Guadalupe e a Guerra do Sono

Bons tempos…

Falávamos da minha solidão. Esquecemos de falar sobre o alívio! Sim, pois a minha solidão com Lupita não durará para sempre. Convém falar disto, para que as futuras mães e esposas não imaginem que, quando casarem, terão de enfrentar anos do mesmo problema. Não é verdade. Se Deus quiser, outros filhos virão, e mesmo que fosse uma provação e que isto não acontecesse, o neném cresceria e poderia conversar com a mãe. É o primeiro momento que é realmente difícil. As coisas melhoram – ou melhor, você melhora.

Quando Guadalupe nasceu, por exemplo, eu desejava que ela completasse logo três meses. Era muito novo para mim: eu tinha medo. Medo dela ser tão pequena, de qualquer gripe derrubá-la, de tudo o que me diziam. As cólicas eram parte do problema, pois eu dormia muito mal. Você com certeza já passou uma noite em claro, mas pôde dormir até tarde no dia seguinte. Quando o bebê chega, são muitas noites em claro, mas este “dia posterior” não chega nunca. Melhorou consideravelmente já no segundo mês – só que 30 dias seguidos dormindo, no máximo, 2 horas seguidas, foi sacrificado. Eu imagino que nem todos os bebês sejam assim, mas Guadalupe acordava pontualmente de 2 em 2 horas, e como eu sempre demorei um pouco para pegar no sono, não poucas vezes permanecia acordada até que ela precisava mamar novamente. Com 1 mês e meio, se eu não me engano, ela dormiu 5 horas seguidas pela primeira vez. Isso durou pouco tempo, e lá pelo quarto mês, eu enfrentei a “guerra do sono” aqui em casa. E não posso dizer que terminou!

Tudo o que você imaginar relacionado a “problemas de sono” fizeram parte da minha rotina. Primeiro, Guadalupe ficou bastante resistente para começar a dormir à noite. Chorava, se contorcia. Depois, as sonecas passaram a durar 40 minutos (como é até hoje). Posteriormente, ela acordava para brincar de madrugada, e só conseguia dormir 2 horas depois. Atualmente, a primeira fase do sono dela – entre 20:30 e 22:30 continua delicada, especialmente se não estou do lado. Acorda chorando exigindo a minha presença, e o resultado final desta soma é um tempo ainda mais reduzido para fazer as tarefas de casa.

Comprei e li muitos livros e artigos, como Soluções para noites sem choro, que traz informações muito utéis, mas o método não resolve exatamente o problema, embora torne o caminho mais suave. Também conheci o método de Gary Ezzo, Nana Nenê : deixá-la chorando é uma opção dramática, já que Lupita chora até colocar tudo para fora. É controverso. Eu particularmente não gosto. Acontece apenas quando eu tento de tudo – colo, seio, música – e ela, incrivelmente, continua berrando. Nestes dias eu deito-a na minha cama e permaneço do seu lado, ouvindo-a chorar muito, afagando suas costas, até que ela se cansa. Sou obrigada a admitir que, apesar da catarse, ela dorme bem o resto da  noite. A Encantadora de Bebês tem a melhor e mais eficaz proposta, que teria transformado meus dias, não fosse o fato de que eu viajei para Salvador justamente quando ele estava funcionando. Consiste em ensinar o bebê a dormir sozinho, aliado à alimentação com horário. Pausa: Lupita mama em livre demanda. Fora isso, ela estava indo bem no aprendizado, mas é preciso muita paciência, já que é muito difícil chegar no ponto de colocar o bebê (viciado em dormir no colo e no peito) acordado no berço e fazê-lo adormecer. É preciso estar preparada para pegá-lo e acalmá-lo mais de 100 vezes (literalmente). E meus dias estão muito corridos e cansativos para que eu recomece isso.

