoltou contra ele. Os pais que educam mal os filhos não têm a esperar coisa alguma boa depois da morte; serão tratados como ímpios (ver a primeira carta de Timóteo, capítulo 5). Com tantos avisos, há pais e mães que vivem como querem e  deixam o mundo tomar conta de suas crianças – quando lhe perguntam se falam de Deus, os pais respondem com orgulho “mas é claro!“, e corre-se até mesmo o risco de ofender tão devotas pessoas. Olhemos de perto a situação familiar: Deus está ali presente em doses homeopáticas; como um conta-gotas colhendo no oceano pequenas máximas (um pai-nosso aqui, uma missa de ano em ano).

Nada pode dar mais alegria à mãe ou o pai do que ver o filho crescer em graça, honestidade e temor de Deus! Quais as principais queixas das pessoas que se convertem depois de adultas? Conflito com os pais. Como estes não ensinaram aquilo que tinham a obrigação (e isto está inscrito nas almas, é impossível não saber), há uma resistência muito grande em aceitar que os filhos agora queiram viver sob o jugo de outra moral – a moral por excelência, que cobra e exige de todos: Jesus Cristo. Que isso não aconteça contigo e com teus filhos: não inverta a ordem natural das coisas, e dê uma educação verdadeiramente católica, onde Nosso Senhor e Sua Santa Mãe estejam sempre presentes.

 

Próxima Parte:

Essencial para o casamento: as cerimônias


Essencial para o casamento: os deveres dos esposos

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*Lembremos que o matrimônio é uma instituição divina: Jesus Cristo o santificou já por ocasião de sua presença nas bodas de Cana, quando começou a pregar sua doutrina.Aqueles que se casam devem cumprir com suas obrigações, e os que se esquivam ou desempenham mal seus deveres serão duramente cobrados. Com as graças do sacramento vêm os deveres – e é deles que haveremos de falar nesta segunda parte.

A mulher deve respeitar e obedecer seu marido, porque este é, na família, o representante de Deus. O Apóstolo, na primeira carta aos Coríntios, descreve com precisão a superioridade do marido: o homem foi criado primeiro e a mulher foi-lhe dada como companheira. Se dizemos que o homem é a cabeça da família, dizemos igualmente que a mulher é como que o “corpo”.

É o corpo que obedece a cabeça, e não o contrário; mas seria absurdo pensar no homem que ousaria fazer mal a seus membros: destruiria a si mesmo. Ademais, a mulher foi criada da costela do homem: não foi nem da cabeça (para que não mandasse nele) e nem dos pés (para que não fosse sua escrava). A costela fica perto do coração, e isto prova que homem e mulher têm igual dignidade perante Deus: é o coração o símbolo da vida, e homem e mulher formam uma só carne porque ela lhe completa o que lhe foi retirado.

Obedecer ao marido é dever da esposa. Santa Rita de Cássia foi a testemunha escolhida por Deus para que não restasse dúvidas a que grau de perfeição isto pode ser elevado. Como a Igreja é Mãe, deixa-nos a perfeição para indicar que a eternidade acolheu a mulher por isto – de maneira que o Céu não pode acolher ontem o que será revogado amanhã: para Deus não há passado ou futuro, mas um único presente. Mas a Mãe também olha para o fato de que nem todas podem ter a virtude de Santa Rita – e por isto permite que a mulher que sofre maus tratos possa separar-se do marido: tal separação é apenas física. O laço continua indissolúvel, e nenhum dos cônjuges pode ter qualquer relacionamento enquanto o outro estiver vivo; ademais a separação física, na medida do possível, deve tender sempre ao perdão e à reconciliação. A mulher, devido a natureza fraca, tem o direito de ser tratada respeitosamente (I Pedro, III, 7)

A compreensão da santa submissão da mulher ao marido é, antes de tudo, a compreensão da vontade divina e do pecado original. Foi apenas depois da queda que Deus mandou que a mulher obedecesse ao marido (Gen III, 16). Para que a submissão seja santa, homem e mulher precisam cumprir com suas obrigações. Por um lado, a mulher que se revolta com este estado torna-se uma insurrecta, que mais se preocupa com o que a modernidade toma por “submissão” do que com as indicações da Igreja. Por outro, o homem que usa seu direito de mando para maltratar a esposa, faz mal a si mesmo e não a ela.

