Trabalhando os contos de fadas: Partes 4 e 5

Como as partes 4 e 5 do programa são menores, achei por bem reuni-las num único post. Tudo o que estiver sublinhado é acréscimo de minha autoria ao texto original.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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Atividade 4

Personagens de conto de fadas: o ajudante 

Elfos: ilustrado por Walter Crane, 1893.

Baixe a ilustração :

http://www.nls.uk/media/1038465/source-4-print.pdf

 

Na história ilustrada acima, os elfos aparecem magicamente à noite para ajudar um pobre sapateiro a criar belos sapatos a partir de um pequeno pedaço de couro. Ao vender os sapatos, o sapateiro se torna rico. Sua esposa faz miniaturas de roupas para agradecer os elfos por seu trabalho duro. 

Os elfos são exemplos de ajudantes – humanos, animais ou seres mágicos que ajudam o herói ou personagem principal da história. 

Isso pode envolver manter herói a salvo do mal, dar conselhos, ou o fornecimento de um meio de socorro. Os ajudantes são muitas vezes pessoas ou criaturas sem nome ou anônimo, e fornecer ajuda sem exigir nenhuma recompensa. O auxiliar é importante para o sucesso da missão ou jornada do herói. 

Outros exemplos de ajudantes de contos de fadas incluem: 

As aves na versão do Grimm de ‘Cinderela’

A fada madrinha em ‘Bela Adormecida’

 

Sugestões de atividades 

Atividade 1:

Olhe para as seguintes histórias:

‘A Bela Adormecida’

‘Cinderela’ (Grimm)

“O pássaro de ouro” (Grimm)

Para cada um, pedir aos alunos para identificar o ajudante. O que ajudante faz na história? Como a história mudaria, se não houvesse um ajudante? Imagine uma versão alternativa da história , onde o assistente é bem intencionado, mas um pouco desajeitado ou sempre atrasado. Como isso alteraria a história?

Peça para os alunos escreverem o final alternativo. Crianças não-alfabetizadas devem fazer um desenho que represente este final. 

Atividade 2:

Leia Os elfos (Grimm)

Por que você acha que os elfos poderiam querer ajudar o sapateiro e sua esposa? Quais as habilidades que os elfos tem? Por que eles visitam o sapateiro à noite?

Você pode pensar em um momento em que alguém foi capaz de ajudá-lo a fazer alguma coisa? Alguma vez você já foi capaz de ajudar alguém sem que eles soubessem que era você?

Crie uma história que tenha um ajudante seguindo o roteiro. Se a criança não sabe ler, não tem problema, os pais perguntam e a estimulam a criar cada um dos quadros e anotam para ela.

Roteiro:

Atividade 5

Cenários de conto de fadas: a floresta 

Um lugar desconhecido 

A floresta é um dos cenários mais comuns de contos de fadas. É um lugar além da segurança e familiaridade da cidade ou aldeia.Ela representa o desconhecido, onde tudo pode acontecer. Ela é uma experiência incomum, e é tanto um reino mágico quanto um lugar de perigo. É um lugar de liberdade e selvageria, onde as regras normais não se aplicam mais. 

Estranhos eventos podem ter lugar na floresta, e ela pode ser igualmente um lugar de transformação, onde o herói supera várias dificuldades e encontra o caminho para casa. 

Ela também pode representar um esconderijo onde os personagens podem se refugiar, mas também pode representar as coisas que mais tememos. 

Símbolo do mundo natural 

Chapeuzinho Vermelho

A floresta é um símbolo do mundo natural, em contraste com o mundo dos humanos. Representa algo mais primitivo e selvagem. Quando os personagens encontram-se na floresta, corta-se a conexão com o lar e o mundo lá fora. 

A floresta é habitada por criaturas estranhas e mágicas. A qualquer momento você pode encontrar:

Animais falantes

Monstros

Bruxas

Elfos

Fadas. 

As florestas são lugares cheios de mistério, onde a imaginação pode correr solta. 

Quando os contos de fadas foram contados pela primeira vez, as terras do norte e oeste da Europa estavam cheias de densas florestas. Naquela época, a floresta representava perigos muito reais, com bandidos e animais selvagens. 

Sugestões de actividades

Atividade 1

 

Olhe para a figura de João e Maria. Ela representa o momento em que eles foram abandonados no meio da floresta à noite. Peça aos alunos a olhar de perto a imagem e para listar / identificar as criaturas que se escondem no fundo. Quais são animais reais, e que são seres mágicos? Qual das criaturas pode ser útil e quais podem ser amigáveis? Qual parece mais assustadora? Olhe para os personagens de João e Maria: o queeles poderiam sentindo e  pensando?

