Ensinar Ciências – Parte 2


ESTE POST É UMA CONTINUAÇÃO DO ANTERIOR, ENSINAR CIÊNCIAS: UMA DEFESA. 

Dimi ama regar as plantas


Como prometido, este é o post para mostrar como está sendo o caminho percorrido pela nossa família para aprender Ciências de verdade! Em primeiro lugar – e por razões até óbvias, especialmente para quem leu a primeira parte do texto – tudo têm sido feito aos poucos, a medida em que meus filhos têm necessidades novas. Basicamente, a minha contribuição será mais útil para quem tiver filhos na faixa etária dos meus.

No entanto, servirá a todos de uma maneira geral por dois motivos: o princípio da minha busca é simples e útil para quem quiser montar o próprio currículo. Além disso, eu posso indicar alguns materiais que encontrei no meio do caminho, mas que ainda não se destinam aos meus filhos.

Dois princípios gerais guiam o nosso aprendizado:

1 – Estudos Naturais

2 – Experiências

Por Estudos Naturais eu quero dizer: Inspirada na perspectiva de Charlotte Mason, proporcionar aos meus filhos um contato constante com a natureza, trabalhando a observação, pesquisa e sensibilidade. Por experiências eu quero dizer aprender as coisas a partir de investigações, postas à prova, de conceitos de ciências em geral.

Pronto. Aí está, de maneira bem resumida, a nossa filosofia para os anos iniciais da educação infantil. Deve haver outras coisas mais adiante, quando o ensino fundamental têm suas próprias exigências. Vou ilustrar com atividades do cotidiano, como tenho feito para colocar estes dois princípios em prática. Mas, antes, uma palavra sobre como eu costumo me orientar:

Basicamente, eu aconselho você a fazer o mesmo que eu: veja como as famílias homeschoolers americanas estão trabalhando aquilo que você quer fazer. Pode ser qualquer coisa. Nenhuma família é igual a outra, por isso, eu olho muitas famílias ao longo do ano: salvo as imagens de atividades ou livros no meu Pinterest (ferramenta muito útil, faça já a sua conta!), pois assim tudo fica organizado em pastas fáceis de serem acessadas. Eu também pesquiso alguns currículos americanos prontos e consulto o material deles. Muitas famílias se sentem frustradas por não termos um currículo pronto para HS; eu digo que adoraria ter o mercado americano disponível, mas continuaria montando o meu personalizado – isto é, pegando daqui e ali o que se encaixa melhor com a minha família. Pensando assim, eu consigo neutralizar a frustração de não ter este mercado, porque a verdade é que o nosso mercado editorial – pasmem – não é dos piores, e é possível encontrar similares.

Pois muito bem. Filhos de qualquer idade podem cumprir os Estudos Naturais sem nenhum “livro didático”. É muito simples, mas permite muita dedicação. Como atividade formal (você pode chamar isto de seu livro didático, se quiser) tenha um caderno de folhas sem pautas para a confecção de um journal – termo sem equivalente que quer dizer mais ou menos diário de registro com colagens, desenhos e observações em geral. Você pode criar um journal de pássaros, insetos, natureza em geral, animais, etc. Depende do foco de estudo dos seus filhos. Eis o nosso:

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Meus filhos são pequenos, por isso, é um journal no qual eu participo muito. O pássaro é minha tentativa de desenhar um garrincha, muito popular na nossa região. Ele fez um ninho no nosso telhado. Não sabíamos o seu nome, agora sabemos um pouco mais sobre ele. As folhas e flores são de nossa vizinhança. Um dia inteiro para colher; duas semanas secando em folhas de jornal prensadas; um dia para colagens e registro – quando eu aproveito para ensinar conceitos. Nós comparamos o estado das folhas e flores vivas com as das páginas; coloco as crianças para cheirarem as flores que ainda estão na frente de casa ou na nossa rua e comparamos com as secas. Eles mesmos são capazes de perceber: perdeu o cheiro, secou, perdeu a cor, etc. Eu não chego com o “assunto” pronto: “Lição sobre a diferença de uma flor viva e uma flor morta“. Nada disso. Isto seria fazer ciências do jeito errado, mais ou menos como os livros das nossas escolas, descrevendo o crescimento de uma planta. Nós já observamos o crescimento de uma planta: por semanas, plantando uma na frente de nossa casa. Imagine que somente agora, dois anos depois, ela deu uma flor roxa. Estamos impressionados.