Ora, se a família é devota, temente a Deus, cumpre os mandamentos – então amará a ordem estabelecida por Deus. O homem, por seu lado, deve dirigir sua família e ser o protetor dos membros fracos (isto é, a esposa e os filhos). Lembremos das virtudes de São José, exaltadas na ladainha em sua honra: é ele o protetor da Virgem – e embora, por certo, toda a corte celeste pudesse vir em defesa de Maria, foi a este casto homem que Deus entregou a responsabilidade de proteger a Mãe de Deus. E Deus o fez porque sua ordem é perfeitíssima: o que serve para o mais ordinários dos homens, serviu para a mais extraordinária das mulheres, Maria Santíssima!

Estando claro que é o homem que dirige a família – e não a mulher – dizemos, no entanto, que o matrimônio é uma instituição que tem na mulher o coração de sua existência (comparemos, etimologicamente, as palavras matrimônio e patrimônio: a primeira denota que a mulher prevalece, a segunda, o homem). A mulher é o Sol da família: sem ela, os membros ficam entregues à própria sorte, e são como cegos que guiam a si mesmos. É bem verdade que é possível aprender a orientar-se quando falta a visão, mas a luz continua faltando aos olhos. Da mesma forma acontece com o lar do qual a mãe está ausente; e atualmente há muitas mães que, infelizmente, escolhem se ausentar.

A mulher deve cuidar do lar, assegurando que tudo esteja na mais perfeita ordem; deve ela ser a responsável por oferecer aos membros da família um ambiente digno. É o marido que traz o sustento financeiro – mas isto de nada adiantaria se a mulher não aplicar seus esforços para transformar o orçamento num lar. Quantas e quantas casas estão entregues à desordem porque a esposa não é sua sentinela? Vê-se casas com computadores, grandes televisores, etc. – mas emergidos em sujeira, faltando itens de necessidade básica! Ser dona-de-casa é muito mais do que limpar os móveis, lavar os pratos… estas pequenas coisas, na maioria das vezes divididas com os filhos a medida em que estes crescem, podem ser também co-realizadas por uma empregada doméstica, por exemplo – mas isto em nada subtrai a função de dona-de-casa da esposa que deve ser a rainha do seu lar. A sua presença é insubstituível, e o ambiente em que crescem os filhos ajuda a moldar o caráter.

O marido, por sua vez, tem a obrigação de chefiar a sua família e trazer o sustento para os seus membros. São José, humilde carpinteiro, sustentou uma Rainha e um Rei. Eis a prova de que Deus não deixará de amparar o homem na nobre tarefa de cuidar dos seus: esteve Ele próprio dependendo do pão de cada dia que o casto esposo da Virgem trazia diariamente de suas fadigas. Tendo o casal muitos ou poucos filhos, deverão adequar o estilo de vida à realidade financeira. É certo que o casal que só tem 1 ou 2 filhos pode oferecer certos luxos para as crianças: coisas desnecessárias, que mais deseducam que contribuem para a boa formação do indivíduo. Mais do que garantir um grande número de coisas supérfluas, vale ensinar a criança a dividir o pouco que tem com os irmãos! O homem tem a obrigação de trabalhar honestamente para garantir o sustento da família; de que maneira este sustento poderá ser organizado, depende dos esforços dos pais e do número de filhos que vierem.

Com isto esperamos esclarecer aos esposos que não tomem para si qualquer realidade pré-moldada de uma classe média consumista e atéia. Não devem os noivos casar já sonhando em ter tais e tais bens; tomando para os seus um alto padrão de vida; pensando nos mais tradicionais e caros colégios que a cidade oferece; nas viagens ao exterior que farão nas bodas vindouras. Se Deus mandar muitos filhos, há de se adequar a nova realidade, tendo aquilo que a condição permitir.

