Trabalhando matemática: Apostila de Escala Cuisenaire

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Salve Maria!

É com muita alegria que eu divulgo este material inédito de matemática, organizado por uma mãe católica homeschooler de 5 filhos: uma apostila completamente PRÁTICA de Escala Cuisenaire! Se você não conhece a escala, mais um motivo para adquirir este material, que mostra como podemos ensinar matemática aos nossos filhos de maneira eficaz, lúdica e, principalmente, com sentido! No meu post sobre como ensinamos Ciências, eu divulguei um texto que fala do fracasso do Brasil em ensinar Física – e, por extensão, todas as Ciências, exatas ou naturais -, e por isso eu considero de extrema importância um material como este, que ensina matemática de verdade. Leia mais e compre o seu através…

DESTE LINK.

Algumas palavras da autora:

“Como já escrevi outras vezes, o motivo pelo qual me encantei pela escala Cuisenaire foi que através do seu uso com meus filhos, além de ver a eficiência em ensinar conceitos matemáticos, pude resolver em mim vários conceitos mal entendidos ou nunca compreendidos — não pense que eram conceitos muito complexos, me refiro a conceitos básicos –, mas muito melhor do que começar a fazer as pazes com a disciplina, comecei a notar que estava facilitando a minha vida no dia a dia, na resolução de problemas, encontrando mais facilmente as soluções e melhorando a minha capacidade analítica. Logo percebi que os conceitos de lógica estudados na matemática foram os responsáveis por este acontecimento. Mas esta observação ainda era (e ainda considero de certa forma) muito superficial para mim, queria entender realmente o porquê deste “fenômeno”. Neste processo me dei conta que esta “falta de noção de conceitos básicos de lógica” afeta a maioria dos brasileiros e isso realmente é chocante porque afeta a vida intelectual e social como um todo. Foi a partir deste momento que decidi me tornar oficialmente uma estudante de matemática.”

Nani Selestrim

Meu planejamento semanal (Atividades)

Salve Maria!

Este é meu quadro de planejamento semanal: depois de muitos ajustes, consegui organizar a minha rotina (clique na imagem para ampliar)! Antes que você pergunte: eu não faço tudo o que está descrito em cada dia todos os dias. Este é um guia geral que me mostra as oportunidades que eu posso ter em cada dia, levando em conta a nossa rotina (horário das refeições, soneca das crianças, quando elas estão mais dispostas a fazer atividades, etc.).

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Para compreender o quadro:

Basicamente, o meu dia funciona da seguinte forma: pela manhã eu consigo fazer uma atividade com eles (Atividade 1). Nesta atividade, eu dou prioridade a qualquer coisa que não seja ficar sentado “estudando”. É o momento de caminhar um pouco no bairro, brincar com plantas, com água, coisas que se sujem, dançar, passear (quando é o caso de irmos no SESC ou parquinho, coisa que fazemos 1 vez por semana ou a cada 15 dias). Por isso você vai notar que a cada dia da semana eu descrevo mais de 3 opções em cada Atividade: obviamente, eu escolho uma destas coisas para fazer em determinado dia, trocando também os dias da semana. Esta é a atividade mais longa do dia, e pode durar de 45 minutos a 1 hora e meia.

Antes da Atividade 1, nós já rezamos, tomamos café da manhã e já dei uma arrumada na casa. Nesta hora, eu os incentivo a me ajudar. Depois que eles ajudaram um pouco, eles brincam no quarto com os brinquedos, enquanto eu dou continuidade à faxina. Então, se tudo correu como de costume, fazemos a primeira atividade do dia (exceto nos dias em que eu vou ao parquinho ou saio de casa, quando a faxina fica para depois).

Pela manhã é quando eles estão mais ativos. Não faz sentido começar o dia com eles na mesa. Se eles não gastam energia pela manhã, ficam entediados e não querem tirar soneca.

A atividade livre que você vê no quadro é o que eu os deixo fazendo enquanto eu estou terminando o almoço (eu costumo deixar o almoço  parcialmente pronto no dia anterior) por volta das 11: 15 da manhã.

A Atividade 2 é geralmente feita após o descanso do almoço (13:30) ou após a soneca deles (o horário varia muito, mas vamos colocar às 17:00 hrs). É geralmente a atividade “senta e faz”, seja lendo, recortando, desenhando, etc (dura em média 30-45 minutos).

