Minha peça sobre São Nicolau

Atendendo à pedidos, minha pequena peça sobre São Nicolau. Pode ser representada por atores, fantoches de todos os tipos. Eu uso as figuras encontradas NESTE LINK, recortadas e colocadas em palitos. Eu imprimo o boneco de São Nicolau algumas vezes para aproveitar o seu rosto e colo o mesmo nas outras roupas (já que os bonecos são como aquelas figuras para trocar roupinhas). Espero que gostem da peça! Clique abaixo:

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Fiquem com Deus!

Só peço uma gentileza: se você fizer a peça, pode me enviar uma foto? Para o meu e-mail (chamasdolar@hotmail.com) ou via facebook! Deus abençoe!

Como ficou a representação:

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As figuras:

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As crianças da peça eu não lembro de onde peguei as imagens, mas você pode usar qualquer figura de criança, como estas:

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Sobre São Nicolau (e o Natal)

Todos conhecem o Papai Noel. Uma parte de nós, católicos, sabe que a figura do Bom Velhinho deriva, na verdade, de um Santo Católico – mais especificamente, São Nicolau. Simples assim? Nem tanto.

Conheço famílias católicas que substituem a lenda e figura do Papai Noel por São Nicolau: é ele quem vem trazer os presentes no dia 25 de  dezembro.  Particularmente, eu não concordo com essa visão, e mais adiante, direi os motivos. Primeiro, vamos (tentar) compreender a “história”. Afinal, como foi que São Nicolau, um bispo da Igreja, virou o Papai Noel?

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Historicamente falando, São Nicolau foi um bispo que nasceu por volta de 270. Ele é bastante conhecido por sua generosidade. O que mais se conta sobre ele é que, em vida, ele livrou três filhas de um homem pobre e pagão da prostituição, atirando-lhes pela janela (sem ser visto) sacos com moedas de ouro, para que pudessem ter um dote.  Seu culto cresceu enormemente durante os séculos, e os milagres que realizou ajudaram a multiplicar seu caráter generoso. Sua festa é comemorada no dia 06 de dezembro.

Como um bispo da Igreja vira um velhinho gordo e com cara de fanfarrão? Não, não foi só culpa da Coca-Cola. Tem mais relação com uma lenda antiga sobre a “Personificação de Natal” e o protestantismo.

Li muitas coisas a respeito disso, tentando compreender o “dilema” e confesso que não entendi completamente, pois quando se trata de uma figura lendária – ou, no caso, duas – as informações muitas vezes são contraditórias. Vou tentar ser concisa, de modo que você possa saber alguma coisa, no caso de querer  explicar para as crianças…

A história de São Nicolau foi ganhando muitos adicionais fantasiosos, mais parecidos com contos de fadas.  É preciso distinguir a história real do santo (incluindo os milagres que ele realizou ao longo dos séculos) do próprio personagem São Nicolau: é desse personagem que vêm a ideia de presentear os bons e castigar os maus, por exemplo,mas não na noite de natal (e sim no dia de sua festa, 06 de dezembro). Um pouco sobre a vida do Santo, você já conhece. A do personagem foi mais ou menos assim:

São Nicolau sempre foi um santo muito popular em muitos países. Uma tradição muito famosa ligada a seu culto foi o da distribuição de presentes no seu dia, primeiro por parte de religiosas para crianças carentes, depois pelos pais, de uma forma geral. Ora, as crianças começaram a esperar com ansiedade o dia de São Nicolau, para ganharem alguma coisa. Não tardou para que os pais começassem a atribuir a entrega dos presentes à São Nicolau em pessoa – e, ao mesmo tempo, os pais tinham nas mãos algo com que negociar com seus filhos: comportem-se bem, e ganharão algum presente no dia de São Nicolau, comportem-se mau e não receberão nada (bom, em alguns países, como a França, esse nada podem ser chicotadas!).