 

Atividade 2

Pesquisar e observar fotos de florestas.

Criar uma floresta encantada em sua sala de aula ou sala de escola. Decore as paredes com pinturas ou colagens de árvores altas, e criar uma cobertura com folhas de papel de seda. Incluir imagens de animais que vivem nas florestas locais, assim como criaturas imaginadas e personagens de contos de fadas. Adicionar palavras para descrever a floresta.

Você pode produzir uma maquete usando papel crepom, palitos de picolé, gel de cabelo para fazer a água do rio, pequenos brinquedos de brindes de festa, com animais selvagens e plantas… pode incluir uma casinha, representando a casa de doces de João e Maria, ou a casa onde a vovó de Chapeuzinho morava, ou ainda, se aventurar a construir as 3 casas dos Três Porquinhos.

Trabalhando os contos de fadas: Parte 3

Esta é a terceira parte do programa (3 de 7).   Tudo o que estiver sublinhado é acréscimo de minha autoria ao texto original. 

Parte 1.

Parte 2.

Atividade 3: Personagens de contos de fadas: o vilão

 

 Mare Walter, 1923. Branca de Neve e os Sete anões

O bem e o mal 

O vilão é o personagem do mal na história. Sua principal intenção é ferir ou matar o personagem principal, ou para impedi-lo de alcançar o sucesso, amor e felicidade. Os exemplos incluem: 

O lobo em ‘Chapeuzinho Vermelho’

A madrasta e as irmãs feias em ‘Cinderela’

A rainha em ‘Branca de Neve’. 

A luta entre o herói e o vilão – bem e mal – é muitas vezes o centro do conto de fadas e impulsiona a ação na história. O herói e o vilão estão em desacordo um com o outro. Cada um quer um resultado diferente, e isso produz conflito e a competição.

Sugestão de atividades 

Atividade 1 

Selecione as seguintes histórias: (você provavelmente já as leu para as atividades anteriores, então basta pegar novamente os livros, se quiser re-lembrar as crianças e estimulá-las)

‘Cinderela’

‘Branca de Neve’

‘A Bela Adormecida’

“João e Maria” 

Peça aos alunos para decidir:

Quem é o vilão da história?

Que palavras são usadas para descrever o vilão? O que eles parecem?

Será que o vilão tem poderes mágicos, ou eles dependem de esperteza natural e inteligência?

O que acontece com o vilão no final da história?

Compare os vilões nas histórias. O que eles têm em comum, e como eles são diferentes?

Peça para cada criança decidir que vilão é o mais malvado e porquê. 

Atividade 2

Peça aos alunos a escolher um dos contos acima. Peça para cada um re-contar a história a partir do ponto de vista do vilão. Por exemplo, como seria a história na versão da bruxa de João e Maria? Como ela contaria a história se pudesse dizer a alguém como tudo aconteceu? O que o vilão acha da personagem principal ou herói, e por quê? Que sentimentos e pensamentos que eles têm? 

Atividade completamentar desta atividade 2 (funcionando como uma terceira atividade)

Pergunte a criança se ela achou justo o que aconteceu com o vilão de cada história selecionada na atividade 1. Peça para ela dizer que outra coisa poderia ter acontecido no final para salvar o herói de cada história e fazer um desenho sobre pelo menos 2 finais destes. Por exemplo: se a bruxa de João e Maria não tivesse sido empurrada no fogo, que outra coisa poderia ter acontecido com ela para os irmãos escaparem? 

Atividade 3

Trabalhar com a classe para criar alguns ‘cartazes de “procurados” para alguns dos vilões de contos de fadas mais famosos, como o lobo em ‘Chapeuzinho Vermelho’, a rainha em ‘Branca de Neve’, ou a bruxa de “João e Maria” . Cada cartaz deve caracterizar um retrato do vilão, uma descrição de sua personalidade e como eles se parecem, e os detalhes do por que eles são procurados pela polícia. Você pode usar recortes de gravuras destes vilões. Se as crianças não sabem o que são cartazes de procurados pela polícia é uma boa ocasião para ensiná-las. Mostre que quando um bandido faz algo errado, ás vezes a polícia espalha cartazes pela cidade com a foto e a descrição do que ele fez  e o porquê dele precisar ser preso) 

Atividade 4

Use a silhueta da bruxa para criar o modelo para um fantoche. Escolha um conto de fadas, que apresenta uma bruxa, e trabalhar com a classe para criar bonecos de fantoche com base em outros personagens. Re-contar o conto de fadas com os fantoches.