O marido – dissemos na parte anterior – ama a esposa com um amor santo. Não pode, portanto, amá-la de tal modo que caia na idolatria – isto é, como muitas vezes apregoa o mundo nestes relacionamentos desvairados. Há muitos esposos que gostam de exibir a mulher como troféu de caça, tendo fixação por sua aparência física, criando nela soberba e construindo o amor em cima de terreno arenoso. Isto, mais cedo ou mais tarde, há de se voltar contra ambos: nenhuma mulher pode ser submetida à pressão de ter um marido que tem prazer por exibi-la aos outros sem criar no íntimo uma vaidade doentia, que acaba por revelar suas mais terríveis facetas quando a idade avança. Não é desta forma que os esposos devem se relacionar, embora para nós o esposo ou a esposa de fato pareçam doces criaturas! Admira-se a beleza, mas sobretudo as virtudes espirituais, que é o verdadeiro ornamento dos cristãos.

O amor do marido para a sua esposa – diz São Paulo – deve ser como Cristo amou a Igreja. Que fez Nosso Senhor? Morreu por nós, foi espancado, cuspido, humilhado e crucificado. Que suportou? Todos os sofrimentos – a despeito de nossos pecados – para nos salvar. Da mesma forma, o marido ama a esposa: luta, sofre, se arrisca e está disposto a morrer por ela. Saber que teu marido – ó esposa! – a ama de tal forma não faz com que o ame igualmente? Afinal, a Igreja ama Jesus Cristo, é seu Corpo Místico. Então, maridos: escolher uma esposa para o matrimônio é ser-lhe amável; é eterno.

A obrigação de ser o chefe de família, atualmente, é coisa muito árdua. Os moços são geralmente educados na moleza, na dependência, na irreverência. Pode ser mais difícil para o homem de nossos dias chefiar do que a mulher obedecer. É preciso sabedoria e dedicação para ser o guarda fiel da família: o homem deve ter grande amor à religião para compreender o seu papel e mandar com benevolência e firmeza; da sua fidelidade à esposa e aos filhos pode depender não apenas a sua salvação, mas a de todos. Esta fidelidade não é apenas conjugal, mas de princípios: o homem deve ter um caráter sólido, o que não é possível tê-lo sem a vida da graça; que lástima é para a família cujo chefe tem certeza de pouca coisa e não se preocupa em ser coerente com suas decisões. Tais são os casos dos pais de família que mandam umas coisas para os filhos e depois desmandam; respondem às dúvidas das crianças sem qualquer interesse na matéria; relegam à mulher as decisões que lhe cabem em primeiro lugar. A esposa pode e de fato é a responsável por muitas das escolhas da família, mas estas escolhas precisarão ter o aval e o sim categórico do esposo – caso contrário, não podem se realizar.

A obrigação de educar cristãmente

Se os filhos são criaturas de Deus destinadas a mais alta felicidade no Céu, os pais – rigorosamente falando – não são mais do que servos; deverão regular-se pela vontade divina na educação dos filhos. (Catecismo do padre Francisco Spirago, volume 3) Os pais devem ter bem clara a obrigação de ensinar o catecismo, as orações, o temor e o amor de Deus, etc.

Os cuidados dispensados aos filhos são: evitar que a saúde dos mesmos seja prejudicada; alimentá-los e assegurar-lhes o futuro. O futuro dos filhos é principalmente a pátria celeste, onde deverão passar a eternidade com Deus. Em segundo plano está a garantia de um patrimônio – ao menos um lar onde repousar a cabeça, o trabalho e o estudo. “Não são os filhos que devem entesourar os pais, mas os pais para os filhos” (II Cor. XII, 14). Os pais precisam observar se os filhos caem em qualquer espécie de excesso, isto é, se tem inclinação para vícios, manias, egoísmos, etc. Quanto à alimentação, deve estar dentro da dignidade, o que parecerá óbvio (mas quantas mães deixam os filhos comerem porcarias, e desnutridos, embora até gordos!).

Os pais também têm a obrigação de rezar pelos filhos. “Os pais devem falar muitas vezes de Deus para os filhos, e a Deus dos filhos.” (São Francisco de Sales). Quanto a certas regras básicas da educação católica, eis algumas importantes:

– Devem batizar logo após o nascimento: o mais cedo possível, até mesmo no dia em que a criança vem ao mundo. Evita-se assim que, vindo uma desgraça, a criança morra sem poder entrar na pátria celeste. A criança que é logo batizada recebe o Espírito Santo, e não há razões para os pais adiarem este encontro por tantos dias!