Quanto à leitura de livros: eu espalho ao longo do dia, conforme as oportunidades. Pode ser uma sessão imediatamente após o café da manhã (antes de arrumar a casa, especialmente quando não está muito bagunçada) ou até mesmo antes do café, quando eles não estão ainda dispostos e eu sei que eles irão apenas enrolar muito e comer pouco. Posso ler no descanso do almoço ou após a soneca (a depender da Atividade 2) e o pai certamente faz uma sessão diariamente, quando chega do trabalho. É comum que eles decidam ler, por isso quando eles escolhem alguns livros da estante, eu leio!

Como vocês sabem, eu tenho uma cesta mensal de livros: todo fim de mês eu separo cerca de 12 livros que serão nossos companheiros no mês subsequente. Eu faço isto para “dar conta” de alguns livros mais extensos e ler e reler todos os que estão na cesta.  No quadro, eu indico os livros “temáticos” (artes, música, ciências, etc.) para que, além dos livros da cesta, eu leia estes mais “educativos” ao longo da semana (estes livros ás vezes são livros de atividades).

Matemática: todos os dias em que há tempo e oportunidade (na prática, quase todos os dias). Jogos, contar coisas, livrinhos de contar, e tudo o que eu conseguir ensinar de forma lúdica.

Atividade 3: 4 vezes por semana, em família, uma atividade religiosa – Dia da Bíblia ou Catecismo ilustrado. Após o jantar ou café da noite, quando já descansamos (dura em média, 20-30 minutos).

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O planejamento semanal fica fixado no meu quadro e é o meu principal guia. Ás vezes eu planejo a semana específica, às vezes não. Depende das ideias que eu tenho e de que tipo de material eu terei de providenciar.

Este não é o planejamento perfeito, eu tenho que consolidar um pouco algumas coisas para então aprimorá-lo. Para a idade deles eu creio que seja importante não direcionar demais e deixá-los com tempo livre suficiente para brincar. São 3 atividades, mas a primeira é basicamente proporcionar uma diversão mais interessante do que simplesmente deixá-los com brinquedos.

O importante é investir em hábitos que atendam às necessidades deles e se adaptem à vida em família. Depois de muito insistir em detalhar absolutamente toda a rotina diária (horário de banho, orações, quando escutamos músicas, etc.), eu reconheci que comigo a rotina deve ser orgânica, justamente porque os meus dias são feitos de oportunidades. Crio as condições para que as coisas tenham a tendência de acontecer e elas começaram a acontecer. Há pessoas que são metódicas. Precisam detalhar que naquele dia específico ouvirão Bach, rezarão tais e tais orações com os filhos, lerão aqueles livros. No meu caso, fazer isto só conseguia me desanimar, porque eu não conseguia cumprir metade de um dia sequer! No dia me ocorria de ouvir Mozart ou pior: aquele planejamento acabava por exercer forte pressão em mim, pois embora conseguisse cumprir algumas coisas, ter deixado de ouvir a tal música ou ter mostrado determinadas pinturas me deixava com saldo negativo. Definitivamente, eu não sou uma pessoa metódica (admiro algumas amigas que são); comigo funciona: compre diversos livros de arte e tenha o hábito de ler com eles. Ouça música clássica no café da manhã. Vez ou outra, sim: faça um pequeno programinha, talvez envolvendo as biografias dos grandes compositores. E assim, eu sigo vencendo a mim mesma, pois organização nunca foi o meu forte.

Fiquem com Deus e a Santíssima Virgem!

Cesta de livros de fevereiro

Salve Maria!

Todos os meses eu separo a dúzia de livros que irão nos acompanhar. É claro que eu leio muitos outros livros durante o mês e deixo meus filhos pegarem o que quiserem na estante, mas eu tenho a minha pequena lista de prioridades para cada mês – o que inclui aproveitar as novas aquisições, os livros que alugamos nas bibliotecas da cidade e, principalmente, estar atenta ao planejamento da educação domiciliar (não pensem nisto como um currículo muito rígido). Eis a cesta de livros de fevereiro (clique no título para ser direcionado ao site):

1 – Fábulas de ouro: As mais belas fábulas russas (Ed. Paulinas)

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Contos de fadas com belas ilustrações. Leio em voz alta algumas vezes por semana. O interessante é que há personagens com o nome do meu filho e do meu esposo (os dois tem nomes russos) e isso deixa as crianças interessadas. Este lado oriental é muito rico, especialmente porque estamos conhecendo através da literatura. Este ano vamos estudar, em história, o costume de diferentes povos (conforme mencionei no planejamento 2016) e eu faço um esforço para fazê-los prestar atenção a alguns aspectos culturais quando vamos lendo os contos.

