A sabedoria que desprezamos: ou, o que as canções de ninar podem nos ensinar sobre educação

Por Vladimir Lachance

Salve Maria!

547805_256397161179242_2080404418_nVocê já cantou o “boi da cara preta” para seu filho hoje? E você já se perguntou alguma vez quando esta singela canção foi criada? Quem é o seu autor? Creio que, como eu, você nunca nem sequer tinha pensado no assunto.

Pois é… eu me peguei pensando nestas coisas essa semana. Mas, com a agenda cheia de trabalhos, acabei deixando essas dúvidas no fundo da mente e voltei para minha rotina. Acontece que toda vez que eu pegava o Dimitri no colo e começava a cantar a monótona canção de ninar, as dúvidas voltavam e se misturavam à letra…

Então, assim que coloquei o pequeno no berço, me pus a pensar no assunto novamente. E percebi que eu tinha uma outra dúvida, que me parecia anterior a todas as outras e mais importante: porque cantamos essa canção, que nem sabemos quando foi criada e nem por quem? Porque minha mãe, minha avó, talvez minha bisavó, etc., cantavam o “boi da cara preta”?

Passei a refletir sobre isso… E pensei em todas as outras canções de ninar. Como todas são monótonas, geralmente entre tons médios e graves, sem muitos altos e baixos e quase sem variação de volume. Pensei, ao mesmo tempo, nas tentativas modernas de criar novas canções de ninar: aqueles cds chatinhos com versões de mpb ou rock para bebês, com xilofones e vozes meio Fernanda Takai; uma moda que só pegou entre gente ávida de novidade, que acha que inovar é dar o melhor para os seus filhos. Em geral, as pessoas ainda continuam ninando seus filhos com as velhas e desanimadas canções de suas avós.

E o que isso quer dizer? Deve haver alguma explicação – para além da preguiça e do costume – para nos mantermos tão fiéis a essas senhoras canções. A resposta, um tanto óbvia mas reveladora: elas foram testadas durante séculos e funcionam.

Podemos dizer o mesmo dos contos de fadas e demais histórias infantis, das poesias para crianças e das brincadeiras… todas sem autores, sem data, e altamente eficazes!

E, ao notar isso, me dei conta de que, mais do que coisas antigas, as histórias, contos e músicas infantis são, sobretudo, tradicionais. Pio XII definiu a tradição como

“(…) um dom que passa de geração em geração; é a tocha que, a cada revezamento, um corredor põe na mão do outro, e confia-lha sem que a corrida pare ou diminua de velocidade. Tradição e progresso reciprocamente completam-se com tanta harmonia que, assim como a tradição sem o progresso se contradiria a si mesma, assim também o progresso sem a tradição seria um empreendimento temerário, um salto no escuro.”

Então, quando você cantou “boi, boi, boi, boi da cara preta…”, você pegou a tocha das mãos da geração anterior e acreditou que estava fazendo a coisa certa.

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Agora, faça a mesma reflexão sobre a educação dos seus filhos. Porque, quando se trata de educação, corremos atrás de novidades, de slogans que prometem milagre, e dos métodos mais revolucionários? Porque olhamos para o nosso passado educacional e o ignoramos?

No caso da educação, obviamente, o problema é mais profundo e difícil de enxergar. Eu, por exemplo, não entendo “passado educacional” como o tempo dos nossos pais ou avós, pois eles conheceram uma realidade escolar já moldada de uma maneira muito parecida com a nossa. Quando penso no passado aqui, estou pensando em coisas como educação clássica, trivium, jesuítas… uma série de ideias educacionais que nos são um tanto desconhecidas.

São essas ideias que se relacionam com a tradição, entendida como uma sequência ininterrupta de tentativas e erros, que foi se aperfeiçoando e formando modelos educacionais de excelência.