– Devem instruí-los na doutrina católica: desde o primeiro “papai e mamãe do Céu” até o catecismo básico (quem é Deus, para que nos criou, para onde vamos depois da morte, como seremos julgados, o que devemos fazer para cumprir os mandamentos, etc.). Devem ensiná-los a rezar o terço, confessar, prepará-los de modo conveniente para a comunhão – e dedicar especial atenção para fazê-los entender a vontade de Deus, sobretudo em época terrível como a nossa, que nega a existência do Criador e procura destruir a Santa Igreja.

Leia mais sobre a educação cristã dos filhos na terceira parte: Essencial para o casamento: educação cristã dos filhos

Essencial para o casamento: O Sacramento

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Eis porque preparei esta série de textos “Essencial para o casamento”: tal como a criança deve conhecer o catecismo básico para receber a comunhão, da mesma forma os noivos precisam de um catecismo básico acerca do matrimônio. Quando as famílias eram a doutrina viva sobre este sacramento, muito se lucrava com as lições cotidianas da vida conjugal – mas atualmente o número de exemplos a nosso desfavor é elevado. O sacramento nos confere graças, e por isso convém estar bem preparado para tal. Uma criança que se preparasse para a primeira comunhão sem saber que receberia Jesus Cristo se assemelha aos noivos que se casam sem saber que recebem uma cruz.

Visão geral 

Com razão disse Santo Agostinho: “O que o alimento é para cada um de nós, o matrimônio é para todo o gênero humano”, e isto porque a principal finalidade do matrimônio é a educação conveniente dos filhos. Ora, poderia haver boa educação se não houvesse igualmente um laço indissolúvel entre o homem e a mulher? Como haveria de se educar a criança cujos pais vivessem o amor livre? Para constatar, basta olhar para a sociedade atual, posto que o amor livre nada mais é que a sucessão de relacionamentos desfeitos, os inúmeros parceiros durante umas poucas décadas de vida.

Prestemos igualmente atenção ao fato de que a educação dos filhos é a finalidade principal do matrimônio (1). E o que é educar? Educar é conduzir os filhos a Jesus Cristo (S. Carlos Borromeu), uma vez que eles são dons de Deus. Comecei a dividir com vocês o que venho aprendendo sobre a educação dos filhos, mas convém acrescentar alguns pontos (embora anteveja falar-lhes sobre o assunto ainda muitas vezes). Deixemos que os santos e papas nos introduzam o assunto, pois a severidade deles impõe-nos abandonar as más disposições.

O papa Bento XIV afirmou que os pais que não ensinam aos filhos os princípios da religião expõem-se a condenar-se eternamente; e com maior rigor Santo Afonso de Ligório acusou de pecado mortal os pais que, sem razão grave, adiam o batismo dos filhos por mais de 10 dias. Os pais são apóstolos dos filhos, e os bons exemplos ensinam melhor que os discursos. Por isso, São Francisco de Assis saiu para pregar o evangelho sem proferir uma palavra, mas apenas caminhou pela cidade por algumas horas: tal é o poder de nossas ações. Isto se chama apostolado de presença – e erram os pais que, modernamente, encontram muita facilidade em entregar a outrem a educação de sua prole. Disse o apóstolo São João que a educação dos filhos pode ser causa de maior tristeza ou maior alegria, conforme os filhos tenham sido bem ou mal educados (II S. João, 3, 4).

A educação dos filhos pertence principalmente à mãe, uma vez que ela passa a maior parte do tempo com eles. O pai e a mãe complementam um ao outro, e a felicidade eterna – isto é, o Céu – dos filhos depende também da educação dos pais. Por isso Timóteo (I Tim, V,8) disse que “se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua casa, renegou a fé e é pior do que um infiel”. Em contrapartida, se os pais educam bem suas crianças poderão comparecer diante de Deus e repetir com São João (XVII, 12): “Guardei os que me deste e nenhum deles se perdeu”.