Como diário, para fazer o journal você pode fazer uma pequena lista prévia do que gostaria de abordar ao longo da confecção do mesmo, desde que você se mantenha flexível. Um direcionamento é desejável, mas é preciso lembrar que um estudo natural envolve aproveitar os momentos que a vida lhe oferece. Eu não sou exatamente uma pessoa conectada à natureza, mas adotei o princípio de parar e prestar atenção nas paisagens naturais ao meu redor, e sempre que estamos num lugar novo eu aproveito a chance para mostrar as árvores, animais, guardamos folhas, flores, pequenos frutos.

Mas claro que não é tudo prático ou natural:  eu sempre uso livros criativos para aprendermos nomes de flores,relembrarmos como se deu o processo que observamos. Porque os livros são muito importantes: apenas em Ciências não se deve aprender a partir da descrição de coisas que você precisa compreender na vida real. Isso me lembra que…

… os Estudos Naturais são completados com o estudo de “Livros Vivos”

Sem dúvida, eu preciso fazer um post elucidativo para o conceito de “livro vivo” de Charlotte Mason. Você pode aprender mais AQUI.   São livros que se mantém verdadeiros ao tema a que se dedicam, por serem inspiradores e não meramente catálogos; escritos por autores que entendem e se dedicam ao assunto. Um exemplo bem palpável: se você está interessada em livros de receitas… Ora, um mero fascículo de receitas, com a descrição do passo a passo de cada prato, compilado por alguém que não faz questão de aparecer na publicação e dizer algumas palavras sobre os alimentos, nutrição, etc., definitivamente não seria considerado um “livro vivo” do gênero. Em contrapartida, um livro de receitas infantil de Annabel Karmel é um livro vivo do gênero: nele você percebe a dedicação ao assunto, informações adicionais relevantes que inspiram, além de informarem. Como veem, não é uma catalogação precisa, mas uma observação da tendência do livro: algo que você só aprenderá após alguma prática.

Eis alguns de nossos livros vivos usados em Ciências:

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Livros pequenos, extensos, ilustrados, mais didáticos… são muitos estilos. A editora Usborne, embora nem sempre tenha obras autorais, costuma ter livros vivos de ciências, principalmente em inglês (há livros dedicados a plantas, insetos, animais). François Crozat lançou esta coleção de livros de animais que, além de uma fofura, descreve tudo de maneira muito natural.


Para fazer experiências, nesta fase da educação infantil, não é preciso investir muito. O pinterest permite que você encontre rapidamente o passo a passo de qualquer experiência, bastando buscar os termos, principalmente em inglês. Uma pesquisa em currículos americanos (Mother of Divine Grace, Memoria Press, Seton Homeschool, Sonlight Homeschool) pode mostrar o que geralmente é trabalhado em cada ano. Eu costumo fazer um “mix” daquilo que eu acho relevante e possível para a nossa família, geralmente no meu período de pré-planejamento (como agora).

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Experiência das cores

Há algumas publicações no mercado brasileiro. Estas são algumas:

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1- Grandes ideias para pequenos cientistas, da editora Usborne, traz 365 experiências. Com certeza é um livro para acompanhar durante todo o ensino fundamental I

2 – Pequenos Cientistas – uma coleção voltada para crianças de 2 a 6 anos. Passo a passo, ricamente ilustrado, de  experiências temáticas

3 – Coleção Jovem Cientista – procure em sebos. Experiências para crianças, detalhadas e fáceis de fazer. Creio que a partir dos 7 anos a coleção é melhor aproveitada, e pode ser usada até uns 14 anos. AQUI VOCÊ ENCONTRA O PDF de vários volumes.


Definindo o seu próprio currículo de Ciências.