Contando de forma resumida não parece tão ruim, mas foi. Quando eu conseguia resolver algum dos problemas – por exemplo, fazê-la dormir de forma tranquila, escutando uma cantiga medieval – ela passava a ter o sono picotado. Isso me causava tristeza! E foram quatro meses de muitas queixas (confesso que eu não sabia falar de outra coisa), até que eu finalmente aceitei o fato de que ela dorme mal. Eu não contei nem 10% de tudo o que eu tentei para melhorar a situação – nos dias mais desesperados passei a dormir com ela no colo durante as sonecas, fiz cama compartilhada, banho morno, histórias, enfim, uma rotina militar – mas agora eu não aceito nem mesmo sugestões. Se eu criar coragem, tento mais uma vez o método da Encantadora, mas por enquanto eu estou achando melhor manter a minha resolução, já que a situação aqui em casa costuma melhorar por conta própria, sem maiores explicações.

O que eu tirei dessa situação foi o verdadeiro significado da palavra paciência. Eu tentei de tudo porque queria fazer o melhor, e não simplesmente aceitar uma situação que podia ser revertida. Por algum motivo nada funcionou. Acho que quando este momento chega o melhor é aceitarmos a provação que Deus coloca nas nossas vidas –  e eu estava sempre dizendo ao meu marido que tudo o que eu estava passando era para eu não achar que tudo havia ficado fácil com Lupita. Sei que muitas mães passam por problemas semelhantes: e, infelizmente, para algumas, nenhum método se aplica. Eu cheguei a me culpar diversas vezes; achava que estava seguindo as instruções parcialmente, ou que ela só poderia estar com algum desconforto (não era)… mas aceitei e isso me aliviou imensamente. Primeiro, porque eu fiz a minha parte (tentei de tudo), segundo, porque aceitei como um peso que Deus enviou para os meus dias. Nem tudo pode mesmo ser resolvido. Nem tudo. E deixa eu terminar por aqui, que ela já está choramingando no berço, Rs!

{Do nosso diário} Maio, 2012

Salve Maria!

Há uns 25 comentários a serem aprovados no blog, além de alguns e-mails de pessoas que me conhecem por aqui: a maioria deles esperando alguma resposta, o que certamente acontecerá, assim que eu tiver algum tempo! Agradeço de coração todo o carinho! Além da falta de tempo que eu enfrento, está o fato de que o computador está quase sempre sendo usado por meu marido, que termina o TCC. Portanto, conto com o perdão de vocês!

{Do nosso diário}

{Um: Apoio para a mamãe}

O caderninho acima não é nosso diário oficial, mas um local de registro. Para mães de primeira viagem como eu, pode ser útil ter um diário de anotações para a rotina da criança – prática que vi sugerida num livro (chama-se “Encantadora de Bebês“). Nos primeiros dias com Lupita, a adaptação foi difícil. Na teoria, estamos preparadas para dar de mamar 12 vezes ao dia; na prática, quando se está com sono, cansada e se recuperando do parto… tendemos a superestimar os acontecimentos. Ás vezes meu marido chegava em casa e me perguntava “como foi o dia?“, e eu lhe respondia que Guadalupe havia chorado por horas, e por várias vezes. Uma vez que adotei a prática das anotações, pude ver claramente como as horas eram minutos bem breves e as “muitas vezes” eram apenas duas.

Outras utilidades: ver de quanto em quanto tempo ela espaça as mamadas, e a progressão disso durante o dia; saber quando ela mamou bem e quando, por algum motivo, a mamada não foi boa; horário de remédios; tempo que ficou acordada, etc. Durante o dia, as ações se repetem muito, e fica difícil recordar estas informações de cabeça… agora, sempre que chega em casa, meu marido lê nossas anotações, e assim acompanha de perto como passamos sem ele! Para mim, foi uma grande ajuda e me deu segurança; é uma forma de pôr os acontecimentos “sob controle” e, de certa forma, me faz um pouco de companhia… 

{Dois: escrevendo cartões de agradecimento}

Estes são cartões de agradecimento, a serem enviados para nossos queridos amigos (que se lembraram de nós e enviaram lindos presentes para Lupita, antes de seu nascimento). Só agora estamos tendo tempo de colocar isto em dia, e ainda preciso dar conta das lembrancinhas! Como disse, as primeiras semanas foram difíceis, Lupita ainda ficou dodói alguns dias, de modo que o que era para ter saído em abril, só deve ser concluído em junho! Mas estamos empenhadas em recompensar a todos pelo carinho!