Muitos de nós desconhece a existência de algo como o trivium, que nada mais é do que uma forma de educar bimilenar, que passou por uma série de melhorias ao longo dos séculos, a partir da experiência de ensino de diversos homens e instituições. O trivium começou a ser formado entre os gregos e romanos, passou pelas mãos de Santo Agostinho e sofreu algumas reformulações… depois trilhou um longo caminho até chegar ao seu formato “padrão”, na Idade Média. Mas, não parou por aí: superou o período medieval e entrou no mundo moderno, recebendo um novo tratamento com o trabalho dos jesuítas. Ou seja, o trivium é aquilo que podemos chamar de modelo tradicional de educação, que foi transmitido de geração em geração, e, cada uma delas melhorou e expandiu esse modelo, até atingir a excelência.

Muitos desconhecem… outros conhecem, mas tomam o trivium como algo histórico, que foi aplicado lá atrás e que já não cabe a nós. Mas, a verdade é que existem muitas famílias – inclusive aqui no Brasil -, que educam seus filhos através do trivium e obtêm resultados maravilhosos.

Então, convido você a refletir sobre a educação dos seus filhos. Pense nisso! Se pergunte porque deixamos tanta coisa pra trás e porque não nos esforçamos para resgatar tudo isso: um legado gigantesco, que passou pelas mãos de grandes educadores e santos católicos… e, que, infelizmente, está como que no fundo do mar, distante dos olhos da maioria; acessível somente àqueles que se arriscam a mergulhar tão fundo para vislumbrar nem que seja o brilho deste tesouro.

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A linguagem dos meus filhos

por Vladimir Lachance

Salve Maria!

As vezes percebo que algumas pessoas ficam impressionadas com a linguagem da Lupita, porque ela consegue construir períodos assim:

“Geralmente, eu gosto de brincar com tintas, enquanto Dimitri gosta de bola.”

Ela tem apenas dois anos e tem um vocabulário extenso, além de ser capaz de construir frases complexas, com uso de pronomes (eu, nós, mim, você), advérbios (geralmente, especialmente) , preposições (de, em, por, com) e faz bom uso dos verbos (faço, fazer, faria, posso, poderia, gosto, gostei, gostaria, etc.).

Então, vez por outra ouvimos Guadalupe dizer algo do tipo:

“Papai, eu e Dimitri gostaríamos de brincar um pouco lá fora. Você poderia abrir a porta pra nós?”

Ou

“Você poderia dar um brinquedo para esse rapaz aqui?” Se referindo ao irmão de 1 ano.

Ou

“Vou comer esse doce sentada aqui no batente, junto com meu irmão.”

Confesso que até eu me espanto com a capacidade que ela tem de se expressar com tanta clareza e riqueza de vocabulário. Mas, eu e Luciana sempre procuramos refletir sobre o desenvolvimento dos nossos filhos para tentar entender como chegamos a determinados resultados ou o porquê de em determinados pontos não conseguirmos avançar.

Então, conversamos muito (as vezes exaustivamente, rs) para explicitar aquilo que fizemos e anotamos ou registramos mentalmente, como um princípio de educação.

No caso da linguagem, percebemos que utilizamos diversas técnicas para enriquecer o vocabulário e a complexidade das frases.

Listarei alguns princípios e técnicas que podem ser utilizadas no seu lar, para enriquecer a linguagem dos seus filhos. 

1. É preciso, acima de tudo, ter um ambiente doméstico orgânico: ou seja, se você quer que seus filhos tenham uma educação exemplar, é preciso que o ambiente doméstico seja esse exemplo. Quanto mais natural for esse exemplo, mais os seus filhos se beneficiarão. A educação formal no lar é importante, mas na primeira infância as crianças aprendem muito por imitação e repetição de hábitos. Portanto, se elas não se habituam a ver os membros da família conversarem, também elas se habituaram a não conversar. Se os membros da família conversam, mas não procuram fazer bom uso da língua, então os filhos se habituarão a se expressar mal. Um exemplo: conheci uma família em que os filhos chamavam quase todos os objetos da casa de “bagulho”. Então, quando queriam pedir algo, eles diziam assim: “pega esse bagulho aí pra mim!”… Além de não utilizarem “por favor”, nem os nomes das pessoas, etc. Então, resumidamente, o primeiro princípio: Procure ser um parâmetro em termos de boa linguagem para o seu filho.

