Nosso “Dia da Bíblia”

Salve Maria!

Atualmente fazemos dois esforços principais com as crianças para a vida católica em família: o Dia da Bíblia e o Catecismo ilustrado. Hoje eu vou falar um pouco sobre como acontece o Dia da Bíblia, que começamos a fazer no segundo semestre do ano passado.

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Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Duas vezes por semana (geralmente às terças e quintas) fazemos um momento de oração em conjunto e lemos as bíblias infantis das crianças e/ou quaisquer outros livros com temática religiosa. Começamos a rezar 1 dezena do terço este ano antes das leituras e foi tão bem recebido que até o final do ano eu espero rezar o terço completo com eles nessas ocasiões. Eu não quero parecer sistemática (realmente, não sou), mas se não começamos de um ponto suave fica difícil introduzir o terço diário em família com crianças pequenas. É um exercício também para nós: eu desejo que Lupita reze diariamente o terço com mais ou menos 5 anos, então, nestes anos que ainda faltam, é preciso trabalhar. Conheço alguns pais que introduziram até antes: isto vai de família em família.

12695826_567579413394347_1771297489_n Páginas do livro “Passagens bíblicas para cada dia do ano”, da editora Rosari

O ideal é que o momento dure no máximo 30 minutos (os nossos geralmente ficam em torno de 15-20 minutos), especialmente se as crianças forem pequenas como as minhas, para não cansá-las. Você também não vai querer enfadar os filhos, fazendo o momento solene demais e extenso, de modo que acabará por fazer deste o momento penoso da vida em família. Ao contrário: uma pequena dose é recebida senão com alegria, com resignação; mesmo nos dias em que os meus não estão muito dispostos, conseguimos fazer com que eles sentem, rezem e ouçam as histórias . Nos dias indispostos, lemos apenas 2 histórias após a oração, sem jamais comunicar que estamos fazendo isto por conta deles: longe de estimulá-los, isto só lhes permitiria fazer uso do mesmo comportamento para fazer o encontro durar menos. Mas há muitos dias em que lemos várias histórias, e somos nós que limitados, apesar dos pedidos.

Colocamos  algum ícone (o Menino Jesus ou Santa Teresinha), os terços e os livros na mesa. Então sentamos, dizemos alguma oração inicial, fazemos pedidos e intenções e rezamos a dezena do terço. Ás vezes lemos na bíblia antes sobre a meditação do mistério. Depois, lemos as histórias que tenham relação com a  liturgia (por exemplo, Natal, Páscoa, padroeiro) ou simplesmente deixamos que eles escolham.

Tenho feito o esforço de ler o livro “Passagens bíblicas…” durante o dia, ao longo da semana.

É isto! Simples como convém à nossa família… depois venho mostrar como ocorre o Catecismo ilustrado!

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Livros: nossos guias para educação religiosa de crianças

No post Planejamento para 2015: pré-escola indiquei os livros que trabalharemos durante este ano na educação religiosa dos meus filhos.

Vocês certamente notaram que lá no post estão presentes livros de História Sagrada: bíblias de diversas editoras, livros com histórias religiosas, etc. Como Lupita e Dimi são muito novos, estão na fase de conhecer a história religiosa e não tanto de receber o catecismo formal sobre as verdades da fé e a moral. Obviamente, a História Sagrada introduz os temas do catecismo e muitos deles são apresentados já neste momento, mas de maneira mais contextualizada.

Neste post, quero indicar alguns livros que utilizei durante o período em que me dediquei ao ensino do catecismo para crianças, jovens e adultos. Adquiri alguns deles inicialmente para minha própria instrução, mas depois passei a utilizá-los nas aulas do catecismo: são livros que trago no coração, por terem me ajudado a compreender melhor a minha fé e poder transmiti-la para os meus alunos – alguns deles até hoje voltam a mim para contar como determinados temas ficaram marcados nas suas memórias, pela clareza da explicação e seriedade. Nada disso, é certo, por mérito meu, mas por tão bom material que Nossa Senhora me entregou.

Espero que os livros sirvam igualmente bem à vocês.

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História Sagrada para uso das escolas e das famílias – escrito pelo Irmão Isidoro Dumont. Editora Paulo de Azevedo Ltda. Ano: 1950

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Este livro é simplesmente fabuloso. Compreende a História do povo de Deus (Antigo Testamento), a Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e a História da Igreja até o ano do livro (1950).