Comprei a caixa, com 20 cartões e respectivos envelopes, na Livraria Saraiva, e custou apenas 24,00. Os cartões são lindos, em 4 diferentes temas e estão em  branco na parte de dentro, para que possamos escrever a mensagem como bem quisermos. 

{Três: Primeiro Dia das Mães}

Recebi dois presentes de Guadalupe na semana do dia das mães. O primeiro foi que, de uma hora para outra, ela eliminou uma mamada da madrugada (mais especificamente a que ela fazia entre 2 e 3 da manhã), e agora está dormindo de meia-noite até 5 da manhã mais ou menos. Não é que este dia chega?!

O outro presente foi adormecer sem ser ninada no braço. Eu fiquei um pouco sentida quando vi isto acontecer a primeira vez, pois ela sempre me chamava para que eu a ninasse (por mais que estivesse com sono, não dormia de jeito nenhum!); tão logo eu a tomava nos braços, ela fechava os olhinhos (por que estou falando no passado? ela ainda faz isso quase todos os dias, só que agora há exceções!), mostrando como se sente segura comigo (é o que eu acho, rs). Agora, se está no carrinho, vai pegando no sono devagar e dorme por conta própria, sem chamar a mamãe. Meus braços agradecem, afinal, ela já está com quase 6,5 kg!

Ela está crescendo incrivelmente rápido! Como já nasceu grandinha, quase não tive a chance de segurar um bebê molinho nos braços; mesmo assim, bate uma saudade dos primeiros dias! Sempre fica a sensação de que poderíamos ter aproveitado mais, e eis que agora, ela já está quase falando – outro dia falou “mu-mu”, com 1 mês e 20 dias (devo considerar isso o primeiro “mamãe?”). Está perdendo roupas por semana, já que o ganho de peso dela é de aproximadamente 250 gramas nesse período. Eu só estou amamentando, juro! “É o jeito de ser dela“, como diz o pai.

Agora estamos nos preparando para a última trezena de Santo Antônio em Salvador: uma tradição na minha família há mais de 50 anos! Tendo oportunidade, venho contar sobre isso!

Fiquem com Deus e rezem por nós!

Santo Batismo da minha filha

Salve Maria!

Lupita foi batizada no dia 25 de março – dia da encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem Maria – , 9 dias depois que nasceu, mas não tive tempo de dividir com vocês algumas fotos! Eis algumas deste momento especial e solene, em que minha filha foi resgatada das mãos do demônio, e já se conta entre os membros do corpo místico de Cristo. Foi no rito tradicional!

Admissão na entrada da Igreja: o padre a “insuflou”, dando os 3 sopros em forma de cruz, chamando o espírito de Deus; expulsando o espírito maligno e exigindo que se desse lugar ao Espírito Santo. Também fez o sinal da Cruz  para que Deus olhe para a sua nova serva, Maria de Guadalupe.

Então o padre impôs as mãos em Lupita, fazendo uma oração. Depois colocou sal bento na sua boca.

Entrando, cantando o Credo.

Lindo momento! Eu estou segurando Guadalupe, pois minha irmã (que é a madrinha) não pôde ir, e foi representada pela nossa madrinha, um pouco insegura para carregá-la nos braços.

Ela ficou tão quieta… durante todo o batismo, só estremeceu no exorcismo. Nem mesmo a água a despertou do sono…

Eu estava um pouco nervosa, pois ela havia saído do hospital na quinta-feira (ficou seis dias lá…), e a igreja fica realmente muito distante da minha casa. Então, estava apreensiva se ela acordaria com fome; mas voltou para casa na mesma calmaria, só despertando assim que chegamos.

Deus os abençoe!