2. Não perca a oportunidade de falar com os seus filhos: há muitos pais que ficam visivelmente impacientes quando seus filhos querem conversar e fazem uma pergunta atrás da outra. Aproveite esta ocasião para desenvolver a linguagem e a imaginação deles… se perguntam sobre um parente, por exemplo, você pode contar uma história do passado ou ensinar sobre os parentescos (“papai, quando a vovó vem aqui? Resposta: “Sua avó vem aqui semana que vem. Você sabia que sua vovó é a mamãe do papai?”, etc.).

3. As crianças costumam condensar a linguagem, tornando as suas respostas bastante simples. Por exemplo, se perguntamos “você gosta de ouvir essa música?” elas respondem simplesmente “gosto”. Então, a resposta delas pode ser retrabalhada, sempre de maneira bem natural – evitando os formalismos no ambiente doméstico… Você pode replicar, dizendo: “Ah, eu também gosto muito de ouvir essa música. É tão bonita“. Assim, você está abrindo um novo repertório de respostas para a criança… Tente sempre criar respostas alternativas para as perguntas feitas pelos seus filhos ou para suas réplicas, pois essa é a melhor forma de aumentar o vocabulário delas.

4. Trabalhe adjetivos e advérbios. Procure fazer as crianças avaliarem aquilo que vêem… essa é uma forma de trabalhar adjetivos e também de criar um senso de beleza neles. Então, peça para eles dizerem o que acham de uma pintura, ou de algum animal. “O que achou desse cachorro? É grande, pequeno, bonito, feio, fedorento, engraçado, etc.?” Sempre que estiver falando, use advérbios. Aqui, quando Lupita reclama porque não podemos brincar na garagem, ela costuma falar assim: “Eu nunca brinco lá fora.” Então, respondo com um: “Você brinca lá fora com frequência. Geralmente brincamos bastante, mas hoje não dá… o sol está muito forte”, etc. Assim, cria-se o registro.

Essas foram algumas das coisas que concluímos, mas ainda há muitas outras que publicarei num outro post.

Sobre este assunto, hoje assisti um vídeo do prof. Carlos Nadalim que trata exatamente da mesma questão. No vídeo, ele dá várias dicas de como expandir a linguagem dos seus filhos. Descobri que algumas nós já fazíamos aqui em casa, intuitivamente, mas há várias outras dicas valiosas.

Tente aplicar as dicas do Prof. Carlos e depois nos conte os resultados.

Clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo.

expandirlinguagem

 

Notas {setembro, 2014}

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Começar o  caminho do alfabeto foi ótimo! Em breve vou fazer um post resumindo as atividades das semanas da letra A… Eu fiz um planejamento que vai deste mês até agosto do ano que vem, sendo que em dezembro nós não faremos porque durante o advento e Natal nós nos dedicamos ao aniversário de Nosso Senhor, e isso já nos ocupa bastante! Com férias em dezembro, retomamos em janeiro! Estas são algumas fotos da nossa visita à uma exposição de animais da selva africana:

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Estou fazendo…

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Alguns brinquedos para Lupita. O pai montou a estrutura de papelão e eu decorei. Quando ela estiver um pouquinho mais crescida, planejo a casinha de madeira para durar toda a infância, mas por enquanto, prefiro brinquedos e brincadeiras com materiais baratos, especialmente porque as crianças nessa idade são muito curiosas e querem sempre novas coisas. Imagine comprar sempre brinquedos em lojas? Não dá…

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 Estamos lendo…

imageGostamos muito de ler. É algo natural aqui em casa. Comecei a ler livros em voz alta para Lupita quando ela tinha apenas 1 mês. Gostava de ler os livros de Dr.Seuss, pois são cheios de rimas e o autor é muito criativo. O pai e eu estamos sempre com um livro nas mãos, e ela nos imita, pois também é da índole dela. Podia acontecer de, apesar do exemplo, ela não ser tão apreciadora… Mas aconteceu. Não sei se Dimi irá pelo mesmo caminho (por enquanto ele apenas come os livros, rs); faremos como sempre fizemos, mas se ele não seguir com tal facilidade, encontraremos outras formas de ajudá-lo.