 Um passo a passo bem básico de como eu costumo montar aquilo que vou utilizar com os meus filhos, só para dar uma luz (tenho certeza de cada família poderá traçar seu próprio caminho, a partir de algumas ideias):

1 – Se você está totalmente por fora do que sejam bons currículos de ciências/homeschool, LEIA ESTE POST. Nele você conhecerá vários currículos de Ciências, poderá visitar os sites onde quase sempre eles oferecem uma pequena amostra em PDF do material. O Real Science for kids é o material que a Jessica do Shower of Roses costuma usar com os filhos, e que a Géssica Hellmanm, do Valorizando o Conhecimento, também (Ou seja, DEVE SER BOM MESMO). No SITE você confere todo o catálogo e pode comprar diretamente pela Amazon Brasil!

2 – Atualmente, eu me guio por dois currículos: Memoria Press e SONLIGHT. O que eu gosto deles é que, além de um material próprio, eles indicam muitos livros complementares para cada disciplina; alguns dos quais eu já encontrei tradução no Brasil, outros que me inspiram para buscar títulos similares. Como são baseados – em parte –  em indicações de livros, eu tenho em mente montar uma boa cesta de livros, usando o que é possível encontrar no mercado editorial brasileiro, e em casos bem selecionados, eu importo poucos títulos.

Por exemplo, em Ciências, o Sonlight indica para a faixa de 4 anos os livrinhos da serie Wells of knowledge Science, que você encontra na Amazon Brasil por 32,00 ou 23,00 a versão kindle. Outro livrinho é “What’s under the sea”, que eu substituí pelo livrinho Animais Marinhos (outra opção para crianças maiores é Fique por dentro do fundo do mar, da editora Usborne). Como vê, é um trabalho de adaptação, que me custa algumas horas de pesquisa, olhares em bibliotecas, catálogos de editoras… até eu ter os títulos similares localizados em bibliotecas da minha cidade, sebos e listas para compras (sim, eu realmente faço o dever de casa!)

O Memoria Press tem sempre uma lista de livros de Ciências para leitura complementar, a partir dos 5 anos. Definitivamente, eu não sou rica para comprar todos os livros dos currículos que me encantam… por isso, eu uso boa parte dos títulos como temas que eu simplesmente vou abordar e miro naqueles que eu até mesmo investiria importando, se valer muito a pena. Tenho tido sucesso em observar o tema do livro indicado e encontrar um  no mercado editorial brasileiro que aborda o mesmo tema ou algum tangente. Equilíbrio, orçamento, pesquisa (bibliotecas e sebos) são meus grandes aliados. O principal é você perceber o quanto tudo isso pode ser feito adaptando o currículo ao orçamento. Até a Lupita fazer 2 anos, eu investia muito pouco (cerca de 50 reais por mês) no homeschool, porque foi uma fase de muita dificuldade. Eles eram pequenos, eu pude fazer os brinquedos e montar atividades. Tudo depende de cada família. Eu digo que mesmo que você não pudesse investir em nenhum livro de ciências para o próximo ano, conhecer todas estas informações lhe ajudaria a buscar em bibliotecas e na internet aquilo que você pode abordar em casa. O bom do HS é justamente o fato de que você pode adaptar muito.

3 – Preparar com antecedência uma caixa com o material útil para os estudos de Ciências ajuda bastante. Dê uma olhada em experiências simples que usam barbantes, corantes de comida, tesouras, fitas adesivas, etc.: reúna algumas que usem os mesmos materiais básicos, imprima pelo menos as 5 próximas que você fará com eles e deixe organizado. Dessa forma, você não protela e já tem à mão um mês de trabalho.

O modelo das cestas de livros, journal e experiências é um modelo que serve para todas as idades – mesmo – , mas a partir dos primeiros anos do ensino fundamental I os pais se veem na necessidade de um livro didático mais sistemático, e neste caso eu aconselho selecionar um no mercado americano e comprar. Para quem não sabe inglês, eu indicaria assim mesmo, se possível comprando a versão kindle (se houver) porque é mais barata. Isto para que pelo menos você veja, com a ajuda de alguém, como é possível trabalhar os conceitos com as crianças e possa providenciar um material próprio. Estou indicando isso porque como o ensino de Ciências é um fracasso no nosso país, esta me parece a alternativa para o futuro (pelo menos, para mim).