Eu utilizava para preparar as aulas de História Sagrada e da Igreja. Não o lia diretamente para os meus alunos por conta da linguagem que nem sempre é tão acessível para as crianças de hoje. Então, eu costumava preparar textos adaptados a partir dos capítulos do livro.

O que torna este livro muito rico é que ele sempre traz um vocabulário extenso antes de cada capítulo, para tornar mais clara a compreensão do texto e para trabalhar a língua portuguesa com os alunos. Além disso, no rodapé de cada página há questões relacionadas com o tema que está sendo lido, para que os pais e professores possam exercitar as crianças nos assuntos sagrados.

Confesso que é um dos livros que mais gosto de usar para preparar lições de catecismo.

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Catecismos do Padre Álvaro Negromonte. Aqui em casa tenho: 1. A Doutrina Viva (para a 2ª série ginasial). Editora José Olympio. Ano: 1959. 2. O Caminho da Vida – Moral Cristã (para a 4ª série ginasial). Editora José Olympio. Ano: 1953.

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O padre Álvaro Negromonte é muito conhecido entre nós. Um escritor extremamente produtivo, escreveu inúmeras obras sobre educação católica. Posso dizer que todos os livros que li deste autor me esclareceram muito. No entanto, o considero um divulgador da educação e moral católica e por isso as vezes não se aprofunda muito em determinadas questões ou as apresenta com termos vagos, que não facilitam a compreensão – principalmente nos livros voltados para o público adulto. Os seus melhores livros são os catecismos das diversas séries escolares. Esses catecismos sempre trazem questionários ao final de cada capítulo, que podem ser trabalhados com os alunos das mais diversas formas. Muitas vezes eu mudava as questões em trabalhos com cartazes, confecção de livrinhos sobre o tema, etc.

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Catecismo Católico e Popular (em 3 volumes) – escrito pelo Padre Francisco Spirago. União Gráfica Editora. Ano: 1951.

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Posso dizer, sem sombra de dúvidas: o meu predileto! O Padre Francisco Spirago foi, certamente, inspirado por Deus ao escrever este catecismo em 3 volumes: dogma, moral, graça. O pe. Spirago quis apresentar Nosso Senhor como Doutor (no 1º livro), como rei (no 2º livro) e como pontífice (no 3º livro). O que considero um feito marcante neste catecismo é o fato de ter sido impresso em 3 tamanhos de letras: as letras grandes seriam o esqueleto, as letras médias seriam os músculos, e as letras pequenas seriam como o sangue. As partes em letras grandes bastariam para os principiantes; bastariam ainda para crianças de idade mais avançada, mas que não conseguem alcançar uma compreensão mais detalhada da fé – pessoas mais simples, que creem de maneira simples. As partes em tipo médio são destinadas as crianças mais adiantadas. As partes em tipo miúdo são destinadas aos pais que educam religiosamente seus filhos, para que meditem e tenham a compreensão da doutrina cristã.

Os catecismos do pe. Spirago estão presentes na minha vida desde minha conversão e nunca deixaram de responder às minhas dúvidas e inquietudes. São bons em todos os sentidos e são ótimos para utilizar na educação religiosa das crianças. Nas minhas aulas utilizei as partes em letras grandes para guiar os temas das aulas; e quando me parecia necessário dar exemplos, recorria às partes em letras médias e pequenas. É um catecismo completo!

Essas são algumas indicações para educação religiosa. Ainda há outro catecismos muito bons, como os Luz do Céu (dos Salesianos) e as obras do pe. Boulanger. 

Em breve voltarei ao tema! Fiquem com Deus!

Catecismo de Primeira Comunhão – Dirigido aos Pais

Sendo os pais a darem o catecismo de primeira comunhão, desejam saber no que, precisamente, consiste esse catecismo, que assuntos são indispensáveis, etc. O que uma criança precisa saber para estar bem preparada para a primeira comunhão? Eis a dúvida! Apresento meu programa de Catecismo para crianças entre 7 e 12 anos, de modo que irei comentando com algumas ressalvas.

Como espero ter deixado claro quando falei sobre o planejamento deste acontecimento singular, o catecismo é para ensinar as verdades da fé sistematicamente, da forma mais clara possível – não se trata, portanto, de ensinar de maneira desconexa certas informações sobre a Igreja. Sobretudo a mãe – é mais comum que esta bela tarefa seja sua responsabilidade – terá oportunidades de introduzir os filhos em outras questões da vida devota – como por exemplo, comemorar os dias santos! Então, a medida em que prepara um bolo especial, faz alguns santinhos, prepara a reunião do dia, etc., a mãe mostra à criança quão rica é a religião.