Lupita ama a bíblia dela. Ela realmente lê com entusiasmo, conta ou inventa suas próprias versões; freqüentemente pega o livro na estante e passa quase uma hora lendo, praticamente sem incomodar. O mais extraordinário é vê-la conversando com os personagens dos livros. Conversa com todos eles. No caso da bíblia, ela vive dando severas broncas nos soldados romanos por terem machucado Jesus. Vou editar um dos vídeos que gravei e postar aqui… Tenho de me segurar para não rir, e é, ao mesmo tempo, emocionante. O justo seria chorar, porque é de fato comovente vê-la pedir aos soldados romanos que, ao invés de maltratarem Nosso Senhor, eles cuidem Dele. Está é a versão que usamos:

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Lendo, em vários momentos (bom, claro que ela ainda não lê, tem apenas 2 anos e meio):

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Estou precisando…

Voltar a escrever no meu diário espiritual. É uma boa forma de continuar refletindo com Deus algumas coisas da minha vida, especialmente agora, depois de casada, onde nossas vidas parecem tão centradas “neste mundo”.  O tempo de noivado me parece um tempo onde eu estava tão centrada espiritualmente, que às vezes eu sinto como se tivesse sido, em parte, uma aspirante à vida religiosa. Fico feliz de ter aproveitado tão bem esta época, o que só foi possível graças ao namoro santo. Com ele, ganhei um tempo precioso, cheio de paz, em que eu pude me dedicar à boas leituras, retiros, idas frequentes à comunhão.

Estamos planejando…

Comemorar ainda mais o Natal desta vez. Será nosso quarto Natal em família, e ainda temos muito o que nos dedicar. Com as crianças maiores será mais divertido incrementar a data com novas tradições (é impressionante quantos detalhes maravilhosos cercam o aniversário e a tradição de comemorar o aniversário do Senhor!).

Estamos criando…

Um novo apostolado. Há seis anos atrás, começamos no apostolado de modéstia; eu criei meu antigo blog, Teus Vestidos, há quatro anos, e sinto que dei a minha contribuição nesse campo. Senti solidão, em muitas vezes, por causa da falta de união entre as pessoas que também promoviam este apostolado na Igreja, incluindo eu mesma. Até hoje eu sinto que as pessoas que falam deste assunto simplesmente não conseguem se comunicar muito bem, e essa atmosfera tão desgastante foi tirando a minha vontade de continuar. Claro, eu também não imaginei falar sobre o tema por um longo tempo, porque de certa forma, eu sempre fui muito alheia à moda… sou grata a Deus pela inspiração de colocar-me no momento certo dentro deste apostolado, mas agora, me vejo completamente disposta a fazer outra coisa, que envolva aquilo que me ocupa mais hoje em dia: a educação dos filhos. O curso, Pedagogia Católica para Aplicação das Famílias está sendo maravilhoso neste e em muitos sentidos… peço orações para este e outros projetos! Abaixo, gravando o curso:

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Trabalhando os contos de fadas: Parte 2

Esta é a segunda parte do programa (2 de 7).   Tudo o que estiver sublinhado é acréscimo de minha autoria ao texto original. Clique AQUI para ler a parte anterior. O texto abaixo contém uma breve explicação sobre o tema da atividade 2 (desenvolver o conceito de herói) e ideias de exercícios práticos.

João e Maria. Ilustração de Anne Anderson, 1935

Atividade 2

Personagens de conto de fadas: o herói

A maioria dos contos de fadas apresentam pelo menos um herói. O herói pode ser homem ou mulher, rico ou pobre, crianças ou adultos. É importante deixar isso claro, pois hoje em dia a criança tende a associar o conceito de herói com de “super-herói”. 

Esta ilustração é do livro “A pequena Branca de Neve e outros contos de fadas”.Data de cerca de 1898. Baixe ilustração em:

http://beta.nls.uk/media/987347/source-2-print.pdf 

Desafios que um herói pode enfrentar

O herói geralmente é confrontado com um problema que tem de ser resolvido. Isso pode envolver o fato dele ter que sair em um longa jornada, resolver um enigma ou quebra-cabeças, ou realizar uma tarefa difícil ou impossível teste.

O herói muitas vezes tem de enfrentar o perigo e dificuldades, mas vence no final.

O herói muitas vezes tem de derrotar ou capturar o vilão da história, a fim de sobreviver.