É isso! Espero que tenham aproveitado. Quando eu divulgar o meu planejamento 2017, posso indicar os livros que eu pretendo trabalhar!

Fiquem com Deus!

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Ensinar Ciências: Uma defesa

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Estou no meu período de pré-planejamento do próximo ano e hoje venho falar sobre… Ciências. Este texto é para mostrar às famílias uma nova perspectiva em torno desta disciplina.

A maioria das famílias homeschoolers que eu conheço não tem Ciências como prioridade. Ela não aparece no currículo ou é dada como matéria extra –  mais ou menos como teatro e artes eram dadas na escola: em regime sazonal, quando aparece alguma feira interessante, com livros esporádicos. É perfeitamente compreensível levando em conta como sempre aprendemos Ciências nas escolas: uma matéria conteudista, raramente prática, que funciona como acúmulo de textos e conceitos – totalmente dispensável, portanto, de quem está interessado em formar habilidades de excelência. Por que alguém empurraria um livro chato de ciências para o filho (que a certa altura já lê os clássicos com regularidade) para que ele aprenda e decore o que é fotossíntese, ou quais as partes do corpo? Não faz sentido. Se é só para decorar e responder questões, pode-se deixar para depois.

Claro. Não faz sentido para nós, brasileiros, que não sabemos nem o que é, e nem como aprender Ciências. Eu já indiquei este texto uma vez, mas vou indicar novamente: ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL.  Nele, Richard Freynman mostra como descobriu que os brasileiros nas melhores faculdades do país não fazem ideia de como fazer ciências. Sim, porque Ciências não se sabe, mas se faz. E se, somente se você faz, você passa a saber. Vejamos:

Richard Freynman está fazendo um experimento de Física. Ele começa a fazer perguntas para os estudantes, que não são capazes de dar qualquer resposta. Somente quando o professor coloca em termos teóricos – que poderiam estar em qualquer livro de Física como aquelas descrições-base de conceitos de capítulos – ele obtém alguma resposta: exatamente a resposta do livro. Eis como ele coloca o problema:

Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.

É um retrato muito preocupante. Um quadro que precisa, urgentemente, de mudança.

Eu costumava pensar exatamente como descrevi no início deste texto: Ciências não é relevante. Não vou colocar meus filhos para preencherem um livro de Ciências. Aliás, não só não é relevante  como é chato. Eu nunca gostei de Ciências: matéria sem graça, ou óbvia demais ou abstrata demais; sem alegria, apenas conteúdo, uma experiência ou outra (geralmente com fins recreativos, nunca como centro daquilo que se explica na teoria).

No entanto… todos os bons currículos de homeschool lá fora não apenas trazem Ciências na grade, como dão uma importância muito grande à disciplina. Ciências não é simplesmente um assunto abordado: é tão importante quanto Matemática ou Línguas, embora com carga horária inferior. Todas as famílias homeschoolers, inclusive as que fazem educação clássica – um modelo que geralmente ligamos à humanas – trabalham muito e de todas as formas possíveis as ciências. Só que de verdade.

Se houve um tempo em que ciências não era relevante para uma criança (era algo tão específico que era geralmente visto apenas no ensino superior), há muito não é mais assim. Há muitas coisas que devem ser levadas em consideração:

  • Hoje qualquer um pode ser cientista. É verdade! Ser engenheiro, físico, químico, programador… eram coisas reservadas a uma parcela bem pequena da sociedade. Atualmente, é bem provável que algum dos seus filhos tenda às ciências.
  • A habilidade de fazer ciências não está – como nós, brasileiros, pensamos – atrelada à uma função/profissão. É uma habilidade intelectual. Qualquer pessoa que aprenda a fazer ciências se beneficiará destas habilidades cognitivas. Alguém que saiba como e por quê as coisas funcionam; que entenda o mundo ao seu redor será mais inteligente e capaz em qualquer aspecto da vida!
  • Quem aprende ciências aprende matemática melhor. Como é possível superestimar a matemática e não as ciências, se a matemática é, em  parte significativa, abstração de como as coisas realmente funcionam no mundo?
  • Se você deseja que seu filho seja um bom observador, ensine Ciências. Se você deseja que seu filho tenha iniciativa, ensine ciências. Pensamento lógico? Ciências. Solucionador de problemas? Ciências!