2- O Hobbit, em quadrinhos 

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Lupita está adorando esta fiel adaptação do Hobbit em quadrinhos, originalmente lançada em 1937. Quase todas as noites eu leio algumas páginas. Ela já conhecia um pouco da história, pois havíamos contado e mostrado duas cenas do primeiro filme do Hobbit. Tolkien não pode faltar aqui em casa!

3 – Asas! , Jane Yolen – Dennis Nolan (comprei num sebo)

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Eis uma versão particularmente bela da história de Dédalo e Ícaro! Uma vez por semana, lemos para as crianças! Elas gostaram bastante!

4 – Zog / O filho do grúfulo , Julia Donaldson

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Nas minhas cestas eu sempre coloco livros clássicos, com as grandes histórias, mas nunca deixo de acrescentar livros mais indicados para a faixa etária dos meus filhos. Os livros mais longos (como os 3 primeiros do post) dão conta de um aspecto, estes, de outros. Livros criativos como estes fazem com que eles literalmente decorem o texto das páginas, ganhem vocabulário rapidamente e se divirtam mais.

5 – Onde vivem os monstros – Maurice Sendak

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Maurice Sendak entende como a cabeça das crianças funcionam! Este é o livro preferido de Dimi e, sem dúvida, o autor captou bem a personalidade dos meninos. Lupita sabe este livro de cor, página por página, letra por letra.

6 –  Alfabetando – Lia Zatz

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Poesias de A a Z. Lupita ainda não começou a ser alfabetizada, mas já está ganhando consciência fonológica. Ela me pergunta: “Mãe, amor é com a letra A?”

7 – Homens, Heróis e Santos – Cândido de Alencar Machado

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Gosto do texto e das ilustrações e é um dos poucos livros sobre a vida dos Santos em língua portuguesa. Já li algumas vezes, mas este mês lerei histórias toda semana.

8 – Famílias Animais – Publifolha

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Comprei este livrinho por 14 reais na Amazon e é um ótimo auxílio no ensino de Ciências. Curiosidades animais para crianças com sentido familiar.

9 – O soldado e a trombeta – Olavo Bilac

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Poesia divertida de Olavo Bilac! As ilustrações não são lá muito bonitas, mas os meus gostam assim mesmo!

10 – Livros para a diversão:

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Livros de Adesivos Usborne e Meu livro de Arte para colorir: passatempos também são educativos e eu aproveito para conversar sobre as obras de artes ou sobre castelos e bailarinas!

Nosso “Dia da Bíblia”

Salve Maria!

Atualmente fazemos dois esforços principais com as crianças para a vida católica em família: o Dia da Bíblia e o Catecismo ilustrado. Hoje eu vou falar um pouco sobre como acontece o Dia da Bíblia, que começamos a fazer no segundo semestre do ano passado.

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Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Duas vezes por semana (geralmente às terças e quintas) fazemos um momento de oração em conjunto e lemos as bíblias infantis das crianças e/ou quaisquer outros livros com temática religiosa. Começamos a rezar 1 dezena do terço este ano antes das leituras e foi tão bem recebido que até o final do ano eu espero rezar o terço completo com eles nessas ocasiões. Eu não quero parecer sistemática (realmente, não sou), mas se não começamos de um ponto suave fica difícil introduzir o terço diário em família com crianças pequenas. É um exercício também para nós: eu desejo que Lupita reze diariamente o terço com mais ou menos 5 anos, então, nestes anos que ainda faltam, é preciso trabalhar. Conheço alguns pais que introduziram até antes: isto vai de família em família.