Às vezes, o herói tem de salvar alguém que está com problemas ou perigo, como por exemplo, a irmã em “Os seis cisnes”. Em outras ocasiões, o herói tem de salvar a si mesmo, por exemplo, João e Maria, que conseguem escapar da bruxa que vive na casa de gengibre.

O que faz um herói?

O herói é muitas vezes descrito como:

Bom

Gentil

Admirável

Inteligente

Versátil.

 O herói faz o que precisa ser feito, mesmo que possa ser difícil ou desafiador. O herói pode relutar ou ficar com medo de ir em uma viagem ou assumir uma tarefa, mas fará de qualquer maneira.

 O herói não costuma ter poderes mágicos, mas às vezes ele ou ela tem acesso aos ajudantes mágicos ou objetos. Em outras ocasiões, o herói tem de confiar em superar seu inimigo em uma situação que lhe favorece, porque o inimigo não é inteligente o suficiente.

Sugestões de atividades

Atividade Um: Investigativa

Leia as seguintes histórias:

“Os seis cisnes” (Grimm)

“Os sete corvos” (Grimm)

‘Jorinda e Joringel’ (Grimm)

‘Cinderela’

Peça aos alunos para decidir (você vai anotando num quadro branco ou cartolina, por exemplo) :

Quem é o herói da história?

Qual o problema é que o herói tem que resolver? (as crianças atualmente podem entender melhor se você lhes perguntar: qual a missão que ele tem que resolver?)

Como ele ou ela, eventualmente, resolve o problema, e que recursos que eles usam? (quem os ajuda, como o herói escapa de uma situação, se há algum poder mágico, etc)

O que os heróis das histórias têm em comum?

Atividade Dois: Produção escrita. (As crianças que ainda não escrevem devem ser incentivadas a fazer um desenho que represente a notícia que leram como uma ilustração de conto de fadas, transformando a heroína ou herói num príncipe ou princesa, por exemplo) 

Peça aos alunos para pensar em palavras e imagens que se associam com a palavra “herói” . Eles podem pensar ou nomear que pessoas são consideradas heróis nos dias atuais? Que qualidades heróicas fazer essas pessoas? Anote no quadro para expor.

Encontrar exemplos de heróis em notícias recentes. Que tipo de pessoas são descritas como heróis de hoje? Tomemos, por exemplo, uma notícia, e decidir quem é o herói, qual o problema que tinha que resolver ou superar, e como eles conseguiram isso. Peça aos alunos para tentar re-escrever a história da notícia no estilo de um conto de fadas tradicional, usando o que aprenderam da lição anterior: começando com “era uma vez”…

Incentive a criança a adaptar o contexto da notícia para os contos de fadas, por exemplo:

O herói ou heroína são príncipes ou princesas, ou pessoas virtuosas, pobres, mas de bom coração, etc

O local pode ser um reino distante, um mundo mágico, uma floresta encantada

 Atividade Três

Leia ou conte a história de “João e Maria”. Quem é o herói desta história, e por quê? Qual o problema que eles tem de resolver, e os perigos que eles têm de enfrentar ao longo do caminho? Incentivar os alunos a considerar que é possível haver mais de um herói na história. Como o irmão e a irmã trabalham em conjunto para resolver o problema? O que cada um deles faz para ajudar?

Trabalho em equipe ou em dupla:

Escolha um conto de fadas que ainda não tenha sido lido para as crianças. Leia em voz alta apenas até a parte em que a coisa fica complicada e o herói precisa agir. Por exemplo, a história de Rapunzel. Leia até a parte em que ela precisa ser libertada. Como o herói fará isso? Peça para as crianças entrarem num acordo sobre o que pode ser feito para libertar Rapunzel. Depois, leia como termina de fato e compare os finais e pergunte se eles acharam melhor a solução que eles deram ou a solução do conto.

Trabalhando os contos de fadas: Parte 1

Esta é a primeira parte do programa (1 de 7). O interessante é que dentro de cada parte (que eu chamei de atividade), ele propõe pequenas atividades a serem desenvolvidas para explorar o tema. As instruções são  claras e concisas; isto permite que nós, como pais, pensemos em muitas outras possibilidades. Tudo o que estiver sublinhado é acréscimo de minha autoria ao texto original.