A lista se estende. Mas é preciso aprender Ciências de verdade!

No nosso caso, se faz ainda mais importante trabalhar Ciências porque se nós não o fizermos, nossos filhos talvez estejam fadados a jamais aprenderem – tal como nós e como as demais crianças na escola. Quando pegarem o livro por contra própria, farão o que Freynman descreve: decorarão, responderão as questões…mas não saberão como funciona.

Eu também não sei como funciona! Terei que aprender a medida em que ensino os meus filhos. Desde o começo! A partir de agora, a perspectiva é percorrer o caminho, aprender a prática – a prática não como algo separado ou complementar à uma teoria, mas como aquilo que precisa ser observado e apreendido de fato, tendo a teoria e abstração como uma conclusão lógica. Algo que só saberemos… se fizermos!

Como eu faço com meus filhos? Bem, não preciso dizer que não é possível seguir livros didáticos do Brasil. Mas é possível montar um currículo usando algumas coisas que temos disponível no mercado, além de adicionar coisas de fora. Eu fico de olho em bons currículos americanos, como o Memoria Press ou o Sonlight. Ou nas diretrizes de Charlotte Mason (ela considerava “estudos naturais” como parte imprescindível do seu modelo de educação. Veja uma lista de realizações que eu postei AQUI).

Quais os temas de Ciências abordados para cada fase da criança nesses bons currículos? O que as famílias homeschoolers americanas costumam mostrar que usam nos blogs? Como se aprende ciências por lá? A partir dessa investigação, eu consigo chegar num modelo próprio, bastante adaptado, mas eficaz para os meus filhos.

Porque, realmente, não é difícil. É outra perspectiva, perfeitamente acessível. Acho que nós não aprendemos do jeito certo por má vontade, falta de recursos e sabe-se lá o que mais. De qualquer forma, o caminho é este: a família deve ficar atenta ao que acontece lá fora, onde o ensino de Ciências é eficaz. Não há outra maneira, porque não temos modelo aqui.

Num próximo post eu apresentarei o caminho que estou seguindo, para que sirva de inspiração para as famílias. Aguarde!

 

Como ensinamos… Ciências

Salve Maria!

Recebo muitas mensagens perguntando como acontece o nosso homeschool e por isso farei uma série de posts que mostram um pouco do nosso esforço. Este post é para explicar como ensinamos Ciências. Eu convido você a ler este texto: ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL. Eu já tinha muitas desconfianças sobre o ensino de Ciências no Brasil e, através de alguns blogs de HS americano, havia decidido que ensinaria meus filhos mais pela prática do que pela teoria. Este texto, no entanto, esclareceu de uma vez por todas para a nossa família onde reside precisamente o problema do ensino de Ciências no nosso país e nos ajudou muito a modificar a nossa perspectiva.

A partir deste contexto, eu também conheci um pouco da perspectiva da Charlotte Mason (ver POST) e sobre explorar o ambiente da natureza tendo como ponto de partida aquilo que você tem mais perto de si: ou seja, a sua casa. Comece onde você está. Pode ser pouco, mas se você começa daquilo que você pode acessar todos os dias, você aprenderá todos os dias. Este livro está à venda na Amazon e possui excelentes dicas (é ricamente ilustrado, mesmo que seu inglês não seja avançado, dá para aproveitar):

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Isto mudou nossa rotina para melhor. Temos projetos e experiências toda semana. Na minha casa não há muito espaço com plantas, mas há duas árvores no passeio da minha casa e quase todos os dias, nos sentamos sob elas. São dois agradáveis chorões com terra suficiente para meu filho cavar e descobrir minhocas. Plantamos ao redor das árvores, brincamos com flores, observamos os insetos e pássaros.

