Trabalhando os contos de fadas: Parte 2

Esta é a segunda parte do programa (2 de 7).   Tudo o que estiver sublinhado é acréscimo de minha autoria ao texto original. Clique AQUI para ler a parte anterior. O texto abaixo contém uma breve explicação sobre o tema da atividade 2 (desenvolver o conceito de herói) e ideias de exercícios práticos.

João e Maria. Ilustração de Anne Anderson, 1935

Atividade 2

Personagens de conto de fadas: o herói

A maioria dos contos de fadas apresentam pelo menos um herói. O herói pode ser homem ou mulher, rico ou pobre, crianças ou adultos. É importante deixar isso claro, pois hoje em dia a criança tende a associar o conceito de herói com de “super-herói”. 

Esta ilustração é do livro “A pequena Branca de Neve e outros contos de fadas”.Data de cerca de 1898. Baixe ilustração em:

http://beta.nls.uk/media/987347/source-2-print.pdf 

Desafios que um herói pode enfrentar

O herói geralmente é confrontado com um problema que tem de ser resolvido. Isso pode envolver o fato dele ter que sair em um longa jornada, resolver um enigma ou quebra-cabeças, ou realizar uma tarefa difícil ou impossível teste.

O herói muitas vezes tem de enfrentar o perigo e dificuldades, mas vence no final.

O herói muitas vezes tem de derrotar ou capturar o vilão da história, a fim de sobreviver.

Às vezes, o herói tem de salvar alguém que está com problemas ou perigo, como por exemplo, a irmã em “Os seis cisnes”. Em outras ocasiões, o herói tem de salvar a si mesmo, por exemplo, João e Maria, que conseguem escapar da bruxa que vive na casa de gengibre.

O que faz um herói?

O herói é muitas vezes descrito como:

Bom

Gentil

Admirável

Inteligente

Versátil.

 O herói faz o que precisa ser feito, mesmo que possa ser difícil ou desafiador. O herói pode relutar ou ficar com medo de ir em uma viagem ou assumir uma tarefa, mas fará de qualquer maneira.

 O herói não costuma ter poderes mágicos, mas às vezes ele ou ela tem acesso aos ajudantes mágicos ou objetos. Em outras ocasiões, o herói tem de confiar em superar seu inimigo em uma situação que lhe favorece, porque o inimigo não é inteligente o suficiente.

Sugestões de atividades

Atividade Um: Investigativa

Leia as seguintes histórias:

“Os seis cisnes” (Grimm)

“Os sete corvos” (Grimm)

‘Jorinda e Joringel’ (Grimm)

‘Cinderela’

Peça aos alunos para decidir (você vai anotando num quadro branco ou cartolina, por exemplo) :

Quem é o herói da história?

Qual o problema é que o herói tem que resolver? (as crianças atualmente podem entender melhor se você lhes perguntar: qual a missão que ele tem que resolver?)

Como ele ou ela, eventualmente, resolve o problema, e que recursos que eles usam? (quem os ajuda, como o herói escapa de uma situação, se há algum poder mágico, etc)

O que os heróis das histórias têm em comum?

Atividade Dois: Produção escrita. (As crianças que ainda não escrevem devem ser incentivadas a fazer um desenho que represente a notícia que leram como uma ilustração de conto de fadas, transformando a heroína ou herói num príncipe ou princesa, por exemplo) 

Peça aos alunos para pensar em palavras e imagens que se associam com a palavra “herói” . Eles podem pensar ou nomear que pessoas são consideradas heróis nos dias atuais? Que qualidades heróicas fazer essas pessoas? Anote no quadro para expor.

Encontrar exemplos de heróis em notícias recentes. Que tipo de pessoas são descritas como heróis de hoje? Tomemos, por exemplo, uma notícia, e decidir quem é o herói, qual o problema que tinha que resolver ou superar, e como eles conseguiram isso. Peça aos alunos para tentar re-escrever a história da notícia no estilo de um conto de fadas tradicional, usando o que aprenderam da lição anterior: começando com “era uma vez”…

Incentive a criança a adaptar o contexto da notícia para os contos de fadas, por exemplo:

O herói ou heroína são príncipes ou princesas, ou pessoas virtuosas, pobres, mas de bom coração, etc

O local pode ser um reino distante, um mundo mágico, uma floresta encantada

 Atividade Três

Leia ou conte a história de “João e Maria”. Quem é o herói desta história, e por quê? Qual o problema que eles tem de resolver, e os perigos que eles têm de enfrentar ao longo do caminho? Incentivar os alunos a considerar que é possível haver mais de um herói na história. Como o irmão e a irmã trabalham em conjunto para resolver o problema? O que cada um deles faz para ajudar?