Ilustração de Helen Stratton, 1903

PROGRAMA DA BIBLIOTECA NACIONAL DA ESCÓCIA

Disponível em:

http://www.nls.uk/learning-zone/literature-and-language/themes-in-focus/fairy-tales

 

Os contos de fadas para alunos do ensino básico

 Atividade 1

Este recurso de aprendizagem foi criado para professores do ensino primário para inspirar: 

– escrita criativa

– drama

– narração de histórias

– arte e design. 

Sete fontes da Biblioteca Nacional de coleções da Escócia destacam diferentes aspectos dos contos de fadas. 

A atividade1 introduz o tema de contos de fadas como um gênero. Atividades 2, 3 e 4 exploram diferentes tipos de personagens: o herói, o vilão e o ajudante. As atividades 5 e 6 ilustram dois cenários populares onde se passam a maioria dos contos de fadas : a floresta e o castelo. A atividade 7 utiliza uma imagem associada a um conto de fadas, e pergunta: “O que acontece a seguir?” 

Cada atividade é mapeada para o currículo de experiências de excelência e resultados expressivos em Artes e Alfabetização e Inglês para primeiro e segundo níveis.

 

Atividade 1

Definição de contos de fadas 

Perguntas a serem feitas e explicadas durante o primeiro bloco de estudos:

 O que faz um conto de fadas diferente de outros tipos de histórias? 

O que os contos de fadas diferentes têm em comum? 

Há exemplos de contos de fadas de todo o mundo, e as histórias muitas vezes têm temas comuns.

Os Contos de fadas tradicionais foram criados por autores desconhecidos em um longo tempo antes de muitas pessoas poderem até mesmo ler ou escrever. 

As pessoas contavam as histórias uns dos outros. Elas foram passadas ​​de geração em geração, de boca em boca. Os detalhes das histórias podem ter mudado um pouco de acordo com cada autor, mas a mensagem principal permaneceu a mesma. 

Coleta e adaptação 

As histórias foram posteriormente recolhidas, escritas e adaptadas por escritores e estudiosos como Hans Christian Andersen (1805-1875), Charles Perrault (1805-1875), Andrew Lang (1844-1912), Jacob Grimm (1785-1863) e seu irmão Wilhelm Grimm (1786-1859). 

Hoje nós normalmente associamos contos de fadas com a literatura infantil, mas eles foram originalmente destinados para um público misto de adultos e crianças. 

Elementos dos contos de fadas

1 – Uma frase comum usada no início e no fim da história: A maioria dos contos de fadas começa com “era uma vez” ou “há muito tempo”, e terminam dizendo ao leitor que os personagens ‘viveram felizes para sempre “. 

Os contos de fadas são contados como se a história tivesse acontecido há um tempo atrás, mas não em um determinado período da história, e eles geralmente têm um final feliz onde o herói triunfa (vence) após uma adversidade. 

2 – Repetição: Muitas vezes existem repetições ao longo do conto, o que cria um certo ritmo para a história, e também ajuda as pessoas a lembrarem do que aconteceu. Frases ou palavras específicas podem ser repetidos e eventos acontecem frequentemente em grupos de três ou sete. Por exemplo, Rumpelstiltskin girando a palha em ouro em três ocasiões e exigindo três recompensas da filha do moleiro. 

3 – Um elemento de magia: Por exemplo personagens que possuem poderes mágicos que eles usam para objetos bons ou maus, ou que podem ser usados ​​para fazer um desejo. Alguns personagens são capazes de mudar de forma, como o sapo que se transforma em um príncipe. 

Os contos de fadas, muitas vezes apresentam personagens que são míticos ou mágicos, como bruxas, duendes e fadas. 

4 – Um problema que precisa ser resolvido: Por exemplo, um desafio físico que só pode ser realizado pelo herói ou personagem central. 

Típicos tipos de personagens: 

Herói

Vilão

Ajudante. 

Locais onde se passam as histórias: 

Por exemplo, uma floresta e / ou definição de castelo são comuns em muitos contos de fadas. 