Uma excelente maneira de cumprir o programa básico de Eucaristia é assegurar os artigos do Credo. A criança deve dar conta dos artigos, sendo capaz de discorrer sobre cada um deles. Não se trata de explicá-los teologicamente, mas quando se questiona à criança: Explique “creio na Santa Igreja Católica”, que ela saiba argumentar que esta é a única Igreja verdadeira, fundada por Jesus Cristo, que as outras religiões são falsas, etc. Tendo domínio sobre o Credo, e sobre os temas de Primeira Comunhão, estão bem preparadas – teoricamente, é claro. Certifique-se de preparar os filhos para uma excelente confissão geral, pois poucos dão importância devida a isso.

A confissão geral serve também para estes casos, em que a criança já está na idade da razão (mais de 6 ou 7 anos), mas que infelizmente ficou sem se confessar por anos. Então seu filhinho tem 10 anos, por exemplo, e pode estar em estado de pecado mortal – pois quantos pais acham que seus “anjos” não precisam se confessar! Um santo, vendo o Inferno, viu uma criança de 6 anos condenada. Agora que os pais observem muito bem em que incorrem com tanta negligência… ajudar no exame de consciência, por exemplo, propicia conhecer o filho pequeno e que sorte de coisas se passa na sua alma. É verdade que os pais não podem inquirir o que se passou na confissão do pequeno, o que foi que disse ao padre, etc. – mas se está autorizado a saber as coisas erradas que os filhos fazem, para corrigí-los severamente. “Ah, mas minha filhinha não faz nada de mau!” – diz uma mãe ingênua, por acreditar que só os crescidos têm plena consciência do que fazem, e só eles podem cometer coisas tão graves que sejam chamadas de “pecados mortais”.

Pois tais mães não apenas se enganam, como estão a ajudar na condenação dos filhos! Ora, quando sabemos a selva em que se tornou a escola – lembram-se das pulseirinhas do sexo? – das brincadeiras maldosas e imorais (jogo da verdade e coisas do pior tipo), etc., então devemos enfrentar o problema seriamente, para não ocorrer de abafarmos a consciência. É muito duro, pois neste ano, durante a catequese, soube de coisas tão torpes que fizeram os meus alunos – não ouso repetir – por falta de discernimento, por certo amortecimento do que é bom ou mau… é assustador! Brincadeirinha imoral, que a criança se acostuma a ver, participar ou gostar – dependendo do caso (já pensou se sua menina beijou na boca de um moleque?) é pecado mortal, leva ao Inferno, é ponto definitivo. Um só pecado mortal leva à condenação eterna, por isso, vigia o próprio filho, veja um bom exame de consciência, ensina a confessar. Com a confissão Deus nos ensina a evitar o mal, pois se o filho vê lá a pergunta “Participou de brincadeiras imorais como jogo da verdade, etc?“, ele aprende a rejeitar isso, e vive a pureza que Jesus quer para as criancinhas.

Dito isto, vamos aos temas. Há muitas maneiras para a criança aprender a dominar o Credo e certas coisas básicas para a fé neste período. Comentarei os temas, colocando-os numa ordem conveniente.

1 – Catecismo Básico: Quem é Deus? Quem é Jesus Cristo? Quem é o Espírito Santo? O que é a Santíssima Trindade?

Que foi e como foi a encarnação de Jesus Cristo? Que foi e como se deu a redenção?

Tudo isto por perguntas e respostas. Isto facilita a assimilação da criança, que deve decorar muito bem esta parte.

2 – Criação do Mundo, dos Anjos e do Homem: Nesta parte, explica-se como Deus criou o mundo em 6 dias. Explica-se também a Batalha no Céu, para que tenham perfeita noção do que são os Anjos Maus/Demônios, e os Anjos Bons; Já introduz a questão do Inferno e do Céu eterno. Com a Criação do homem e da mulher logo em seguida, pretende-se ensinar que da mesma forma como os Anjos tiveram sua provação perante Deus, nós estamos tendo a nossa enquanto vivemos. Os Anjos, como não se arrependem por terem plena consciência dos seus atos, não tiveram a chance que temos. Explica-se o pecado original, a propensão ao mal, os efeitos dos castigos pela desobediência.