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Reconhecer o canto dos pássaros e depois pesquisá-los em casa; colher flores no caminho até a padaria e ir aprendendo sobre as partes de uma planta; aprender que a minhoca tem entre 2 e 15 pares de corações; molhar as plantas: com crianças pequenas isto é fundamental para o ensino de Ciências. Isto também é o grande alívio nos meus dias, pois quando simplesmente sentamos sob a árvore eles ficam calmos, não criam conflitos, passam horas mexendo com terra, água e sementes e gastam energia. Eles são cheios de perguntas, e assim, eu as respondo e depois invisto em livros, imagens e pequenos vídeos educativos durante a semana.

No meu bairro há outros espaços verdes: o jardim externo que um vizinho montou no passeio, um campo aberto para eles correrem. Uma vez por semana eu dou um jeito de passar por lá.

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Quem faz HS não tem que enfrentar uma rotina diária de levar as crianças na escola, por isso se na sua casa ou perto dela não há espaços semelhantes, faça um esforço para incluir um passeio fixo num espaço aberto uma vez por semana.

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No meu quadro de planejamento semanal, Ciências aparece duas vezes por semana – quando eu geralmente me esforço para fazer alguma experiência científica, ler nossos livros temáticos ou mesmo algum trabalhinho de registro (desenhos, etc.). Quanto ao contato direto: como mencionei, quase todos os dias, e se eu consigo fazer apenas estes contatos durante a semana, cumpri o meu planejamento, já que está é a parte mais importante e significativa,o  que me permite conversar e ensinar muitas coisas. Lupita, por conta de um machucado, aprendeu rapidamente sobre os glóbulos brancos – eu expliquei de brincadeirinha, mas agora ela vive a repetir o assunto e eu vou mostrar um pouco mais. Alguns nos nossos livros preferidos de Ciências incluem:

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Este foi o nosso primeiro livro de Ciências e ajudou os meus filhos a conhecerem diferentes tipos de animais. Conversamos e eu vou ensinando os nomes. Depois, pergunto: onde está o elefante? Onde está a zebra? Faço isto desde que meus bebês tinham 1 ano, e eles já apontavam e acertavam! Quantos nomes tem os animais! Lembra-se de quando Adão deu nome a todos os animais que Deus criou? Lembra-se da criação do mundo? (e assim, estou sempre ensinando sobre Deus)

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Ideal para crianças entre 1-4 anos, livrinhos com abas passam o tempo com alegria e ensinam muito! Pequenos Cientistas (resume bem como eu pretendo ensinar formalmente meus filhos em todas as disciplinas de Ciências que temos pela frente):

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A coleção Pequenos Cientistas é muito fofa e tem a descrição completa de experimentos fáceis para crianças pequenas, geralmente a partir dos 3 anos (mas Dimi aproveita pelo lado lúdico). Há também a coleção Jovem Cientista, lançada há alguns anos atrás, com volumes disponíveis ON LINE. Esta pode ser trabalhada por toda a infância e adolescência.

Também lemos as fábulas de Esopo para eles e muitos livros de literatura que tem animais como personagens (você não terá dificuldades em encontrar exemplos). As fábulas mostram um lado de comportamento animal que pode ser comparado com algumas virtudes, vícios e costumes humanos em geral. Esta analogia permite que as crianças entendam o que vem a ser o caráter.

Fora isto, temos 2 projetos este ano.

Primeiro semestre: pequeno jardim externo + horta vertical (na garagem), mais ou menos nestes moldes:

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Segundo Semestre: Observação do Céu Noturno, com binóculo de observação astronômica. Nós gostamos de ficar na garagem simplesmente deitados olhando o Céu e falando sobre ele. Tenho certeza de que as crianças ficarão animadíssimas em ver as estrelas mais de perto! :)

Os assuntos vão aparecendo e eu vou incluindo no nosso planejamento anual conforme o interesse das crianças. Estações do ano, de onde vem a chuva… apenas para responder os anseios delas, não como ensino conteudista. Vou me esforçar – de verdade – para compartilhar no blog. Eu não tenho muito tempo, mas estou melhor organizada este ano e sei que muitos gostam da partilha, assim como eu gosto de tantas famílias maravilhosas compartilharem suas experiências! Espero vocês aqui! Fiquem com Deus!