Sugestões de atividades

Primeira atividade:

Desenhar uma tabela com alguns títulos de contos de fadas favoritos de um lado, e alguns ou todos os seguintes elementos do outro lado: 

– Objetos mágicos ou poderes

– Vilão

– Ajudante

– Herói

– Problema a ser resolvido

– Repetição – grupos de três ou sete frases repetidas;

-Família real – rei, rainha ou princesa.

 Leia os contos de fadas em voz alta para as crianças. Depois que lerem alguns contos, faça a tabela como descrita acima, e vá marcando quais elementos estão presentes em cada história. Por exemplo, se lerem Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela, As doze princesas dançarinas e A Bela e a Fera. Pergunte as crianças: Em Branca de Neve tem vilão? E marque com um X na tabela. E por aí vai com todos os elementos e em todas as histórias que estiverem na tabela. Depois pergunte: Quantos elementos da história é que os contos de fadas têm em comum? Peça aos alunos para pensarem em quaisquer outros elementos da história que podem ser comuns a todos ou só a alguns dos contos de fadas. 

Segunda atividade: 

Imprima a versão grande da ilustração da capa de “Meu livro de contos de fadas favoritos “

disponível em:

http://www.nls.uk/media/1038456/source-1-print.pdf

 

Peça a seus alunos para olharem para ele. O que tem nessa imagem que lhe diz que este é um livro de contos de fadas?

Compare esta ilustração com outro livro, mais moderno, de contos de fadas em sua escola ou biblioteca local(ou procure na internet) Peça aos alunos para decidirem que estilo ou  ilustração que mais gostam, e que o livro / edição eles preferem ler.

Peça a seus alunos para bolar a sua própria capa do livro de “Contos de fadas de Grimm”. Você pode gostar de fornecer um resumo do projeto. Os alunos terão de desenhar na folha toda, e planejar a capa cuidadosamente, incluindo o tipo de letra e as letras do título, bem como o desenho da página. O desenho da capa de trás do livo também poderia ser incluído, assim como a importante synopsis. Mostre como os livros são e diga como eles podem fazer. Dependendo da idade dos alunos você pode estimulá-los mais. Lembre a eles que a capa deve ser bem interessante, para que as pessoas tenham vontade de comprar o livro. Que capa você faria se no seu livro tivesse os contos que nós lemos (os mesmos da atividade do quadro)? Pergunte isso a seus alunos para incentivá-los.

 Terceira Atividade: 

Escolha um conto de fadas (por exemplo, Cinderella), e pesquise como foi ilustrado por artistas diferentes ao longo dos séculos. Procure na internet, por exemplo, e faça slides no computador e mostre a seus alunos. Pergunte: Que partes da história é que cada um enfatizam? Peça aos alunos para decidir quais cenas eles vão escolher para desenhar. 

Depois que escolherem a cena feche as imagens e deixe que os alunos façam o desenho da cena escolhida, pensando no que viram e na própria ideia da cena.

 Quarta atividade: 

Explique que os contos de fadas eram tradicionalmente parte da tradição oral, e foram passadas de boca em boca. Depois peça para cada um dos alunos re-contar um conto de fadas, apenas lembrando de cabeça. O que muda na história que cada um está dizendo? Ouça novamente a versão original e vejam o que mudou.

Peça aos alunos para pensar em contos de fadas que eles conheçam a partir de versões de filmes. Compare uma versão do filme com uma versão mais tradicional da história. Quais os elementos que as duas versões têm em comum? Como é que o filme difere da tradicional história? Pesquise outras formas de contar a história (a internet é boa para isso) como ballets, teatro, história em quadrinhos, quadros, escultura. Faça lindos slides e mostre a seus alunos como as histórias que eles leram aparecem em outras formas de arte.

 Quinta atividade:

Desenhe uma grade com 23 caixas, uma para cada letra do alfabeto. Peça aos alunos para refletirem / pensarem em uma palavra com cada letra que se relacione com contos de fadas (por exemplo, castelo, cavalo, bruxa, espada, etc). Use as palavras para discutir como definir e descrever o gênero dos contos de fadas. Pode ser também que conto de fadas começa com a letra B? E a letra M?