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(notem a figura de roupa vermelha e chifres atrás de São Nicolau)

O interessante é que, em vários países, há um segundo personagem que “pune” as crianças mal-comportadas. Na França, é o “Pai-Chicote” ( Père Fouettard), que distribui chicotadas e presentes ruins, como pedras. Este seria um homem que, em vida, matava crianças junto com sua esposa; São Nicolau descobre seus crimes e o pune: em algumas versões da lenda, ele se arrepende e se torna um servo por conta própria, enquanto em outras, é forçado a ajudar. Na Alemanha, a companhia de São Nicolau é o Servo Rupert, que carrega um saco de cinzas. É ele quem perguntaria às crianças se elas sabem rezar: em caso afirmativo, ganham doces e nozes, em caso negativo, levam uma sova com o saco dele. Aterrorizante? Rupert é um nome comum para um demônio na Alemanha, que, aliás, é uma das origens da sombria “companhia de São Nicolau”, que na versão mais antiga seria literalmente um demônio que, acorrentado ao Santo, seria obrigado a caminhar com este no dia 06 de dezembro para assustar as crianças mal-comportadas. Se eu não me engano, em alguns contos de Grimm há referência a este personagem.

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Servo Rupert

As versões mais modernas trazem o ajudante como um mouro. Jan Schenkman, um professor de escola primária escreve, no século 19, um livro chamado “São Nicolau e seu Servo”, que pela primeira vez traz as caraterísticas deste personagem, mais tarde batizado como Zwarte Piet. Alguns sacerdotes e professores mostravam muita preocupação com as antigas companhias de São Nicolau, pois haviam se tornado realmente severas para as crianças, de modo que o mouro acabou ganhando espaço, por ser mais simpático e aceitável. Na lenda, ele simplesmente ajuda São Nicolau e distribui os doces.

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Ajudante amigável

Mas e o Papai Noel? Como entrou nessa história toda?

Bem, paralelo à isso, desde os anos 1100, mais ou menos, há o que alguns poemas chamam de “Personificação do Natal” , que seria uma espécie de  impulso para as pessoas – adultos, no caso – festejarem com maior regalia. É muitas vezes referido como “The Old Christmas”, (O Velho Natal), mas que, inicialmente, em nada tem relação com um homem velho de fato. Dando a notícia de que chegou o natal, o Mr. Christmas ou Noel incentiva todos a comerem e beberem – é, portanto, uma espécie de “ethos” que chama a si mesmo de Natal. Quando os puritanos começaram a atacar os festejos da pré-reforma, os que defendiam as festas começaram então a representar esse Sr.Natal como um velho e gentil cavalheiro, chamando-o de “Pai Natal”. A briga foi ferrenha por muito tempo – entre puritanos e defensores do Natal de outras denominações. Essa figura não é associada à crianças e muito menos à distribuição de presentes, mas está relacionada à própria comemoração do Natal, daí sempre mostrar este agora velho e alegre Pai Natal, comendo e bebendo, um tanto gordo e demasiadamente festeiro.

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Em algum ponto, portanto, as duas lendas – São Nicolau e Pai Natal – se fundiram.  Clement Moore, que escreveu o poema “Uma visita de São Nicolau”, mais conhecido como “A véspera de Natal” (eu indiquei aqui no blog como um dos livros de natal), descreve o personagem com muitas das características de como vemos hoje o Papai Noel. Muitas coisas contribuíram para a fusão dos dois. O próprio culto de São Nicolau foi perdendo a força em muitos países – e, no entanto, a entrega dos presentes precisa ser feita, de modo que foram atribuindo isso ao Pai Natal, que acabou incorporando as demais características da lenda de São Nicolau. Os ajudantes viraram duendes – criaturas também sombrias, se formos conhecer a origem da maioria dos contos de fadas. Ocorre também que no século XX, em matéria de publicidade, era muito melhor investir numa figura não-católica para difundir o Natal, e dessa forma, o Papai Noel foi consolidado de vez. Os cartões de Natal de final do século 19 contribuíram muito para isso, pois o Father Christmas era muitas vezes desenhado em cenas clássicas de São Nicolau, como a distribuição de presentes para crianças.

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Voltando à comemoração do Natal, eu não vejo sentido algum em substituir a figura de Papai Noel por São Nicolau, se isto significar trazê-lo para o dia 25 de dezembro para distribuir presentes. Não tem mesmo relação com a verdadeira história do santo, e nem sequer com a lenda do santo; mas o ponto principal é que agindo assim você não estará resolvendo realmente o problema de se ter uma figura como o Papai Noel no dia do nascimento de Cristo. Ainda que se refira à um Santo católico, as crianças vão continuar esperando por presentes e por este homem cativante, e perde-se o real e único sentido da Noite Feliz. Aqui em casa, 25 de dezembro é somente para comemorar o nascimento do Menino Jesus (com troca de presentes), ao passo que São Nicolau é carinhosamente lembrado no seu dia próprio, o que pode incluir doces e lembranças.