3 – Para salvar o homem e a mulher do pecado, Jesus Cristo veio ao mundo: Uma vez que se tenha dito como Deus nos criou para a sua amizade e como fomos desobedientes merecendo a morte,  se mostra o enorme amor que Deus têm por nós, vindo Ele mesmo se oferecer em sacrifício para nos salvar. Nos salvar de quê? Nos salvar do pecado e do Inferno (Os pais devem se certificar de que irão esclarecendo esses pontos, pois muito se repete que “Jesus veio nos salvar”, mas as crianças não compreendem se não se diz claramente).

Aqui cabe uma explicação suscinta de como Deus preparou o caminho da vinda do Seu Filho com profetas, escolhendo um povo (o judeu) para revelar as verdades da fé, e de como esse povo rejeitou o próprio Criador. A vontade é a de contar as mais belas histórias de tantos fatos importantes – mas a verdade é que estes não são fatos indispensáveis para formar a criança que está fazendo a primeira comunhão (quantos de nós sabem dizer como foi exatamente a história de Jonas e a Baleia?). Basta que ela tenha uma noção do que veio antes de Jesus – o mais importante é ela conhecer, amar e seguir Nosso Senhor, cumprindo os mandamentos; além de saber muito bem sobre o sacramento que está prestes a receber.  Durante toda a infância os pais poderão  oferecer a criança as histórias de Jó, Elias, Isaías, etc., e tudo o mais que julgarem necessário e benéfico. Aqui, no entanto, se pretende preparar a criança para o sacramento, para que ela tome conhecimento do básico.

A vida de Jesus Cristo deve ser narrada ao filho por meio de historinhas, durante todo o tempo em que se dá o catecismo. O que deve ser apresentado imediatamente – ao invés de se contar de forma linear a vida de Jesus – é o sacrifício do Deus feito homem na Cruz, descrevendo claramente – sem amenizar – as dores atrozes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os pais deverão antes chorar com os filhos, se a coisa lhes parecer pesada demais, mas não podem – sob nenhuma hipótese – pintar o quadro da paixão com cores leves. Há imagens muito significativas de Jesus Cristo flagelado, coroado de espinhos… que a criança veja e seja ensinada a meditar nestas dores – dores imensas que ela pode aumentar se escolher ser um mau filho para Deus. Pulso firme e descreve os cuspes, os socos no rosto, os xingamentos, as humilhações que sofreu o Nosso Deus por amor de todas as pessoas. Que as crianças aprendam, desde cedo, o que é o sofrimento e os sacrifícios (ver este texto ).

Apresentando a “Semana Santa” mostra-se como Jesus Cristo passou de aclamado pela multidão a ser crucificado também por ela. Aqui entram as explicações da Última Ceia e da Instituição da eucaristia – tema que os pais deverão voltar mais adiante – bem como da ressurreição.

4 – Mandamentos e Devoções: Uma vez que seu filho já sabe quem é o Criador do Céu e da Terra, e Seu Único Filho, Nosso Senhor – já sabe igualmente o enorme amor de Deus por nós, a ponto de morrer na Cruz – explica-se a criança que as pessoas não estão salvas, com o Céu garantido, porque Jesus sofreu e derramou todo o seu sangue. É preciso fazer a nossa parte. E de que forma? Cumprindo os mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, tendo devoção a Nossa Senhora, aos santos, ao Anjo da guarda.

Aqui, que se descreva minuciosamente cada um dos mandamentos: o que é obedecer e desobedecer cada um, com historinhas e fatos da vida dos santos. Por exmplo: que é pecar contra a castidade? É ver, ouvir, pensar e fazer coisas imorais. Ou seja: músicas, fotos, revistas, programas de tv. “brincadeiras”, namoro, etc. Dá exemplos práticos do dia-a-dia – de acordo com a idade da criança – e conta a história de Santa Maria Goretti e de Beata Albertina, de São Domingos Savio, de São Luis Gonzaga. Explica como uma menina católica e piedosa protegeu a sua pureza, explica como alguém “Prefere morrer que pecar!”