12695826_567579413394347_1771297489_n Páginas do livro “Passagens bíblicas para cada dia do ano”, da editora Rosari

O ideal é que o momento dure no máximo 30 minutos (os nossos geralmente ficam em torno de 15-20 minutos), especialmente se as crianças forem pequenas como as minhas, para não cansá-las. Você também não vai querer enfadar os filhos, fazendo o momento solene demais e extenso, de modo que acabará por fazer deste o momento penoso da vida em família. Ao contrário: uma pequena dose é recebida senão com alegria, com resignação; mesmo nos dias em que os meus não estão muito dispostos, conseguimos fazer com que eles sentem, rezem e ouçam as histórias . Nos dias indispostos, lemos apenas 2 histórias após a oração, sem jamais comunicar que estamos fazendo isto por conta deles: longe de estimulá-los, isto só lhes permitiria fazer uso do mesmo comportamento para fazer o encontro durar menos. Mas há muitos dias em que lemos várias histórias, e somos nós que limitados, apesar dos pedidos.

Colocamos  algum ícone (o Menino Jesus ou Santa Teresinha), os terços e os livros na mesa. Então sentamos, dizemos alguma oração inicial, fazemos pedidos e intenções e rezamos a dezena do terço. Ás vezes lemos na bíblia antes sobre a meditação do mistério. Depois, lemos as histórias que tenham relação com a  liturgia (por exemplo, Natal, Páscoa, padroeiro) ou simplesmente deixamos que eles escolham.

Tenho feito o esforço de ler o livro “Passagens bíblicas…” durante o dia, ao longo da semana.

É isto! Simples como convém à nossa família… depois venho mostrar como ocorre o Catecismo ilustrado!

É possível ensinar moral e virtudes através da Literatura?

por Luciana e Vladimir Lachance

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Perguntaram para Luciana se seria possível trabalhar as virtudes e a moral (ética) na educação domiciliar a partir de obras como As Crônicas de Nárnia, Os Contos dos Irmãos Grimm, O Livro das Virtudes para Crianças.

Ela respondeu no Facebook. A partir da resposta, expandi o comentário e fiz alguns adendos (principalmente com alguns exemplos).

Eis:

Todos os livros mencionados estão na nossa estante familiar. Mas, ocupam o espaço relativo à literatura e os trabalhamos principalmente nesta perspectiva.

Explico.

Neste tipo de livro, a virtude – mesmo no Livro das Virtudes para Crianças – deve ser apenas uma imagem do que seja a virtude real. Usar um livro como As Crônicas de Nárnia para ensinar moral, cristianismo, virtudes (coragem, fé, etc.) leva, invariavelmente, a certas complicações, porque contém imperfeições explícitas, e não apenas isso: as passagens que poderiam ser utilizadas para trabalhar esses pontos são insuficientes para construir uma ideia clara do que sejam a virtude, moral, etc.

É preciso que a criança aprenda bem a fé e a moral cristã no catecismo e na prática da religião, a partir de definições, de verdades evidentes. Se ensinamos a fé e a moral através de imagens literárias, é bem provável que criaremos ideias não tão claras sobre fé e moral para as nossas crianças.

Portanto, se a criança aprende bem a fé e a moral cristã – no catecismo e na prática da religião -, se entende o que é a coragem pelo exemplo dos santos (me parece que o melhor, neste caso, é fazê-lo através das biografias de santos romanceadas), então, e somente então, ela tomará com algum proveito o tal cristianismo em Nárnia, que contém até menções a inverdades bíblicas: 1. Dizer que Lilith foi a primeira mulher de Adão – está no primeiro volume de Nárnia, O sobrinho do Mago; 2. Explicar a Ressurreição como uma “magia profunda”, uma espécie de artifício quando a pedra se quebra e “morre” no lugar de Aslam – está no segundo volume, O leão, a feiticeira e o guarda-roupa; 3. Edmund enquanto representação de Judas, mas que, diferente dos Evangelhos, se arrepende e é perdoado por Aslam (Cristo): é de causar uma confusão enorme!; 4. A relação de Nárnia com as figuras mitológicas: Baco, ninfas, etc.

Há ainda outras coisas, mas esses pontos já ilustram como não é tarefa fácil utilizar a literatura como ferramenta de ensino moral e religioso. E talvez não só não seja fácil, como pode ser de fato equivocado esperar que a literatura possa cumprir essa função. A virtude em livros tais só tem proveito quando a criança conhece o real. Ela não deve apreender algo tão precioso como as virtudes em uma literatura que é somente transversal: a virtude pode até estar ali, mas ela está diluída, simplificada ou simbólica. Mas se conhecer o real, então o símbolo ganha força.

Quanto aos contos de fadas, servem mais para a imaginação e para apresentação do conceito do mal que das virtudes.