Baixe a ilustração em:

http://www.nls.uk/media/1038462/source-3-print.pdf 

Atividade 5

Olhe para a imagem da bruxa do item anterior. O que está acontecendo na foto? O que é a bruxa está fazendo? O que poderia ser a sua relação com o bebê? O que pode acontecer em seguida na história? Se a criança escreve, peça para ela escrever um parágrafo ou dois que possam resumir uma historinha baseada nesta gravura, lembrando a ela de incluir o que a bruxa quer fazer com o bebê e quem poderá salvá-lo (o herói). Se a criança não escreve, peça para ela imaginar quem poderia salvar o bebê da bruxa (que herói ou heroína) e peça para ela fazer um desenho de como seria esse herói.

Como trabalhar contos de fadas: um planejamento para as férias

Eu amo contos de fadas. Eles permitem uma abordagem riquíssima de elementos culturais como poucos gêneros literários; são tradicionais e frequentemente têm valores morais bons e cristãos; as crianças amam e são indispensáveis para a formação das mesmas! Estou ajudando uma amiga que gostaria de trabalhar com um tema específico nas férias dos seus filhos, até que o ano letivo comece mais ou menos em março. Escolhemos juntas o tema e pensamos no que poderia ser trabalhado nestes meses, de modo a não apenas ler muitas histórias, mas desenvolver a criatividade e inteligência dos pequenos.

Dito isto, achei nas minhas pesquisas um interessante programa da Biblioteca Nacional da Escócia, que propõe uma série de atividades que promete resultados de excelência no desenvolvimento dos alunos. E, convenhamos, a Escócia entende de contos de fadas! Como está em inglês e eu traduzi o programa para esta minha amiga, postarei aqui no blog nos próximos dias, para quem se interessar e desejar fazer o mesmo com seus filhos. É de grande valia ocupar o tempo de nossos filhos nas férias – onde tantos correm o risco de ficar na ociosidade. Está, portanto, perfeitamente em tempo de você fazer seu próprio planejamento para acompanhar este programa. Eu também fiz alguns acréscimos ao programa  – não por pretensão, mas tendo em vista ajudar a família em específico, e nada impede que você igualmente se beneficie das minhas anotações. Elas estarão indicadas na tradução do texto original.

Comentários a respeito deste planejamento:

Um dos objetivos é ler os contos de fadas originais. Nada impede que você leia também as adaptações, pois há também coisas notáveis em muitas delas. Mas ler as histórias originais fazem toda a diferença, especialmente porque elas são cheias de nuances específicas deste gênero literário, de uma época, e de uma moral. As adaptações costumam atenuar ou mesmo apagar estas nuances. Portanto, selecionamos Perrault, Andersen e os Irmãos Grimm. Ao escolher e comprar os livros a serem trabalhados, preste muita atenção à autoria. “Contos de Andersen” nem sempre são exatamente de Andersen, mas re-contados por outro autor, frequentemente o tradutor. Vale a pena checar as credenciais da edição que você está interessado. Eu vou indicar as edições que estão de acordo com estes critérios e que o meu conhecimento limitado permitir.

As ilustrações são parte importante do programa. Há edições modernas dos contos de fadas que trazem ilustrações grotescas ou pobres de conteúdo estético. Na minha opinião, vale a pena investir em edições que, além de uma boa tradução, tenham igualmente boas gravuras. O programa prevê uma pesquisa à parte sobre os ilustradores (coisa que a internet irá nos facilitar bastante, pois poderemos mostrar aos nossos filhos em formato de slides).

Crianças de todas as idades se adaptam ao programa, sejam ou não alfabetizadas. As principais atividades são: ler os contos de fadas juntos e desenvolver 7 pontos fundamentais. Dentro destes 7 pontos há uma série de atividades propostas. A maioria não exige material além do muito básico; consiste, sobretudo, nos pais estimularem a imaginação da criança através  da investigação intelectual.

Sempre que possível, eu trarei informações adicionais para aplicação do programa. Nossas famílias estão planejando, por exemplo, uma festa temática para o fim do período de estudo. Você pode selecionar filmes, levar as crianças para ver peças teatrais, baixar músicas, fazer artesanato: o tema é realmente muito amplo, e o mercado permite encontrar muitos produtos relacionados a contos de fadas. Cabe aos pais enriquecer o período em que se dedicarão à este estudo, lembrando sempre que não é preciso sobrecarregar as atividades, mas sim incluí-las de forma diluída e natural no dia-a-dia da família. 

Espero que aproveitem e gostem! Fiquem com Deus e a Santíssima Virgem! Aguardem: o programa será postado em partes.

* As ilustrações deste post são de Millicent Sowerby, para o livro Cinderella, de 1915.