Trabalho em equipe ou em dupla:

Escolha um conto de fadas que ainda não tenha sido lido para as crianças. Leia em voz alta apenas até a parte em que a coisa fica complicada e o herói precisa agir. Por exemplo, a história de Rapunzel. Leia até a parte em que ela precisa ser libertada. Como o herói fará isso? Peça para as crianças entrarem num acordo sobre o que pode ser feito para libertar Rapunzel. Depois, leia como termina de fato e compare os finais e pergunte se eles acharam melhor a solução que eles deram ou a solução do conto.

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Trabalhando os contos de fadas: Parte 1

Esta é a primeira parte do programa (1 de 7). O interessante é que dentro de cada parte (que eu chamei de atividade), ele propõe pequenas atividades a serem desenvolvidas para explorar o tema. As instruções são  claras e concisas; isto permite que nós, como pais, pensemos em muitas outras possibilidades. Tudo o que estiver sublinhado é acréscimo de minha autoria ao texto original.

Ilustração de Helen Stratton, 1903

PROGRAMA DA BIBLIOTECA NACIONAL DA ESCÓCIA

Disponível em:

http://www.nls.uk/learning-zone/literature-and-language/themes-in-focus/fairy-tales

 

Os contos de fadas para alunos do ensino básico

 Atividade 1

Este recurso de aprendizagem foi criado para professores do ensino primário para inspirar: 

– escrita criativa

– drama

– narração de histórias

– arte e design. 

Sete fontes da Biblioteca Nacional de coleções da Escócia destacam diferentes aspectos dos contos de fadas. 

A atividade1 introduz o tema de contos de fadas como um gênero. Atividades 2, 3 e 4 exploram diferentes tipos de personagens: o herói, o vilão e o ajudante. As atividades 5 e 6 ilustram dois cenários populares onde se passam a maioria dos contos de fadas : a floresta e o castelo. A atividade 7 utiliza uma imagem associada a um conto de fadas, e pergunta: “O que acontece a seguir?” 

Cada atividade é mapeada para o currículo de experiências de excelência e resultados expressivos em Artes e Alfabetização e Inglês para primeiro e segundo níveis.

 

Atividade 1

Definição de contos de fadas 

Perguntas a serem feitas e explicadas durante o primeiro bloco de estudos:

 O que faz um conto de fadas diferente de outros tipos de histórias? 

O que os contos de fadas diferentes têm em comum? 

Há exemplos de contos de fadas de todo o mundo, e as histórias muitas vezes têm temas comuns.

Os Contos de fadas tradicionais foram criados por autores desconhecidos em um longo tempo antes de muitas pessoas poderem até mesmo ler ou escrever. 

As pessoas contavam as histórias uns dos outros. Elas foram passadas ​​de geração em geração, de boca em boca. Os detalhes das histórias podem ter mudado um pouco de acordo com cada autor, mas a mensagem principal permaneceu a mesma. 

Coleta e adaptação 

As histórias foram posteriormente recolhidas, escritas e adaptadas por escritores e estudiosos como Hans Christian Andersen (1805-1875), Charles Perrault (1805-1875), Andrew Lang (1844-1912), Jacob Grimm (1785-1863) e seu irmão Wilhelm Grimm (1786-1859). 

Hoje nós normalmente associamos contos de fadas com a literatura infantil, mas eles foram originalmente destinados para um público misto de adultos e crianças. 

Elementos dos contos de fadas

1 – Uma frase comum usada no início e no fim da história: A maioria dos contos de fadas começa com “era uma vez” ou “há muito tempo”, e terminam dizendo ao leitor que os personagens ‘viveram felizes para sempre “. 

Os contos de fadas são contados como se a história tivesse acontecido há um tempo atrás, mas não em um determinado período da história, e eles geralmente têm um final feliz onde o herói triunfa (vence) após uma adversidade. 

2 – Repetição: Muitas vezes existem repetições ao longo do conto, o que cria um certo ritmo para a história, e também ajuda as pessoas a lembrarem do que aconteceu. Frases ou palavras específicas podem ser repetidos e eventos acontecem frequentemente em grupos de três ou sete. Por exemplo, Rumpelstiltskin girando a palha em ouro em três ocasiões e exigindo três recompensas da filha do moleiro. 