Os pais devem pontuar muito bem coisas como: um homem e uma mulher precisam ser casados na Igreja; casamento é entre um homem e uma mulher (pois Deus proibe e condena como abominação o contrário); e os temas de moral (obras de misericórdia, os 7 vícios e 7 virtudes,etc.), bem como já explicar o pecado enorme de se tirar um nenezinho da barriga da mãe.

Com as devoções, mostra o Imaculado Coração de Maria, o Sagrado Coração de Jesus, a medalha milagrosa, o escapulário, as novenas, as orações reveladas pelos santos, o rosário, enfim… aos poucos vai formando essa consciência na criança. Isto e apresentado aos poucos e constantemente, entre uma lição e outra, e na prática. Mostra os martírios e os santos.

5 – Devoção a Nossa Senhora: Certamente os pais lembraram ao filho da grandeza de Nossa Senhora na anunciação do Anjo; das dores desta Mãe durante a Via-Sacra de seu Filho amado; de como Ela apareceu diversas vezes para revelar coisas sobre a Igreja e o Mundo. Pois bem, cabe falar bastante da Mensagem de Fátima, pois é de suma importância que se tenha logo contato com este acontecimento. As crianças de Fátima são excelentes exemplos para as crianças e os beatos Jacinta e Francisco dizem muito aos pequenos. Mostra como os três viram o Inferno, como os dois entregaram a vida pelos pecadores! Convém ensinar o filho a ter a verdadeira devoção a Nossa Senhora, conhecendo e amando esta Mãe sem nenhuma reserva, arrancando todo o escrúpulo que atrapalhe a santa devoção a Mãe de Deus, que tanto corrompe as almas! A todo momento, fala de Nossa Senhora, pois como disse São Bernardo: De Maria, nada basta!

6 – Os Novíssimos : Morte, Juízo, Céu ou Inferno. Ora, conhecendo Deus, Seu plano de Salvação, Sua Mãe Santíssima, como praticar os mandamentos, e tudo o mais, chega o momento de falar sobre a recompensa eterna de cada um. Sim, Jesus Cristo veio nos salvar – e desejaria que todos se submetessem a Ele, mas não é assim que acontece. Alguns escolhem o pecado, a mentira, os prazeres deste mundo. Esquecem de Deus e crucificam-nO novamente com uma vida de pecados. O primeiro novíssimo – a morte – se entende muito bem, todas as pessoas morrem. Explica para o filho o que é a morte, onde todas as esperanças terminam e só resta a misericórdia de Deus. Então, fala do julgamento particular de cada um: assim que morre, aparece diante da pessoa Nosso Senhor Jesus Cristo para julgar tudo o que pensou, fez, falou. Descreve claramente que Jesus lembrará de cada palavra dita; como o Demônio aparecerá para nos acusar; como Jesus será justo conosco e decidirá: ou Céu ou Inferno. Procura deixar claro este juízo logo após a morte, para que a criança não se perca jamais em falsas idéias de reencarnação, de luzes e espíritos, etc.

Medita com os filhos o Inferno e o Céu, com detalhes. É melhor pensar no Inferno aqui, do que ser mandado para lá eternamente. O que há no Inferno? Fogo. Ódio. Quem está no Inferno? Os Anjos Maus, os mesmos que ficaram contra Deus na Batalha no Céu, juntamente com todos aqueles que escolheram odiar Jesus Cristo. Que sofre a pessoa condenada? Todas as dores e torturas possíveis; todas as doenças juntas; fome e sede; sente um cheiro insuportável; vive na pior escuridão; é atormentada pelo Inimigo de Deus e pela própria consciência; nunca e jamais vê Deus. Fala como é terrível para o condenado não estar nunca perto do Criador, dos Anjos e dos Santos. Mostra quadros do Inferno, como o de Fra Angelico, serve-se de tudo para que os filhos saibam deste lugar terrível, e temam ir para lá.

Conta sobre o Céu e descreve que maravilhas aguardam aqueles que amam a Deus e seguem os mandamentos. Que há no Céu? Deus, Nossa Senhora, os Anjos, os Santos. A pessoa no Céu é eternamente feliz, não há mais sofrimento, nem morte, nem fome. São João Bosco viu na entrada do Céu árvores de diamantes! Tira essa concepção errônea de um Céu sem graça, só com nuvens brancas, bosques planos… no Céu tudo é grandioso, é a verdadeira Cidade de Deus, com as mais belas coisas, inimagináveis! Se aqui temos grandes e belas catedrais, que dizer do que encontraremos no Céu! Não, é impossível dizer: só de olhar sentiremos o gosto delicioso de um fruto; os mais suaves aromas exalam neste lugar divino; os Anjos cantam músicas maravilhosas; Deus, Todo-Poderoso olha nos olhos de cada um dos que foram salvos e diz: “Meu Filho!” Nossa Senhora, Rainha do Céu, está lá o tempo todo para nos amar, e Sua voz é doce, Ela nos ama, e nos amará para todo o sempre.