Mas vejamos quais as outras finalidades do santo matrimônio: o amparo mútuo dos esposos e evitar os pecados de que fala o Apóstolo na primeira Carta aos Coríntios. Discorramos, pois, o mínimo que seja sobre o primeiro destes: com amparo mútuo se quer dizer que os esposos ajudarão e amarão um ao outro para o resto de suas vidas. O casamento foi feito indissolúvel já na ocasião em que Deus criou Adão e Eva, e Jesus Cristo, sendo Deus, instituiu-o como sacramento (2). Com que tristeza vemos as pessoas dispensarem a mútua ajuda. Assim como o sacramento do batismo permanece nos apóstatas, da mesma forma o matrimônio permanece naqueles que se divorciam e se “casam” com outros. Poderíamos fazer uníssono com o Credo: “Creio num só batismo para a remissão dos pecados e num só matrimônio perante o Altíssimo”.

Admitir que o homem poderia separar-se de sua legítima esposa seria tal absurdo como afirmar que Jesus Cristo poderia separar-se de sua Igreja: há uma só Igreja que é a esposa de Cristo, e há para cada homem, uma mulher. Não pode haver religião que ame mais as mulheres que a católica, posto que nas outras ela não é senão uma escrava. As muçulmanas sequer entram no “paraíso” pregado pelo Islã; e quase a totalidade das seitas cristãs aceita o divórcio e outros casamentos. Jesus é o chefe da Igreja Católica, e cada homem o chefe de sua família.

O marido tem o direito de mandar na sua esposa, mas deve faze-lo com bondade, doçura e indulgência, lembrando-se de que a esposa é de condição igual a dele (Catecismo do Pe. Francisco Spirago, vol. III).  A esposa, por sua vez, deve auxiliar seu marido, esforçando-se para tornar sua vida agradável. O lar doméstico deve ser tão aquecido que em tudo facilite a virtude do homem, sobretudo em épocas tão escandalosas como a nossa, em que as desgraças vendem-se em cada esquina. Como Cristo ama a Igreja, o marido deve amar a mulher – esta o ama pela mesma razão. É portanto santo o amor entre os esposos, o que lhes confere o dom de sofrer com paciência as contrariedades do casamento. Nenhum matrimônio pode durar se não houver as graças de Deus – eis porque temos tantos divórcios! Santo Agostinho disse que o matrimônio é um laço de ferro e São Francisco de Sales que “deve a alma separar-se primeiro do corpo que o marido de sua companheira”.

Com relação a evitar os pecados de que nos fala São Paulo, disse São Bernardo: “quem condena o matrimônio solta as rédeas à luxúria”. Os homens que demoram tempo demasiado em casar facilmente tornam-se escravos do pecado. As mulheres, por sua vez, embora em geral menos propensa a esta espécie de problemas, podem cair em depressão se não vem logo o noivo. Implorai do Céu que venha o noivo ou a noiva, pois aquilo que pedimos a Deus por amor à vocação é certamente atendido.

Que dizer das graças do matrimônio? O sacramento aumenta a graça santificante, e ganha-se igualmente o que é necessário para suportar as intempéries dos longos anos de convivência – sem que isto signifique falta de sofrimento. Ao contrário: recebe-se as graças para guardar a mútua fidelidade e para enfrentar as grandes dificuldades do casamento – mas quanto aos sofrimentos, é certo que serão muitos (o que, aliás, constitui o longo caminho de santificação dos esposos). Mais certo do que o Sol haverá de levantar-se todos os dias, são as cruzes que acompanham todos os matrimônios.

Os esposos, se procuram ser santos e cumprir a vontade de Deus, são como penitentes por toda a vida.

Sobre os deveres dos esposos, devo falar de maneira pormenorizada na segunda parte: Essencial para o casamento: os deveres dos esposos.

(1) “(…) o matrimônio, como instituição natural, em virtude da vontade do Criador, não tem como fim primário e íntimo o aperfeiçoamento pessoal dos esposos, mas a procriação e a educação da nova vida.” Pio XII, Discurso aos Esposos – 29 de outubro de 1951

(2) Do Catecismo Popular e Inspirado do Pe. Francisco Spirago, vol. III.