3 – Um elemento de magia: Por exemplo personagens que possuem poderes mágicos que eles usam para objetos bons ou maus, ou que podem ser usados ​​para fazer um desejo. Alguns personagens são capazes de mudar de forma, como o sapo que se transforma em um príncipe. 

Os contos de fadas, muitas vezes apresentam personagens que são míticos ou mágicos, como bruxas, duendes e fadas. 

4 – Um problema que precisa ser resolvido: Por exemplo, um desafio físico que só pode ser realizado pelo herói ou personagem central. 

Típicos tipos de personagens: 

Herói

Vilão

Ajudante. 

Locais onde se passam as histórias: 

Por exemplo, uma floresta e / ou definição de castelo são comuns em muitos contos de fadas. 

Sugestões de atividades

Primeira atividade:

Desenhar uma tabela com alguns títulos de contos de fadas favoritos de um lado, e alguns ou todos os seguintes elementos do outro lado: 

– Objetos mágicos ou poderes

– Vilão

– Ajudante

– Herói

– Problema a ser resolvido

– Repetição – grupos de três ou sete frases repetidas;

-Família real – rei, rainha ou princesa.

 Leia os contos de fadas em voz alta para as crianças. Depois que lerem alguns contos, faça a tabela como descrita acima, e vá marcando quais elementos estão presentes em cada história. Por exemplo, se lerem Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela, As doze princesas dançarinas e A Bela e a Fera. Pergunte as crianças: Em Branca de Neve tem vilão? E marque com um X na tabela. E por aí vai com todos os elementos e em todas as histórias que estiverem na tabela. Depois pergunte: Quantos elementos da história é que os contos de fadas têm em comum? Peça aos alunos para pensarem em quaisquer outros elementos da história que podem ser comuns a todos ou só a alguns dos contos de fadas. 

Segunda atividade: 

Imprima a versão grande da ilustração da capa de “Meu livro de contos de fadas favoritos “

disponível em:

http://www.nls.uk/media/1038456/source-1-print.pdf

 

Peça a seus alunos para olharem para ele. O que tem nessa imagem que lhe diz que este é um livro de contos de fadas?

Compare esta ilustração com outro livro, mais moderno, de contos de fadas em sua escola ou biblioteca local(ou procure na internet) Peça aos alunos para decidirem que estilo ou  ilustração que mais gostam, e que o livro / edição eles preferem ler.

Peça a seus alunos para bolar a sua própria capa do livro de “Contos de fadas de Grimm”. Você pode gostar de fornecer um resumo do projeto. Os alunos terão de desenhar na folha toda, e planejar a capa cuidadosamente, incluindo o tipo de letra e as letras do título, bem como o desenho da página. O desenho da capa de trás do livo também poderia ser incluído, assim como a importante synopsis. Mostre como os livros são e diga como eles podem fazer. Dependendo da idade dos alunos você pode estimulá-los mais. Lembre a eles que a capa deve ser bem interessante, para que as pessoas tenham vontade de comprar o livro. Que capa você faria se no seu livro tivesse os contos que nós lemos (os mesmos da atividade do quadro)? Pergunte isso a seus alunos para incentivá-los.

 Terceira Atividade: 

Escolha um conto de fadas (por exemplo, Cinderella), e pesquise como foi ilustrado por artistas diferentes ao longo dos séculos. Procure na internet, por exemplo, e faça slides no computador e mostre a seus alunos. Pergunte: Que partes da história é que cada um enfatizam? Peça aos alunos para decidir quais cenas eles vão escolher para desenhar. 

Depois que escolherem a cena feche as imagens e deixe que os alunos façam o desenho da cena escolhida, pensando no que viram e na própria ideia da cena.

 Quarta atividade: 

Explique que os contos de fadas eram tradicionalmente parte da tradição oral, e foram passadas de boca em boca. Depois peça para cada um dos alunos re-contar um conto de fadas, apenas lembrando de cabeça. O que muda na história que cada um está dizendo? Ouça novamente a versão original e vejam o que mudou.

Peça aos alunos para pensar em contos de fadas que eles conheçam a partir de versões de filmes. Compare uma versão do filme com uma versão mais tradicional da história. Quais os elementos que as duas versões têm em comum? Como é que o filme difere da tradicional história? Pesquise outras formas de contar a história (a internet é boa para isso) como ballets, teatro, história em quadrinhos, quadros, escultura. Faça lindos slides e mostre a seus alunos como as histórias que eles leram aparecem em outras formas de arte.