Explica aqui o purgatório, as penas, como aliviar o sofrimento dos mortos, o valor e efeito da Santa Missa, como ganhar indulgências. Com estas coisas ditas, pode-se explicar o que é a comunhão ou comunicação dos santos – entre nós, da terra, com as santas almas do purgatório, e todas as pessoas salvas no Céu. Faz a diferença do juizo particular e o juízo universal, e como Jesus Cristo há de vir a segunda vez para julgar os vivos e os mortos. Explica a ressurreição, e como haveremos de recuperar nossos corpos no fim do mundo.

7 – Temas de Primeira Comunhão: Uma vez que o filho já conhece os artigos do Credo, as devoções, a vida de Jesus Cristo, convém – na reta final – esclarecer sobre os temas da Primeira Comunhão, que viriam a ser a confissão e a eucaristia. O que se deve dizer ao padre na confissão? Por que não podemos mentir nem esconder nada? Quando devemos nos confessar? Por que é terrível comungar estando em pecado grave? – Todas estas questões elucidadas com os exemplos dos santos. Os pais irão mostrar a primeira comunhão de crianças piedosas, para que sirvam de exemplo na virtude.

Sobre a comunhão, darão os exemplos dos milagres eucarísticos; como fazer ação de graças antes e depois de receber a hóstia; o que é uma Santa Missa, e todos os benefícios maravilhosos que ela faz aos homens do mundo inteiro; como é indispensável comungar para chegar a perfeição cristã, como Jesus se une a nossa alma! Que a criança reconheça que Jesus Cristo se dá na hóstia, e todas as consequências de mais esse ato de amor incondicional!

8 – A Igreja Católica: Claro está que os pais insistiram, todo esse tempo, que a única Igreja verdadeira é a católica, que Jesus Cristo a fundou quando esteve aqui na terra. Conhecendo o catecismo básico, tendo boa vida de oração e devoção, a criança agora aprenderá coisas relevantes sobre a Igreja de Cristo, como por exemplo: como Jesus a fundou nomeando o apóstolo São Pedro como o Chefe; como as outras igrejas são falsas; que fazem as freiras e os padres; e todos os fatos que acharem relevante.  O importante é que a criança esteja convencida de que sua fé é verdadeira, que ela ame essa Igreja de todo o coração! Cabe aos pais mostrar que lindas catedrais nós temos, os corpos incorruptos dos santos, as relíquias, etc.  Com isto, fecha-se também a explicação dos outros sacramentos.

Aí está! Um programa de catecismo para a primeira comunhão que abarca a parte dogmática, a parte moral e a da graça! A criança está verdadeiramente catequizada, sabe defender sua fé, conhece o Salvador, ama Sua Mãe, reza diariamente muitas orações, é amiga do anjo da guarda, se confessa, mantém o estado de graça, enfim… está pronta para receber a comunhão.

Mesmo uma criança de 4 ou 5 anos pode receber um catecismo como esse, basta que tudo seja simplificado de acordo com a idade – e que tanto para ela, quanto para os mais velhos, se repita constantemente as mesmas informações, se mostre muitas imagens para ilustrar os temas! E, crendo com toda força de alma em tudo o que aprendeu, a criança encontrará Jesus Cristo pela primeira vez!

Espero, de todo coração, ter ajudado com esta explicação do programa de catecismo que organizei a partir de muitos livros bons que li, da formação que recebi eu mesma, e com a ajuda de meu noivo Vladimir, também catequista. Se alguém sentiu falta de algo importante, e quiser dar sugestões ou críticas para crescermos juntos, sinta-se à vontade. Faço votos para que cada pai e cada mãe cumpra com responsabilidade a obrigação de ensinar os filhos a amar a Deus sobre todas as coisas – e como só amamos verdadeiramente aquilo que conhecemos, eis que devemos ensinar tudo o que sabemos, procurando sempre a ortodoxia da Igreja Católica, que é a doutrina de Cristo.