A linguagem dos meus filhos

por Vladimir Lachance

Salve Maria!

As vezes percebo que algumas pessoas ficam impressionadas com a linguagem da Lupita, porque ela consegue construir períodos assim:

“Geralmente, eu gosto de brincar com tintas, enquanto Dimitri gosta de bola.”

Ela tem apenas dois anos e tem um vocabulário extenso, além de ser capaz de construir frases complexas, com uso de pronomes (eu, nós, mim, você), advérbios (geralmente, especialmente) , preposições (de, em, por, com) e faz bom uso dos verbos (faço, fazer, faria, posso, poderia, gosto, gostei, gostaria, etc.).

Então, vez por outra ouvimos Guadalupe dizer algo do tipo:

“Papai, eu e Dimitri gostaríamos de brincar um pouco lá fora. Você poderia abrir a porta pra nós?”

Ou

“Você poderia dar um brinquedo para esse rapaz aqui?” Se referindo ao irmão de 1 ano.

Ou

“Vou comer esse doce sentada aqui no batente, junto com meu irmão.”

Confesso que até eu me espanto com a capacidade que ela tem de se expressar com tanta clareza e riqueza de vocabulário. Mas, eu e Luciana sempre procuramos refletir sobre o desenvolvimento dos nossos filhos para tentar entender como chegamos a determinados resultados ou o porquê de em determinados pontos não conseguirmos avançar.

Então, conversamos muito (as vezes exaustivamente, rs) para explicitar aquilo que fizemos e anotamos ou registramos mentalmente, como um princípio de educação.

No caso da linguagem, percebemos que utilizamos diversas técnicas para enriquecer o vocabulário e a complexidade das frases.

Listarei alguns princípios e técnicas que podem ser utilizadas no seu lar, para enriquecer a linguagem dos seus filhos. 

1. É preciso, acima de tudo, ter um ambiente doméstico orgânico: ou seja, se você quer que seus filhos tenham uma educação exemplar, é preciso que o ambiente doméstico seja esse exemplo. Quanto mais natural for esse exemplo, mais os seus filhos se beneficiarão. A educação formal no lar é importante, mas na primeira infância as crianças aprendem muito por imitação e repetição de hábitos. Portanto, se elas não se habituam a ver os membros da família conversarem, também elas se habituaram a não conversar. Se os membros da família conversam, mas não procuram fazer bom uso da língua, então os filhos se habituarão a se expressar mal. Um exemplo: conheci uma família em que os filhos chamavam quase todos os objetos da casa de “bagulho”. Então, quando queriam pedir algo, eles diziam assim: “pega esse bagulho aí pra mim!”… Além de não utilizarem “por favor”, nem os nomes das pessoas, etc. Então, resumidamente, o primeiro princípio: Procure ser um parâmetro em termos de boa linguagem para o seu filho.

2. Não perca a oportunidade de falar com os seus filhos: há muitos pais que ficam visivelmente impacientes quando seus filhos querem conversar e fazem uma pergunta atrás da outra. Aproveite esta ocasião para desenvolver a linguagem e a imaginação deles… se perguntam sobre um parente, por exemplo, você pode contar uma história do passado ou ensinar sobre os parentescos (“papai, quando a vovó vem aqui? Resposta: “Sua avó vem aqui semana que vem. Você sabia que sua vovó é a mamãe do papai?”, etc.).

3. As crianças costumam condensar a linguagem, tornando as suas respostas bastante simples. Por exemplo, se perguntamos “você gosta de ouvir essa música?” elas respondem simplesmente “gosto”. Então, a resposta delas pode ser retrabalhada, sempre de maneira bem natural – evitando os formalismos no ambiente doméstico… Você pode replicar, dizendo: “Ah, eu também gosto muito de ouvir essa música. É tão bonita“. Assim, você está abrindo um novo repertório de respostas para a criança… Tente sempre criar respostas alternativas para as perguntas feitas pelos seus filhos ou para suas réplicas, pois essa é a melhor forma de aumentar o vocabulário delas.

4. Trabalhe adjetivos e advérbios. Procure fazer as crianças avaliarem aquilo que vêem… essa é uma forma de trabalhar adjetivos e também de criar um senso de beleza neles. Então, peça para eles dizerem o que acham de uma pintura, ou de algum animal. “O que achou desse cachorro? É grande, pequeno, bonito, feio, fedorento, engraçado, etc.?” Sempre que estiver falando, use advérbios. Aqui, quando Lupita reclama porque não podemos brincar na garagem, ela costuma falar assim: “Eu nunca brinco lá fora.” Então, respondo com um: “Você brinca lá fora com frequência. Geralmente brincamos bastante, mas hoje não dá… o sol está muito forte”, etc. Assim, cria-se o registro.

Essas foram algumas das coisas que concluímos, mas ainda há muitas outras que publicarei num outro post.

Sobre este assunto, hoje assisti um vídeo do prof. Carlos Nadalim que trata exatamente da mesma questão. No vídeo, ele dá várias dicas de como expandir a linguagem dos seus filhos. Descobri que algumas nós já fazíamos aqui em casa, intuitivamente, mas há várias outras dicas valiosas.

Tente aplicar as dicas do Prof. Carlos e depois nos conte os resultados.

Clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo.

expandirlinguagem

 

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