 Quinta atividade:

Desenhe uma grade com 23 caixas, uma para cada letra do alfabeto. Peça aos alunos para refletirem / pensarem em uma palavra com cada letra que se relacione com contos de fadas (por exemplo, castelo, cavalo, bruxa, espada, etc). Use as palavras para discutir como definir e descrever o gênero dos contos de fadas. Pode ser também que conto de fadas começa com a letra B? E a letra M?

 

 

Como trabalhar contos de fadas: um planejamento para as férias

Eu amo contos de fadas. Eles permitem uma abordagem riquíssima de elementos culturais como poucos gêneros literários; são tradicionais e frequentemente têm valores morais bons e cristãos; as crianças amam e são indispensáveis para a formação das mesmas! Estou ajudando uma amiga que gostaria de trabalhar com um tema específico nas férias dos seus filhos, até que o ano letivo comece mais ou menos em março. Escolhemos juntas o tema e pensamos no que poderia ser trabalhado nestes meses, de modo a não apenas ler muitas histórias, mas desenvolver a criatividade e inteligência dos pequenos.

Dito isto, achei nas minhas pesquisas um interessante programa da Biblioteca Nacional da Escócia, que propõe uma série de atividades que promete resultados de excelência no desenvolvimento dos alunos. E, convenhamos, a Escócia entende de contos de fadas! Como está em inglês e eu traduzi o programa para esta minha amiga, postarei aqui no blog nos próximos dias, para quem se interessar e desejar fazer o mesmo com seus filhos. É de grande valia ocupar o tempo de nossos filhos nas férias – onde tantos correm o risco de ficar na ociosidade. Está, portanto, perfeitamente em tempo de você fazer seu próprio planejamento para acompanhar este programa. Eu também fiz alguns acréscimos ao programa  – não por pretensão, mas tendo em vista ajudar a família em específico, e nada impede que você igualmente se beneficie das minhas anotações. Elas estarão indicadas na tradução do texto original.

Comentários a respeito deste planejamento:

Um dos objetivos é ler os contos de fadas originais. Nada impede que você leia também as adaptações, pois há também coisas notáveis em muitas delas. Mas ler as histórias originais fazem toda a diferença, especialmente porque elas são cheias de nuances específicas deste gênero literário, de uma época, e de uma moral. As adaptações costumam atenuar ou mesmo apagar estas nuances. Portanto, selecionamos Perrault, Andersen e os Irmãos Grimm. Ao escolher e comprar os livros a serem trabalhados, preste muita atenção à autoria. “Contos de Andersen” nem sempre são exatamente de Andersen, mas re-contados por outro autor, frequentemente o tradutor. Vale a pena checar as credenciais da edição que você está interessado. Eu vou indicar as edições que estão de acordo com estes critérios e que o meu conhecimento limitado permitir.

As ilustrações são parte importante do programa. Há edições modernas dos contos de fadas que trazem ilustrações grotescas ou pobres de conteúdo estético. Na minha opinião, vale a pena investir em edições que, além de uma boa tradução, tenham igualmente boas gravuras. O programa prevê uma pesquisa à parte sobre os ilustradores (coisa que a internet irá nos facilitar bastante, pois poderemos mostrar aos nossos filhos em formato de slides).

Crianças de todas as idades se adaptam ao programa, sejam ou não alfabetizadas. As principais atividades são: ler os contos de fadas juntos e desenvolver 7 pontos fundamentais. Dentro destes 7 pontos há uma série de atividades propostas. A maioria não exige material além do muito básico; consiste, sobretudo, nos pais estimularem a imaginação da criança através  da investigação intelectual.

Sempre que possível, eu trarei informações adicionais para aplicação do programa. Nossas famílias estão planejando, por exemplo, uma festa temática para o fim do período de estudo. Você pode selecionar filmes, levar as crianças para ver peças teatrais, baixar músicas, fazer artesanato: o tema é realmente muito amplo, e o mercado permite encontrar muitos produtos relacionados a contos de fadas. Cabe aos pais enriquecer o período em que se dedicarão à este estudo, lembrando sempre que não é preciso sobrecarregar as atividades, mas sim incluí-las de forma diluída e natural no dia-a-dia da família. 

Espero que aproveitem e gostem! Fiquem com Deus e a Santíssima Virgem! Aguardem: o programa será postado em partes.

* As ilustrações deste post são de Millicent Sowerby, para o livro Cinderella, de 1915.